Road trip 2021

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Uma preguiça ancestral me afasta do blog. Faço atualizações sobre esta viagem que decidimos fazer pelo Brasil afora, nas outras mídias.
Veja e acompanhe no Instagram ou no Facebook. Ou não.
Bon Voyage quand même.

“A tristeza de não ser santo”, Zamboni, via Léon Bloy

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O professor José Carlos Zamboni fala sobre a frase do francês Léon Bloy, de maneira notável. Leiam-no todos!
“É possível aprender alguma coisa com os santos? Descobrimos algo parecido à felicidade — que nada tem a ver, obviamente, com a alegria dos sentidos — quando enfim abrimos mão de pretender decidir, só com nosso limitado discernimento pessoal, sobre as questões fundamentais da vida, e convocamos o auxílio de algum grande santo. A santidade quase perfeita dos grandes santos é a única janela aberta para o outro lado, o lado verdadeiro, a verdade sem nenhum véu de disfarce. Eles souberam, afinal de contas, como viver e como morrer segundo a vontade de Deus. Continua no link. Clique na imagem para partir…

Santo Agostinho de Hipona (354-430)

Em último livro, Alfredo Bosi analisou a obra de Leonardo Da Vinci

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Morreu hoje o professor e crítico literário ALFREDO BOSI (1936-2021), que iria completar 85 anos em agosto deste ano. Todos os amantes das Letras no Brasil somos devedores de Bosi em maior ou menor grau, por seu guia de estudos que marcou toda uma geração de estudiosos da literatura nacional (História concisa da Literatura Brasileira). Neste artigo, vemos que até ao despedir-se legou-nos pérola – neste seu “Arte e conhecimento em Leonardo da Vinci”. Descanse em Paz, nobre professor Alfredo BOSI.

Em último livro, Alfredo Bosi analisou a obra de Leonardo Da Vinci
Alfredo Bosi (1936-2021)

Vocação nacional para a “pagodeira”

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Um texto do emérito professor J.C. Zamboni. Imperdível.

Opus Matris Dei

O desinteresse dos nossos cursos universitários de Letras pelos clássicos mais antigos parece que é congênito ao povo brasileiro. Tudo isso já estava lá, no começo de tudo, na época dos jesuítas e das primeiras caravelas.

Padre Serafim Leite, no primeiro volume de sua vasta e erudita História da Companhia de Jesus no Brasil, mostra com fartura de exemplos o imenso trabalho que os padres da Companhia de Jesus empreenderam, mundo afora, para aprimorar seu método de ensino, o “Ratio Studiorum” (estudo racional, sistemático), que inegavelmente contribuiu para o desenvolvimento da civilização ocidental. O método previa três graus, ou áreas, como preferimos dizer hoje: Letras Humanas, Filosofia e Teologia.

Letras Humanas, que vinha após o ensino elementar, equivalia ao nosso ginasial e se dividia em Retórica, Humanidades (literatura antiga e história) e Gramática (elevada, média e básica). Segundo os jesuítas, a principal preocupação do adolescente devia ser o domínio…

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Cultura literária medieval (3)

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Eis aqui a parte final da série sobre a cultura literária medieval.

Cultura literária medieval (3)

Ainda na minha cruzada pela boa informação sobre a Idade Média, tenho sobre a mesa outro livro do consagrado medievalista brasileiro de saudosa memória – o professor Segismundo Spina, meu mestre na viagem que refaço, e para a qual convido novamente o benévolo leitor a me seguir, sempre alertando que é preciso encontrar guias seguros para entender este período da história. Continue lendo…

Resenha de “Os fios da escrita”, por Miguel Jorge

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Benévolo leitor: eis o artigo do crítico, romancista, contista e libretista de ópera — escritor Miguel Jorge. Fiquei muito honrado com este artigo.

Peça seu exemplar pelo site da Editora Mondrongo.

Peça o seu no site da Mondrongo.

O escritor na biblioteca

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Caros amigos (o que inclui as meninas!): fui convidado pela Biblioteca Pio Vargas, Goiânia, a dar um depoimento sobre a importância do livro e da biblioteca.
Não imaginava que a matéria repercutiria tão bem. Fiquei muito feliz pelo convite. Confiram o vídeo e a repercussão da matéria nos links abaixo. Obrigado à bibliotecária Helenir Freire Batista Machado pelo convite.

matéria na coluna de Teresa Yamada, Goiânia, 20/01/2021.
até o Arroz de Fyesta deu bola para o escritor na biblioteca…rs!

O contágio da mentira, livro

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O livro de Martim Vasques da Cunha (MVC) intitulado "O contágio da mentira" é uma vacina contra a mentira que vem embutida na peste chamada Covid

Um pequenino, mas potente livro de MVC.
Creio que só há mesmo em formato eBook, pela Amazon, mas a leitura vale (muito) a pena.
Deixo alguns trechos e recomendo com entusiasmo aos meus leitores deste blog.

