Poesia Falada…”Cem poemas essenciais”

Do projeto “Cem poemas essenciais”.

 

sonia-maria-institucional-02Poema: “Vislumbres”, de Sônia Maria Santos.
Récita de Adalberto Queiroz.
Música: “Fado de Vila Boa”, Pádua e Maria Eugênia.
Trabalhos técnicos:
Roberval Silva.
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Para ler mais poemas, clique AQUI.

Poesia falada…Cem poemas essenciais

Projeto na Rádio Sagres-730 AM de Goiânia, GO.

Poema #85
A Rosa, do poeta goiano Valdivino Braz, música de fechamento, “Rosa Blanca” com Fernando Perillo, de Fernando Perillo / José Marti.

A ROSA – Valdivino Braz

(Poema para Eugênio Andrade)p.1

Uma rosa é uma rosa,
mas uma coisa é a rosa de Gertrude,
outra a rosa o Improviso de Andrade.

A rosa e a neve da vida breve.
De que serve uma rosa no inverno,

A não ser para arder com a lenha
na lareira da linha que se escreve?

O inverno é uma folha em branco,
alva rosa a beleza da neve.
O que mais se deseja da rosa,
senão que a neve lhe seja leve?

Na rosa da rima, a rosa é o poema.
Perdure o mistério de Eugénio.
A rosa eterna,
bela imagem do Efêmero.

Perpétua a flor do tempo.
E a flor do peito?
A face oculta
feita de pétalas pretas.

Outros outonos virão,
outros invernos,

Pela rótula do retorno.

Primavera? Verão?
Uma rosa, o coração.

Eis o link para ouvir minha récita deste poema:

Onde tive a chance de responder perguntas…

…Inteligentes e bem apanhadas pelo professor-Doutor Ademir Luiz, da UEG, colaborador do Jornal Opção (Goiânia).

Fica o convite para que meus seis leitores leiam a entrevista – clique no link para ler.

Entrevista ao Opção.PNG

Visões da poesia de W. B. Yeats

O Balão da Mente[i]

Mãos, façam o que vos é pedido:
Tragam o balão da mente
Que intumesce e se arrasta ao vento
Para o seu estreito alpendre.[i] YEATS, W. B. “Poemas escolhidos”, tradução: Frederico Pedreira, Lisboa: Relógio d´Água, 2017, p. 175.

W.B.Yeats (1865-1939), poeta visionário, prêmio Nobel de 1923
W. B. Yeats (1865-1939), poeta anglo-irlandês, visionário, ganhou o prêmio Nobel de 1923



Para este cronista, velho leitor (muito antes de ser autor) de Poesia, têm nossas mãos a tarefa principal no ofício, pois que diante do ato de criação vê-se o criador como um jovem frente a um potro a ser domado.

Nada haveria na imaginação, “essa doida da casa” (cf. Santa Teresa D´Ávila), que só a visão ocultista ou cristã, rosacruciana, espírita ou budista pudesse fazer que o “estreito alpendre” da composição, da razão poética, não contivesse o balão da mente na sua exata dimensão criativa. Às mãos, ao ofício de artesão cabe o principal da poesia – Yeats o soube até os últimos momentos de seu artesanato poético.

É poema relegado a plano secundário na poesia dele, Yeats, mas como os poetas menores que fazem a alegria, o contraponto e o charme dos gênios, ele nos ensina que pode ser um pequeno aperitivo que nos leva à refeição completa da obra deste gigante que é o anglo-irlandês William Butler Yeats.

LEIA AMANHÃ em Destarte, no Jornal Opção Cultural online.

Amor à França (2) Yves Bonnefoy

No segundo texto da série “Amor à França”, Adalberto De Queiroz escreve na coluna Destarte sobre a poesia de Yves Bonnefoy.

 Para ler o texto completo, clique no link abaixo:

Link para a Imaginação

É tanto o que me passa pela cabeça, lendo aqui e ali em papel e na tela, tenho mil idéias nos domínios da imaginação – não aquela “doida da casa” que Santa Teresa d´Ávila nos ensina a evitar. A imaginação que o comunista Italo Calvino achou como a solução para a pergunta de Starobinski baseada no verso de Dante de que “a imaginação é um lugar dentro do qual chove“.

A pergunta original era:

Por qual dessas você optaria: a imaginação como instrumento de saber ou como identificação com a alma do mundo?

E uma pergunta decorrente do ensaio de Calvino tanto ou mais forte me retorna:

Que futuro estará reservado à imaginação individual nessa que se convencionou chamar de a civilização da imagem?

Cedo à imaginação seu lugar privilegiado como motor da poesia e do exercício espiritual (como queria Santo Inácio de Loyola). Em geral, no entanto, eu descambo para a imaginação pecaminosa como criatório de vermes do universo (e para vermes, deve-se procurar o bom remédio).

E nesse caso, ainda não achei outra possibilidade tão forte, nesse embate, como os Salmos e as preces.

Repetir uma oração é então a saída pois que a sua força está na repetição, ao longo prece, tenho a devolução da paz interior que garante a ligação palavra-visão do que crê (o que quer crê) com o lugar em que está Nosso Senhor e A Virgem Maria.
O liame da prece com o lugar imaginado é uma dádiva: o deslocamento do lugar em que se deseja estar meditando.
Pode ser um deslumbramento.
Aí não interessa ao que reza estar no mundo e tão somente, quer ir mais longe, sem desgrudar-se fisicamente do chão físico de onde se está, não quer perder a referência, não que perder o fio da sua essência, o que reza não quer enlouquecer.

O imaginativa che ne rube
talvolta sì di fuor, ch’om non s’accorge
perché dintorno suonin mille tube,

chi move te, se ‘l senso non ti porge?
Moveti lume che nel ciel s’informa,
per sé o per voler che giù lo scorge.

(Na tradução de Ivo Barroso:

“Ó imaginativa que por vezes
tão longe nos arrasta, e nem ouvimos
as mil trombetas que ao redor ressoam;
que te move, se o senso não te excita?
Move-te a luz que lá no céu se forma
por si ou esse poder que a nós te envia.”

(…)

E encerro esta croniqueta com Adélia Prado para que meus seis leitores continuem imaginando. Ela, que assim reagia, diante da imaginação poética, diante da voz interior – a sua tagarela implacável:

Se eu não ficar doida

É saúde demais…

E sem ceder à imaginação como ceder “àquela doida da casa”, vou varrendo minha morada interior com um Salmo e a poesia metafísica…

 

Crônica do deserto particular

Um poema de Alberto da Cunha Melo

Poema nenhum, nunca mais,
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos
composto apenas de nós mesmos
uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas

seu deserto particular,
ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.

Foi o que deflagrou pensar naqueles períodos conhecidos como de deserto espiritual (ou deserto de criatividade). Daí o mote para a “Crônica do deserto particular”.
Clique na figura para lê-la.
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