O FILÓSOFO KAROL WOJTYLA E SEU ASSOMBRO DIANTE DO SER HUMANO – Antonio Tarallo

Sobre o pensador KAROL WOJTYLA, Papa João Paulo II.

Opus Matris Dei

Para compreender a filosofia de Karol Wojtyla é necessário partir do ser humano. O homem, na mente e na alma de João Paulo II, ocupava um lugar privilegiado. O pensamento antropológico é de fundamental importância na obra do filósofo polonês.

Mas por que o homem é o centro de todo o seu pensamento? Obviamente, essa resposta acabará chegando até Deus, mas o ponto de partida é o seu conhecimento e estudo da humanidade. O valor do homem, feito “à imagem e semelhança de Deus” (é importante lembrar isso), foi repetidamente abordado por Wojtyla filósofo, para mais tarde ser examinado de perto no pontificado de João Paulo II, em seus documentos pontifícios, os quais — em muitas ocasiões — também podem ser considerado quase uma “extensão” de seus ensaios filosóficos anteriores. Ensaios que podem ter uma espécie de denominador comum: a antropologia.

Perambular pelos seus escritos não é tarefa simples: é…

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NOSTALGIA DO CÉU – Pe. Santiago Martín

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Nostalgia do céu, por Pe. Santiago Martín, via J.C. Zamboni.

Opus Matris Dei

O Papa Emérito Bento XVI escreveu um breve e afetuoso adeus a um amigo seu, um teólogo e monge cisterciense de 91 anos, que acaba de morrer.

A parte mais comovente são estas palavras: “Ele chegou agora ao outro mundo, onde estou certo de que muitos amigos já estão à sua espera. Espero poder juntar-me a eles em breve.”

“Espero poder juntar-me a eles em breve”, diz o Papa, mostrando assim um desejo de deixar este mundo para estar com Deus no céu, para sempre, e também com aqueles que para lá foram antes dele.

Este anseio do Paraíso tem o selo das palavras de São Paulo, na Carta aos Filipenses: “Para mim, a vida é Cristo, e é lucro morrer”. Ou as de Santa Teresa: “Vivo sem viver em mim mesmo, pois espero uma vida tão elevada que morro porque não morro”.

Os santos têm sempre os seus…

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O que ando lendo

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Um leitor de alto nível: BERNARDO LINS BRANDÃO.

Noites Áticas

Ascendino Leite – Caracóis na praia: um dos volumes do jornal literário de Ascendino, um excelente exemplo deste gênero, o diário íntimo, praticado por Unamuno, Amiel, Gide e outros.

Andrew Stephen Damick – Arise, o God: uma bela síntese do que os padres Stephen Damick e Stephen De Young vêm falado em um dos melhores podcasts da atualidade.

Eunápio – Lives of the philosophers and sophists: se a filosofia, para os neoplatônicos, era um modo de vida, então o livro de Eunápio, com suas biografias de Plotino, Porfírio, Jâmblico, Eustácio e Sóspatra, etc., é fundamental para entender essa fase final da filosofia antiga.

Robert Spaemann – Felicidade e benevolência: em seu diálogo com antigos e modernos, poucos livros conseguem apontar de modo tão preciso que a tensão entre uma ética da felicidade e uma ética do dever só pode ser superada em uma perspectiva ontológica –

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DEUS É MAIS ESPERTO QUE OS MAUS

Mais um post do professor J. C. Zamboni que merece ser lido e guardado.

Opus Matris Dei

[O dramaturgo espanhol Lope de Vega é um dos grandes autores do teatro universal. Depois de uma vida dissoluta, aos 48 anos entrou para a irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento, em Madrid, época em escreveu a peça Lo fingido vedadero (“O fingido sincero”), publicada em 1620. Era uma tragicomédia sobre a vida e o martírio de São Genésio, que foi ator cômico na corte do imperador Diocleciano, que reinou entre 284 e 305 depois de Cristo, e é célebre pela perseguição que moveu contra os cristãos. Corrado Gnerre conta a seguir como foi a conversão do ator Genésio].

Pouca gente sabe o que realmente aconteceu com São Genésio.

Genésio era pagão e trabalhava como ator. Um dia, diante do imperador Diocleciano, ele teve que simular o batismo cristão para dele zombar. Os comediantes convidaram um padre de verdade, obviamente sem lhe dizer que era tudo encenação e zombaria.

Mas…

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Cartinha moderna a um leitor incógnito

Clique na imagem para ler a íntegra da 3a. edição da minha Newsletter.

A VITÓRIA DA SANTIDADE SOBRE AS NEUROSES

Pude compreender bem o versículo de S. Paulo: ” “…a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana”. Obrigado, prof J.C. Zamboni.