2+0+2+1 = Saúde

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O que todos esperamos hoje parece girar em torno do tema saúde, que de resto não é um tema mas a essência de tudo.

Na foto, meu neto Rodrigo Queiroz Lima, em nosso recanto de retiro, em Guarajuba (BA).

A existência sem saúde parece possível. Não é, no entanto, desejável, admissível. Os seres humanos precisamos desse sopro vital e do bom funcionamento das vísceras para a boa convivência e a existência pacífica.

O exemplo bíblico de Jó prova que a maior privação que pode ser imposta a um servo de D*us é a privação da saúde e não apenas das riquezas e dos seres amados, embora estes estejam entre as maiores riquezas de um homem e da saúde mental.

Eis-nos, pois, diante de graves desafios, tema sobre o que vale o que um sábio bancário e humorista – meu amigo César Miranda, resumiu assim ao olhar para o ano anterior

“O [a] COVID é um “memento mori”, pois nos esquecíamos de que podemos morrer a qualquer hora. Eu me recuso a engrossar o cordão da lamúria que diz que 2020 foi um ano ruim. Qualquer ano é como Deus quer que seja. Estamos vivos. Confiemos! Agradeçamos! Só vejo gente xingando 2020. Não vejo ninguém agradecendo por 2020. Eu perdi meu pai neste ano. Eu amo meu pai e chorei sua perda, passado o luto, agradeço pelos vivos. Somos servos inúteis pedindo salário alto e promoção todo mês e reclamando da vida. Não sejamos assim. Obrigado, Deus, por este 2020. Precisávamos dele. Nos dê sabedoria e o dom da caridade para encarar qualquer ano com a cruz que ele trouxer.”

O que dizer, pois, diante disso: encaremos com fé o ano que se abre pra todos nós – os vivos, que os mortos não louvam o Senhor! Ânimo e Fé. Feliz 2021. Ah, e saúde!

Leituras 2020

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Lista de leituras de 2020 (parte 1) –

Eis aqui, benévolo leitor deste blog, os 5 melhores livros que eu tive a chance de ler (estudar) durante a pandemia.

1. “Sou o primeiro e o último”, de Maurício G. Righi.

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "SOU O PRIMEIRO EO ULTIMO ESTUDO EM TEORIA MIMÉTICA EAPOCALIPSE MAURÍCIO C. RIGHI"

O que torna este livro extraordinário é a soma de um tema instigante com um estilo que conquista o leitor interessado em história, antropologia e teologia. Mas, convenhamos, nenhum desses temas se configura o que se pode chamar de atração decisiva nos tempos atuais, e mesmo assim o que fica de pé é o fato de que o livro é notável porque muito bem escrito, coisa que nem sempre se vê nessa natureza de estudos acadêmicos. Righi propõe ao leitor um olhar aprofundado da obra do pensador francês René Girard sob a perspectiva do Apocalipse. É livro que está mais para o estudo do que para divertimento.

2. Do livro #1, foram derivadas várias leituras, na linha da literatura Apocalíptica, da vertente girardiana e das obras de Dostoiévski. Portanto, para escolher um só dessas duas linhas, fico com o Girard de “Do duplo à unidade”, estudo sobre o autor russo, que reli em “O idiota” e “Os irmãos Karamazov”, que deixo como dica #2. A outra bifurcação da leitura righiana foi a descoberta fantástica que fiz da teóloga inglesa Margaret Barker, da qual estudei “Introdução ao misticismo do Templo” e “Natal – a história original” (deste sai pequeno artigo até o final do ano em Recorte Lírico.Link para o ensaio: https://recortelirico.com.br/…/arte-profetica-dostoievski/

Uma arte profética (Dostoiévski)


3. “Hipérion ou O eremita da Grécia” – foi leitura que me abriu novos horizontes na obra do poeta alemão Friedrich Hölderlin. De sua janela, no quartinho na casa do marceneiro Zimmer, onde mora de favor, eu descortinei um mundo – da torre cilíndrica encimada por um telhado circular, Friedrich via o mundo do alto, e se dá um novo nome – Scardanelli – com o qual busca, em sua via poética e particularíssima, o encontro da unidade do conhecimento, estrada que seguiu por 36 anos. À leitura do Hipérion se seguiram a descoberta de “Hinos tardios” e “Canto do destino” –

O silêncio do poeta

divinos.https://recortelirico.com.br/2020/06/o-silencio-do-poeta/

4. Pushkin, Puskine, Puchkin, Puchkine, Puschkin – não importa a grafia, importa a poesia, que me levou a um mergulho no meu “alienígena” predileto deste 2020. Um dos fundadores da moderna literatura russa me provocou, me desafiou. Releituras, pesquisas, descobertas da obra do poeta se transformaram no meu maior mergulho em um autor russo no ano 2020. A vida de Pushkin me importa muito e deve importar a toda gente interessada na grande literatura. Por isso, lanço meu olhar a dois séculos atrás, onde se pode constatar a alta importância da vida de um menino russo, descendente de escravo e nobre – ambos figuras importantes da corte de Pedro, O grande, – o bisavô militar e o neto que se impôs pelo talento e a nobreza de seus versos. Abaixo link para os 3 artigos da série no site da Recorte Lírico.https://recortelirico.com.br/?s=Pushkin

