Sobre Adalberto Queiroz

Jornalista e Poeta.

Crônica de memórias da infância, no jornal O POPULAR (Goiânia, 29/11/2021)

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Os estábulos do papa Marcelo

Como Bernardo vai se tornando leitura obrigatória para este velho escriba.

Noites Áticas

Papa_Marcelo_I

 
a figura deste mundo é ruído 
e temor, veemência
e agitação
 
as palavras de João Crisóstomo em seu comentário ao evangelho de Mateus ecoavam na memória 
de Marcelo, enquanto limpava os estábulos do imperador
 
bispo de Roma, pastor de rebanhos
forçado a cuidar dos cavalos de Maximiniano
servia a seu povo na alegria
de sua condenação
 
e cuidava dos cavalos como quem abraça
o corpo chagado do mestre
e limpava o estrume dos cavalos como quem percorre a via Ápia em assombro
junto ao cortejo real
 
e ouvia na solidão dos estábulos a Igreja reunida
os santos e toda alma pequena, que um dia lhe confiara 
a amizade do Senhor

 

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Plotino e a retórica da ascensão

Longo mas edificante ensaio de BERNARDO LINS BRANDÃO.

Noites Áticas

Na Vida de Plotino, Porfírio afirmou que seu mestre escrevia sem nunca revisar o seu texto e que estava mais preocupado com o pensamento e a verdade que com a eloquência. Uma análise mais cuidadosa de passagens das Enéadas, no entanto, mostra-nos outro cenário: uma notável habilidade em dizer o indizível, imagens poderosas, discursos passionais, em suma, um refinado uso da linguagem de modo a conduzir o texto filosófico para além da mera argumentação racional.
 
É certo que Plotino escreveu tratados áridos dedicados a questões técnicas. Mas a leitura atenta de textos como a Enéada I, 6 ou a Enéada VI, 9 nos revela um grande mestre da diatribe – essa forma de pregação moral pagã, mistura de texto filosófico e discurso retórico que, começando com uma questão teórica, conclui em um tom lírico, próprio para convencer e comover. Os textos de Plotino não se constituíam apenas como…

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Novo desafio aceito…

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Convido o benévolo leitor deste Blog a acompanhar meu trabalho quinzenal como cronista. Leia mais

Estão falando sobre “O rio incontornável”

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Leia mais no Jornal Opção (Goiânia) – clique sobre a figura abaixo.

O FILÓSOFO KAROL WOJTYLA E SEU ASSOMBRO DIANTE DO SER HUMANO – Antonio Tarallo

Sobre o pensador KAROL WOJTYLA, Papa João Paulo II.

Opus Matris Dei

Para compreender a filosofia de Karol Wojtyla é necessário partir do ser humano. O homem, na mente e na alma de João Paulo II, ocupava um lugar privilegiado. O pensamento antropológico é de fundamental importância na obra do filósofo polonês.

Mas por que o homem é o centro de todo o seu pensamento? Obviamente, essa resposta acabará chegando até Deus, mas o ponto de partida é o seu conhecimento e estudo da humanidade. O valor do homem, feito “à imagem e semelhança de Deus” (é importante lembrar isso), foi repetidamente abordado por Wojtyla filósofo, para mais tarde ser examinado de perto no pontificado de João Paulo II, em seus documentos pontifícios, os quais — em muitas ocasiões — também podem ser considerado quase uma “extensão” de seus ensaios filosóficos anteriores. Ensaios que podem ter uma espécie de denominador comum: a antropologia.

Perambular pelos seus escritos não é tarefa simples: é…

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NOSTALGIA DO CÉU – Pe. Santiago Martín

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Nostalgia do céu, por Pe. Santiago Martín, via J.C. Zamboni.

Opus Matris Dei

O Papa Emérito Bento XVI escreveu um breve e afetuoso adeus a um amigo seu, um teólogo e monge cisterciense de 91 anos, que acaba de morrer.

A parte mais comovente são estas palavras: “Ele chegou agora ao outro mundo, onde estou certo de que muitos amigos já estão à sua espera. Espero poder juntar-me a eles em breve.”

“Espero poder juntar-me a eles em breve”, diz o Papa, mostrando assim um desejo de deixar este mundo para estar com Deus no céu, para sempre, e também com aqueles que para lá foram antes dele.

Este anseio do Paraíso tem o selo das palavras de São Paulo, na Carta aos Filipenses: “Para mim, a vida é Cristo, e é lucro morrer”. Ou as de Santa Teresa: “Vivo sem viver em mim mesmo, pois espero uma vida tão elevada que morro porque não morro”.

Os santos têm sempre os seus…

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O que ando lendo

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Um leitor de alto nível: BERNARDO LINS BRANDÃO.

Noites Áticas

Ascendino Leite – Caracóis na praia: um dos volumes do jornal literário de Ascendino, um excelente exemplo deste gênero, o diário íntimo, praticado por Unamuno, Amiel, Gide e outros.

Andrew Stephen Damick – Arise, o God: uma bela síntese do que os padres Stephen Damick e Stephen De Young vêm falado em um dos melhores podcasts da atualidade.

Eunápio – Lives of the philosophers and sophists: se a filosofia, para os neoplatônicos, era um modo de vida, então o livro de Eunápio, com suas biografias de Plotino, Porfírio, Jâmblico, Eustácio e Sóspatra, etc., é fundamental para entender essa fase final da filosofia antiga.

Robert Spaemann – Felicidade e benevolência: em seu diálogo com antigos e modernos, poucos livros conseguem apontar de modo tão preciso que a tensão entre uma ética da felicidade e uma ética do dever só pode ser superada em uma perspectiva ontológica –

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DEUS É MAIS ESPERTO QUE OS MAUS

Mais um post do professor J. C. Zamboni que merece ser lido e guardado.

Opus Matris Dei

[O dramaturgo espanhol Lope de Vega é um dos grandes autores do teatro universal. Depois de uma vida dissoluta, aos 48 anos entrou para a irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento, em Madrid, época em escreveu a peça Lo fingido vedadero (“O fingido sincero”), publicada em 1620. Era uma tragicomédia sobre a vida e o martírio de São Genésio, que foi ator cômico na corte do imperador Diocleciano, que reinou entre 284 e 305 depois de Cristo, e é célebre pela perseguição que moveu contra os cristãos. Corrado Gnerre conta a seguir como foi a conversão do ator Genésio].

Pouca gente sabe o que realmente aconteceu com São Genésio.

Genésio era pagão e trabalhava como ator. Um dia, diante do imperador Diocleciano, ele teve que simular o batismo cristão para dele zombar. Os comediantes convidaram um padre de verdade, obviamente sem lhe dizer que era tudo encenação e zombaria.

Mas…

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