Livros de Adalberto de Queiroz

Capa 3D Fragil armação
32 anos depois, a 2a. edição, 2017.

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Sobre “Frágil Armação”:


Publicado originalmente em 1985, “Frágil Armação” retorna às mãos do leitor, nesta segunda edição,
não como lembrança, mas como a sensação de um sentimento renovado. De poeta bissexto a
obstinado articulador das mais diversas linguagens poéticas, Adalberto de Queiroz nos reapresenta
seu livro de estreia com toda a carga de experiência e evolução estética que comporta esse intervalo
de mais de trinta anos, mas sem perder seu impulso original. Com esta segunda edição, a Editora
Caminhos buscou fazer uma ponte entre duas paisagens e convida o leitor a refazer os caminhos do
autor de “Cadernos de Sizenando” e “Destino palavra” em sua incessante busca poética.
Um exemplo desta busca poética de Adalberto de Queiroz, que está plasmada em “Frágil Armação”,
pode ser observado nos versos de Flor imediata. Sobre este poema, Ercília Macedo-Eckel evidenciou,
em estudo crítico, que Adalberto de Queiroz se valeu da tradição da moderna poesia da cidade, que remonta a nomes clássicos como Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire. Esta evidência se dá, segundo a pesquisadora, no “próprio código usado pelo poeta, ao transformar em poético o medo urbano e ao dispersar-se na direção dos sonhos, da utopia e dos mitos: “E, num segundo, vadeamos o espaço/crianças solitárias com medo da cidade,/ em vário instante transportados/ ao reino da primavera/por faunos e musas visitados.”
Outro ponto importante da busca poética de Adalberto de Queiroz pode ser encontrado no poema Néon, que vai na quarta capa do livro. Neste poema, podemos ler os versos: “O que sou não me pertence por inteiro” e “sou o que teme o escuro — temor de fato.” Revela-se aqui uma “dicção da modéstia”, da percepção da pequenez e da incompletude como algo positivo e constitutivo da alma humana; matéria-prima que possibilita armar sua estrutura lírica, contudo, cônscio de sua fragilidade.”

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Sobre o autor:

Adalberto De Queiroz nasceu em Goiânia em 1955, foi educado como órfão em um abrigo de Anápolis, de onde saiu em 1973 para cursar Física na Universidade Federal de Goiás. Mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde concluiu Comunicação Social na URGS e, retornando a Goiânia, Jornalismo na UFG. É pósgraduado em Marketing pela FGV-Rio, foi empreendedor na área de Tecnologia da Informação por 26 anos. Deixando as atividades empresariais em 2014, Beto Queiroz dedica-se à poesia, à divulgação literária e à crítica. É autor de “Frágil Armação” (Poesia, 1985), “Cadernos de Sizenando” (poesia e crônica, 2014), “Destino Palavra” (Poesia, 2016), e organizador de “Literatura Goyaz — Antologia” (2015).

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Sobre a Editora:

Fundada em novembro de 2013, a Editora & Livraria Caminhos é uma editora independente focada na publicação de literatura clássica e contemporânea de qualidade, buscando dar espaço a autores inéditos ou negligenciados no mercado editorial nacional. Nosso projeto editorial inclui autores locais e nacionais pouco editados e/ou de grande importância literária, além de autores estrangeiros em traduções próprias que privilegiem tanto o texto original quanto o trabalho do tradutor.

A obra anterior de Adalberto de Queiroz foi publicada em 2016 – é “Destino palavra” (poemas).

Capa Destino_3D

“Contrito na sua litania poética, Adalberto de Queiroz refaz o caminho ancestral, (desde Cádiz  à Vila Jaiara, em Anápolis) e traça sua ontologia, quando, ubiquamente, se coloca no tempo: o do presente e o da memória, no diálogo com a Tradição Poética.

