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Cors de Chasse                                                      Hunting Horns

Notre histoire est noble et tragique
Comme le masque d´un tyran
Nul drame hasardeux ou magique
Aucun détail indifférent
Ne rend notre amour pathétique


Et Thomas de Quincey buvant
L´opium poison doux et chaste
A sa pauvre Anne allait rêvant
Passons passons puisque tout passe
Je me retournerai souvent

Les souvenirs sont cors de chasse
Dont meurt le bruit parmi le vent

Our story is noble, tragic
as the mask of a tyrant
No dangerous drama or magic
no indifferent detail
can make our love pathetic
And Thomas de Quincey drinking
opium poison mild and chaste
to his poor Anne went dreaming
Let´s go, let´s go, everything goes
I shall return often

Memories are hunting horns
whose sounds die along the wind

+++
(*)Fonte: The Random House Book of Twentieth Century French Poetry, edited by Paul Auster. Pág. 20/21.  Trad. deste poema por Paul Blackburn.

A Editora É Realizações lançou, recentemente, a edição brasileira de Anamnese”, de Eric Voegelin, tradução de Elpídio Mário Dantas Fonseca.

Esta é a versão completa de Anamnese, captando a integridade total da visão de Voegelin e se constitui em obra central dentro da sua odisseia intelectual, revelando um autor que olha para trás e inventaria seu crescimento, em vez de avançar rapidamente, como se costuma fazer, em novas regiões e novos problemas filosóficos, ressalta o editor na orelha do novo volume.
E sublinha: “esta obra crítica é tanto uma recordação do próprio desenvolvimento” do filósofo, “remontando até suas memórias de infância, quanto uma demonstração do método anamnésico aplicado a uma ampla variedade de materiais relembrados“, arremata.

Da Teoria da História e da Política

Da Teoria da História e da Política

Como tive a honra de travar conhecimento (embora virtualmente) com o Elpídio, tradutor de Voegelin no Brasil, tive a petulância de propor a ele uma pequena entrevista; que foi bem aceita e respondida rapidamente por email. Mesmo em meio a afazeres diversos e viagens, o tradutor respondeu as perguntas deste blogueiro e ressaltou: “fiquei muito feliz de saber que o seu site é um dos poucos que divulga as obras de Voegelin, portanto, nada mais natural do que informá-lo dos lançamentos”.

Como Voegelin chega em sua carreira de tradutor?
Elpídio: Voegelin chegou a meu conhecimento através do seminário de filosofia de Olavo de Carvalho, que foi quem me despertou a atenção para tal autor. Lembro-me que da primeira vez que li Hitler e os Alemães, fiquei impressionado com a chave que Voegelin descobriu segundo a qual a queda intelectual de uma sociedade em pouco tempo leva ao poder pessoas que, de outro modo, seriam alvo de ridículo. Não pude, à época, deixar de ver que o Brasil enfrentava a mesma situação da Alemanha, elegendo um medíocre para a Presidência, e não é com pena me nor que vejo a situação atual dos EUA com Obama.

Quais as causas da ausência da obra de EV das boas bibliotecas universitárias no Brasil (o leitor interessando encontra, quando muito, “A nova ciência da Política”)?

Elpídio: Creio que a ausência de Voegelin das bibliotecas universitárias se dá porque ele é um inimigo figadal de toda ideologia, segunda realidade em que há anos vegetam as universidades, de maneira geral.
Você convive(u) com as instituições americanas (Hoover Institute e a Universidade da Luisiana, p.ex.) que defendem e resguardam o acervo voegeliano?

Elpídio: Não, meu contato com Voegelin se deu através das aulas de OC, e li os quatro primeiros volumes dos Collected Works, mais Hitler e os Alemães, Reflexões autobiográfias e os ensaios reunidos de 1965 a 1985. Li, sobre ele, A revolução Voegeliniana, de Ellis Sandoz, e acabei de ler, de Michael Federici, Eric Voegelin, The Restauration of Order.

Quais os maiores desafios de tradução de Voegelin que você enfrentou?
Elpídio: O maior desafio na tradução de Voegelin é lidar com os termos que ele inventou, e encontrar um correpondente em português.

Ao que saiba, p.ex., este volume que está sendo lançado em português foi originalmente escrito em alemão. Você trabalhou sobre a versão americana ou o original?

