“Nos nossos dias, muitas vezes, o efeito extraordinário está em descobrir uma luz nas coisas mais simples, pois a verdadeira revolução em nossas vidas está em descobrir as pequenas coisas intensas e absolutas no que mais próximo está de nós, no menos inovador, às vezes, mesmo o mais tradicional.”
G.Corção.

I/LV

Desterro a que está condenado
O que ama sem ter a Amada
Este, o da casa sem telhado
Da choupana sem calha.

Desterro o deste condenado
Sem chuva, no terreno arado.
Desterro o deste pobre-diabo
Sem anjo da guarda que valha.

Desterro o deste vate
Sem estro que o embale
Desterro ao mais fundo vale
Uivando: um cão, destarte.

Diante do que quisera grande
Kundry o quisera filho.
Desterrado, o pobre.
Jocasta o quisera pai

As musas o desejaram
A primavera o pintara
Et pourtant, o desterrado
Homem marcado pra sofrer:

Amante sem amada.

(*)Fonte: um dos meus rabiscos, daquele “livro” na gaveta. Antes.

O evangelho deste 4o. domingo do Tempo Comum (Lc 4, 21-30) nos leva a pensar sobre o profeta que não é bem recebido em sua própria terra. Seria como pensar sobre o ditado brasileiro: “santo de Casa não faz Milagre“.
Milagres?
- Jesus, O Cristo, os fez. E por isso, os circunstantes estavam maravilhados. Até que Ele completa o discurso sobre o tema do profeta que não tem crédito em sua própria terra “Eu vos asseguro: nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra”. E reabilita os exemplos de Elias e Eliseu.

Então, ocorre a virada da recepção da platéia, que passa da apreciação à insatisfação (sua audiência no Templo, no tempo, hoje…).
Contra tudo e todas as circunstâncias, Jesus termina seu discurso e, inclusive, como relata Lucas, foge à agressão iminente dos insatisfeitos com sua ação: “passando pelo meio deles“.

O problema humano aqui é a insatisfação com a verdade: a interpretação que o Cristo dá à leitura da ação dos profetas expõe a sua fala inicial, pois, inicialmente há um encantamento com a leitura e a linguagem e, logo depois, um desancantamento e uma perseguição.

(É provável que a interpretação de um leitor privilegiado como mestre René Girard – ou César Miranda, profeta em nossa terra – devem lançar mais luz sobre esse trecho do Evangelho. Nosso jovem padre, em sua homilia, com suas limitações, não abarcou isso, tampouco tem esse blogueiro tamanha pretensão, senão explicitar um encantamento.

Eis esboçada, no entato, o que pra mim é a essência das leituras deste quarto domingo do Tempo Comum.
Viva Nosso Senhor Jesus Cristo!
Mais Comentários.

“Précisément parce que je ne suis qu’un pauvre diable, je sens venir les coups de plus loin, j’ai l’habitude des coups, on ne se gêne pas avec moi. Rien ne me protege du scandale, les dignités ne me tiennent pas chaud (…). Je suis nu devant le scandale, aussi nu que vous serez vous-mêmes avec moi devant le juste juge; nu comme um ver. Il m’est donc facile de constater avant vous que le vent tourne au Nord, et lorsque je claque les dents, méfiez-vous, c’est peut-être qu’il neigera demain”.

(Georges Bernanos, Les Enfants Humiliés, p.225, Gallimard, 1949, cit. par Hans-Ur Von Balthasar, “Le Chrétien Bernanos”, p.53-4).

“La Souffrance n´est autre chose que la Volupté toute nue.”

(em “Le Pèlerin de L´Absolu”, p.124).

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