Com seus versos, alguns poetas provam que “o amor é mais sublime do que o mero pensamento, pois o pensamento absoluto é amar…”

Uma inspiração divina leva alguns homens a escrever, às vezes sem compreender toda a extensão do que escrevem. A inspiração divina nos leva àqueles versos ditos “inspirados” que podem também ser compreendidos melhor como resultados de visões de homens que miram o império divino – de Virgílio a Vinícius de Moraes (o jovem ainda católico, ainda crente de uma realidade expandida, não o velho entregue aos vícios e às seitas afro-brasileiras!); de Fernando Pessoa a Tasso da Silveira, passando pelo incontornável Jorge de Lima, talvez o maior poeta católico do Brasil.

Este é o terceiro de quatro artigos programados para este mês de dezembro de 2017. Confiram e curtam lá no site do jornal que dão endosso a que eu continue minha missão como colunista do prestigioso Opção Cultural, o maior jornal de literatura do país.

PARA LER A COLUNA, CLIQUE NA FIGURA ABAIXO.

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Frágil armação: poemas – 2a. edição *Lançamento

O Autor em 2016

* É hoje! o lançamento da segunda edição deste livrinho que conta 32 anos de publicação.

LEIA melhor avaliação crítica, feita pela escritora e acadêmica da Aflag, professora Ercília Macedo-Eckel, sobre o livro que está neste link do Opção Cultural.Flyer É Hoje.jpg

O espaço

O Espaço
*********Adalberto de Queiroz

Porque a poesia nos coloca
em estado-de-emergência –
como dizia o Gaston,
Eu vos digo: eis-me aqui, acólito
do ritual canônico do verbo
criando stanzas velhas – atónito (!)
com o poder etéreo, soberbo.


Sem impertinências, nem pedras pelo caminho,
– pedras estão diante dos olhos!
as pedras clamarão, agora clamam.
Não há senão as que me levem de volta à casa do Pai.
– Eis-me aqui, Senhor, de corpo e alma;
inaugurando uma forma:
voando pelo Espaço
sem deixar a doida da casa
roubar-me o plano de voo.
./.

Adalberto de Queiroz, Destino Palavra, 2016. p.50.
Este poema encontra-se gravado no SoundCloud, falado por mim, para ouvi-lo, clique no link abaixo.

A gênese de um livro (III)

Canções americanas (2)

Ah! azevinheiro em minha janela
mas meu coração não está mais lá;
estreita era a cama – nós dois nela,
mas meu amor está amarrado lá.

Mas meu amor está amarrado lá
onde a grama está sempre verde
o silêncio permite ao nightingale
cantar sem que o deserdem.

Cantar sem que o deserdem
o poeta deseja desde Homero;
sem Calipso o verso tecer-lhe
com saudades partir austero.

Com saudades, partiu austero
sobre o mar do Caribe e além –
só desejava um passarinho
do cerrado que o acordasse
de madrugada
de volta ao domo donde provém.

./.

Plantation, Fl, 15.02. GYN, 23.02.17

Poemas de esperança (memorial)

Goyaz (1)

No outono da vida o sol do cerrado
seca as mesmas sementes — sol a pino:
sementes de abóbora comidas assadas
coisas de antanho com igual desatino.
Cajá-manga devorado com sal, à sexta hora
o gosto arcaico na boca desata sonhar —
feito pamonhas ao leite ou torta de amora
vem só o torniquete do acerbo no maxilar.

Minha avó comendo manga com faca
nas tardes de outrora, parece retornar;
uma sombra morna no sonho que sou.
Igual lembrança aperta de mansinho
a segunda costela à sinistra do sono
e traz o pousoso passado ao ninho.

Poemas novíssimos. Goiânia, 26.01.2017