Leituras durante a pandemia. 2020 um ano de reclusão e muitas leituras


5. Poetas do Brasil – nova safra.

Poetas em tempo de penúria [Érico Nogueira]

Livros que apreciei ler ou reler estão assim resumidos (ver link), mas ainda inconcluso, pois deveria incluir o novo Pedro Mohallen – “Véspera; Debris” (prefácio do também poeta Wladimir Saldanha, sobre quem já escrevi e destaquei méritos, principalmente, seu “Natal de Herodes”), de João Filho “Um sol de bolso”, sobre o qual ainda hei de escrever uma resenha – ambos estão no meu livro “Os fios da escrita” (no prelo, lançamento ainda em dezembro 2020, pela Editora Mondrongo).
https://recortelirico.com.br/2020/11/sobre-poesia-e-poetas/

Cora Coralina ganha nova estátua em Goiás

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O escultor Cleider José de Souza se diz honrado em ter sido escolhido para fazer a nova estátua de Cora a ser inaugurada na Cidade Velha de Goiás. Não é pra menos que se sinta honrado, como todos nós o sentimos. A poetisa que não foi feita em laboratório, colheu sua poesia da existência e seus temas são comezinhos. Os ingredientes que alimentam seus devaneios poéticos foram colhidos no dia-a-dia da doceira, da velha da Ponte, da menina Aninha: espiga de milho, bonecas e colegas da infância, o sabão e a barrela das lavadeiras do Rio Vermelho, doces e frutas da terra… Tal como no poema “A Escola da Mestra Silvina” (fine), Cora é hoje personagem de seus próprios versos:
“E a Mestra?
Está no Céu.
Tem nas mãos um grande livro de ouro e ensina
a soletrar aos anjos.*”
+++++
(*)”Poemas dos becos de Goiás e Estórias mais”, Goiânia: Editora da UFG, 1977, pág. 43. Leia a matéria completa neste link: Cora Coralina ganha nova estátua na cidade de Goiás – O Popular.

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Cora Coralina ganha nova estátua na cidade de Goiás – O Popular
(c) Foto de Fábio Lima

https://www.opopular.com.br/…/cora-coralina-ganha-nova…

No ar, o podcast Destarte

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Ouça “Destarte: Literatura & Arte” no Spreaker.

Um sonho – realizar este podcast. Desde o início da pandemia que venho pensando em criar um podcast. Agora, as condições técnicas se viabilizaram e aí está o episódio piloto. Espero que gostem e mandem suas críticas e sugestões. Pretendo mantê-lo no ar quinzenalmente. Obrigado pela audiência.

Lançamento do meu novo livro

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Benévolo Leitor(a): em breve, divulgarei a data e a forma do lançamento (se presencial ou virtual) etc. Desde já, agradeço sua participação.

Atônitos

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Ficamos assim quando as coisa saem do controle. Exemplo: filhos pequenos fazendo birra, esposas gritando em público (ou vice-versa), o time da gente perdendo no momento decisivo do campeonato ou, simplesmente, quando o seu candidato perde a eleição. Há quem se emocione com isso ainda hoje (o normal é que você use o bom-senso para não pensar em política para disparar o espanto), mas ocorre, ainda hoje – inclusive em eleições de outras cidades, outros estados e países…
Vamos pensar sobre o tema.
Ficar em estado de assombro ou de grande admiração; espantado, pasmo é coisa para profissionais do espanto. Há vários momentos na literatura em que notamos isso. Não vou dar a você, benévolo leitor, o prazer da constatação. Veja você mesmo em Flannery O´Connor ou em Georges Bernanos – há tudo ali e também em outros… descubra por si mesmo.
Assombro há também em poesia, por exemplo, em Ferreira Gullar e Ivan Junqueira.
Exemplo vocal e visual.
https://www.youtube.com/watch?v=gZa2AkDVc2k&feature=emb_logo

Irrelevantes

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Irrelevante este blog ficou. Irrelevante, como o jornal impresso, a carta em papel, o DVD Player, o CD, o VHS, o Betamax, o barbeador Gillette Blue Blade. Na verdade, este blog sempre foi uma lâmina de barbear minhas emoções. Não dura mais de três minutos para postar e bum! ya se foi…

