Mártires cristãos do Séc. xxi

DILETOS AMIGOS: Se cada século tem sua insígnia, a do século xxi há de se escrever com o sinete em brasa do Terror. HORROR é a sua face visível, cruel séc. xxi. O Islã e sua face escondida, os maometanos e sua bandeira em negro contra a civilização ocidental, eis o que estes dezesseis anos do século desenharam para o mundo globalizado (e inseguro;  governado centralizadamente e desgovernado por entreguistas ocidentais e “multiculturalistas”: a derrota de um projeto de Nação vs.  a UE…

PadreJacquesHamel+VitimaFrança2016

A Europa assiste a todo o desvario imposto pelos terroristas islâmicos, sem exercer seu papel de continente e sua liderança fundamental ao Cristianismo.

A substituição de populações, com a invasão dos maometanos no continente europeu esfacela valores e destrói a cultura e os hábitos judaico-cristãos, bem como desvirtua os valores da democracia da fantasiosa União Européia – por sobre os Estados-Nações paira um governo central entreguista e alheio ao drama diário dos pequenos burgos. Estas pequenas comunidades, marcos da origem da fundação se expõem à barbárie do imigrante-invasor e se vêem vítimas das concessões de benesses e da leniência da Justiça central de seus governos.

O Islã mostra a cada dia sua incapacidade de convivência pacífica com as populações que aceitaram seus membros – integração é palavra impossível ao maometano do séc. XXI. Se é impossível manter-se uma Igreja Católica em Bagdad – sem que seja esta comunidade vítima diária do ataque do terror – agora, já isso não basta! Atacam-nos – os cristãos – em nosso próprio solo: a terra de São Bento. Saint-Etienne-du-Rouvray, bem perto da sagrada Rouen (mesma diocese) de Flaubert torna-se o símbolo da agressão por dentro. Um jovem imigrante fugitivo da polícia, aos 19 anos, invade uma igreja e degola o pároco em plena celebração da Eucaristia…

HOJE, 27 de julho de 2016, foi um dia de luto.
Resolvi, agora, depois de longa insônia e muita reflexão registrar minha revolta pessoal e minha tristeza com a ação deletéria de terroristas islâmicos, perpetrada dentro de uma Igreja católica em uma pequena comunidade francesa. Eu protesto. Eu acuso os islamitas e os colaboracionistas franceses de um ato hediondo.

Estou estarrecido, mas não inativo; e aqui grito ao mundo minha revolta, neste pequeno espaço – espécie de diário em que nem sempre as notas são públicas. Se todos os cristãos que hoje rezaram pela alma de Frère Jacques HAMEL assim o fizessem, as autoridades que colaboram com a substituição da população e dos costumes da “France Catolique” e ocidental, facilitando a islamização seriam calados e sua ação deletéria deter-se-ia na fúria e na revolta dos cristãos.

Mas não, por ora, o que vimos foi uma morte estúpida. O brutal assassinato (redundância, como se todos não o fossem!) do padre JACQUES HAMEL, perpretado por jovens terroristas no momento mesmo em que o sacertode celebrava uma missa em Saint-Etienne-du-Vouvray…pequena comunidade da Diocese de Rouen.

EU acuso os que nos permitiram chegar ao limite da barbárie e das insanidades do terror na abençoada France Catholique, na terra de São Bento, fundador da Europa.

Neste ano 16 do século já assistimos estarrecidos à espetacularização dos atos mais vis. Decapitados, enjaulados, queimados, estruprado(a)s, jogados de edifícios, ocidentais ou cristãos não ocidentais (mas aliados do Ocidente ou apenas considerados infiéis ao Islam) vêem-se (vemo-nos) sob a ameaça do Terror em todas as províncias em que a Besta atua. A menos de 12 dias do massacre de Nice, a quase um semestre do ataque à Paris mundana das casas noturnas – odiadas pelo rigor publicano do maometano.

