Sobre Adalberto Queiroz

Jornalista e Poeta.

Lançamento do meu novo livro

Benévolo Leitor(a): em breve, divulgarei a data e a forma do lançamento (se presencial ou virtual) etc. Desde já, agradeço sua participação.

Atônitos

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Ficamos assim quando as coisa saem do controle. Exemplo: filhos pequenos fazendo birra, esposas gritando em público (ou vice-versa), o time da gente perdendo no momento decisivo do campeonato ou, simplesmente, quando o seu candidato perde a eleição. Há quem se emocione com isso ainda hoje (o normal é que você use o bom-senso para não pensar em política para disparar o espanto), mas ocorre, ainda hoje – inclusive em eleições de outras cidades, outros estados e países…
Vamos pensar sobre o tema.
Ficar em estado de assombro ou de grande admiração; espantado, pasmo é coisa para profissionais do espanto. Há vários momentos na literatura em que notamos isso. Não vou dar a você, benévolo leitor, o prazer da constatação. Veja você mesmo em Flannery O´Connor ou em Georges Bernanos – há tudo ali e também em outros… descubra por si mesmo.
Assombro há também em poesia, por exemplo, em Ferreira Gullar e Ivan Junqueira.
Exemplo vocal e visual.
https://www.youtube.com/watch?v=gZa2AkDVc2k&feature=emb_logo

Irrelevantes

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Irrelevante este blog ficou. Irrelevante, como o jornal impresso, a carta em papel, o DVD Player, o CD, o VHS, o Betamax, o barbeador Gillette Blue Blade. Na verdade, este blog sempre foi uma lâmina de barbear minhas emoções. Não dura mais de três minutos para postar e bum! ya se foi…

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E por que então, continuamos aqui, pelo menos uma meia dúzia de “good friends”?
– Talvez porque amamos manter este diário digital, para nos lembrarmos de nós mesmos no futuro, “just in case”. Tenho aqui nesta meia-dúzia uns dois ou três do tempo dos blogs. Era uma discussão que avançava noite a dentro, na caixa de comentários, que nem de longe lembra a febre do Twitter, não porque fosse mais civilizada a conversação, mas por ter sido mais inteligível.
Alguns de nós chegaram ao livro impresso via blogs. O que não é pouca coisa. E ao estrelato em TV, passando ao largo do Orkut (“o Turko” para um dos blogueros famosos ontem, hoje e sempre, Lord ASS, que abandonou o seu (dele) blog em 2016, mas tem muita coisa interessante lá nos arquivos https://alexandresoaressilva.wordpress.com/
Alguns de nós migraram para o Medium, como o Alexandre (Lord ASS). https://medium.com/@arquivoass

Suplementos literários italianos (periodicidade semanal) – uma ilha de excelência entre os irrelevantes.

Talvez não tenhamos mais jornais impressos no Brasil em dois ou três anos – os suplementos já não existem, afora o Rascunho (da Gazeta do Povo de Curitiba, que vai descendo a ladeira do culturalismo e assim pode também perder seus leitores, tornando-se o último dos moicanos entre os irrelevantes).

Na Itália, é diferente. Vivi lá no Vêneto boa parte do saudoso ano 2019 e lia pelo menos dois jornais impressos diariamente (i.e., reabilitei a função Journal do impresso!). Dizem que onde há um público leitor e boa parte deste envelhecida, o jornal impresso ainda tem sobrevida.

O diário de minha cidade vai se tornando irrelevante, como a lâmina de barbear e o DVD player e o Blockbuster, mas eu só posso dizer isso aqui no blog irrelevante pois não serei lido mesmo e corro o risco de alguém não me vetar as cartas que costumo enviar para a coluna “Cartas do Leitor”. Por enquanto, Hélas! mantenho minha irrelevância em espaço que eu mesmo edito e autorizo a publicação.