Ver a imagem de origem

E por que então, continuamos aqui, pelo menos uma meia dúzia de “good friends”?
– Talvez porque amamos manter este diário digital, para nos lembrarmos de nós mesmos no futuro, “just in case”. Tenho aqui nesta meia-dúzia uns dois ou três do tempo dos blogs. Era uma discussão que avançava noite a dentro, na caixa de comentários, que nem de longe lembra a febre do Twitter, não porque fosse mais civilizada a conversação, mas por ter sido mais inteligível.
Alguns de nós chegaram ao livro impresso via blogs. O que não é pouca coisa. E ao estrelato em TV, passando ao largo do Orkut (“o Turko” para um dos blogueros famosos ontem, hoje e sempre, Lord ASS, que abandonou o seu (dele) blog em 2016, mas tem muita coisa interessante lá nos arquivos https://alexandresoaressilva.wordpress.com/
Alguns de nós migraram para o Medium, como o Alexandre (Lord ASS). https://medium.com/@arquivoass

Suplementos literários italianos (periodicidade semanal) – uma ilha de excelência entre os irrelevantes.

Talvez não tenhamos mais jornais impressos no Brasil em dois ou três anos – os suplementos já não existem, afora o Rascunho (da Gazeta do Povo de Curitiba, que vai descendo a ladeira do culturalismo e assim pode também perder seus leitores, tornando-se o último dos moicanos entre os irrelevantes).

Na Itália, é diferente. Vivi lá no Vêneto boa parte do saudoso ano 2019 e lia pelo menos dois jornais impressos diariamente (i.e., reabilitei a função Journal do impresso!). Dizem que onde há um público leitor e boa parte deste envelhecida, o jornal impresso ainda tem sobrevida.

O diário de minha cidade vai se tornando irrelevante, como a lâmina de barbear e o DVD player e o Blockbuster, mas eu só posso dizer isso aqui no blog irrelevante pois não serei lido mesmo e corro o risco de alguém não me vetar as cartas que costumo enviar para a coluna “Cartas do Leitor”. Por enquanto, Hélas! mantenho minha irrelevância em espaço que eu mesmo edito e autorizo a publicação.

Algumas notas sobre Pushkin (2)

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Na primeira crônica desta série, procurei situar o leitor sobre a vida do poeta russo Alexandr Pushkin e o meio em que escreveu. Negro, viveu entre eslavos, descendente de escravo africano viveu dentre a nobreza russa, nobre por direito e nobre de coração Pushkin se tornou, com apenas 20 anos de carreira literária, o maior poeta russo de todos os tempos.

Pushkin é aclamado como o maior poeta russo dos século XIX e o criador daquilo que Carpeaux chama de “uma literatura universal em língua russa”. Tendo falecido antes de completar 38 anos e, 220 anos depois, ainda é considerado por muitos como o maior poeta russo de todos os tempos e influência decisiva não apenas entre seus compatriotas (como Gogol, Dostoiévski etc.), mas entre poetas de todo o mundo.

Morto em consequência de ferimentos sofridos num duelo – que poderia ter vencido, porque era bom atirador –, o poeta foi talvez a vítima de sua popularidade. Servidor do czar e admirado pelo povo, foi talvez vítima de armadilhas e do ciúme que rondava a sua casa; e, assim, o antagonista é o cunhado, o oficial francês Georges D´Anthès,

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D´Anthès, o lado B do triângulo amoroso

que pode ser considerado o lado B do triângulo amoroso com Natália Gontcharova, a esposa do poeta.

Pushkin cena do filme O escandalo Pushkin - Algumas notas sobre Pushkin (parte 2)
Cena do filme “O escândalo Pushkin”, de Natalya Bondarchuk (2016).

Leia a crônica completa, clicando aqui…

Algumas notas sobre Pushkin (1)

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Ele nasceu há mais de duzentos e vinte anos, morreu em duelo aos 38, negro num país eslavo, Alexandr Serguéevich Pushkin era de estirpe nobre, por via de um bisavô descendente de um príncipe da Abissínia e também por parte do pai, o major da guarda Sergueievich Pushkin, cuja ascendência remonta ao século XII, vindo do lendário Ratcha, antepassado de muitas famílias nobres russas.

A vida de Pushkin me importa muito e deve importar a toda gente interessada na grande literatura. Por isso, lanço meu olhar a dois séculos atrás, onde se pode constatar a alta importância da vida de um menino russo, descendente de escravo e nobre – ambos figuras importantes da corte de Pedro, O grande, – o bisavô militar e o neto que se impôs pelo talento e a nobreza de seus versos.
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Charme e humour no ensaio

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Eis-nos, leitores, diante de um ensaísta de charme, para usara expressão de Alexandre Soares Silva na apresentação deste “Saudades dos cigarros que nunca fumarei”.

Nele, Gustavo Nogy reabilita uma escrita que prova que “nem tudo precisa ser grave na vida”, dando razões para se rir e pensar a um só tempo. Tento nesta crônica provar que Nogy é digno do título de “ensaísta de charme”, que lhe atribuiu Alexandre Soares Silva na apresentação do livro.

