Artigo em O Popular, Goiânia

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“Mulher é desdobrável” (Adélia Prado)

Em referência ao Dia Internacional da Mulher, lembro aqui um poema de Dona Adélia.

Adélia Prado é a primeira mulher a ganhar a premiação na categoria 'Conjunto da Obra' | © Jackson Rommanelli
Nascimento: 13 de dezembro de 1935 (85 anos), Divinópolis, Minas Gerais.
© Foto: Jackson Rommanelli

Com licença poética
******Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
++++
Fonte: Bagagem. São Paulo: Siciliano. 1993. p. 11.

Poema inédito 2020 (2)

Destacado

Isaías fala (1) 

Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida,
mas agora foi cortada a sua trama
.”

Contrito, o poeta lê o livro do profeta hebreu.
Em busca de palavras, abre o livro, medita sua letra.


Antes fora o medo, é bom que se diga;
e não fonemas, o que à leitura o moveu.

Antes ainda, o apocalipse diário o deixara
frente ao oráculo, e conheceu a infertilidade.

Isaías fala em nome de Deus, que com a brasa
sob a tenaz do Anjo, este lhe tocara os lábios.

Sabemos que o rei para a parede seu rosto voltara –
e chorou, como choro eu, choras tu, choramos todos.

O rei chorou, ao ouvir do profeta o veredito:
– “Vais morrer!”.
O rosto do rei é o teu rosto, leitor apaixonado:
a face dele, dita banhada – eu te digo: de medo turvada,
é tua face; o medo que tenho eu, tens tu, temos todos.

Porém, o profeta o fez imaginar possível um novo pacto
com a vida – como a reencontrou Ezequias, rei de Judá.

Então, o rei rezou e com Deus fez novo pacto, pois não queria morrer.
(Só os vivos louvam o nome de Deus, não me tires dentre os viventes.) Naquele tempo, havia um relógio de sol –
e o Senhor reconsiderou sua sombra atrasar…

Os dez graus da sombra no relógio de Acaz atrasada
significavam 15 anos à vida do rei de Judá adicionados.

Quem sabe ao poeta Deus conceda o mesmo, Isaías amado?

Poemas inéditos, 2020 (1)

Isaías fala

Vida minha vida de tecelão,
que vai tecendo malha simples
tal qual a de todo cidadão –
era trama antes de lhe cortarem
de uma vez sua essência de trama,
agora não há tear ou urdidura,
não há pente que permita levantar
ou abaixar a vista do que tecendo estava,
não há passagem tecida; não há nada –
só a parede que recebe o pranto;
e o choro sobe ao alto: até o rei de Judá chorou.

Que agulha, qual navete a mim deixada,
antes que o relógio de Acaz seja atrasado
e produza a sombra: os quinze anos a mais
que lhe são dados de sonho antes do Sono?
Urdidura de tudo é tensa; não resolve a parada.
Sentindo o coração doente de desejo,
de morte tenho a alma adoentada.

O cancioneiro de Sebastian Arrurruz

O Pedro Sette-Câmara é um experiente tradutor. Vale ler. O poeta Hill foi primeiramente leitura recomendada pelo brilhante vate carioca Bruno Tolentino. Siga os links.

Cora Coralina, 130 anos: Os poemas, as receitas e os livros – Infográficos – Estadão

Leiam sobre Cora, mas sobretudo, leiam-na.
https://www.estadao.com.br/infograficos/cultura,cora-coralina-130-anos-os-poemas-as-receitas-e-os-livros,1026023?utm_source=estadao:ibope&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cultura::e&utm_content=link:::&utm_term=::::

No aniversário de 116 anos do poeta Drummond, ouça poesia falada por Paulo Autran

Citar

Carlos-drummond-de-andradeCarlos Drummond de Andrade (1902-1987) – hoje, portanto, seria seu 116o. Aniversário.
Salve o poeta brasileiro!
No link, você encontra uma série de poemas falados pelo saudoso ator Paulo Autran.
Clique no link para pular ao YouTube:
via Poesia Falada Carlos Drummond de Andrade por Paulo Autran – YouTube

América: roteiro literário

Olá! leitor(a):
Estive ausente por umas semanas, tempo em que aproveitei para fazer um roteiro diferente nesta viagem à América e o blog recebeu manutenção da competente equipe de Suporte WordPress.

Roteiros literários (1).
Abaixo, uma sequência de crônicas literárias da viagem que planejei assim no RoadTrippers – Literary Tour of New England.

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Feito o planejamento, seguimos – nem tão à risca assim, o roteiro. E por onde fomos passando, fruímos a experiência da vida de escritores da rica região da Nova Inglaterra (New England), com direito a um “excursus”, que foi à visita à nossa afilhada Juliana Sena, na Cidade do Québec, dali um pulo a Montréal e retorno aos EUA.
Acompanhe como ficaram as crônicas desta viagem nos links abaixo.

I – Boston, JFK & Hemingway Biblioteca/Museu.

JFK, primeiro presidente católico dos EUA, faria 100 anos no passado 24 de maio.

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“Jack”, como era chamado em casa, foi aluno relapso mas brilhante observador da realidade. Suas notas baixas que incomodavam o pai Joseph Kennedy, não o impediram de seguir a carreira de escritor, em que estreou com “Why England Slept” (não traduzido no Brasil)

 

II
d1207247-4974-44f4-8a00-30551281767eA primeira parada, depois da visita a Boston e ao Museu JFK e sua coleção de Ernest Hemingway, sigo para uma cidadezinha próxima (Derry, situada no Estado de New Hampshire, entre Salem e Manchester) para a visita à “Frost Farm”, casa-museu dedicada à memória de Robert Frost.

III
Robert Frost, Emily Dickinson, Herman Melville, Mark Twain e Wallace Stevens sempre estiveram em meu radar de leitor e procurar conhecer mais sobre as suas vidas sempre me pareceu um desejo natural.

Ao visitar as casas que são dedicadas à memória de quatro deles, constato que há uma humanidade que salta dos objetos, dos móveis, dos fracassos e sucessos vividos nessas casas.
Ou seja: “A recordação tem frente e fundos,/ É tal e qual uma casa” – consoante ao poema de Emily Dickinson. Continue lendo…

Centenário da poetisa Dora Ferreira da Silva

Rondando as fronteiras do sagrado
Dora Ferreira da Silva (centenário)

No ano do centenário da poeta Dora Ferreira da Silva, somos brindados por uma edição que para mim é o lançamento do ano no mercado editorial brasileiro “Uma via de ver as coisas[i]”, segunda edição de um livro que foi pela primeira vez editado em 1973, como o segundo livro individual de Dora.

[i] SILVA, Dora Ferreira da (1918-2006). “Uma via de ver as coisas”. Goiânia: Martelo, 2018.

Para ler o artigo completo, clique na imagem abaixo.Destarte 05 SET 2018.PNG

Poesia Falada…”Cem poemas essenciais”

Do projeto “Cem poemas essenciais”.

 

sonia-maria-institucional-02Poema: “Vislumbres”, de Sônia Maria Santos.
Récita de Adalberto Queiroz.
Música: “Fado de Vila Boa”, Pádua e Maria Eugênia.
Trabalhos técnicos:
Roberval Silva.
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Para ler mais poemas, clique AQUI.