Das façanhas malsãs do Boko Haram dizimando vilas inteiras na África, até o estupro coletivo; da tortura dos gays que são atirados do alto de prédios em ruínas, ao sequestro coletivo de jovens virgens que são violentadas; daí, como se limite não houvesse  para a barbárie maometana, até a explosão literal (mulheres-bombas) e a mutilação sexual de mulheres em uma casa noturna em Paris -; tudo assustadoramente tornou-se “esperado” a cada dia nesta quadra do tempo do Mal.

Diz o jornal La Croix que o assassino de Frère Jacques era registrado na justiça por ações preliminares a essa.

O horror em série se segue à carnificina de Nice, ao sul da França, ocorrida há passados 12 dias… O horror, diz o La Croix, agora ganha nova face, com o assassinato de Padre Jacques Hamel. Um jovem que agindo isoladamente na verdade seguia os propósitos de morte e crueldade do Estado Islâmico – ou acrônimo do árabe Daech (en arabe داعش, Dāʿiš [ˈdaːʕiʃ ], em inglês Daesh,em francês Daech) – cuja missão é destruir a civilização judaico-cristã ocidental. O jovem assassino teve desde os seis anos de idade todas as benesses que a cidadania francesa (e européia) concede a milhares de imigrantes. Com o dinheiro dos impostos de milhões de contribuintes, pequenos marginais são criados e mantidos, alimentados e capacitados, enviados para chreches públicas, usam o serviço de saúde física (e no caso do pequeno marginal de saúde mental) da França e pisa em seus valores ocidentais, burlando todas as regras (e desfazendo da etiqueta milenar de convivência) da comunidade que os acolheu.

Adel K…  nasceu em segunda geração de imigrantes, em 25 de março de 1997, portanto, com direito à cidadania e recebia os direitos do “imposto-da-braguilha”, isto é, transitar livremente pela Europa, como o fez recentemente (2015), passando por fronteiras em direção à Síria, depois de ter usado os recursos da internet para aderir aos radicais do Daech. Transitou pela Alemanha, utilizando-se dos documentos de identidade de um irmão e foi preso pela polícia local. Um mês mais tarde, foi fichado na Turquia, aonde chegou com documentação de um primo, de onde foi repatriado à França.

Aí veio o papel da Justiça do colaboracionismo de substituição das populações. Soltar os marginais que são presos pela polícia – sob argumentos os mais frágeis possíveis, em que se ressalta a leniência com os “pobres adolescentes” não integrados. Algo como dizer: o padre é o responsável por ter sido degolado: “quem mandou ir rezar missa sem segurança às 7h da manhã, sem autorização do deliquente de 19 anos e desintegrado, pobre deliquente, pelo welfare state francês…” oh, o mal-entendido, a raiva de si mesmo que nutrem os europeus bem-nutridos do estado-do-bem-estar-social dos dias atuais…

O Juiz que interpelou o deliquente decidiu dar mais chances ao marginal Adel K, que agora aparece para o mundo como mais um herói do Estado Islâmico (ou Daech), tendo assassinado o vigário local.  O marginal usava uma tornozeleira eletrônica, mas segundo diversas fontes francesas, o país em processo de suicídio como Nação cristã-ocidental, não vela pelos seus contribuintes e deixa à solta os Adel K Muhamads da vida – todos se fartando da prosperidade e da acolhida francesa para esfaquear-lhes pelas costas – ou pelo pescoço, como o fez literalmente o assassino mirim Adel K. tentando pela enésima vez subir de posto na hierarquia da barbárie do século xxi – o EI, ou Daech.  O procurador François Moulen, da justiça francesa que esse tipo de ator da anti-história tem como característica ‘repetir’ as tentativas – à descoberta do poder público que é leniente e conivente com a barbárie.

Abra o leitor um livro – corte para cena do romance “Sangue na Neve” de Georges Simenon, publicado ali pela altura da II Guerra Mundial, faça um corte para cena de Sangue na Neve, de Georges Simenon.

