Lançamento do meu novo livro

Benévolo Leitor(a): em breve, divulgarei a data e a forma do lançamento (se presencial ou virtual) etc. Desde já, agradeço sua participação.

Atônitos

Destacado

Ficamos assim quando as coisa saem do controle. Exemplo: filhos pequenos fazendo birra, esposas gritando em público (ou vice-versa), o time da gente perdendo no momento decisivo do campeonato ou, simplesmente, quando o seu candidato perde a eleição. Há quem se emocione com isso ainda hoje (o normal é que você use o bom-senso para não pensar em política para disparar o espanto), mas ocorre, ainda hoje – inclusive em eleições de outras cidades, outros estados e países…
Vamos pensar sobre o tema.
Ficar em estado de assombro ou de grande admiração; espantado, pasmo é coisa para profissionais do espanto. Há vários momentos na literatura em que notamos isso. Não vou dar a você, benévolo leitor, o prazer da constatação. Veja você mesmo em Flannery O´Connor ou em Georges Bernanos – há tudo ali e também em outros… descubra por si mesmo.
Assombro há também em poesia, por exemplo, em Ferreira Gullar e Ivan Junqueira.
Exemplo vocal e visual.
https://www.youtube.com/watch?v=gZa2AkDVc2k&feature=emb_logo

Uma arte profética (ou: como ler Dostoiévski-1)

Como os leitores de Dostoiévski neste século XXI podem ler sua obra tentando bem compreendê-la? Primeiro, lendo Dostoiévski lentamente, sem a preocupação de estar diante (quase sempre) de romances longos. Segundo, sugiro recorrer aos recursos de interpretação de um crítico atual – o francês René Girard, de quem um bom começo poderia ser “Dostoiévski: do duplo à unidade” 
Um apocalipse pessoal explicado por Girard. Eis a vida do escritor russo Fiodor Dostoiévski.

DIÁRIO DO WORDPRESS

Sempre um bom texto.

Salomão Rovedo: Um conto, uma história

Arte é transfiguração

Quando em 1911 Thomas Mann começou a escrever A morte em Veneza e trocou a arte do personagem de compositor para escritor, estava escondendo a comoção que padeceu com a morte recente de Gustav Mahler. O personagem virou escritor, mas manteve o prenome. A história mescla elementos autobiográficos e biográficos com um elemento que perturbava a sociedade da época: o homossexualismo, o sentimento de culpa – heranças freudianas. O cenário: Veneza! A Veneza luminosa, sagrada, Meca da Europa que acolhia todas as nacionalidades. Nas mãos de Luchino Visconti, Gustav – Dirk Bogarde, impecável – volta a ser compositor, o homossexualismo se realiza como paixão, mas a Pandemia de Cólera (que já atingiu o Brasil 7 vezes!) bota tudo por terra. O Diretor italiano presta no filme a maior das homenagens a um item do vestuário indispensável à época: o chapéu. O Festival de Chapéus prevalece em beleza…

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O canto do mar (S-J. Perse)

Destacado

Leia meu artigo quinzenal em Recorte Lírico.

O que pode revelar uma caminhada matinal à beira-mar? É a pergunta que me faço, caminhando todas as manhãs, nesses dias em meu refúgio na Bahia, onde nos fixamos, minha mulher e eu, para cumprir o isolamento forçado, emoldurado pela paisagem marinha desta bela região do país.

Sem os atrativos tradicionais das típicas temporadas na praia, sem o ruído das aglomerações naturais das épocas de veraneio, o pensamento vagueia por imensidões distantes, em busca da compreensão das últimas coisas e dos segredos escondidos pelo mar.

O que busca o viajante? Entenderia a solidão impositiva da hora presente, o cumprimento de diretivas do Destino que assinala seus arranjos sazonais e anuncia alterações cíclicas profundas? São questões que o deambular pela praia traz ao viajante em busca da Sibila que o faça decifrar as profecias.

Esta caminhada à beira-mar fez evocar no cronista sentimentos antigos, antecipando presságios futuros, enquanto a Poesia vem insuflar o germe da imaginação criadora para entender os sinais do tempo presente. Afinal, como dizia Alberto Manguel, “todo leitor é um andarilho em descanso ou um viajante de retorno”.

CONTINUE LENDO no site da Recorte Lírico.

Poetas em tempo de penúria [Érico Nogueira]

Meu artigo quinzenal na revista Recorte Lírico. https://recortelirico.com.br/2020/07/poetas-tempo-penuria-erico-nogueira/

Sobre Hölderlin

Aviso:
aos diletos amigos leitores deste blog.
Pouco a pouco, vou migrando para lá… https://betoqueiroz.com.br/artigos/f/o-sil%C3%AAncio-do-poeta—f-h%C3%B6lderlin-1

Horácio – Ode 1/11

singularidade - poesia e etc.

Não busques (é tabu!) saber que fim, Leucónoe,
os deuses nos reservam. Põe de lado o horoscopo
da babilônia e aceita: o que há de ser, será,
quer nos dê Jove mais invernos, quer só este
que em rochas quebra o mar Tirreno. Vive, bebe
teu vinho e talha, ao curto prazo, anseios longos.
Enquanto eu falo, o tempo evade-se invejoso.
Apanha o dia e não confies no amanhã.

Trad.: Nelson Ascher

1/11

Tu ne quaesieris (scire nefas) quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati!
Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum, sapias, uina liques et spatio breui
spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit inuida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

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Eugenio Montale – Xenia I

EUGÊNIO MONTALE

singularidade - poesia e etc.

1

Querido pequeno inseto
que chamavam de mosca, não sei por quê,
esta tarde quase ao escurecer
enquanto lia o Segundo Livro de Isaías
reapareceste ao meu lado,
mas não tinhas óculos,
não podias me ver
nem podia eu sem aquela centelha
reconhecer-te no escuro.

2

Sem óculos nem antenas
pobre inseto que asas
só tinhas na imaginação,
uma bíblia em frangalhos e ainda por cima tão pouco
confiável, o negro da noite,
um relâmpago, um trovão e depois
nem mesmo a tempestade. Quem sabe,
te foste cedo demais sem mesmo uma
palavra? Mas é ridículo
pensar que ainda tivesses lábios.

3

No Saint-James em Paris terei que pedir
um quarto “de solteiro”. (Não gostam
de hóspedes desacompanhados). E a mesma coisa também
na falsa Bizâncio de teu hotel
veneziano; para buscar logo depois
a cabine das telefonistas,
tuas amigas de sempre; e repartir,
gasta a corda,
o desejo de…

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William Butler Yeats – A torre

YEATS! A torre

singularidade - poesia e etc.

1
O que farei com esta absurdidade,
Esta caricatura, coração?
Decrepitude atada à minha idade
Como à cauda de um cão?
Jamais terei sentido
Tão grande, tão apaixonada, tão incrível
A fantasia, nem houve olho e ouvido
Que mais quisessem o impossível –
Não, nem quando menino, com inseto e anzol,
Ou mais humilde verme, no alto de Ben Bulben,
Eu tinha a desfrutar todo um dia de sol.
Devo mandar às favas minha Musa,
Ter Platão ou Plotino por amigo,
Até que fantasia, olho e ouvido,
Cedam à mente e virem escalpelo
Da ideia abstrata; ou ser escarnecido
Por uma lata presa ao tornozelo.

2
Passo pelas muralhas e reconto
Os alicerces de uma casa e o ponto
Onde a árvore, como um dedo sujo, sai do chão,
E solto a imaginação.
À luz do dia declinante apelo às
Memórias e retinas
De antigas árvores ou ruínas –
Que…

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