Tags
René Girard – Desejo, Violência e Literatura I | Dicta & Contradicta
12 sábado mai 2012
Posted in Antropologia, Catolicismo
12 sábado mai 2012
Posted in Antropologia, Catolicismo
01 terça-feira mai 2012
Posted in Emily Dickinson, Poesia
29 domingo abr 2012
Posted in Bruno Tolentino, Poesia
O mundo dos negócios impõe uma disciplina muito grande e toma quase todo o tempo de quem vive “as agruras do comércio”. Provavelmente, os grandes empresários já se viram livres dessa prisão e caíram noutra: já não ter prazer com o Universo das Palavras. Bom lembrar que este é hierarquicamente superior ao Mundo dos Negócios e a maioria de nós no Comércio não se lembra disso…
É por isso – e porque o feriadão permite – que retomo minhas leituras e publicações para manter vivo o meu vínculo com o Universo das Artes, onde as Palavras são para mim as privilegiadas, bem antes das imagens e similares (leia-se: cinema; o Teatro, este eu o coloco no Universo das Palavras).
96
“Ai de mim!”, geme a alma, “que me muero
porque no muero!”* Ai corpo, ai meu atraso,
meu alguidar sombrio como um vaso
vazio, ai girassol no escuro, ai erro
da coisa separada por acaso,
desolação do barro no desterro
da ânfora partida! Ai desespero
de não acabar mais, como um ocaso
longo, cheio de sombras! Teus vazios,
diz a alma a esse corpo renitente,
“simbiose dos meus, são como os rios
frios, intermináveis, e as correntes
que nos acorrentaram concebi-as
eu mesma, ai! ai de mim, somos idênticos…”
+++++
Fonte: TOLENTINO, Bruno. “As horas de Katharina”, ed. Record, 2010, p.181.
(*)“que me muero porque no muero” Citação do poema “Aspiraciones de vida eterna”, conhecido como Glosa de Santa Teresa:
“Vivo sin vir en mi,
y tan alta vida espero,
que me muero porque no muero!”
(in Obras Completas, p.956, cit. nas notas de Juliana P. Perez e Jessé de Almeida Primo na edição citada).
20 sexta-feira abr 2012
Posted in Comércio, Colaboração, Miscelânia
Líderes colaborativos e construtores de pontes
Caríssimo leitor, Machado de Assis cunhou o vocativo “a meus seis leitores” e este tornou-se jargão copiado pelos cronistas miúdos que falam a bem poucos e com bem menos talento que o bruxo do Cosme Velho. Começo, pois, dirigindo-me a você leitor, o primeiro e único que possa vir a ler este texto até o fim, esperando que se sinta inspirado a compartilhar opiniões, indicar direções e dar feedback sobre os rumos que devemos seguir a partir desta estréia.
Este novo desafio me proporciona muita alegria e também responsabilidade. Estou diante da possibilidade de comunicar-me com um leitor inteligente, que respeito muito, numa mídia da qual não apenas sou assinante mas que se tornou leitura sistemática para o profissional da Qualidade no Brasil.
Neste espaço, gostaria de refletir sobre temas diversos como uma crônica do dia-a-dia do trabalho numa economia em mutação, falando do que gosto, do que podemos gostar no trabalho para fazer deste espaço um cantinho onde se possa buscar inspiração, ideias para obter mais satisfação no trabalho e colaboração no meio em que atuamos.
A proposição não é de todo maluca quando se sabe que as pessoas em geral gostam ou querem gostar do que estão fazendo e, com isso, podem arrebanhar outros para entender porque se gosta disso ou daquilo, dirigindo melhor as escolhas que fazemos; e também se descobrir que é muito positivo compartilhar aquilo de que gostamos com quem nos rodeia. Basta para isso que as pessoas estejam focadas nos seus pontos positivos.
Eis um aprendizado recente, que agradeço a um insight de minha mulher, depois do HSM Management 2011 – o livro “Empenhe-se” (Buckingham 2008) . Mais do que rótulos da “gerência eficaz” que “constrói com base em pontos fortes – seus, dos seus superiores, de seus colegas, subordinados e, também, dos pontos fortes da situação”, tenho aplicado o foco nos pontos positivos como uma dinâmica de um ser humano comum que quer ser feliz e tirar proveito do seu tempo no trabalho ou com a família, lendo os melhores livros, apreciando os melhores quadros, realizando o melhor possível com seu talento (explorando mais meus pontos fortes).
