Emily Dickinson, poema falado (1)

Por muito tempo tenho publicado os poemas de Emily Dickinson neste blog com a tradução de dona Aíla de Oliveira Gomes.
Hoje, começo uma experiência nova: poema falado. Com os recursos de gravação atual e o apoio de minha produtora (Helen Queiroz), eis o primeiro exercício. Espero que gostem.
Prometi o texto lido em inglês, para poupá-los do meu inglês macarrônico (ou franglais!), mas o LibriVox me traiu, não apresentando nenhuma leitura do dito poema. A Beleza.
Vejam a minha leitura e o texto original abaixo.
http://youtu.be/csOhEztLZO0

Beauty – be not caused – It is A beleza não se faz – ela é.
Chase it, and it ceases Você a caça, ela cessa
Chase it not, and it abides – Se desiste, ela persiste.
Overtake the Creases Tente imitar as estrias
In the meadow – when the Wind No capinzal, quando o vento
Runs his fingers thro’it – Corre-lhe os dedos por dentro –
Deity will see to it Algum deus vai estar atento
That you never do it – Para frustrar o seu intento.

+++++
Fonte: “Emily Dickinson uma Centena de Poemas”. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. T.A.Queiroz/USP. S.Paulo, 1984, pág. 78/79.

Sábado é dia de jazz…with Emily Dickinson

My dear friends, deste poema não tenho tradução.
E Que os machistas me perdoem, mas que não gostaria de ouvir tais palavras da boca (ou pena) de sua amada? (acho que só a Associação dos Machões Mineiros, sic!!)

emily-dickinson-photo1

WILD nights, Wild nights!
Were I with thee,
Wild nights should be
Our luxury!

Futile the winds
To a heart in port –
Done with the compass,
Done with the chart.

Rowing in Eden!
Ah! the sea!
Might I but moor
To-night in thee!

+++++
Fonte: DICKINSON, Emily “On Love”, Barnes & Noble Books, NY, 1993, pág. 30

Sábado é dia de jazz…with Emily Dickinson

My dear friends, deste poema não tenho tradução.
E Que os machistas me perdoem, mas que não gostaria de ouvir tais palavras da boca (ou pena) de sua amada? (acho que só a Associação dos Machões Mineiros, sic!!)

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WILD nights, Wild nights!
Were I with thee,
Wild nights should be
Our luxury!

Futile the winds
To a heart in port –
Done with the compass,
Done with the chart.

Rowing in Eden!
Ah! the sea!
Might I but moor
To-night in thee!

+++++
Fonte: DICKINSON, Emily “On Love”, Barnes & Noble Books, NY, 1993, pág. 30

Emily Dickinson: não viverei em vão…

If I can stop one Heart from breaking –
I shall not live in vain
If I can ease one Life the aching
Or cool one Pain

Or help one fainting Robin
Unto his Nest again
I shall not live in vain.

        *  *  *
Emily_Dickinson 2

++++++++++++++++++++

Não viverei em vão, se puder –
Salvar de partir-se um coração,
Se eu puder aliviar uma vida
Sofrida, ou abrandar uma dor,
Ou ajudar exangue passarinho
A subir de novo ao ninho –
Não viverei em vão.

+++++

Fonte: DICKINSON, Emily: Uma Centena de Poemas, Editora T.A.Queiroz/USP, S.Paulo, 1984. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. Pág. 120/121.

Emily Dickinson: não viverei em vão…

If I can stop one Heart from breaking –
I shall not live in vain
If I can ease one Life the aching
Or cool one Pain

Or help one fainting Robin
Unto his Nest again
I shall not live in vain.

        *  *  *
Emily_Dickinson 2

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Não viverei em vão, se puder –
Salvar de partir-se um coração,
Se eu puder aliviar uma vida
Sofrida, ou abrandar uma dor,
Ou ajudar exangue passarinho
A subir de novo ao ninho –
Não viverei em vão.

+++++

Fonte: DICKINSON, Emily: Uma Centena de Poemas, Editora T.A.Queiroz/USP, S.Paulo, 1984. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. Pág. 120/121.