No mais cruel de seus romances, o belga Georges Simenon mostra em “Sangue na Neve” um delinquente juvenil – feito Adel K. Do romance diz-nos o crítico Otto Maria Carpeaux que “ponderando bem as palavras, considero esse romance como um dos poucos que darão testemunho da nossa época”. A história de Frank e sua perdição pelo Mal – pelo demônio da violência gratuita e irracional – é similar à história de Adel K. “O mundo silencioso, escuro. Tudo preto [como na bandeira do Estado Islâmico] – eis o ambiente próprio do Mal.” O mesmo mundo em que “até a neve branca, nas ruas, parece suja…” (Carpeaux) repete-se com Adel K e a violência islâmica da qual é um símbolo: até os panos do altar violado parecem sujos…A mesma torpe violência que faz da cidade imaginada de Simenon “uma cidade ocupada pelo Diabo” é a visão similar que se tem da Europa desta mirada do 16o. ano de um século doloroso e cruel. Um continente ocupado pelo Diabo…

Eis um episódio que poderia ser mote para uma nova história a ser contada antes que os maometanos destruam as bibliotecas e monumentos, depois de degolar nossos intelectuais e sacerdotes – o Diabo no meio do redemoinho europeu do entreguismo e do colaboracionismo com a  nova invasão islâmica da Europa.

Entretanto, a cada novo episódio de violência parece-nos que, dessa feita, a bestialidade chegou aos limites do imaginável; até a próxima agressào… Supõe-se que uma igreja (ou uma mesquita, uma sinagoga) tenha como pré-requisito ser o espaço da acolhida fraterna e da não-agressão. Daí porque a saudação que o vigário pede aos presentes é que ofereçam uns aos outros a paz de Cristo!

O padre Jacques Hamel, nascido em 1930, estava celebrando o mistério de Cristo – a páscoa sagrada que representa a Missa Católica – reviver o sacrifício do Cristo, rememorar suas (Dele) dores sofridas no Calvário para salvação e libertação dos nosso pecados. A essência da mensagem do Cristo é a mensagem da Paz. E foi vítima de um cruel delinquente juvenil islâmico, a imagem do mimado filho da segunda geração de imigrantes que usa o welfare state (as benesses do “Estado do bem-estar social) para perpretar o Mal, disseminar a Morte e a violência.

Foi com esse propósito pacífico e em busca eterna do Sagrado que o idoso sacerdote executava sua missão. Eram por volta de 7 horas da manhã, quando em meio à liturgia, dois jovens já fichados pela polícia francesa (e colocados em liberdade pela Justiça) portando facas e simulando possuir bombas corporais ameaçaram o vigário e a sua pequena comunidade.

Os panos ainda carregados do sangue do Sacerdote e de outros dois feridos deverão ser o registro deste martírio do Séc. XXI. Haveremos todos de rezar e buscar o perdão, mas não é improvável que devamos também pensar em defender a Fé Católica e os valores da Europa e da democracia ocidental  com ações mais firmes de vigilância, da ação preventiva (em que as polícias de França e Bélgica parecem inermes!) e de contra-ataque ao Terror. Dias antes um ex-líder francês houvera dito (profetizado): ou reagimos logo ou seremos derrotados em nossa própria casa. “Eles ou nós” – é a sentença que parece premeditada na guerra contra o Terror.

Deixo-vos, leitores, consternado com o estado de coisas da Europa. Por favor, vejam esta palestra de Renaud Camus, autor do livro França: suicídio de uma Nação, para entender melhor o estado-de-coisas que substitui o estado-de-direito e o valoroso cenário de Pax Européia hoje desconcertado e posto fora do lugar pela mão do imigrante delinquente.
A questão vital que aqui se coloca é dizer NÃO à substituição de população que o governo central da Europa deixa acontecer – que a invasão islâmica seja “não violenta” – sob um véu admissível de “integração” e tolerância…Isso não poderia senão dar lugar ao oportunismo maometano e a ocupação destrutiva e a conquista do território europeu e a destruição lenta e corrosiva da cultura ocidental.
À suivre.

