Uma arte profética (ou: como ler Dostoiévski-1)

https://recortelirico.com.br/2020/09/arte-profetica-dostoievski/ Como os leitores de Dostoiévski neste século XXI podem ler sua obra tentando bem compreendê-la? Primeiro, lendo Dostoiévski lentamente, sem a preocupação de estar diante (quase sempre) de romances longos. Segundo, sugiro recorrer aos recursos de interpretação de um crítico atual – o francês René Girard, de quem um bom começo poderia ser “Dostoiévski: … Continuar lendo Uma arte profética (ou: como ler Dostoiévski-1)

Charme e humour no ensaio

Eis-nos, leitores, diante de um ensaísta de charme, para usara expressão de Alexandre Soares Silva na apresentação deste “Saudades dos cigarros que nunca fumarei”. Nele, Gustavo Nogy reabilita uma escrita que prova que “nem tudo precisa ser grave na vida”, dando razões para se rir e pensar a um só tempo. Tento nesta crônica provar que Nogy … Continuar lendo Charme e humour no ensaio

DIÁRIO DO WORDPRESS

Sempre um bom texto.

Salomão Rovedo: Um conto, uma história

Arte é transfiguração

Quando em 1911 Thomas Mann começou a escrever A morte em Veneza e trocou a arte do personagem de compositor para escritor, estava escondendo a comoção que padeceu com a morte recente de Gustav Mahler. O personagem virou escritor, mas manteve o prenome. A história mescla elementos autobiográficos e biográficos com um elemento que perturbava a sociedade da época: o homossexualismo, o sentimento de culpa – heranças freudianas. O cenário: Veneza! A Veneza luminosa, sagrada, Meca da Europa que acolhia todas as nacionalidades. Nas mãos de Luchino Visconti, Gustav – Dirk Bogarde, impecável – volta a ser compositor, o homossexualismo se realiza como paixão, mas a Pandemia de Cólera (que já atingiu o Brasil 7 vezes!) bota tudo por terra. O Diretor italiano presta no filme a maior das homenagens a um item do vestuário indispensável à época: o chapéu. O Festival de Chapéus prevalece em beleza…

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A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

Em “A biblioteca à noite”, o argentino Alberto Manguel transcreve trecho de uma carta do cônsul romano Cícero que, por volta do ano 36 a.C., escrevia ao amigo Ático, sentado em seu estúdio à beira-mar em Antium. “Eu me divirto com os livros, dos quais tenho boa provisão em Antium, ou conto as ondas – … Continuar lendo A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

O canto do mar (S-J. Perse)

Leia meu artigo quinzenal em Recorte Lírico. O que pode revelar uma caminhada matinal à beira-mar? É a pergunta que me faço, caminhando todas as manhãs, nesses dias em meu refúgio na Bahia, onde nos fixamos, minha mulher e eu, para cumprir o isolamento forçado, emoldurado pela paisagem marinha desta bela região do país. Sem … Continuar lendo O canto do mar (S-J. Perse)

Poetas em tempo de penúria [Érico Nogueira]

Meu artigo quinzenal na revista Recorte Lírico. https://recortelirico.com.br/2020/07/poetas-tempo-penuria-erico-nogueira/

Sobre Hölderlin

Aviso:aos diletos amigos leitores deste blog.Pouco a pouco, vou migrando para lá... https://betoqueiroz.com.br/artigos/f/o-sil%C3%AAncio-do-poeta---f-h%C3%B6lderlin-1

Meu artigo quinzenal

Contemplando formas eternas 12 de junho de 2020 por Adalberto De Queiroz 1 Comment (Edit) Como um aprendiz de xadrez que estuda com disciplina os movimentos do jogo, leio Filosofia porque amo ler, sem saber com exatidão qual o meu próximo movimento, e por isso mesmo não alimento a pretensão de entrar em disputa com um oponente real, mas … Continuar lendo Meu artigo quinzenal

Poema inédito 2020 (2)

Isaías fala (1)  “Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida,mas agora foi cortada a sua trama.” Contrito, o poeta lê o livro do profeta hebreu.Em busca de palavras, abre o livro, medita sua letra. Antes fora o medo, é bom que se diga;e não fonemas, o que à leitura o moveu.Antes ainda, o apocalipse … Continuar lendo Poema inédito 2020 (2)

Horácio – Ode 1/11

singularidade - poesia e etc.

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe,
os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo
da babilônia e aceita: o que há de ser, será,
quer nos dê Jove mais invernos, quer só este
que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe
teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos.
Enquanto eu falo, o tempo evade-se invejoso.
Apanha o dia e não confies no amanhã.

Trad.: Nelson Ascher

1/11

Tu ne quaesieris (scire nefas) quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati!
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum, sapias, uina liques et spatio breui
spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit inuida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

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