Elpídio: Sim, Anamnese foi escrita em alemão e traduzida em parte para o inglês. Se não me engano (não estou aqui com os dados) foi traduzida na íntegra para esta edição das Obras reunidas, da Universidade de Missouri, da qual traduzi.

Há algumas questões pertinentes à tradução e ao seu interesse pessoal na obra de Voegelin que me interessam (e acho que interessa a mais gente). Quando (em Hitler e os Alemães, p.ex., p.70) é dito “responsabilizamo-nos integralmente por quaisquer erros de tradução…etc.” você(s) se refere(m) a que dificuldades?

Elpídio: No passo que você citou, traduzi o que estava na edição americana. Estudei muito alemão há mais de 15 anos e pretendo, neste ano, retomar os estudos.

Fale-nos sobre a atualidade de Voegelin. Por que ler Voegelin?

Elpídio: Voegelin nunca esteve tão atual num mundo que se esqueceu dos valores do Ocidente, os quais, no entanto, estão sempre abertos como possibilidade para nós. Ler Voegelin é esforçar-se por andar na primeira realidade, sob Deus, um expectador onisciente a quem não podemos enganar. Ler Voegelin é abrir-se para a realidade.

+++
*
Ficha do Livro:
Voegelin, Eric. 1901-1985
Anamnese: da teoria da história e da política / Eric Voegelin ;
introdução David Walsh ; tradução Elpídio Mário Dantas Fonseca. – S.Paulo : É Realizações, 2009. – (Coleção Filosofia Atual).
ISBN 978-85-88062-67-2
1.História  – Filosofia 2. Política – Filosofia I.Walsh, David.
II. Título. III. Série.
09-01019                                                                                    CDD-901

Link especial: pra lá de engraçado, com um viés histórico e literário, sob a égide de Jean Cocteau, Ambrose Bierce e Samuel Johnson. Informação e diversão garantidas.

Dicionário lírico e filosófico by Igor Taam

Dicionário lírico e filosófico by Igor Taam

Magia magiar

Em Magia Magiar, posfácio a Canção Antes da Ceifa (1990), Nelson Ascher diz:

Em 1973 eu tinha 15 anos e Petöfi 150. Ou melhor: a Hungria, terra natal de meus pais – os Ascher, ao que consta, chegaram àquele país no séc. 17 ou 18, oriundos, com escalas nos Países Baixos e na Boêmia, da Península ibérica -, comemorava os 150 anos do nascimento de seu poeta nacional – uma figura emblemática do século passado, a do poeta nacional, e particularmente exaltada naquele canto do mundo -, Sándor Petöfi, nascido em 1823 e desaparecido em batalha em 1849, quando sua pátria perdia para os russos a guerra de independência que começara a mover no ano anterior com os Habsburgos. Um almanaque húngaro que meus avós recebiam anualmente ecoava as comemorações reproduzindo na capa um retrato impressionante do poeta e apresentando alguns de seus poemas mais famosos, entre eles a “Canção Nacional”, um dos estopins da guerra em questão.

“Foi o primeiro poema que li numa língua que, de certa forma, julgava restrita aos meus familiares e a alguns de seus amigos. Nessa mesma época eu descobria, através de Camões e Pessoa, a poesia de língua portuguesa, mas a tríade romântica húngara – Vörösmarthy e Arany, além do próprio Petöfi – estava, embora mais distante da minha compreensão idiomática imediata, mais próxima do meu ´mood`. Sabendo da existência da poesia na língua dos meus ancestrais e de sua possibilidade na minha, meti-me a traduzir, sem preparo prévio ou indagações teóricas, a tríade húngara para o português, começando pela `Canção Nacional´. Remeti a Paulo Rónai, cujo endereço um amigo da família me havia dado, os primeiros resultados dessa investida inicial. Ele foi, para dizer o mínimo, generoso. Pouco depois comecei a tomar maior contato com a literatura magiar através de sua magnífica “Antologia do Conto Húngaro”, uma revelação, e com a arte da tradução através de seus deliciosos “Escola de Tradutores” e “A Tradução Vivida”. Um outro livro de Rónai, Canção Antes da Ceifa (1990)“Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”, despertou meu interesse em Endre Ady, o revolucionário fundador da poesia moderna em seu país, e Miklós Radnóti, que, assassinado em 1944 pelos nazistas húngaros devido ao crime de ser judeu, tornou-se, com Garcia Lorca e Óssip Mandelstam, um dos três maiores poetas vítimas da barbárie totalitária do presente século”.