É preciso que se defina bem a compreensão e caracterização feita pelo Alexandre. A minha predileção para a adaptação do francesismo é mesmo a ideia de encanto que algo ou alguém desperta, graça que seduz. Neste sentido, o leitor verá que esta ideia resta demonstrada, ao final da leitura.

A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

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Em “A biblioteca à noite”, o argentino Alberto Manguel transcreve trecho de uma carta do cônsul romano Cícero que, por volta do ano 36 a.C., escrevia ao amigo Ático, sentado em seu estúdio à beira-mar em Antium.

Eu me divirto com os livros, dos quais tenho boa provisão em Antium, ou conto as ondas – o tempo não está bom para pescar cavalinhas. Ler e escrever não me trazem propriamente consolo, mas distração”.

Foi para exaltar as vantagens de se ter e poder se recolher a um estúdio (próximo à biblioteca), que o argentino inseriu este trecho antigo romano a certo ponto de seu belo livro.

Ele constata que escritores são uma “subespécie de leitores” que precisam se cercar de certos materiais para seu trabalho e precisam de um cantinho só seu, aposento que termina se transformando em uma espécie de “toca ou ninho, tomando a forma de seu corpo e oferecendo receptáculo para seus pensamentos”.

Hoje, minha intenção é diferente, e ao pescar essa citação como mote para iniciar este artigo, desejo situar-me para meus seis leitores (e primeiro para mim mesmo), como e onde me encontro em meio a esta pandemia.

Tendo tomado a decisão, minha mulher e eu, de nos isolarmos na costa da Bahia, por um tempo suficiente para ver avançar os índices de controle em nossa cidade, só retornando quando as autoridades divulgarem situação mais aceitável em Goiânia.

Foi assim que a casinha de praia de Guarajuba, na Bahia, transformou-se na minha Antium sem estúdio.

Continue lendo…

O canto do mar (S-J. Perse)

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Leia meu artigo quinzenal em Recorte Lírico.

O que pode revelar uma caminhada matinal à beira-mar? É a pergunta que me faço, caminhando todas as manhãs, nesses dias em meu refúgio na Bahia, onde nos fixamos, minha mulher e eu, para cumprir o isolamento forçado, emoldurado pela paisagem marinha desta bela região do país.

Sem os atrativos tradicionais das típicas temporadas na praia, sem o ruído das aglomerações naturais das épocas de veraneio, o pensamento vagueia por imensidões distantes, em busca da compreensão das últimas coisas e dos segredos escondidos pelo mar.

O que busca o viajante? Entenderia a solidão impositiva da hora presente, o cumprimento de diretivas do Destino que assinala seus arranjos sazonais e anuncia alterações cíclicas profundas? São questões que o deambular pela praia traz ao viajante em busca da Sibila que o faça decifrar as profecias.

Esta caminhada à beira-mar fez evocar no cronista sentimentos antigos, antecipando presságios futuros, enquanto a Poesia vem insuflar o germe da imaginação criadora para entender os sinais do tempo presente. Afinal, como dizia Alberto Manguel, “todo leitor é um andarilho em descanso ou um viajante de retorno”.

CONTINUE LENDO no site da Recorte Lírico.

Meu artigo quinzenal

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Contemplando formas eternas

12 de junho de 2020 por Adalberto De Queiroz 1 Comment (Edit)

Como um aprendiz de xadrez que estuda com disciplina os movimentos do jogo, leio Filosofia porque amo ler, sem saber com exatidão qual o meu próximo movimento, e por isso mesmo não alimento a pretensão de entrar em disputa com um oponente real, mas também não abdico de conviver com um adversário imaginário – eu, próprio, que intento sempre sair melhor desse embate.

A Filosofia serve ao meu propósito de aclarar algumas questões da linguagem que, por vezes, parecem difíceis de ser resolvidas quando leio prosa, poesia, política e teologia. E pergunto-me como fugir do dilema poesia ou filosofia?

No ensaio “A tragédia da política”, o escritor Martim Vasques da Cunha (MVC) ilumina “a velha discórdia entre filosofia e poesia”, ao interpretar “o mito da caverna” de Platão. Martim nos fala da necessidade de uma conversão (periagoge), essa “verdadeira reviravolta na alma” que é o “pressuposto para se contemplar as formas eternas e não se preocupar apenas com as aparências”. Enfim, talvez, seja este um falso dilema.

Sou levado a seguir o conselho de MVC, “lidar com a filosofia como se tivesse uma `voz´ que a aproximasse das qualidades da poesia, e não como se fosse um método lógico” e, nunca me esquecendo da máxima heideggeriana, prossigo em busca de minha morada, afinal: “a linguagem é a casa do ser”.

Há muitas vozes a serem ouvidas, na poesia e na filosofia, pois, “na atual sociedade democrática, ´o que nos resta é a disciplina superior do conhecimento`, a única que a unidade da poesia, da filosofia e da política pode nos dar; é a negação de que a determinada forma [deste mesmo] conhecimento se possa atribuir superioridade incontestável”.
Continue lendo…

Poema inédito 2020 (2)

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Isaías fala (1) 

Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida,
mas agora foi cortada a sua trama
.”

