Lucchesi com “Os olhos do deserto” desvela segredos milenares

Em “DESTARTE” no Opção Cultural, em minha crônica literária, mantenho o foco no livro de Marco Lucchesi, “Os olhos do deserto” (2000), um diálogo intercultural e ecumênico com as culturas do Oriente, sobretudo o mundo árabe e judaico.
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“Um livro constrói uma direção…”

Vista em retrospectiva, por esta coluna passaram, em 2017, vários autores críticos, poetas, cronistas, filósofos e o maior teólogo do século XX (J. Ratzinger).
Estes diálogos continuam semanais no ano que estamos começando, sempre em busca do “leitor que queima pestanas“, reavivando a velha “crônica-de-rodapé”, exemplar em Franklin de Oliveira, Augusto Meyer e Temístocles Linhares.
Para ler a coluna desta quinta-feira, clique na imagem abaixo:
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Uma cabeça sem olhos e um corpo sem sepultura…

Livros, meu refúgio ou: uma cabeça sem olhos e um corpo sem sepultura                                                                                 por Adalberto de Queiroz.                                                                                                (originalmente publicado em 2006 no blog “Zadig”)

Um conselho do escritor Marcel Proust me parece o mais sensato nesta hora exata do nosso país e de nosso noticiário: afaste-se dos jornais e se ancore nos livros, para reabilitar algo como “os jornais e as coisas insignificantes” versus “os livros e as coisas essenciais“.

Há muito deixei de ver os jornais de TV – os jornais falados – estão infectados de interesses e de uma retórica gramsciana. Me irritam os jornais. A realidade que lêem para os analfabetos é um prato de propaganda do lulismo, do agnosticismo, da república sindical que se instalou entre nós e da ausência de valores, da tristeza que nos circunda.
E a angústia, olhando para os livros tem outra cara?
– “A angústia é uma cabeça sem olhos.”

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Eis a realidade do nosso país, e de outros ao redor do mundo; realidade que os jornais são incapazes de decifrar.

Lembrai-vos, leitores de jornais, há algum tempo atrás um outro menino jogava a cabeça decepada de um colega por sobre o muro, mas não há suite dos fatos e das interpretações.

Qual é o sacrifício possível numa realidade sem interpretação como esta?
Qual sacrifício aceitável entre nós, brasileiros, exaustos mas incapazes de reação?
Todas as reações foram elegíveis ao supremo altar da representação – o parlamento, inundado de interesses mas ainda menos podre que o reino – a coorte neo-marxista que se exime do dever de solução posto que suprema coorte representando os próprios executores. Dormir com tal ruído, quem há-de?

Que o sacrifício deste pequeno menino carioca seja examinado sob a luz do “acidente de trabalho” de pequenos malfeitores, assaltantes (estes falsos moedeiros) escondidos em pele do cordeiro (da legislação) na caverna do monstro Ciclope (Ulisses às avessas…). Eles não foram capazes de apagar as pistas sobre o asfalto ensangüentado, não se deram conta da violência que cometeram?

Provavelmente, é comum tal intensidade de violência no meio dos pequenos delinquentes sem pena (quem sabe?).
E quem sabe o que se seguirá a essa violência do Rio, quando a Igreja e o Executivo dizem que não há correção – e os magistrados se calam ou torcem a Lei – se negando a admitir ou a exercer de fato o castigo sobre os violentos e assassinos, independentemente de suas idades…

Desde que se acende em um reino ou em uma república este fogo violento e impetuoso, vemos os magistrados aturdidos, as populações apavoradas, o governo desarticulado. A justiça não é mais obedecida; os trabalhos param; as famílias perdem sua coesão, e as ruas sua animação. Tudo se reduz à extrema confusão. Tudo cai em ruínas. Com efeito, tudo é atingido e abalado pelo peso e pela grandeza de uma calamidade tão horrível. As pessoas, sem distinção de estado ou de de fortuna, são afogadas por uma tristeza mortal…Aqueles que ontem enterravam, hoje são enterrados…  Recusa-se qualquer piedade pelos amigos, pois toda piedade é perigosa…

“Todas as leis do amor e da natureza se encontram afogadas ou esquecidas no meio dos horrores de tão grande confusão, as crianças são repentinamente separadas de seus pais, as mulheres dos maridos, os irmãos ou os amigos uns dos outros… Os homens perdem sua coragem natural e, não sabendo mais qual conselho seguir, caminham como cegos desesperados que se obstinam a cada passo em seu medo e em suas contradições.” (1)

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(1) Francisco de Santa Maria, “História de sagradas congregações”, Lisboa, 1697, citado por René GIRARD,  “O Bode Expiatório”, p.20.

Lucchesi, Drummond e adeus! ano velho…

A tendência do cronista, já disse, é fazer o que todos fazem, mas as listas abundam em redor, melhor fazer um levantamento poético-afetivo do ano que finda. E para isso, as musas me concederam lembrar de dois poetas – Lucchesi, tradutor e escritor e do poeta Carlos Drummond de Andrade, que em sua receita de ano novo, constata que há muitos que insistem em sonhar com o champanhe e a birita para desvelar o que só o interior pode revelar: a fórmula de um bom Ano Novo.
**************Clique na figura abaixo para ler a crônica na íntegra!****************

Destarte 28 DEZ 2017.PNG

Livros, 2017

O poeta goiano Heleno Godoy foi muito feliz nesse exercício de nomear o objeto livro. Livraria em Lucca (It.) (c)By Beto Queiroz

O LIVRO
Heleno Godoy*

“Um livro responde às assinaturas
subscritas, incorpora tempestades,
incendeia oceanos poderosos,
ervas frágeis, manhãs que des-
pertam quando a lua ainda
não se foi. Um livro abrange
um delírio, homens livres
e fugitivos. Um livro estreita
relações, anula diferenças
ou estabelece seus contrários,
como a aranha surpreende
sua presa, enredando-lhe
os contornos, sintética, fria,
anagramática. Um livro
é mortal como esmeralda
falha e falsa, reconciliação
de cômodos intervalos.

Mas pode ser violento como
um tribunal ou uma missa
rezada em silêncio, um vinho
bebido em jejum, pão comido
lentar e parcimoniosamente.

Um livro é um sacramento.
É uma sagrada eleição
de eternidade, uma desolação
dirigida, rumor de elementos
em voo para a especulação
de circunstâncias, um quarto
empoeirado, um astronauta
com o corpo em chamas, re-
entrando o espaço finito.

Um livro inventa e cega.
A abelha jovem, o livro se
constrói como um aparelho
funciona, impenetrável em sua
aparente simplicidade externa,
adormecido e intrincado em seu
interior preciso e visitado.
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Um livro constrói uma direção,
ilude um homem, indústria outro.
Todo livro subsidia a luz e a
escuridão. Um livro contra
diz.”

Aos meus seis leitores, deixo a bibliografia de minhas leituras dos últimos cinco meses do ano que finda. Esses livros foram suporte fundamental ao uso da crítica, um exercício semanal que desenvolvo publicando em Opção Cultural Online, coluna “Destarte”. A quem interessar possa, a Lista 2017 – clique no link abaixo para acessar o arquivo em PDF:
https://cloud.acrobat.com/file/53d7292a-7eff-44b3-bf16-0f337c86b632


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(*) Fonte: GODOY, Heleno. “Inventário: poesia reunida, inéditos e dispersos (1963-2015)”. Goiânia: Casa Editorial martelo, 2015. Org. Solange Fiuza Cardoso Yokozawa, p.318/9.

 

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