Opções musicais do séc.XXI

Opções musicais do séc.XXI

Para todos os momentos, acha-se em 30Mi de peças, de todos os gêneros.
Para este fim de tarde, início de noite, reencontrei meu querido Mozart, em interpretação ainda não conhecida.
Vale a pena aproveitar este ambiente musical.

Post-Post:
Criei uma lista do acervo de música religiosa. Você é bem-vindo(a) a incrementar a lista, ok?

Catholic Music in Deezer.

Enjoy @Deezer in Twt.

O tango e o fado

Essas duas formas de expressão musical tem algo a ver entre si ?

“A ligação entre tango e fado é algo verdadeiramente original que jamais se deverá perder.” (Antonio Chainho).
Palavra para Tango e Fado. Uma coisa é certa: se os musicólogos persistem em recusar a existência de raízes comuns entre fado e tango, os intérpretes de ambos os gêneros se esforçam por provar exatamente o contrário, ressalta Carlos B. Oliveira em seu blog “Puro Tango”.
Duas amostras para que o leitor faça seu próprio juízo dessa conexão.

  1. Tango com Gardel (El Dia Que Me Quieras – Alfredo Le Pera/C.Gardel). http://www.youtube.com/embed/RmXCVOmOCPU ;
  2. E uma amostra do Fado, com a prima-dona Amália Rodrigues.

E, só pra não esquecer, viva Portugal.

Roger Scruton é o filósofo do século?

Enjoy Roger Scruton.
Com trilha sonora de Nara Leão (post anterior).
As obras de Scruton em português, na É Realizações.
Clique no link da Editora “É” para acessar.

Nara Leão ganha site oficial

Amigos,
Fico sabendo através da amiga MEG, de quem sempre recebemos dicas culturais importantes, do lançamento do website oficil de Nara Leão.
Nara (1964)
Aos mais jovens, é preciso dizer que Nara foi mais do que uma intérprete de MPB. Foi musa (e seg. o Estadão, também antimusa) de um movimento intitulado Bossa Nova.
Sempre afinada, Narinha era o tipo da boa moça que não abria mão de opiniões, às vezes provocativas – que o diga sua polêmica com o honrado Exército Brasileiro – que, na época, sofria alguns desvios internos.  A gente que era quase toda de esquerda (anti-ditadura, dizia-se então), queríamos mais era ouvir as interpretações de Nara e ponto final.
É de Aloysio de Oliveira ao Estadão, o melhor depoimento sobre a personalidade da moça:

Nara procura fugir totalmente de sua personalidade de menina mansa, interpretando, embora de um modo moderno, e com a sua voz pura e inconfundível, aquelas músicas que ela escolheu e que provocam um estranho e agradável contraste.

E vem de Carlos Drummond de Andrade a melhor resposta ao general Costa e Silva, presidente da República na época do bate-boca com a Nara, ameaçada de enquadramento na Lei de Segurança Nacional:

 Imagens em Ão:
Se o general Costa e Silva
já nosso meio chefão
tem pinta de boa-praça
por que tal irritação?

E mais não digo, esperando que vocês lá descubram o melhor que puderem achar no site da Nara Leão – e que os amigos perdoem por não esticar a polêmica política; até porque este é um post musical. Enjoy it.

Discografia Nara Leão | Bem vindo ao site oficial.

Feliz Natal com boa música (I)

Musical excerpts from a rehearsal of The Toronto Consort’s production of the “Praetorius Christmas Vespers”. The concert reconstructs a possible vespers service for Christmas as it might have sounded in a large north German church. The music was composed by Michael Praetorius in the early 17th century, and the production is directed by David Fallis. Video, sound, and editing by Bill Found (Dalvorem International).

Alain Souchon, voz da França que não pára de cantar, jour et nuit…

Novo álbum do mais melancólico dos franceses…
Não espere ouvir música como a feita por
“mamãe Sarkozy”.
E tampouco escute Souchon, lundi matin…
pois após isso, é impossível ir pro trabalho. Dommage!
Se não é esse o caso, go ahead,
Website oficial Souchon, porque é onde se sabe que a Beleza ainda pode combinar com a pureza e certa ingenuidade (aparente).
Profitez-en!