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“LA FIERTÉ CONTRE LA REPETANCE”
– plutôt: “De l’Honneur et de la Haïne de Soi (sentiment de culpabilité)”
Conferência de Renaud CAMUS no Colloque Iliade “Face à l’assaut migratoire, le réveil de la conscience européenne”

clique no link para assistir ao vídeo (32’00):
https://youtu.be/MRuTR8DV6cI?t=1m11s

 

Yves Bonnefoy (2) – o Adeus ao poeta

O ADEUS ao poeta francês Yves Bonnefoy!YvesBonnefoyMenor

Yves Bonnefoy (1923-2016). 
A notícia do desaparecimento do poeta deu-se em meio ao ruído da Copa de futebol da Europa, no início deste mês de julho, em Paris, aos 93 anos. Por conta de todo um noticiário específico e das férias, só vim a chorar a morte do poeta 2 dias depois do ocorrido.
A presença de Bonnefoy em minha vida há de continuar forte, chegado que foi o poeta pela mão de um amigo francês que viveu por um tempo em Goyaz. Dele ganhei o volume de “Poèmes”, com quatro livros do poeta.
Marc Souchon (da Universidade de Besançon, Fr) dedicou-me o livro de Bonnefoy, na esperança de que vivêssemos “em mundo mais poético“… Lá se vão 27 anos e, de minha parte, mesmo envolto nas “agruras do comércio“, não deixei de seguir o conselho do meu amigo Souchon, professor-visitante “Leitor”,  que conheci na UFG (Universidade Federal de Goiás), nos meus tempos de ICHL.

É! O amigo Marc Souchon tinha a profissão que todo Beto desejaria ter – Leitor; mas essa é outra história. Agora, temos de frente a realidade do desaparecimento de um dos mais importantes e produtivos poetas de la vieille France, o adeus à Yves Bonnefoy…

Dele disse em obituário a Enciclopédia Universalis (a tradução amadora é minha!):
A obra de Yves Bonnefoy (1923-2016) situa-se sob o signo da injunção de Rimbauld (em Illuminations): « trouver le lieu et la formule » [“encontrar o lugar e a fórmula”].

“A obra do poeta Bonnefoy se liberta muito pouco do surrealismo, numa busca que vai se revestir de múltiplas fórmulas, em diálogo constante com umas e outras, a saber: poemas onde se afirma uma busca da presença que devolve a palavra ao seu verdadeiro lugar (como “Du mouvement et de l’immobilité de Douve”); relatos onde a potência do sonho revela o que o cotidiano dissimula (como em “L’Arrière-pays”); ensaios nos quais se desenvolvem, sobre os rastros de Baudelaire, um diálogo entre pintura e poesia (caso de “Le Nuage rouge”); e traduções, onde, por fim, fica evidente o domínio do verbo Shakespeariano – de “Jules César” ao “Conte d’hiver“, afinal Bonnefoy era tradutor do bardo inglês.

Aos francófonos, recomendo a leitura completa no link consultado em 08.07.16. Clique aqui para saltar à Universalis.fr./

Ao não-francófonos que desejarem conhecer a obra de Yves Bonnefoy, recomendo este belo website O Poema, dedicado à obra de Bonnefoy, traduzido no Brasil pelo francófilo professor Mário Laranjeira.

«A poesia de Yves Bonnefoy é marcada por uma busca, sem trégua nem concessões, do “vrai lieu” (lugar verdadeiro) – esperança, sempre a preceder a palavra -, da unidade a ser reencontrada. Aceitação do limite, da finitude e da morte que conduz ao encontro, na outra margem, das coisas simples em que revive a manifestação do ser: a moradia, a luz, o fogo, a pedra, a folhagem, a neve, o amor.

«Sua obra poética já foi traduzida para mais de vinte idiomas e é reconhecida pela crítica como comparável ao que de melhor se produziu na França em todos os tempos.» – Comentário do livro Yves Bonnefoy: Obra Poética, tradução  e organização de Mário Laranjeira publicado pela Editora Iluminuras em 1998.

Dou-me conta, ao dar adeus a Bonnefoy, que tenho uma dívida imensa neste blog com os poetas da minha formação francofônica, feita na Alliance Française dos saudosos anos ’80 do século passado…
Dívida que hei de pagar ao longo das próximas semanas, prometo!

E a ti, poeta amado, fico certo de que soou
(…) o gongo, contra a arma disforme da morte.
Adeus, semblante em maio.
Adeus, poeta!

yvesbonnefoy

Yves Bonnefoy (*Nascido em Tours, 1923 ~ Morto em Paris, no dia 01.07.2016).