 

“São muitas e várias as vozes, não importando a origem, o que conta, de fato, é o tecido intertextual, composto nas estampas dos fatos que emergem o tempo todo: o menino no orfanato, o jovem da fábrica de tecidos, o estudante de jornalismo, o empresário, o homem feito, o  cidadão do mundo, o poeta com olhar apurado a contemplar o mundo…foto-do-beto_byhelenireuropa2016

“Adalberto de Queiroz, na lídima palavra, professa o seu canto de fé ao intensificar a interlocução  com o sagrado: Maria, Santa Teresa d’Ávila, São Joãozinho da Cruz, são intercessores no dialogo definitivo com Deus:

 

 

(…) “Eis-me, aqui Senhor, permiti que não falhe:/Eu te imploro! E se falhar, de tanta ansiedade/Entre o possível e o provável; não seja escravo./Culpa não tenho de tentá-lo, Senhor! /Fazei-me garimpeiro da alma.//Ao desalmado, ensinai o destino tutelar./De animal xucro à escola, como ao rei de Bagdá. /Nabucodonosor foi provar – pastou como quem não tem alma.//Quisera ser o Rei dos reis –, o coitado e a doida da casa,/na antiga profecia de Daniel não atentou ao oráculo;/todos passava ao fio da espada – ninguém era perdoado.//Ao desalmado, sabemos, pela voz do poeta que assim se deu:/“Pastou ervas como os bois; e foi seu corpo pelo orvalho do céu molhado./Seu pelo cresceu como penas de águia e suas unhas, como unhas de pássaro.”/Fazei-nos, pois, Senhor, aprendizes dos mistérios da alma.//.

“Assim, na sua busca pelos mistérios da alma, Adalberto Queiroz traz a lume uma obra esteticamente refinada, que foge dos artificialismos da linguagem, e se consolida como uma das vozes da nossa Poesia.”  (*)

Francisco Perna Filho é Poeta, doutorando e Mestre em Letras e Linguística: Estudos Literários pela UFG e mantém o site Banzeiro Digital.

Confira neste link o artigo “A MÍSTICA POÉTICA DE ADALBERTO DE QUEIROZ”

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Cadernos de Sizenando: poesia e crônica (2015)

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Cadernos de Sizenando_Capa - Edited

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Apresentação do livro “Cadernos de Sizenando”

(Sônia Maria Santos – Escritora e Poeta)

Ardentes são os mistérios na roda implacável do tempo, de um Deus, de um esplendor, cuja trama atravessa com a sua luz, a luz de um poeta, ao ler e reler os dias, desde os mais longínquos e primordiais. Olhos que vêem, vigiam, indagam. Mãos que apalpam húmus, minerais, argilas, e ainda carregam uma espécie de pureza e virgindade; vontade de conter belezas, ternuras e as indecifráveis músicas que põem o universo a girar.

Cadernos de Sizenando vêm de longe, com anotações tomadas no dia a dia, de um tempo que não pede lamentações, mas o fluir da mais doce alegria, contida em pequenos lembretes, cartas, e-mails, milhares de textos, blogs e grupos de amigos. Nesses achados, a longa beleza da sua história, essencialmente rica, em conteúdo e caminhos percorridos, sem perder sequer um grão de areia.

Vejo nesse livro relíquias que se acomodam por necessidades, as mais antigas. Sizenando, seu avô, razão suprema, seu mote e alegria, intitula o livro. Daí, o sagrado direito de por ele se deixar levar. Adalberto de Queiroz sustenta na sequência do seu livro a poesia desejada, por vocação e destino: indispensável. “Keats escrevera que o poeta deve dar poesias naturalmente, como a árvore dá folhas …” (Borges, 1999, p. 104).

Assim, fluindo, nascem os poemas do autor, jamais deixando de saltar aos olhos os seus saberes, linguagem apurada, e suas viagens no reino da boa leitura. Impregnado dos guardados, das gavetas encantadas, versos   do poema “Água limpa”:

“Se da água limpa dos rios,/ O poeta alcança —

incólume/ as fontes d’água viva…/Oh! Claro lume:/

bebe em sanga clara./Bebe c’o as mãos/na vertente rara/ sequioso estro./

Não se abaixa/A flor d’água,/feito um cão:/ Lambendo a água.”

Transcrevo ainda, da memória do autor, versos do poema A. E. G… Três letrinhas para evocar a infância, seus sonhos, intensidades, seus sedimentos profundos:

“Dora, você se lembra?/Recorda-te, Laíde?/Onde está dona Modesta?/Onde, o sêo Roque? Onde estão todos, Meu Deus —

Simplicidade e beleza coexistem nos seus poemas e revelam ainda um estado de solitária contemplação.

Não seria diferente. Adalberto tem o seu deserto, suas dimensões simbólicas, seu óleo sagrado, o altar das

manhãs. Numa época de valores tão contraditórios, o autor se aproxima de Rilke: “A arte não é um fazer-se compreensível, mas um urgente compreender-se a si mesmo {…}” (Rilke, 2007, p. 145).