Opus Matris Dei

O homem atual não aceita mais o sofrimento e a morte, que seriam produtos de um Deus imperfeito, a ser permanentemente recriado e aperfeiçoado pela ciência e a tecnologia humanas. É certo que para a dor já existem analgésicos bastante eficazes, mas não há remédio ou cirurgia que possam dar cabo definitivamente do aguilhão da morte: a ela pertence a vitória final. A morte é o irremovível obstáculo que ainda frustra a tão desejada autodivinização humana.

Para o cristão, ao contrário, o sofrimento nunca foi e jamais será uma coisa inútil. Quando suportado com a sabedoria da fé — que não é obra humana, mas da graça —, a dor entra como ouro puríssimo, de vinte e quatro quilates, no sagrado comércio da “comunhão dos santos”, esse intercâmbio de intercessões e oferendas que une num só conjunto espiritual — o “corpo místico” de que falava São Paulo — as almas…

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COMO SE TECE A CRÍTICA LITERÁRIA?

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Muito feliz por ter um leitor dessa qualidade (e generosidade). Obrigado, professor Zamboni.

Opus Matris Dei

A crítica literária de inspiração católica — e universalista em sua aplicação — parecia coisa desaparecida na literatura brasileira, e eis que surgiu, não faz muito tempo, Os fios da escrita, uma coletânea de ensaios literários do escritor e poeta goiano Adalberto de Queiroz [v. blog do autor aqui]. O livro saiu em 2020 pela editora baiana Mondrongo, de Itabuna.

O autor insere-se na tradição brasileira do ensaio jornalístico: os textos, que compõem o livro, foram escritos para o jornal goiano Opção, e pensados para o leitor que gosta de literatura, mas sem formação especializada, livres das amarras terminológicas e das firulas mentais que a crítica acadêmica, dita pós-moderna, introduziu entre nós.

A maneira de construir o texto ensaístico, adotada por Adalberto de Queiroz, pressupõe o livre jogo das ideias, conceito que atrai conceito, não por um associacionismo caótico, mas obediente a uma sutil costura de quem…

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“A tristeza de não ser santo”, Zamboni, via Léon Bloy

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O professor José Carlos Zamboni fala sobre a frase do francês Léon Bloy, de maneira notável. Leiam-no todos!
“É possível aprender alguma coisa com os santos? Descobrimos algo parecido à felicidade — que nada tem a ver, obviamente, com a alegria dos sentidos — quando enfim abrimos mão de pretender decidir, só com nosso limitado discernimento pessoal, sobre as questões fundamentais da vida, e convocamos o auxílio de algum grande santo. A santidade quase perfeita dos grandes santos é a única janela aberta para o outro lado, o lado verdadeiro, a verdade sem nenhum véu de disfarce. Eles souberam, afinal de contas, como viver e como morrer segundo a vontade de Deus. Continua no link. Clique na imagem para partir…

Santo Agostinho de Hipona (354-430)

Vocação nacional para a “pagodeira”

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Um texto do emérito professor J.C. Zamboni. Imperdível.

Opus Matris Dei

O desinteresse dos nossos cursos universitários de Letras pelos clássicos mais antigos parece que é congênito ao povo brasileiro. Tudo isso já estava lá, no começo de tudo, na época dos jesuítas e das primeiras caravelas.

Padre Serafim Leite, no primeiro volume de sua vasta e erudita História da Companhia de Jesus no Brasil, mostra com fartura de exemplos o imenso trabalho que os padres da Companhia de Jesus empreenderam, mundo afora, para aprimorar seu método de ensino, o “Ratio Studiorum” (estudo racional, sistemático), que inegavelmente contribuiu para o desenvolvimento da civilização ocidental. O método previa três graus, ou áreas, como preferimos dizer hoje: Letras Humanas, Filosofia e Teologia.

Letras Humanas, que vinha após o ensino elementar, equivalia ao nosso ginasial e se dividia em Retórica, Humanidades (literatura antiga e história) e Gramática (elevada, média e básica). Segundo os jesuítas, a principal preocupação do adolescente devia ser o domínio…

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Cultura literária medieval (3)

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Eis aqui a parte final da série sobre a cultura literária medieval.

Cultura literária medieval (3)

Ainda na minha cruzada pela boa informação sobre a Idade Média, tenho sobre a mesa outro livro do consagrado medievalista brasileiro de saudosa memória – o professor Segismundo Spina, meu mestre na viagem que refaço, e para a qual convido novamente o benévolo leitor a me seguir, sempre alertando que é preciso encontrar guias seguros para entender este período da história. Continue lendo…