Por ora, deixo a você leitor, este poema intitulado “Les Chemins” (Caminhos) de Yves Bonnefoy num esforço enorme de tradução para nossa língua – que me perdoem os defeitos, mas é obra-em-andamento.

OS CAMINHOS
****Yves Bonnefoy*

Caminhos, em meio 
À matéria das árvores. Deuses, entre 
os tufos deste canto incansável de pássaros.
E todo teu sangue arqueado abaixo de mão sonhadora,
Ó próximo, oh! meu dia inteiro.

Quem colhe o ferro
Oxidado, entre as altas ervas, não esquece jamais
Que dos escolhos do metal a luz pode tomar
E consumir o sal da dúvida e da morte.
+++++
(*) A este exercício de tradução livre pode o leitor atribuir-me todas as faltas que houver (menos uma: a do amor ao poema), indicando melhorias via betoq55 at GMail.com (AQ).
Do poeta-tradutor de Shakespeare e J. Keats, muito a aprender.
Um velho post com tradução de Mário Laranjeira e outras referências poéticas.

 

No mínimo, um poema ao dia (I)

Chansons – Canções

De Clément MAROT (1497-1544). clément marot por corneille de lyon (c. 1537)
Tradução de Mário Laranjeira.*

De la rose Da rosa
   La belle Rose, à Venus consacrée,     A bela rosa, a Vênus consagrada,
L’oeil et le sens de grand plaisir pourvoir; Ao olho e olfato tanto prazer dá;
Si vous dirai, dame qui tant m’agrée. Assim direi, senhora que me agrada
Raison pourquoi de ruges on en voit. Por que razão tantas vermelhas há.
 
    Um jour Vénus son Adonis suivait     Vênus um dia acompanhava, à toa,
Parmi jardin plein d’épines et branches, Adônis, num jardim cheio de espinhos,
Les pieds sont nus et les deux bras sans                                                         [manches, De pés descalços, nus os dois bracinhos,
Dont d’un rosier l’épine lui méfait; E da roseira o espinho a magoa;
Or étaient lors toutes les roses blanches, Eram brancas então todas as rosas:
Mais de son sang de vermeilles en fait. Seu sangue as faz vermelhas, gloriosas.
    De cette rose ai jà fait mon profit     Desta rosa tirei o meu proveito
Vous étrennant, car plus qu’à autre chose, Por mais que tudo vos fazer ditosa,
Votre visage en douceur tout confit, Pois vosso rosto, de doçura feito,
Semble à la fraîche et vermeillette rose. Parece a fresca e vermelhinha rosa.

*FONTE: Poetas Franceses da Renascença, seleção, apresentação e tradução de Mário Laranjeira – S. Paulo, Martins Fontes, 2004, p. 22/3.

O poeta e “La belle dame” (1)

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Alain Chartier (circa 1380-1433).

Alain CHARTIER , poeta e diplomata francês do séc. XV, foi também um orador célebre – considerado “o Sêneca Francês”. Dele sabemos ter nascido em Bayeux, cerca de 1380. Viveu, pois, no séc. XV – portanto, no chamado outono da Idade Média e madrugada do Renascimento. Teria o poeta sido beijado (enquanto dormia). Margaret da Escócia ? Teria conhecido o primeiro lírico da França e seu contemporâneo François Villon? essas e outras questões nascem da observação do quadro pintado por Edmund-Blair “Alain-Chartier-and-Margaret-of-Scotland” (foto 1).

Chartier viveu no séc. XV – portanto, no chamado outono da Idade Média e madrugada do Renascimento – época que o mestre Segismundo Spina diz viver  “ainda o Primado Italiano” (na obra-prima “A cultura literária medieval”, de 1997).

Já com mais precisão, acentua a sisuda Britannica que, em 1417, como secretário do rei Carlos VI, em virtude da invasão inglesa em França, e pela reação “bourguignonne” ao reinado (Borgonha), segue com a Corte para a Alta Normandia, e continua seu ofício de escritor no estilo dos poemas corteses da época. Em 1422, os males políticos de sua pátria, levam-no a escrever “O Quadrílogo” (Le Quadrilogue) sob forte influência de Sêneca e da oratória Latina antiga. Por sua técnica e estilo, Alain Chartier será conhecido em França como “O Pai da Eloquência“.
Alain Chartier morre por volta de 1449.