Algumas notas sobre Pushkin (2)

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Na primeira crônica desta série, procurei situar o leitor sobre a vida do poeta russo Alexandr Pushkin e o meio em que escreveu. Negro, viveu entre eslavos, descendente de escravo africano viveu dentre a nobreza russa, nobre por direito e nobre de coração Pushkin se tornou, com apenas 20 anos de carreira literária, o maior poeta russo de todos os tempos.

Pushkin é aclamado como o maior poeta russo dos século XIX e o criador daquilo que Carpeaux chama de “uma literatura universal em língua russa”. Tendo falecido antes de completar 38 anos e, 220 anos depois, ainda é considerado por muitos como o maior poeta russo de todos os tempos e influência decisiva não apenas entre seus compatriotas (como Gogol, Dostoiévski etc.), mas entre poetas de todo o mundo.

Morto em consequência de ferimentos sofridos num duelo – que poderia ter vencido, porque era bom atirador –, o poeta foi talvez a vítima de sua popularidade. Servidor do czar e admirado pelo povo, foi talvez vítima de armadilhas e do ciúme que rondava a sua casa; e, assim, o antagonista é o cunhado, o oficial francês Georges D´Anthès,

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D´Anthès, o lado B do triângulo amoroso

que pode ser considerado o lado B do triângulo amoroso com Natália Gontcharova, a esposa do poeta.

Pushkin cena do filme O escandalo Pushkin - Algumas notas sobre Pushkin (parte 2)
Cena do filme “O escândalo Pushkin”, de Natalya Bondarchuk (2016).

Leia a crônica completa, clicando aqui…

Algumas notas sobre Pushkin (1)

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Ele nasceu há mais de duzentos e vinte anos, morreu em duelo aos 38, negro num país eslavo, Alexandr Serguéevich Pushkin era de estirpe nobre, por via de um bisavô descendente de um príncipe da Abissínia e também por parte do pai, o major da guarda Sergueievich Pushkin, cuja ascendência remonta ao século XII, vindo do lendário Ratcha, antepassado de muitas famílias nobres russas.

A vida de Pushkin me importa muito e deve importar a toda gente interessada na grande literatura. Por isso, lanço meu olhar a dois séculos atrás, onde se pode constatar a alta importância da vida de um menino russo, descendente de escravo e nobre – ambos figuras importantes da corte de Pedro, O grande, – o bisavô militar e o neto que se impôs pelo talento e a nobreza de seus versos.
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Uma arte profética (ou: como ler Dostoiévski-1)

Como os leitores de Dostoiévski neste século XXI podem ler sua obra tentando bem compreendê-la? Primeiro, lendo Dostoiévski lentamente, sem a preocupação de estar diante (quase sempre) de romances longos. Segundo, sugiro recorrer aos recursos de interpretação de um crítico atual – o francês René Girard, de quem um bom começo poderia ser “Dostoiévski: do duplo à unidade” 
Um apocalipse pessoal explicado por Girard. Eis a vida do escritor russo Fiodor Dostoiévski.

Charme e humour no ensaio

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Eis-nos, leitores, diante de um ensaísta de charme, para usara expressão de Alexandre Soares Silva na apresentação deste “Saudades dos cigarros que nunca fumarei”.

Nele, Gustavo Nogy reabilita uma escrita que prova que “nem tudo precisa ser grave na vida”, dando razões para se rir e pensar a um só tempo. Tento nesta crônica provar que Nogy é digno do título de “ensaísta de charme”, que lhe atribuiu Alexandre Soares Silva na apresentação do livro.

É preciso que se defina bem a compreensão e caracterização feita pelo Alexandre. A minha predileção para a adaptação do francesismo é mesmo a ideia de encanto que algo ou alguém desperta, graça que seduz. Neste sentido, o leitor verá que esta ideia resta demonstrada, ao final da leitura.

DIÁRIO DO WORDPRESS

Sempre um bom texto.