 

Souchon

Anton Bruckner (2)

O crítico Franklin de Oliveira escreveu sobre a obra de Bruckner alguns comentários que são decisivos para quem quer conhecer ou já conhece (e ama) A. Bruckner.
O texto de Franklin é uma ode a 5a. Sinfonia. Em “A Fantasia Exata”, livro de 1959, ele afirma que Anton Bruckner era
Anton Brucknerum homem solitário que só confiava sua alma ao órgão – era sua maneira de estar com Deus – é uma das maiores enseadas de concórdia humana” que o crítico dizia ter conhecido, isso pelo que chamou de “mystical conception of sound”. Em tudo que fez, escreveu, continua Franklin, “Deus é a grande presença. Talvez a respeito de Bruckner mais do que a respeito de qualquer outro compositor possamos falar das relações da música com a Teologia como duas esferas intimamente interligadas. ‘Músico de Deus’ era o seu epíteto e talvez fosse por isto que mais do que qualquer outro romântico, ele fundava sua sinfonia sobretudo no puro som. Dele disse Alfred Einstein: ‘a romantic in so far as he made pure sound the basis of his symphonies….”

De Anton Bruckner se pode mesmo afirmar – confirmando o mestre-crítico F.O. que “raros músicos foram tão sensíveis ao êxtase a que somos levados pela contemplação do som puro, pelas harmonias potenciais do acorde, quanto Bruckner e Mahler. A respeito deles podemos lembrar a tese wagneriana: ‘o acorde representa as forças cósmicas do Universo’. Daí, provavelmente Eistein achar que as sinfonias de Bruckner respiram um espírito cósmico. ‘His symphonies breathe once more a cosmic spirit… As de Mahler, também.” Mas este post é dedicado somente a Bruckner. Portanto, eis abaixo a segunda parte da Quinta de Bruckner.

Franklin fala ainda “das fontes da expressão musical de Bruckner” que teriam sido Beethoven, Schubert e Wagner – a influência schubertiana foi a que alimentou com maior riqueza as suas sinfonias. Do criador da música psicológica recebeu Bruckner uma herança maravilhosa – a herança do grande adágio beethoveniano. De Schubert, a amplitude das formas que se ligam em suas frases lentas e os seus ‘scherzi’ com a simplicidade com que o camponês cuida dos frutos, coisas da terra e do sol, e pois, do céu. Campônio, alma rude de camponês era a de Bruckner, nascido nas regiões montanhosas da Áustria Alta”, destaca Franklin. Portanto, para finalizar, a terceira parte da Quinta, que é de longe a mais elogiada no YouTube, finalizo prometendo voltar com a Quarta Sinfonia de A.Bruckner que, segundo Franklin de Oliveira, é “música dos anjos para os homens atormentados” (expressão cunhada por Mahler para definir a música mística das Missas e do Te-Deum de Bruckner, coisa que até um ateu ouve e por um momento é levado a acreditar em Deus).

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Fonte: OLIVEIRA, Franklin de. “A Fantasia Exata”, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1959, p. 68-70.

Para ouvir na Quaresma (3)

Anton Bruckner – compositor austríaco (1824-1896).

Em tudo que fez, escreveu – Missas, Sinfonias – Deus é a grande presença. Talvez a respeito de Bruckner mais do que de qualquer outro compositor possamos falar das relações da música com a Teologia como duas esferas intimamente ligadas. ´Músico de Deus` era o seu epíteto e talvez fosse por isto que mais do que qualquer outro romântico, ele fundava sua sinfonia no puro som. (…)
a profunda fé religiosa de Bruckner era destituída de escolasticismo: era na sua simplicidade a fé do “cristão das catacumbas” como acentua numa imagem feliz Otto Maria Carpeaux… O barroco de Bruckner é o católico…
E se de sua 4a. sinfonia se pode dizer (repetindo Mahler, apud Franklin de Oliveira): “música dos anjos para os homens atormentados” muito mais, por certo, se aplicaria à sua música sacra.
(cit. tirada de A Fantasia Exata, Franklin de Oliveira, Zahar, RJ, 1959, p. 68-70)