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Foto 1. Chartier e Margareth da Escócia*.

Chartier, se perguntado em um balanço final: “o que fizeste de tua vida?” – teria muito a responder.  Não sabemos ao certo, contudo, se Margaret da Escócia teria mesmo beijado o poeta enquanto dormia. Seria mais assunto para colunas sociais e não para a história da literatura francesa. Sabemos que o poeta-diplomata lá esteve para negociar o casamento desta com o futuro Luís XI.

Provavelmente, Chartier viu (santa) Joana D’Arc ser queimada viva (1431). Da santinha camponesa (santa, sim, para os católicos simples e o polemista Bernanos, não para o pessoal da Igreja e os combatentes que a traíram, entregando-a aos ingleses). Georges Bernanos que nos legou “Joana, relapsa e Santa” como o modelo da infância e da coragem dos que crêem – afinal “o coração do mundo está sempre batendo…A infância é esse coração”). Dela mesma, a “santa relapsa” teria dito o poeta Chartier:

Deixe Tróia celebrar Heitor, deixe a Grécia orgulhar-se de Alexandre, a África, de Aníbal, a Itália, de César e de todos os generais romanos. A França, embora conte com muitos destes, pode bem contentar-se apenas com sua donzela” – (Alain Chartier).

Teria Chartier copiado outro poeta ? Teria sido Baudet Herenc o verdadeiro autor da Balada original (como deixa crer um certo Piaget)?

Teria o poeta visto (e lido) o ‘baladeiro‘-mor  de sua época, Monsieur François Villon? –  ele Villon que se desgarrou de seus confrades da épcoa para o panteão da Literatura Francesa com “o maior lírico da Idade Média”?

– São perguntas que nos fazemos os que amamos a idade Média, quando pagamos o preço da honestidade intelectual e não, simplesmente, compramos a balela jornalística de que teria sido uma época de trevas  – mentira difundida à exaustão de se transformar em verdade, após a revolução Francesa e repetida hoje por neo-ateístas que se consagram como medievalistas – argh!

O ingresso na cultura medieval, em especial a literária – ressalta o mestre Spina – “não se faz sem pagarmos um pesado tributo; a compreensão dos valores dessa época exige do estudioso uma perspectiva ecumênica, pois as grandes criações do espírito medieval – na arte, na literatura, na filosofia – são frutos de uma coletividade que ultrapassa fronteiras nacionais. E uma visão de conjunto só se adquire depois de muitos anos de trato e intimidade.” (Segismundo Spina).

A Balada dos Enforcados (La Ballade des Pendus) é publicada em 1462. Está definitivamente no cânone da poesia e da história de França. E, Chartier, oh, pobre poeta menor, nem sequer, no meu tempo de Alliance Française, citado pelo guia de Thoraval (Jean) – Les Grandes Etapes de la Civilization Française. Dommage.

Por uma dessas coincidências literárias, no entanto, Chartier desperta diante do olhar deste sexagenário com tão grata e forte referência, a partir de um inglês – um talentoso poeta morto precocemente aos 26 anos de idade – John Keats (oops! havia escrito Jean!) que reinventa a balada, mesmo sendo conhecido mais por sua Odes… isso já é bem outra estória.

Para ler John Keats que em Chartier se inspirou, veja poema transcrito abaixo e recorra a dois bons sites de traduções de Keats em português: Escamandro e J. Keats on Tublr.

Voltemos às baladas. Primeiro a beleza do manuscrito. Só isso valeria ao bibliófilo a pesquisa mas há mais. Ainda estou à procura de uma tradução do longo poema de Chartier para o português.

Por segundo, e não menos importante, porque o original de Chartier é a inspiração para o poeta inglês, ressalta a Biblioteca de Chetham que é um manuscrito está em distintivo e formosamente executada por mão ‘bastarda’, criação típica das produções literárias francesas do século XV, e é indubitavelmente o resultado de uma comissão de um mecenas rico, com bom pergaminho, margens largas e colorido que ilumina a decoração.

