"Momentos antes de fechar o cartório/De poeta…"

Como Miguel Torga, o bravo poeta e narrador português, estou quase fechando 2019…

Certo de que este é um cartório muito especial
“— Um registo civil ultra real”. Preparamos a navegação para um novo ano, em que um novo ciclo se abre…

E peço ajuda a outro escritor esquecido, mas nem por isso menos talentoso – o alemão, naturalizado suíço, Hermann Hesse.

Reabro um velho livro de autoria do escritor alemão Hermann Hesse e nele garimpo palavras para esta nossa conversa de fim-de-ano. “Pequenas alegrias” reúne textos que começaram a ser escritos na juventude, aos 22, e que foram concluídos com as melancólicas considerações do homem enfermo e solitário aos 83 anos. E nem por isso são artigos superados.

Eis, pois, este meu “recorte lírico” de um período muito especial para nós, cristãos. Ainda volto antes do final de 2019 para um último papo com você, leitor(a) amigo(a). Clique para continuar lendo.

A poesia do Natal

“Adoração dos pastores” ( Bartolome Esteban Murillo – óleo sobre tela – 147 x 218 cm – 1668)

20 de dezembro de 2019 por Adalberto De Queiroz 8 Comentários

Opoeta e crítico anglo-americano T.S. Eliot, em “Virgílio e o mundo cristão” compilou ideias valiosas para esta quadra da celebração do Advento de Jesus – o Natal – sobretudo a estima que o poeta romano angariou e que o tornou “singularmente simpático à mentalidade cristã” – seu foco inicial é a famosa quarta Écloga:

“Terá a vida dos deuses o menino, que os verá
no meio dos heróis, e será visto em meio a eles,
regendo com as virtudes de seu pai um mundo em paz .”

Este “querido rebento dos deuses, grande descendente de Júpiter” é “aquele que receberá o dom da vida divina, verá os heróis” – poderia apenas ser uma profecia do nascimento do próprio Cristo, acreditamos os Cristãos, desde Santo Agostinho.

A “profecia poética” que descobrimos em Virgílio se repetiu nesses mais de dois mil anos de história do Cristianismo, na reescrita do mito por excelência – aquele do renascimento.

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O batismo de Jesus – II

Sempre é bom saber mais sobre Jesus de Nazaré, principalmente na voz de um dos maiores teólogos do século XX.

Casa de Autores

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“Podemos imaginar a impressão extraordinária que a figura e a mensagem de João Batista deviam provocar na efervescente atmosfera de Jerusalém daquela época. Finalmente estava de novo ali um profeta, cuja própria vida o identificava como tal. Finalmente se anuncia de novo a ação de Deus na história. João batiza com água, mas o “maior”, aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo, já se encontra à porta. Por isso não devemos, de modo algum, considerar exageradas as informações de
S. Marcos: “Toda a Judéia e todos os habitantes de Jerusalém corriam para
ele; confessavam os seus pecados e deixavam-se batizar por ele no Jordão”  (1,5). Do batismo de João faz parte a confissão — a declaração dos pecados; o judaísmo daquele tempo conhecia várias confissões formalmente genéricas dos pecados, mas também a confissão totalmente pessoal, na qual eram enumerados cada um dos atos pecaminosos (Gnilka, Das…

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Anápolis: trastes da memória (1)

A cidade e eu. Eu e a cidade – repito este mantra como um iogue em busca de relaxamento e liberação. Só mesmo assim para compor um texto que lança raízes nas camadas profundas do meu ser. Lembrar com precisão da cidade em que fui criado parece tarefa impossível, divagar é, pois, necessário para que o texto aflore.

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Anápolis, antiga estação ferroviária