Spes, Ultima Dea

Lorenzo Steccheti, que bellissima scoperta…
Obrigado, Schadeck e Editora Anticítera!

O original do poema traduzido por Bruno Gomes.

 

Ao nosso amor, poema em destaque

Fiquei muito feliz com este destaque dado pelo site do Instituto Cultural Sicoob ao meu poema (Ao nosso amor).
Para ler o poema, clique na figura abaixo.

Canto de Leitura Sicoob_Poema.png

Ao nosso amor…

                              Ao nosso amor_Poema Beto.png             à Helenir Queiroz.

Nada importa menos ao nosso amor
que a ingênua rima em flor – rosa nomeada.
Pouco importa, ainda que um soneto –
pouco importa a forma exata, a rima
ao nosso amor pouco importa.

Nada importa, amor, se lhe dou forma
no leito, em lugar e fora de hora
se cedo ou tarde, não importa,
se madrugada clara ou à nona hora.

Nada importa menos ao nosso amor
o tempo que sem cessar conforma
o outro ao desalento, ao desamor –
ao nosso amor pouco importa.

Ao nosso amor nada importa

menos. Pois, sem cessar, ele se conforma
ao leito como o rio ao que a chuva forma.

Ao nosso amor pouco importa o som
dos outros, a balbúrdia, bailado ou alaúde
pois a todos ele contorna: ao amor, à paz
volta-se; ao aconchego sem alarido; e amiúde
nosso amor pouco se importa
com o que se passa lá fora…

Nada em nosso amor seja triste
pois que à lágrima opor-se-á o vento –
no silêncio de nossas madrugadas estelares.

Só nós dois, amor, resistimos sob a chuva
ao frio e ao calor – entrelaçados, sim;
não importa – nada – amor, nem goteiras

de um telhado antigo e sob a chuva;
um pistilo se anunciando calmo,
um que duas estalactites soam:
plânctons, íons, átomos de um só.

Pouco importa ao nosso amor a morte.
./.


Goiânia, 31/5/17.

 

Ao nosso amor_Poema JUN2017.png

Posts curtos – poema a Ursulino Leão

Da série “Gênese de um livro”

O burrico

A Ursulino Leão.

 

Platero e eu” é história antiga
de quando os animais falavam;
quem contou foi Ursulino –
por Leão de sobrenome, mas
d’alma de cordeiro cativo.

No dia de seu octogésimo ano,
nós, seus leitores brindados
co’a história de um burrinho
queimado e malhado na testa;
burrinho de pernas rajadas
e de alma bíblica completa.

O burrinho da crônica além
de clone do jumento do Cristo,
milênios antes em Jerusalém –
nos encantava com seu dístico:

Dá-nos u’a “nesga de satisfação
na caligem dos nossos pesares”

Do burro xucro de meus dias
aprendi que escoicear o vento
inseparável companheiro cria
aos pobres, aos fracos intentos
de nossas bocas de infantes
um mundo de hosanas e vivas.
Platero e eu; eu e Platero
congresso de vida refazemos

E saio da história do amigo
desejoso de saudar o Cristo
com as palmas na mão agito
o hosana ao Filho Bendito.

Tudo por conta de um jumento
que, como de Balaão o animal,
enxerga, previamente ao seu dono,
figura do Anjo a libertar-lhes do Mal.

 O adeus do burrico é um gemido:
“uma nesga de satisfação
na caligem dos nossos pesares…”

(*) Ursulino Leão e euPlatero e eu“, título do romance de Juan Ramón Jimenez, Edição dos Livros do Brasil, sem data, desenhos de Bernardo Marques e tradução de José Bento. O livro foi tema de crônica de Ursulino Leão no jornal O Popular, Goiânia,  sob o título de “O Burrico e o meu (80°.) Aniversário”, depois reproduzida no livro de crônicas “GYN”, lançado pela Editora Contato/Kelps, 2015, p. 65/6.

Ursulino Leao e eu

Foto 1 – Com Ursulino na Casa Altamiro (1); e em visita a sua residência – (2).

Dia dos Namorados na América

Valentine’s Day 2017

Mesmo com a advertência de Drummond na memória (“Não faças versos sobre acontecimentos“),
ousei um poema para minha musa, neste Valentine’s Day in USA.
Confira, caro(a) leitor(a).
cancoes-americanas-1
AQ./.
Plantation, Florida, US, 14th, Feb/2017.