Contrito, o poeta lê o livro do profeta hebreu.
Em busca de palavras, abre o livro, medita sua letra.


Antes fora o medo, é bom que se diga;
e não fonemas, o que à leitura o moveu.

Antes ainda, o apocalipse diário o deixara
frente ao oráculo, e conheceu a infertilidade.

Isaías fala em nome de Deus, que com a brasa
sob a tenaz do Anjo, este lhe tocara os lábios.

Sabemos que o rei para a parede seu rosto voltara –
e chorou, como choro eu, choras tu, choramos todos.

O rei chorou, ao ouvir do profeta o veredito:
– “Vais morrer!”.
O rosto do rei é o teu rosto, leitor apaixonado:
a face dele, dita banhada – eu te digo: de medo turvada,
é tua face; o medo que tenho eu, tens tu, temos todos.

Porém, o profeta o fez imaginar possível um novo pacto
com a vida – como a reencontrou Ezequias, rei de Judá.

Então, o rei rezou e com Deus fez novo pacto, pois não queria morrer.
(Só os vivos louvam o nome de Deus, não me tires dentre os viventes.) Naquele tempo, havia um relógio de sol –
e o Senhor reconsiderou sua sombra atrasar…

Os dez graus da sombra no relógio de Acaz atrasada
significavam 15 anos à vida do rei de Judá adicionados.

Quem sabe ao poeta Deus conceda o mesmo, Isaías amado?

Não se esqueça de viver

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A É Realizações Editora lança “Não se Esqueça de Viver — Goethe e a tradição dos exercícios espirituais”, de Pierre Hadot.

Estudioso responsável pela redescoberta do caráter vivencial da filosofia antiga, o autor analisa como isso está presente na visão de mundo goetheana.

Pierre Hadot é unanimemente aclamado como o erudito que recuperou a dimensão prática da filosofia tal como concebida pelos gregos e latinos.
A coleção Filosofia Atual dispõe de duas obras que apresentam essa redescoberta — A Filosofia como Maneira de Viver e Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. Mas há um segundo grande feito cujo mérito se deve a Hadot: o esforço de localizar em autores modernos a continuação da linhagem experiencial iniciada pelos pensadores clássicos. Essa atitude dá origem ao estudo Wittgenstein e os Limites da Linguagem, também incluído na coleção, e editado com resenha da grande wittgensteiniana G. E. M. Anscombe.

É nesse campo de pesquisa que se deve situar Não se Esqueça de Viver – Goethe e a tradição dos exercícios espirituais — com o diferencial de o literato estudado neste livro ser a figura maior da cultura alemã, um dos luminares de toda a arte moderna e escritor da predileção do autor deste volume.
Além disso, trata-se da última obra publicada por Hadot, uma espécie de homenagem-testamento e de arremate da sua vida de estudos. Carreira, aliás, que merece ser explorada; afinal, Hadot congrega a influência que recebeu de Louis Lavelle e a influência que exerceu sobre Michel Foucault — intelectuais tão distantes —, uma amplitude que ainda hoje resulta na admiração de filósofos prestigiados, como Luc Ferry.

Os exercícios de autodisciplina que Pierre Hadot descobre na vida e na obra de Goethe são três. No primeiro capítulo, o autor expõe a prática de concentrar-se totalmente no momento vivido, sem se permitir perturbar por eventos do passado ou expectativas sobre o futuro.

O segundo exercício espiritual é a tentativa de encarar cada situação considerando-a com visão abrangente, que evite a parcialidade e a estreiteza das circunstâncias particulares. Como esse capítulo da obra demonstra, tal ação pode implicar uma ação concreta, por exemplo o ato de escalar uma montanha.

Saiba Mais no site da É Realizações.
Ficha do livro
Título: “Não se Esqueça de Viver — Goethe e a tradição dos exercícios espirituais”.
Autor: Pierre Hadot.
Coleção: Filosofia Atual Editora:
É Realizações; Preço: R$ 69,90.
Nº de páginas: 184.
https://tinyurl.com/Hadot-Goethe

Recorte lírico

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EM meio aos cuidados que a pandemia do Coronavírus recomenda, leio e escrevo. Esta reflexão veio daí…

Leiam e cometem — e #fiqueemcasa se possível.

Continue lendo…
Morte e Vida – uma pintura a óleo sobre tela do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt

Das pragas do Egito ao Apocalipse

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Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, da
Bíblia Ottheinrich. (c) Imagem do Wikimedia Commons.

Guerras, conflitos, terremotos, maremotos e tsunamis, sequestros, assaltos, violência entre Nações e entre pessoas, epidemias, doenças estranhas (e raras), mortes, mortes em profusão. Será o fim dos tempos?
– Será o apocalipse agora?