Ascher confessa que, ao lançar o pequenino livro verde, com os poemas húngaros do século 20 não pretendia dar-nos uma amostra representativa da poesia húngara moderna, pois a ausência de Lajos Kassák, Milán Füst, Mihály Babits, János Pilinszky seria, segundo o poeta-tradutor “escandalosa”.  O livro é un petit bijou da poesia húngara e o zelo com que foi editado bem mostra o amor de Ascher à poesia de seus antepassados.
O que desejava com “Canção Antes da Ceifa” era reunir as traduções que julgava “dignas de atenção”. Seria o “couvert de uma verdadeira antologia”. Agora, 19 depois, Ascher amplia, na revista Dicta & Contradicta, ed. 3, a nem tão “minúscula amostra grátis” da poesia húngara moderna, desejando insinuar que, por trás dessa amostra está “um país e uma língua remotos ocultam uma espécie de Toscana poética“. O apetite por essa poesia se abre com outros dez poemas.

11 Anos depois da Canção Antes da Ceifa

19 Anos depois da "Canção Antes da Ceifa"

Essa magia acionada por Ascher deve-se “ao extraordinário instinto linguístico e a inegável vocação poética” – atestado pelo mestre Paulo Rónai (1990, prefácio ao pequenino livro verde dos poemas húngaros) – e continua na senda iniciada em 73, de “único tradutor nato de poesia magiar” no Brasil.
Transcrevo dois dos poemas na tradução de Nélson Ascher:

Um poeta futuro
(Endre Ady – 1877-1919)

Quando acabar nos jardins húngaros
a raça humana: a rosa – um santo
moço tristonho há de ficar
e ele terá razões de pranto.

Invejo-te, moço futuro,
que cantarás tua cantiga
quando não mais houver quem ouça
ou sofra a nossa praga antiga.

Lengalenga
(Sándor Weöres – 1913-89)

A andorinha enche, num dia
de abril, todos de alegria;
irradia -
- se a alegria,
só meu mal não se alivia.

Eis que a mesa delicia,
quando é posta, a maioria;
delicia a
maioria
mas a mim me distancia.

Toda flor que antes morria,
em abril se abre à porfia;
contraria -
-me a porfia:
com emplastro a emplastaria.

Ver que há tanta vilania
ao redor já me angustia;
vilania
que angustia:
vou treinar a pontaria.

Que parede mais vazia!
E outras tantas! A elegia
se anuncia:
elegi-a
para expor minha agonia.

++++
Fontes: D&C, pág.170, ed.3; Canção antes da ceifa, Ed.Arte Pau-Brasil, s/nr. páginas.
Além de bom tradutor, Ascher é também bom poeta; visite o link para mais uma amostra do talento de Nélson Ascher.

Proposta do Papa, resumida por Zenit com a frase lapidar “reze, trabalhe… e leia” de São Bento de Nursia e retomada por Bento XVI.
Bento XVI apresentou em um lema a chave para voltar a humanizar a sociedade e a cultura: “Ora et labora et lege”: “Reze, trabalhe e leia”, constata o porta-voz da Santa Sé. Siga aqui.
Inclui, pois, nesse período especial que se iniciou domingo passado, horas a mais de leitura. Aí cabem, além das leituras em tela, as muitas em papel da pilha de livros que me lançam olhares de cobrança desde a estante desordenada, ansiosos por merecer a visita de minhas retinas e reflexões.
Lugar inicial reservado a Voegelin, a Geraldo França Lima e ao meu abandonado Sébastien Lapaque (sur Bernanos au Brésil).D&C#3
E no intervalo, uma revista de ensaios: Dicta & Contradicta, (em papel, biensur!), que se lê com alegria, no meio de tanta leitura vazia. D&C é fruto saboroso de “respeito, amor e paixão pela verdade“. É, pois, recomendação entusiasmada de leitura a você, leitor deste blog.
Pedidos aqui. Ou aqui (mais em conta).

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