A poesia do Natal

“Adoração dos pastores” ( Bartolome Esteban Murillo – óleo sobre tela – 147 x 218 cm – 1668)

20 de dezembro de 2019 por Adalberto De Queiroz 8 Comentários

Opoeta e crítico anglo-americano T.S. Eliot, em “Virgílio e o mundo cristão” compilou ideias valiosas para esta quadra da celebração do Advento de Jesus – o Natal – sobretudo a estima que o poeta romano angariou e que o tornou “singularmente simpático à mentalidade cristã” – seu foco inicial é a famosa quarta Écloga:

“Terá a vida dos deuses o menino, que os verá
no meio dos heróis, e será visto em meio a eles,
regendo com as virtudes de seu pai um mundo em paz .”

Este “querido rebento dos deuses, grande descendente de Júpiter” é “aquele que receberá o dom da vida divina, verá os heróis” – poderia apenas ser uma profecia do nascimento do próprio Cristo, acreditamos os Cristãos, desde Santo Agostinho.

A “profecia poética” que descobrimos em Virgílio se repetiu nesses mais de dois mil anos de história do Cristianismo, na reescrita do mito por excelência – aquele do renascimento.

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O batismo de Jesus – II

Sempre é bom saber mais sobre Jesus de Nazaré, principalmente na voz de um dos maiores teólogos do século XX.

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“Podemos imaginar a impressão extraordinária que a figura e a mensagem de João Batista deviam provocar na efervescente atmosfera de Jerusalém daquela época. Finalmente estava de novo ali um profeta, cuja própria vida o identificava como tal. Finalmente se anuncia de novo a ação de Deus na história. João batiza com água, mas o “maior”, aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo, já se encontra à porta. Por isso não devemos, de modo algum, considerar exageradas as informações de
S. Marcos: “Toda a Judéia e todos os habitantes de Jerusalém corriam para
ele; confessavam os seus pecados e deixavam-se batizar por ele no Jordão”  (1,5). Do batismo de João faz parte a confissão — a declaração dos pecados; o judaísmo daquele tempo conhecia várias confissões formalmente genéricas dos pecados, mas também a confissão totalmente pessoal, na qual eram enumerados cada um dos atos pecaminosos (Gnilka, Das…

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"Momentos antes de fechar o cartório/De poeta…"

Como Miguel Torga, o bravo poeta e narrador português, estou quase fechando 2019…

Certo de que este é um cartório muito especial
“— Um registo civil ultra real”. Preparamos a navegação para um novo ano, em que um novo ciclo se abre…

E peço ajuda a outro escritor esquecido, mas nem por isso menos talentoso – o alemão, naturalizado suíço, Hermann Hesse.

Reabro um velho livro de autoria do escritor alemão Hermann Hesse e nele garimpo palavras para esta nossa conversa de fim-de-ano. “Pequenas alegrias” reúne textos que começaram a ser escritos na juventude, aos 22, e que foram concluídos com as melancólicas considerações do homem enfermo e solitário aos 83 anos. E nem por isso são artigos superados.

Eis, pois, este meu “recorte lírico” de um período muito especial para nós, cristãos. Ainda volto antes do final de 2019 para um último papo com você, leitor(a) amigo(a). Clique para continuar lendo.

The Depths of August – Image Journal

(c) Website da rev. Image.
https://imagejournal.org/article/the-depths-of-august/

I was blinded by grace,
A prey torn from its shadow,
Entwined only to unravel.

Alive in a dead calm,
I was fire from which
Air is withheld,

A charged element.
An illegible signature,
I was that which

Otherwise serves to conceal.
An inaccessible room.
A sky divided by lightning.

Este belo poema de Eric Pankey, está na revista norte-americana “Image” e merece uma boa tradução em nossa língua. Quem se habilita a fazê-la?
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Não sei quantas almas tenho

Pessoa.

Casa de Autores

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“Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.”

Fernando Pessoa, poeta português.

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W. H. Auden, “Et in Arcadia Ego”

ET IN ARCADIA EGO (Eu também estou em Arcádia – a morte como fato inexorável).

circle, uncoiled

Barbieri Barbieri

1964

This poem explores the problem of the “domesticated” being of Mother Nature (“Happily married/ Housewife, helpmate to man), beneath whose surface rages the original wild that man thinks he has tamed (screeching/ Virago, the Amazon). It seems important to discuss the poem in such gendered terms, since Nature has been subsumed as “helpmate to Man,” while “the autobahn/ Thwarts the landscape/ In godless Roman arrogance.” Nevertheless, the instrument will inevitably be turned on the master: “The farmer’s children/ Tip-toe past the shed/ Where the gelding-knife is kept.”

The title refers to the 17th-century paintings of idyllic Arcadian life by Nicolas Poussin or Giovanni Barbieri (1618). The paintings depict young shepherds coming across the tombstone of one whose death descries the fallacy of Arcadian happiness: that Time kills all. This phrase also appears in Evelyn Waugh’s Brideshead Revisited.

Poussin Poussin

Who, now, seeing Her so
Happily married,
Housewife, helpmate to…

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