São João da Cruz, mestre, poeta e místico (1542-1591)

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Adalberto Queiroz:

Ainda sobre o Santo Protetor dos Poetas…San Juan de La Cruz.

Publicado originalmente em Leveza & Esperança:

Stanzas que tocam o coração e a alma do poeta.

S.João da Cruz, patrono dos poetas. Porque “além da Noite Escura”, a “Esperanza del cielo
tanto espera quanto alcanza…”

6.IV

(…)

“Por una extraña manera

mil vuelos pasé de un vuelo

porque esperanza del cielo

tanto alcanza cuanto espera

esperé solo este lance

y en esperar no fui falto

pues fui tan alto tan alto,

que le di a la caza alcance.”

*****

“6.IV

“In a wonderful way

my one flight surpassed

a thousand,

for the hope of heaven

attains as much as it hopes for;

this seeking is my only hope,

and in hoping, I made no mistake,

because I flew so high, so high,

that I took the prey.”

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(c) S. João da Cruz, Complete Works, trad. de Kieran Kavanaugh & Otilio Rodriguez.

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Poesia: Gênio, Inspiração ou Técnica?

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Adalberto Queiroz:

PENSAR poesia. Pensar o POEMA.

Publicado originalmente em LIVRAMENTO:

O poeta teria total domínio sobre a poesia? O gênio seria esse poder que diferencia um poeta de outro? Ou, pelo contrário, a inspiração seria algo exterior ao poeta, como outro poema? Ou quem sabe ela fosse algo interno, como a Musa, cuja voz brotaria do poeta? Talvez, como toda arte, o que seja relevante para o poeta seja a técnica (poiseis, que caracteriza o fazer poético)? Comecemos por este último.
Deveríamos nos perguntar o que é a poesia. Se assim o fizéssemos, obteríamos, ou nos iludiríamos disso, a resposta essencial: a poesia é isto. A essência é aquilo que não muda, o que é igual a si mesmo. Mas tal pergunta caiu de moda. Assim como não se fala mais em gênio ou inspiração. A chamada crise do objeto poético consiste em lhe negar existência objetiva. “Impossível de ser definido pela autoridade do gênio ou da fonte…

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Projeto Poesia Falada (JORGE DE LIMA)

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POEMA 22
********
Veio um dia, de qualquer solidão,
o raro amigo – duplo de mim – o poeta.
Eu já o havia pressentido e esperado
mas ninguém tinha me dito que era ele.
Entretanto é um homem tatuado,
de sinais invisíveis e rituais.
Seus olhos são tão claros diante dos meus
e seus gestos são tão homólogos aos meus gestos,
que ele deveras é a minha semelhança.
O seu corpo esguio é crivado de facetas cristalinas
e de pequenas pálpebras que ficam abertas noite e dia.
Em vão a metade deste ser
quis resistir à sua dupla fascinação;
mas quedou integrada em si própria,
como carne real irrigada de luz.
Por isso, nunca paramos nas tentações de passagem.
E ainda somos, como no Início, verdadeiramente selvagens.
Pois nos desdentamos indiferentemente
nos orvalhos noturnos,
e nas flores que conseguem brotar sobre as neves eternas.
Frenquentemente amedrontamos com ressurreições sucessivas
os que caminham distraídos no ocaso.
Uma inflexão de nossa voz repercute em Mira-Celi;
mas quem negará que as nossas vozes não são as vozes de nossos seguidores?
Pois se ouvem neste recanto do parque
gritos que nos precederam,
ressoando séculos atrás de nós.
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De “Anunciação e Encontro de Mira-Celi”, em Poesia/Obra Completa-vol 1, Ed. Nova Aguilar, p.522/3.