O apóstolo São João previu esses eventos, no livro que encerra os canônicos do Novo Testamento. Essa narrativa cifrada e assustadora para alguns, é o Apocalipse, a visão dos “últimos tempos”.

Muito antes, os profetas hebreus haviam tecido muitos comentários sobre esses fatos que a Igreja designa “novíssimos” – isto é, tudo o que diz respeito às coisas finais, individual ou coletivamente e que está ligado à escatologia.

Isaías talvez seja o mais eloquente nesse campo, ao descrever o Juízo Universal como uma cena de terra devastada. Continue lendo.

Adeus, ano velho…

Nota

Como Miguel Torga, o bravo poeta e narrador português, estou quase fechando 2019…

“Momentos antes de fechar o cartório/De poeta…”
(como dizia Miguel Torga)

Certo de que este é um cartório muito especial
“— Um registo civil ultra real”.
Preparamos a navegação para um novo ano, em que um novo ciclo se abre… como esta janela aberta pelo (ao) grande Miguel Torga.

E peço ajuda a outro escritor esquecido, mas nem por isso menos talentoso – o alemão, naturalizado suíço, Hermann Hesse.

Reabro um velho livro de autoria do escritor alemão Hermann Hesse e nele garimpo palavras para esta nossa conversa de fim-de-ano. “Pequenas alegrias” reúne textos que começaram a ser escritos na juventude, aos 22, e que foram concluídos com as melancólicas considerações do homem enfermo e solitário aos 83 anos. E nem por isso são artigos superados.

Eis, pois, este meu “recorte lírico” de um período muito especial para nós, cristãos. Ainda volto antes do final de 2019 para um último papo com você, leitor(a) amigo(a). Clique para continuar lendo.

Nelson Ascher tradutor de Emily Dickinson

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O Estado-da-Arte de “O Estado de São Paulo” Nelson-Ascherpublicou hoje alguns poemas de Emily Dickinson traduzidos por Nelson Ascher.

Ascher já nos havia brindado com as traduções de poetas húngaros. É uma coisa sofisticada e quase impossível para 90.1% de nós brasileiros, presos à “última flor do Lácio”, incapazes quase de nos aventurarmos por outros idiomas.

Da Húngria, já se sabe, veio o mestre dos tradutores brasileiros — o sr. Paulo Rónai. A ele devemos o melhor dicionário Francês-Português-Francês do século XX; a ele devem todos (ou pelo menos 99.9%) dos tradutores brasileiros.

Ele bate em “A tradução vivida” naquela ideia que virou “um surrado trocadilho italiano traduttori-traditori” que “deixou a pecha da infidelidade aos cultores do ofício; prefiro “o chiste, de atribuição incerta [seg. Rónai] de que “as traduções são como as mulheres: quando fiéis, não são bonitas; e quando bonitas, não são fieis.”

Que os meus seis leitores julguem (e se deliciem) com as novas traduções de ASCHER para a poetisa que todos amamos aqui em “Leveza & Esperança” -— Emily Dickinson.
Clique na imagem abaixo para acessar os poemas traduzidos. Boa leitura!

Emily by Nelson Ascher

O mais traduzido dos poemas de Emily talvez seja esse (1212) – abaixo a tradução de Nelson Ascher e a minha predileta no link (Aíla de Oliveira Gomes), já internalizada há anos em memória poética…

Emily Dickinson_A word is deadPOEMA 1212

Palavra expressa,
dizem que cessa
depressa.

Eu, discordando,
digo que é quando
começa.

Original de Emily Dickinson.

A word is dead
when it is said,
some say.
I say it just
begins to live
that day.

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Livro citado: RÓNAI, Paulo, 1907-1992. A tradução vivida – 4a. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 2012, p. 29.

Emily Dickinson, a natureza e suas cores…

Galeria

Esta galeria contém 2 imagens.

Emily Dickinson A Natureza raro usa o amarelo,Antes prefere outros tons;Reserva-o todo para o pôr-do-sol;Azul, gasta aos borbotões. Como a mulher abusa do carmim, Mas o amarelo – esta cor Com parcimônia a seleciona, – assim Como palavras de Amor. … Continuar lendo

Anton Bruckner (2)

Destacado

O crítico Franklin de Oliveira escreveu sobre a obra de Bruckner alguns comentários que são decisivos para quem quer conhecer ou já conhece (e ama) A. Bruckner.
O texto de Franklin é uma ode a 5a. Sinfonia. Em “A Fantasia Exata”, livro de 1959, ele afirma que Anton Bruckner era
Anton Brucknerum homem solitário que só confiava sua alma ao órgão – era sua maneira de estar com Deus – é uma das maiores enseadas de concórdia humana” que o crítico dizia ter conhecido, isso pelo que chamou de “mystical conception of sound”. Em tudo que fez, escreveu, continua Franklin, “Deus é a grande presença. Talvez a respeito de Bruckner mais do que a respeito de qualquer outro compositor possamos falar das relações da música com a Teologia como duas esferas intimamente interligadas. ‘Músico de Deus’ era o seu epíteto e talvez fosse por isto que mais do que qualquer outro romântico, ele fundava sua sinfonia sobretudo no puro som. Dele disse Alfred Einstein: ‘a romantic in so far as he made pure sound the basis of his symphonies….