Explorar o poder da colaboração é outro e prioritário desafio. Por longo tempo em minha vida discuti, comentei e conquistei a adesão de muitas pessoas e organizações que adotaram a colaboração e as ferramentas eletrônicas que facilitam um ambiente de trabalho colaborativo. Estou há mais de 15 anos no mercado fazendo isso, especificamente com as equipes de Qualidade e Certificações, que tem desafios enormes e precisam compartilhar metas e tarefas com os colegas e superiores, convencendo pessoas sobre a importância de prazos e realizações. Neste cenário, tenho aprendido sempre e posso afirmar que as ferramentas de T.I. podem ser importantes aliadas para o sucesso desse tipo de projeto, mas o centro do jogo é o ser humano que conduz e participa do projeto.
Em 2011, conheci e me surpreendi com o livro do professor Morten T. Hansen (“Collaboration” 2009), da Universidade da Califórnia, Berkeley. Ao resenhar o livro de Hansen, aprendi mais sobre o poder da colaboração no trabalho e repercuti as ideias em algumas palestras na Câmara Americana de Comércio (AMCHAM), em comitês que se interessam pelo tema. Voltarei com certeza a explorar as linhas de força do conceito de “colaboração disciplinada” forjado por Hansen e que pode ser útil demais em nossas organizações.
Em artigo recente, o professor Hansen publicou, em co-autoria com Herminia Ibarra, ( Harvard Business Review ) provoca os líderes com uma pergunta: “Are You a Collaborative Leader?”. “Num mundo de negócios hiperconectado, estimulado pelas mídias sociais e pela globalização, um novo estilo de liderança pode tirar proveito do poder das conexões”. Esses novos líderes, ressaltam os autores, “precisam abandonar o velho estilo ‘controlar-e-comandar’ e passar a buscar o consenso em favor da liderança colaborativa.
A pesquisa conduzida por Hansen e Ibarra mostrou que esses novos líderes colaborativos obtêm resultados porque fazem bem quatro coisas: 1) promovem conexões globais que os ajudam a identificar oportunidades ao invés de ficar presos às conexões internas da empresa; 2)Contratam talentos heterogêneos, de diferentes lugares para alcançar resultados,no lugar de apoiar-se em equipes homogêneas em busca de novas idéias; 3)Colaboram a partir da alta Direção para alcançar as expectativas do grupo, ao invés de trabalhar apenas nas políticas corporativas presos a Normas e a agendas ‘paroquiais’; 4)Mostram pulso firme ao acelerar as decisões e asseguram agilidade no processo, ao invés de deixar as equipes atoladas em conflitos internos ou esperando um consenso que não vem.
Diante do cenário em que a colaboração nos processos é requisito de sucesso, cabe perguntar: Qual o novo papel do profissional da Qualidade ? Quais são os requisitos para se tornar um RD estratégico ? Seria a colaboração crucial para o bom desempenho desse papel ? Seguramente, alavancar a colaboração nas organizações será um requisito fundamental neste cenário.
Hansen e Ibarra citam “O Ponto da Virada” (“The Tipping Point”, 2000), best-seller publicado no Brasil em 2009 , onde Malcolm Gladwell usou o termo “connector” para descrever pessoas que mantêm muitos vínculos e criam laços de relacionamentos com diferentes mundos sociais. Para Gladwell, não é a quantidade de pessoas que faz do “connector” uma pessoa importante; ao contrário, o decisivo é a habilidade deste em criar ‘links’ entre as pessoas, as ideias e as fontes de informação, que em condições normais não aconteceriam por mero acaso. No mundo dos negócios estes conectores tornam-se facilitadores chaves para o processo de colaboração. São construtores de pontes entre as pessoas e as empresas.
Para alegria do renovado capitalismo brasileiro, o CEO da Natura Cosméticos, Alessandro Carlucci é citado por Hansen/Ibarra como um exemplo de quem instituiu um processo de seleção que privilegia uma postura colaborativa, em todos os níveis da organização, ressaltando que essa atitude foi decisiva para que a empresa ganhasse seu lugar no topo da lista da revista Fortune das melhores empresas formadoras de lideranças.
Mas não são apenas os Presidentes de grandes empresas ou CEO’s de grandes multinacionais que podem e estão fazendo esse papel de “construtores de pontes” entre organizações e pessoas (interna e externamente ao universo organizacional em que atuam e que usam a colaboração como ferramenta decisiva para seu sucesso. Pessoas comuns, às vezes usando ferramentas simples – como um blog – podem se tornar conectores e bons e aprendizes da colaboração disciplinada.
