Amor à França (2) Yves Bonnefoy

No segundo texto da série “Amor à França”, Adalberto De Queiroz escreve na coluna Destarte sobre a poesia de Yves Bonnefoy.

 Para ler o texto completo, clique no link abaixo:

Anne Sexton, por Beatriz Regina Guimarães Barboza

A tradução da poesia de Anne Sexton por Beatriz Barboza.
Vale muito a pena.
via Anne Sexton, por Beatriz Regina Guimarães Barboza

Hart Crane, poeta americano que extrai do “amuleto carbônico” sublime poesia

Confira Hart Crane, poeta norte-americano, talento que extraiu de suas angústias e anseios uma poesia sublime.
Meu artigo de hoje em Opção Cultural (Goiânia).
Destarte 20 JUN 2018

Walter Benjamin

“Porcelanas da China”, de W. Benjamin – Trad. : Rubens Rodrigues Torres Filho.

“A força de uma estrada do campo é uma se alguém anda por ela, e outra se a sobrevoa de aeroplano. Assim é também a força de um texto, uma se alguém o lê, outra se o transcreve.

“Quem voa vê apenas o modo como a estrada se insinua através da paisagem, e, para ele, ela se desenrola segundo as mesmas leis que o terreno em torno. Somente quem anda pela estrada experimenta algo de seu domínio e de como, daquela mesma região que, para o que voa, é apenas uma planície desenrolada, ela faz sair, a seu comando, a cada uma de suas voltas, distâncias, belvederes, clareiras, perspectivas, assim como o chamado do comandante faz sair soldados de uma fila.

“Assim comanda unicamente o texto copiado a alma daquele que está ocupado com ele, enquanto o mero leitor nunca fica conhecendo perspectivas de seu interior,  tais como as abre o texto, essa estrada através da floresta virgem interior que sempre volta a adensar-se: porque o leitor obedece ao movimento de seu eu no livre reino aéreo do devaneio, enquanto o copiador o faz ser comandado. A arte chinesa de copiar livros foi, portanto, a incomparável garantia de cultura literária, e a cópia, uma chave para os enigmas da China[i]

[i] BENJAMIN, Walter. “Rua de Mão Única” – Obras escolhidas, vol. II. Tradução: Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo, 3ª. ed., 1993, pág. 15/6.

Link para a Imaginação

É tanto o que me passa pela cabeça, lendo aqui e ali em papel e na tela, tenho mil idéias nos domínios da imaginação – não aquela “doida da casa” que Santa Teresa d´Ávila nos ensina a evitar. A imaginação que o comunista Italo Calvino achou como a solução para a pergunta de Starobinski baseada no verso de Dante de que “a imaginação é um lugar dentro do qual chove“.

A pergunta original era:

Por qual dessas você optaria: a imaginação como instrumento de saber ou como identificação com a alma do mundo?

E uma pergunta decorrente do ensaio de Calvino tanto ou mais forte me retorna:

Que futuro estará reservado à imaginação individual nessa que se convencionou chamar de a civilização da imagem?

Cedo à imaginação seu lugar privilegiado como motor da poesia e do exercício espiritual (como queria Santo Inácio de Loyola). Em geral, no entanto, eu descambo para a imaginação pecaminosa como criatório de vermes do universo (e para vermes, deve-se procurar o bom remédio).

E nesse caso, ainda não achei outra possibilidade tão forte, nesse embate, como os Salmos e as preces.

Repetir uma oração é então a saída pois que a sua força está na repetição, ao longo prece, tenho a devolução da paz interior que garante a ligação palavra-visão do que crê (o que quer crê) com o lugar em que está Nosso Senhor e A Virgem Maria.
O liame da prece com o lugar imaginado é uma dádiva: o deslocamento do lugar em que se deseja estar meditando.
Pode ser um deslumbramento.
Aí não interessa ao que reza estar no mundo e tão somente, quer ir mais longe, sem desgrudar-se fisicamente do chão físico de onde se está, não quer perder a referência, não que perder o fio da sua essência, o que reza não quer enlouquecer.

O imaginativa che ne rube
talvolta sì di fuor, ch’om non s’accorge
perché dintorno suonin mille tube,

chi move te, se ‘l senso non ti porge?
Moveti lume che nel ciel s’informa,
per sé o per voler che giù lo scorge.

(Na tradução de Ivo Barroso:

“Ó imaginativa que por vezes
tão longe nos arrasta, e nem ouvimos
as mil trombetas que ao redor ressoam;
que te move, se o senso não te excita?
Move-te a luz que lá no céu se forma
por si ou esse poder que a nós te envia.”

(…)

E encerro esta croniqueta com Adélia Prado para que meus seis leitores continuem imaginando. Ela, que assim reagia, diante da imaginação poética, diante da voz interior – a sua tagarela implacável:

Se eu não ficar doida

É saúde demais…

E sem ceder à imaginação como ceder “àquela doida da casa”, vou varrendo minha morada interior com um Salmo e a poesia metafísica…