Por isso, versos bem desenhados, como em “Azul de Matisse”, de doce encantamento.

Ainda, em Prece ao Anjo-mago Manuel, o Bandeira, versos assim:

Que não me ouvem mais?”

“Diga sêo Manuel, ao menos

Faça aí no alto uma prece

À Santa Terezinha do Menino Jesus Em meu

nome e de todos nós — Os poetas menores;

Que advogados não temos, senão Tu E o

Quintana, com um sapato florido Passeando

na imensidão do paraíso E mijando nos muros

cheios de heras De nossa esperança infinita

Amém.”

Ainda, levado ao fogo sagrado das lembranças, o poeta refaz a sua “criação”, experiência genuína ao cantar as

mães — infinitamente pronunciadas por Adalberto, como numa lista de chamada — uma a uma — feito contas de um rosário:

“No princípio foi dona Cecília e nasceu Elza e

vieram Modesta e Helenir e Maria Nazaré e Carmelita

e Laíde e Maria do Carmo e Eleusa-Alice e de novo

Modesta e Helenir e Maíra e Cecília e Veridiana e Luzia

Isabel e Maria e Faustina e Adélia e Ormi e Luciana

e Deusa e Vilna e Mariza e Cida e Maria e Divina e

Sônia e. Santinha e Fátima e Lueli e Cristina e gerações

sucessivas: Mães.”

{…}– doces nomes em emes em colos em beijos,

regaços e seios

Na imagem do anjo: “Mammí…”.

No poema, Poesia falada, assim canta o autor nos primeiros versos:

“palavra à noite cantada/c’o a manhã se desfaz em

palavra granulada:/matinal achocolatado”.

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Cadernos de Alumbramentos

(Brasigóis Felício, jornalista e Poeta)

Aquele que teve clarões do infinito ou, tendo estado às margens do grande segredo, da mente ou do intelecto de repente lembra e esquece: então passa ou permanece como poeta. Uma vez sendo trabalhador e habitante do hotel do tempo, em que se hospeda, entregasse de vez em quando à escritura de seus cadernos de poesia. No caso de Adalberto Queiroz, são os cadernos de Sizenando, construção de edifício poético que segue-se à Frágil armação, que tive o prazer de apresentar quando da primeira edição.

A dicção do poeta alimenta-se do museu de tudo de suas memórias, vivências, sua bagagem cultural, seus alumbramentos com as modalidades de arte que o encantam: música, pintura, teatro, e o vasto cenário das formas e gêneros literários. Mas é como cronista e poeta que ele expressa seus alumbramentos, suas viagens de saudade e memória, sua visão do mundo. Sabendo que os viventes são navegantes do espanto, sujeitos ao susto de viver no imponderável.

O certo é que tudo na existência humana decorre em brumas de mistério – sendo estas as águas em que navegam as naus do poético. Como bem o diz o poeta Gilberto Mendonça Teles: “A linguagem se arma nas formas e elide/tudo o que não tenha um sol, um sentido/E Deus escreve bem por linhas tortas, / mas ortografa certo as entrelinhas/agora, como sempre,/com outro é que se obtém perícia/a porta das palavras nunca ditas/”.

Nestes cadernos de Sizenando, habitado de linguagem poética e de alumbramentos da crônica, gênero que se  adéqua ao desenrolar das impressões e lembranças, o poeta Adalberto Queiroz depara-se com a revelação do insólito e do diáfano, a conviver com o cotidiano prosaico: “Grave e dolorosa a tarde cai/ e tombamos juntos/como legumes nas panelas caem/(…) Dura selva e pesado o século ensaiam/sua dureza de aço e torpedos/”. Ou, em outro poema, constata, com humor que lembra Manuel Bandeira, um poeta da sua predileção: “A tarde é da tanajura,/apesar de a cigarra/advogar que não/”. A tarde, em verdade, é da cigarra, que não se aperreia por nonadas, e não da formiga, criatura da natureza viciada em trabalho.

Nestes Cadernos de poemas e crônicas que são revelações de um intelecto ardente, e de uma alma sedenta de infinito, vem o poeta reafirmar seu compromisso com a frágil armação do poético, sabendo de sua alta valia, neste mundo a afogar-se em turbilhões de banalidades, em que o mau gosto, a boçalidade e até o escárnio são impostos a todos, como alimento tóxico indispensável, a sinalizar com os desastres de uma marcha rumo à decadência.

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