Recentemente, conhecemos um jovem que mudou o negócio de distribuição de vinhos da família com um blog bem humorado (citar – ver com a Helenir), entre vários outros exemplos bem próximos de nós.
Até a próxima, esperando que possamos construir pontes sólidas através deste espaço e percorrer juntos muitos caminhos rumo ao melhor ambiente de colaboração disciplinada no trabalho e nos espaços de nossa atuação comunitária.(c)
+++++
Adalberto Queiroz, jornalista e empresário, diretor do Grupo Multidata. (betoq55@gmail.com blog http://betoqueiroz.com Tweet @betoq)
Post-post: este era o artigo original que na Revista Banas Qualidade saiu resumido (e de certa forma truncado, não por conta dos editores, mas por questão de espaço).
24 sábado mar 2012
Posted in Bruno Tolentino, Catolicismo, Poesia
“BRUNO TOLENTINO é seguramente um dos maiores poetas da língua portuguesa, na era pós-João Cabral. Estranha, portanto, que tão poucos ainda o digam, estudem, amem. Talvez porque o tenham lido menos do que repudiado as suas declarações polêmicas; ou porque se sentiram intimidados pelos muitos protocolos teóricos, estéticos, ideológicos, ou teológicos até, que propôs ou pretendeu impor para a leitura de seus livros; talvez ainda porque lhes pareceu anacrônico uma poesia com métrica e rima; ou mesmo, quem sabe, porque lhes tenha soado pobre uma poesia que, ao rimar, ilusão não exclui coração nem paixão, como um Roberto Carlos dos ricos. No entanto, são todos motivos frívolos.”
- É assim que Alcir Pécora abre a apresentação do livro “As Horas de Katharina”, sob o título de “O Livro de Horas de B.Tolentino”. Alcir conta ao leitor que esta edição da Record traz a íntegra da obra mais conhecida de BT “com precisas correções e anotações, que esclarecem alguns pontos importantes de sua confecção”, além de vir acompanhada de uma peça teatral inédita, “A Andorinha, ou: A Cilada de Deus”, obra finalizada às vésperas da morte do poeta, em junho de 2007, aos 66 anos de idade.
“As Horas… são compostas por 166 poemas que têm, como assunto único, os sentimentos experimentados pela ‘persona’ poética, e também protagonista da peça, a condessa Elisabeth Katharina von Herzogenbuch, desde sua entrada no Convento das Carmelitas Descalças de Innsbruck, no Tirol, em 1880, aos 19 anos de idade, até a sua morte no mesmo convento, em 1927. Herzogenbuch, ao que parece, é apenas um topônimo de lugar nobre (sendo o buch relativo a faia, atualmente ‘buche’ em alemão), mas, para quem pensa em decupagens possíveis para o poema, pode ser interessante imaginar que o nome abriga também a palavra ‘buch’ (o termo alemão para ‘livro’). Há outros exercícios anagramáticos a observar nesse sobrenome ilustre, mas poupo deles o leitor” – alerta Alcir. Porque “o que importa é perceber que, no livro de Tolentino, o espaço de confinamento físico da cela conventual é também o tempo da aventura moral, mística, da personagem, o que abre imediatamente para o conjunto do livro um plano de descrição histórica e, outro, de interpretação espiritual, sem que qualquer deles possa ser dispensado de seu papel central na articulação dos sentidos básicos dos textos.”
Livro dividido em três partes (1a. – Os longos vazios com 87 poemas; 2a. – O castelo interior, com 22 poemas; e 3a.-No carmim da tarde – “um trocadilho, brincalhão e literal simultaneamente, como muitas vezes ocorre na poesia de Bruno” (AP) – contendo 57 poemas).
Pois bem, transcrevo dois poemas da 2a.Parte
… que dizem respeito a leituras especialíssimas que fiz nas últimas décadas: “Moradas” (de Castelo Interior e Moradas) de Sta. Teresa d’Ávila e “Noite Escura”, de São João da Cruz. Alcir Pécora ressalta que Bruno consegue nesses poemas “uma interpretação tão precisa como pessoal das obras decisivas dos dois autores e diretores espirituais decisivos para a reforma da Ordem do Carmelo no séc. XVI”.