Foto 2. Manuscrito do poema de Chartier, Chetham Library.

 

 

 

 

 

 

 

 

(c)Fotos:  1 – Encyclopædia Britannica Online. Web. 26 Dec. 2015. (Alain-Chartier-and-Margaret-of-Scotland-painting-by-Edmund-Blair).
Foto 2 – manuscrito do poema de A. Chartier do website da Chethams Library UK.


 

La Belle Dame sans Merci: A Ballad

By John Keats

O what can ail thee, knight-at-arms,
       Alone and palely loitering?
The sedge has withered from the lake,
       And no birds sing.
O what can ail thee, knight-at-arms,
       So haggard and so woe-begone?
The squirrel’s granary is full,
       And the harvest’s done.
I see a lily on thy brow,
       With anguish moist and fever-dew,
And on thy cheeks a fading rose
       Fast withereth too.
I met a lady in the meads,
       Full beautiful—a faery’s child,
Her hair was long, her foot was light,
       And her eyes were wild.
I made a garland for her head,
       And bracelets too, and fragrant zone;
She looked at me as she did love,
       And made sweet moan
I set her on my pacing steed,
       And nothing else saw all day long,
For sidelong would she bend, and sing
       A faery’s song.
She found me roots of relish sweet,
       And honey wild, and manna-dew,
And sure in language strange she said—
       ‘I love thee true’.
She took me to her Elfin grot,
       And there she wept and sighed full sore,
And there I shut her wild wild eyes
       With kisses four.
And there she lullèd me asleep,
       And there I dreamed—Ah! woe betide!—
The latest dream I ever dreamt
       On the cold hill side.
I saw pale kings and princes too,
       Pale warriors, death-pale were they all;
They cried—‘La Belle Dame sans Merci
       Thee hath in thrall!’
I saw their starved lips in the gloam,
       With horrid warning gapèd wide,
And I awoke and found me here,
       On the cold hill’s side.
And this is why I sojourn here,
       Alone and palely loitering,
Though the sedge is withered from the lake,
       And no birds sing.

NOTES: POL participants and judges: in this poem’s third-to-last stanza, recitations that include “Hath thee in thrall!” or “Thee hath in thrall!” are both acceptable.

*****

Fonte para J. Keats: Selected Poems (Penguin Classics, 1988).

 

 

 

Posts Ligeiros (II)

ONTEM, depois de uma rápida reunião com um amigo, vivi uma tarde de garimpagem nos sebos. O melhor me veio da Feira Cultural da Rua 4. Bamburrei nas raridades do livreiro Sr. Joari, há 40 anos no ramo.

Foto de Adalberto De Queiroz.
Foto de Adalberto De Queiroz.
Foto de Adalberto De Queiroz.

Ano da França no Brasil (2)

A França oficial e o Brasil corporativo agem para divulgar a cultura francesa.MARC CHAGALL NA CASA FIAT
Pessoalmente, essa é uma exposição que gostaria de (re)ver:
Marc Chagall na Casa Fiat de Cultura em Bh.

A exposição está em cartaz na capital mineira até o dia 4/10, na Casa Fiat de Cultura.

São mais de 300 obras entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras, todas expostas gratuitamente ao público.
+++
Crédito das Fotos: Pedro Silveira/Entrelinhas data:03.08.2009.

Yves Bonnefoy (I)

DOUVE PARLE

O poeta que leva a Poesia a serio

O poeta que leva a Poesia a serio

Quelle parole a surgi près de moi,
Quel cri se fait sur une bouche absente?
A peine si j´entends crier contre moi,
A peine si je sens ce souffle qui me nomme.


Pourtant ce cri sur moi vient de moi,
Je suis muré dans mon extravagance.
Quelle divine ou quelle étrange voix
Eût consenti d´habiter mon silence?

DOUVE FALA

Que palavra surgiu perto de mim,
Que grito nasce numa boca ausente?
Mal posso ouvir o grito contra mim,
Mal sinto o hálito que me nomeia.

