Da tríade ao Quarteto

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A ALEGRIA da descoberta deste artigo de José Carlos Zamboni opera a necessidade de repensar a tríade dos católicos-poetas do Brasil no séc. XX, transformando-o em um quarteto. Ainda hei de descobrir o 4o. elemento, o poeta Tasso da Silveira, de quem Zamboni perfila:

Poeta Tasso da Silveira“O mais homogeneamente católico dos nossos poetas católicos foi sem dúvida o curitibano poeta Tasso da Silveira, cuja obra se encontra infelizmente esquecida dos editores e do público. Quando for reeditado, os futuros leitores de poesia tombarão de espanto (na remota hipótese dessa espécie, a dos leitores de poesia, sobreviver aos predadores culturais desta e das próximas décadas).”

Tudo que conheço dele é este poema gravado por Ted Rocha – Curitiba da infância morta. Confiram.

À medida que minha pesquisa avance, hei de trazer-lhes mais poemas.

As lições do muro

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Adalberto Queiroz:

Saudades de Ângela.

Publicado originalmente em Leveza & Esperança:

Ângela Merkel, 1a.Ministra alemã e o que sobrou do muro. (c) Foto: Hannibal Hanschke/Reuters) Chanceler Angela Merkel caminha ao lado de pedaço do antigo Muro de Berlim, em cerimônia que celebra neste domingo (9) da queda da barreira5 anos (c) Foto: Hannibal Hanschke/Reuters), via G1.globo.com

PASSADO 1/4 de século e o cenário político muda de forma sensível. Não notamos, por vezes, com a pletora de informações em que se transformou o convívio com a internet.

Mas em Kibeho (Ruanda) ou em Tupaciguara, em Kilimajaro ou em Santo Domingo (NM, US) e alhures no Brasil afora, o tempo escorre como areia numa ampulheta e muitos eventos podem ser considerado “sinais dos tempos”.

Essa senhora que caminha ao lado do que restou como uma “amostra” do Muro tão odioso (e indesejável), derrubado há 25 anos, é parte da História da Alemanha e da humanidade e pode dar-nos exemplos da lição vivida aos que desejam construir muros aqui…

Um sujeito como o ativista ilegal J.P.S. (amigo do ministro…

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Um ensaio que não sai…

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Leveza & Esperança | Literatura e Arte: um olhar Cristão

IMPRESSIONANTE como em minhas leituras sou vítima de uma tendência a pensar em círculos.
Nada mal, pois que desses círculos, saio sempre nutrido mas com uma certa fadiga.
Se e quando a leitura me agrada, penso em esparramar o amor ao texto (livro, artigo) lido; mas aprendi que para refletir sobre o que foi lido, é preciso tempo e um projeto contínuo de leitura e reflexão.
Duro é quando o ciclo (ou círculo) – como agora – anuncia-se como passado e a reflexão objetiva e lógica parece não vir.
(…)

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EIS PORQUE TAIS FASES precisam ser emolduradas em seus próprios limites. Em minhas leituras foram tantas as fases quantas idades. Ventos diversos me levaram (e continuam me levando) a uma espécie de ‘rincão’, um “terrain”, donde colho algumas boas uvas e parece necessário um certo tempo para que essas se acomodem até se transformar em suco ou vinho e possa passá-las a uma garrafa e transportá-las, já consumíveis, por algum leitor ávido do fruto da videira do leitor, o outro. Busco o segredo e o limite, esperando…

LEMBRO-ME com alegria de fases de leituras antigas e essas se vão, como a água do João Leite, pois que nunca hei de considerar-me um leitor de Araguaia, Tocantins ou – suprema vontade – um leitor amazônico.

HOUVE um tempo em que me debrucei sobre os gregos, a Eneida eu a comprei num livrinho barato dessas editoras (livro de bolso), creio que Ediouro. Eu quebrei-o em pedaços que levava comigo no trajeto até o trabalho. E assim fui substituindo os “pedaços” até o final do longo poema Virgiliano. Vieram outros da mesma safra e preço.

COM a biblioteca Pública de Porto Alegre, vieram-me os livros emprestados e lidos durante as noites frias da cidade de Dyonélio Machado (ou por onde ainda passeava o poeta-anjo e suas heras, Mário Quintana). Uma das fases mais interessantes deste período ficou-me gravada – a leitura das fantasias de J. L. Borges e seu amigo Adolfo (Bioy Casares).

JÁ ganhava alguns trocados a mais e pude começar minha coleção de livros que ia alinhando nas prateleiras de minha casa (apartamento) em Porto Alegre. Os sebos sempre foram uma fonte acessível e me deram a Comédia Humana de Balzac em estado de seminovos. Dias e noites de boa leitura. Cartas, anotações, paixão.

Minha mulher não teve dúvida, anos mais tarde, de nomear nosso lindo ‘collie’ de Balzac; a quem o amigo francês, quando nos honrava com sua visita chamava-o por Honoré…

Comecei pensando nas leituras e na pilha de livros e nas fases para tecer-lhes a planta-baixa de minha dificuldade atual. Tenho todo o tempo do mundo para ler e não consigo palmilhar a lista interminável de livros (bons) que alinhei para a leitura, sobretudo com o apoio do curso de Filosofia que faço online.

JUSTO quando a fase de Augusto Frederico Schmidt, revisitado por seis meses, é dada como fase passada, tenho a chance de publicar um ensaio em uma conceituada revista online, mas sinto-me paralisado pela síndrome do “ensaio-que-não-sai…

Se é verdade que “o grande segredo da ação bem sucedida é o seu limite” – como ensina-me o pensador Olavo de Carvalho –, eis-me a impor um limite.

O limite da hora presente é o de ouvir o ruído da ventania que me traz um dado autor (ou conjunto de autores, pois que nunca chegam sozinhos); prescrutar-lhe(s) o sentido e a mensagem da(s) obra(s), artigos, aulas etc. e deixar passar um tempo, até que amadureça o bom vinho do ensaio, da reflexão meditada.

Ensaio que no fundo é “tentativa” de dizer algo, para além do que foi lido.
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Eis um plano aceitável como limite para um leitor que deseja colocar na imortalidade sua esperança.

Assim, o ensaio virá e já disponho de uma justificativa interessante perante o amigo-professor Francisco, mesmo que a fase A.F. Schmidt pareça ter visto seu FIM.

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