Charme e humour no ensaio

Eis-nos, leitores, diante de um ensaísta de charme, para usara expressão de Alexandre Soares Silva na apresentação deste “Saudades dos cigarros que nunca fumarei”. Nele, Gustavo Nogy reabilita uma escrita que prova que “nem tudo precisa ser grave na vida”, dando razões para se rir e pensar a um só tempo. Tento nesta crônica provar que Nogy … Continuar lendo Charme e humour no ensaio

A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

Em “A biblioteca à noite”, o argentino Alberto Manguel transcreve trecho de uma carta do cônsul romano Cícero que, por volta do ano 36 a.C., escrevia ao amigo Ático, sentado em seu estúdio à beira-mar em Antium. “Eu me divirto com os livros, dos quais tenho boa provisão em Antium, ou conto as ondas – … Continuar lendo A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

O canto do mar (S-J. Perse)

Leia meu artigo quinzenal em Recorte Lírico. O que pode revelar uma caminhada matinal à beira-mar? É a pergunta que me faço, caminhando todas as manhãs, nesses dias em meu refúgio na Bahia, onde nos fixamos, minha mulher e eu, para cumprir o isolamento forçado, emoldurado pela paisagem marinha desta bela região do país. Sem … Continuar lendo O canto do mar (S-J. Perse)

Meu artigo quinzenal

Contemplando formas eternas 12 de junho de 2020 por Adalberto De Queiroz 1 Comment (Edit) Como um aprendiz de xadrez que estuda com disciplina os movimentos do jogo, leio Filosofia porque amo ler, sem saber com exatidão qual o meu próximo movimento, e por isso mesmo não alimento a pretensão de entrar em disputa com um oponente real, mas … Continuar lendo Meu artigo quinzenal

Poema inédito 2020 (2)

Isaías fala (1)  “Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida,mas agora foi cortada a sua trama.” Contrito, o poeta lê o livro do profeta hebreu.Em busca de palavras, abre o livro, medita sua letra. Antes fora o medo, é bom que se diga;e não fonemas, o que à leitura o moveu.Antes ainda, o apocalipse … Continuar lendo Poema inédito 2020 (2)

Não se esqueça de viver

A É Realizações Editora lança "Não se Esqueça de Viver — Goethe e a tradição dos exercícios espirituais", de Pierre Hadot.Estudioso responsável pela redescoberta do caráter vivencial da filosofia antiga, o autor analisa como isso está presente na visão de mundo goetheana. Pierre Hadot é unanimemente aclamado como o erudito que recuperou a dimensão prática … Continuar lendo Não se esqueça de viver

Recorte lírico

O mundo não está preparado para lidar com a pandemia do Coronavírus, mas pode aprender rapidamente -- e deve. A imprensa não pode (e não deve) criar notícias como se fossem espirros irresponsáveis, sintomas da própria pandemia

Das pragas do Egito ao Apocalipse

Um livro de revelações - o Apocalipse de São João nos mostra visões de uma terra desolada. Decifre essa mensagem do evangelista e a compare com os dias atuais.

Adeus, ano velho…

Como Miguel Torga, o bravo poeta e narrador português, estou quase fechando 2019... "Momentos antes de fechar o cartório/De poeta…" (como dizia Miguel Torga) Certo de que este é um cartório muito especial"— Um registo civil ultra real". Preparamos a navegação para um novo ano, em que um novo ciclo se abre... como esta janela … Continuar lendo Adeus, ano velho…

Nelson Ascher tradutor de Emily Dickinson

O Estado-da-Arte de "O Estado de São Paulo" publicou hoje alguns poemas de Emily Dickinson traduzidos por Nelson Ascher. Ascher já nos havia brindado com as traduções de poetas húngaros. É uma coisa sofisticada e quase impossível para 90.1% de nós brasileiros, presos à "última flor do Lácio", incapazes quase de nos aventurarmos por outros … Continuar lendo Nelson Ascher tradutor de Emily Dickinson

DIÁRIO DO WORDPRESS

Sempre um bom texto.

Salomão Rovedo: Um conto, uma história

Arte é transfiguração

Quando em 1911 Thomas Mann começou a escrever A morte em Veneza e trocou a arte do personagem de compositor para escritor, estava escondendo a comoção que padeceu com a morte recente de Gustav Mahler. O personagem virou escritor, mas manteve o prenome. A história mescla elementos autobiográficos e biográficos com um elemento que perturbava a sociedade da época: o homossexualismo, o sentimento de culpa – heranças freudianas. O cenário: Veneza! A Veneza luminosa, sagrada, Meca da Europa que acolhia todas as nacionalidades. Nas mãos de Luchino Visconti, Gustav – Dirk Bogarde, impecável – volta a ser compositor, o homossexualismo se realiza como paixão, mas a Pandemia de Cólera (que já atingiu o Brasil 7 vezes!) bota tudo por terra. O Diretor italiano presta no filme a maior das homenagens a um item do vestuário indispensável à época: o chapéu. O Festival de Chapéus prevalece em beleza…

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Poetas em tempo de penúria [Érico Nogueira]

Meu artigo quinzenal na revista Recorte Lírico. https://recortelirico.com.br/2020/07/poetas-tempo-penuria-erico-nogueira/

Sobre Hölderlin

Aviso:aos diletos amigos leitores deste blog.Pouco a pouco, vou migrando para lá... https://betoqueiroz.com.br/artigos/f/o-sil%C3%AAncio-do-poeta---f-h%C3%B6lderlin-1

Horácio – Ode 1/11

singularidade - poesia e etc.

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe,
os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo
da babilônia e aceita: o que há de ser, será,
quer nos dê Jove mais invernos, quer só este
que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe
teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos.
Enquanto eu falo, o tempo evade-se invejoso.
Apanha o dia e não confies no amanhã.

Trad.: Nelson Ascher

1/11

Tu ne quaesieris (scire nefas) quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati!
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum, sapias, uina liques et spatio breui
spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit inuida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

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Poemas inéditos, 2020 (1)

Isaías fala Vida minha vida de tecelão, que vai tecendo malha simples tal qual a de todo cidadão – era trama antes de lhe cortarem de uma vez sua essência de trama, agora não há tear ou urdidura, não há pente que permita levantar ou abaixar a vista do que tecendo estava, não há passagem … Continuar lendo Poemas inéditos, 2020 (1)