Salomão Rovedo: Um conto, uma história

Arte é transfiguração

Quando em 1911 Thomas Mann começou a escrever A morte em Veneza e trocou a arte do personagem de compositor para escritor, estava escondendo a comoção que padeceu com a morte recente de Gustav Mahler. O personagem virou escritor, mas manteve o prenome. A história mescla elementos autobiográficos e biográficos com um elemento que perturbava a sociedade da época: o homossexualismo, o sentimento de culpa – heranças freudianas. O cenário: Veneza! A Veneza luminosa, sagrada, Meca da Europa que acolhia todas as nacionalidades. Nas mãos de Luchino Visconti, Gustav – Dirk Bogarde, impecável – volta a ser compositor, o homossexualismo se realiza como paixão, mas a Pandemia de Cólera (que já atingiu o Brasil 7 vezes!) bota tudo por terra. O Diretor italiano presta no filme a maior das homenagens a um item do vestuário indispensável à época: o chapéu. O Festival de Chapéus prevalece em beleza…

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A leitura e o bem-estar da alma (crônica literária)

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Em “A biblioteca à noite”, o argentino Alberto Manguel transcreve trecho de uma carta do cônsul romano Cícero que, por volta do ano 36 a.C., escrevia ao amigo Ático, sentado em seu estúdio à beira-mar em Antium.

Eu me divirto com os livros, dos quais tenho boa provisão em Antium, ou conto as ondas – o tempo não está bom para pescar cavalinhas. Ler e escrever não me trazem propriamente consolo, mas distração”.

Foi para exaltar as vantagens de se ter e poder se recolher a um estúdio (próximo à biblioteca), que o argentino inseriu este trecho antigo romano a certo ponto de seu belo livro.

Ele constata que escritores são uma “subespécie de leitores” que precisam se cercar de certos materiais para seu trabalho e precisam de um cantinho só seu, aposento que termina se transformando em uma espécie de “toca ou ninho, tomando a forma de seu corpo e oferecendo receptáculo para seus pensamentos”.

Hoje, minha intenção é diferente, e ao pescar essa citação como mote para iniciar este artigo, desejo situar-me para meus seis leitores (e primeiro para mim mesmo), como e onde me encontro em meio a esta pandemia.

Tendo tomado a decisão, minha mulher e eu, de nos isolarmos na costa da Bahia, por um tempo suficiente para ver avançar os índices de controle em nossa cidade, só retornando quando as autoridades divulgarem situação mais aceitável em Goiânia.

Foi assim que a casinha de praia de Guarajuba, na Bahia, transformou-se na minha Antium sem estúdio.

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O canto do mar (S-J. Perse)

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Leia meu artigo quinzenal em Recorte Lírico.

O que pode revelar uma caminhada matinal à beira-mar? É a pergunta que me faço, caminhando todas as manhãs, nesses dias em meu refúgio na Bahia, onde nos fixamos, minha mulher e eu, para cumprir o isolamento forçado, emoldurado pela paisagem marinha desta bela região do país.

Sem os atrativos tradicionais das típicas temporadas na praia, sem o ruído das aglomerações naturais das épocas de veraneio, o pensamento vagueia por imensidões distantes, em busca da compreensão das últimas coisas e dos segredos escondidos pelo mar.

O que busca o viajante? Entenderia a solidão impositiva da hora presente, o cumprimento de diretivas do Destino que assinala seus arranjos sazonais e anuncia alterações cíclicas profundas? São questões que o deambular pela praia traz ao viajante em busca da Sibila que o faça decifrar as profecias.

Esta caminhada à beira-mar fez evocar no cronista sentimentos antigos, antecipando presságios futuros, enquanto a Poesia vem insuflar o germe da imaginação criadora para entender os sinais do tempo presente. Afinal, como dizia Alberto Manguel, “todo leitor é um andarilho em descanso ou um viajante de retorno”.

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