De Anton Bruckner se pode mesmo afirmar – confirmando o mestre-crítico F.O. que “raros músicos foram tão sensíveis ao êxtase a que somos levados pela contemplação do som puro, pelas harmonias potenciais do acorde, quanto Bruckner e Mahler. A respeito deles podemos lembrar a tese wagneriana: ‘o acorde representa as forças cósmicas do Universo’. Daí, provavelmente Eistein achar que as sinfonias de Bruckner respiram um espírito cósmico. ‘His symphonies breathe once more a cosmic spirit… As de Mahler, também.” Mas este post é dedicado somente a Bruckner. Portanto, eis abaixo a segunda parte da Quinta de Bruckner.

Franklin fala ainda “das fontes da expressão musical de Bruckner” que teriam sido Beethoven, Schubert e Wagner – a influência schubertiana foi a que alimentou com maior riqueza as suas sinfonias. Do criador da música psicológica recebeu Bruckner uma herança maravilhosa – a herança do grande adágio beethoveniano. De Schubert, a amplitude das formas que se ligam em suas frases lentas e os seus ‘scherzi’ com a simplicidade com que o camponês cuida dos frutos, coisas da terra e do sol, e pois, do céu. Campônio, alma rude de camponês era a de Bruckner, nascido nas regiões montanhosas da Áustria Alta”, destaca Franklin. Portanto, para finalizar, a terceira parte da Quinta, que é de longe a mais elogiada no YouTube, finalizo prometendo voltar com a Quarta Sinfonia de A.Bruckner que, segundo Franklin de Oliveira, é “música dos anjos para os homens atormentados” (expressão cunhada por Mahler para definir a música mística das Missas e do Te-Deum de Bruckner, coisa que até um ateu ouve e por um momento é levado a acreditar em Deus).

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Fonte: OLIVEIRA, Franklin de. “A Fantasia Exata”, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1959, p. 68-70.

Bate-papo é “Live”…

É hoje. Sejam todos bem-vindos!

A Covid e eu – eu e a Covid

Caros amigos.
Eu li muito sobre tudo o que podia ser, mas nunca imaginei que seria tão demorado sofrimento. Penso no primeiro livro que resenhei alhures do meu conterrâneo, o romancista André De Leones – “Os dentes negros”, que me fez pensar em “A peste”, do meu amigo pessoal (sim, porque romancistas francófonos são meus amigos pessoais!) Albert Camus.
Depois, teve o livro-bisturi de Martim Vasques “O contágio da mentira”, do qual deixei notas aqui.

Enfim, alcançamos a vergonhosa marca de mais de 300 mil mortes. Então, parece ter caído a ficha para autoridades de nosso Brasil varonil. E hoje, por uma questão do calendário, minha mulher foi vacinada. Ela mesma, que tem sido um guerreira ajudando o grupo de Mulheres do Brasil na campanha Todos pela vacina.

Ora, ora… apesar de todo o discurso (ou anti-discurso) governamental, eis a sociedade mostrando o que é possível fazer.

Grupo Mulheres do Brasil |
Luiza Helena Trajano on Twitter: "Vocês já conhecem o movimento  #UnidosPelaVacina? Ele partiu do meu chamado no #GrupoMulheresDoBrasil e  hoje jáfazparte da sociedade civil como um todo! Nós temos o desafio de
Vacinada no Jardim Guanabara em Goiânia, ela ficou emocionada. É uma pena que o WordPress não admita arquivos *,mp4 para mostrar-lhes. Segue o link para mídias sociais…

Instagram mostra o momento supremo.

“Mulher é desdobrável” (Adélia Prado)

Em referência ao Dia Internacional da Mulher, lembro aqui um poema de Dona Adélia.

Adélia Prado é a primeira mulher a ganhar a premiação na categoria 'Conjunto da Obra' | © Jackson Rommanelli
Nascimento: 13 de dezembro de 1935 (85 anos), Divinópolis, Minas Gerais.
© Foto: Jackson Rommanelli

Com licença poética
******Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
++++
Fonte: Bagagem. São Paulo: Siciliano. 1993. p. 11.

Cultura literária medieval (3/ final)

Leiam todos, o artigo (a série, diria), é um antídoto à desinformação que faz comum e aceitável que jovens bem formados ainda considerem a Idade Média como uma época de atraso e que não mereça sequer ser estudada a fundo [PERNOUD, 2016[i]] e alguns destes mesmos universitários possam considerar um documento escrito na Mesopotâmia, no distante ano 2100 a.C. como literatura da idade Média.