No entanto o grito em mim vem de mim mesmo,
Estou murado em minha extravagância.
Que voz divina ou que estranha voz

Consentira em habitar o meu silêncio?

Fonte: Bonnefoy, Yves. “Poèmes“. Mercure de France, 1978, p.57.  Tradução e organização de Mário Laranjeira publicado pela Editora Iluminuras em 1998. Transcrita deste Site

O Albatroz de Charles Baudelaire

Às vezes, por folgar, os homens da equipagem
Pegam de um albatroz, enorme ave do mar,
Que segue – companheiro indolente de viagem –
O navio no abismo amargo a deslizar.

E por sobre o convés, mal estendido apenas,
O imperador do azul, canhestro e envergonhado,
Asas que enchem de dó, grandes e de alvas penas,
Eis que deixa arrastar como remos ao lado.

O alado viajor tomba como num limbo!
Hoje é cômico e feio, ontem tanto agradava!
Um ao seu bico leva o irritante cachimbo,
Outro imita a coxear o enfermo que voava!

 

O Poeta é semelhante ao príncipe do céu
Que do arqueiro se ri e da tormenta no ar;
Exilado na terra e em meio do escarcéu,
As asas de gigante impedem-no de andar.

+++
Fonte: BAUDELAIRE, Charles, As Flores do Mal, Trad. J.A.Haddad. Ed. Difel, 1958, pág. 90.
 

O sentido do termo ‘saudade’, par Sébastien Lapaque

…Saudade Ce mot, que le Français ‘melancolie’ traduit mal, revient dans toutes les conversations, à Lisbonne, au Cap-Vert, à Belém et Goa, dans les huitains de Camões, le fado de Maria Severa Onofriana et la bossa nova de Vinícius de Moraes. Il manifeste le génie d’une civilisation où l’essentiel n’est pas de vaincre, mais de survivre. La saudade, c’est la présence de l’absence, un désir de bonheur hors du monde mêlant la tristesse de ce qui n’es déjà plus à l’attente de ce qui sera. Ainsi la définissait dom Francisco Manuel de Melo, grand poète de l’âge baroque : “La saudade est une délicate passion de l’âme, et pour cela, si subtile que nous l’éprouvons seulement de manière ambiguë, sans pouvoir bien distinguer la douleur de la satisfaction. C’est un mal qu’on aime et un bien qu’on subit.
(…) Elle est le propre des êtres de raison, en vertu de ce qui existe en nous de plus élevé; et elle est un légitime argument de l’immortalité de notre esprit, à cause de cette muette suggestion qu’elle ne cesse de nous faire intérieurement, à savoir que, en dehors de nous, il y a quelque chose de meilleur que nous-mêmes, avec lequel nous désirons nous unir.”
(Soustraites au verdict de l’Histoire, les espérances portugaises trouvèrent donc refuge dans le mythe et la saudade).

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Fonte: LAPAQUE, Sébastien. Sous le Soleil de L’Exil. Grasset, Paris, 2003, pág. 89/90.

François Mauriac, aos jovens do Grand Lebrun

“…o ensinamento que vocês recebem aqui, não não é o que  se ensina aqui, mas sim o murmúrio em seus ouvidos dos cimos tormentosos do parque, neste lamento ao qual vocês quase não dão atenção hoje, mas que voltarão a ouvir mais tarde, muitos anos depois, quando tiverem chegado à minha idade; vocês escutarão, dentro de vocês, esta voz de sua infância feliz e abençoada.
“E, então, no crepúsculo de uma vida, sentindo sua alma ardente, como aqueles dois discípulos na Estrada de Emaús, vocês se lembrarão que este homem e que este Deus, seu companheiro durante a peregrinação pela Terra,
vocês já O conheciam, vocês já O amavam
, antes mesmo de terem começado a viver, desde que seus mestres lhes falavam d´Ele na capela do Liceu Grand Lebrun“.
(François Mauriac, em alocução aos formandos do Liceu Sainte-Marie-Grand-Lebrun – Bordeaux (Fr). Tradução minha com correção da mestra M.E.)