Emily Dickinson e a luz

I’ll tell you how the sun rose –
A Ribbon at a time –
The steeples swam in Amethyst –
The news like squirrels ran.

The hills untied their Bonnets –
The Bobolinks – begun.
Then I said softly to myself –
“That must have been the sun!”

        *  *  *

But how he set – I know not –
There seemed a purple stile
Which little Yellow boys and girls
Were climbing all the while –

Till when they reached the other side,
A Dominie in Gray –
Put gently up the evening bars –
And led the flock away.

emily-dickinson-photo1
++++++++++++++++++++

Vou te contar como é que o sol nasceu:
De repente uma fita apareceu
Campanários nadaram em ametista
E notícias correram como esquilos;
Colinas desataram seus toucados –
Os passarinhos romperam em trinados.

Então disse baixinho p’ra mim mesma:
’Deve ter sido o Sol’!
Mas como foi que ele se pôs, não sei dizer.
No céu, um torniquete avermelhado –
Meninos e meninas de amarelo
Pulavam por ali em atropelo,
Na pressa de alcançar o outro lado –
Quando um clérigo de hábito cinzento
Fez o gradil da noite subir manso –
E dispensou o bando.
+++++

Fontes:
DICKINSON, Emily: Uma Centena de Poemas, Editora T.A.Queiroz/USP, S.Paulo, 1984. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. Pág.64/65. Nos comentários à tradução dona Aíla adverte que fez uma “arrumação do poema” diferente do original em busca de rimas e assonâncias finais que trouxessem naturalidade à tradução. Eu gostei. Ficou a dúvida sobre “Bobolinks” traduzido por passarinho. Aíla justificou: “Depois de bastante dúvida, resolveu-se deixar o termo genérico ‘pássarinho’, para o onomatopaico “bobolink”, tão amado de Emily, que o considerada “the Bird of Birds”. Usar sucedâneos nossos enfraqueceria a marca “New Englandy” do poema. O dicionário registra ‘triste-pia’ (que não se coaduna com o tom jubiloso da descrição da manhã de Amherst), papa-arroz, papa-capim (muito prosaicos , no caso), coleiro, curió (muito tipicamente nosssos)”, conclui Aíla.
Uma pequena história de como retornei a esse poema, lido antes e depois esquecido pelos meus neurônios cansados. Estou lendo o livro de Eduardo Giannetti (“Auto-Engano”, edit. Cia. das Letras, S.Paulo, 2005) Auto-Engano_Giannetti
e me deparo com um trecho interessantíssimo no segundo capítulo (Auto-Conhecimento e Auto-Engano), em que Giannetti explana sobre “o grau zero do conhecimento” x “o grau máximo” da verdade objetiva (“que se mantém soberana mesmo que nela não creiam” etc., pág. 69/70). Então pra ilustrar a questão do exemplo dado sobre abordagem científica (senso comum, conhecimento e familiaridade), ele conta uma estória da filosofia grega. Antes de transcrevê-la, é preciso dizer que Giannetti acentua que “não é por estar familiarizado com a faculdade da visão, p.ex., “que se conhece algo sobre os processos e mecanismos intricados que que me (nos) levam a enxergar as coisas”. A estorinha ilustrativa de que “somente quando alguns homens perderam a familiaridade com a visão e passaram a encará-la como problema – como algo estranho e alheio demandando algum tipo de explicação – que o conhecimento do fenômeno começou a sair do chão. A familiaridade cega”, conclui.
”Voltemos ao problema da visão. O filósofo pré-socrático Empédocles ousou romper o véu da familiaridade e inquiriu seriamente sobre o que acontece quando enxergamos as coisas. A essência de sua conjectura original era a tese de que, quando vemos algo, são os olhos que atuam e iluminam os objetos vistos. A sensação de estar vendo resulta do fato de, na visão, jatos de luz ou algo equivalente serem emitidos pelos olhos, incidindo sobre as coisas e tornando-as visíveis” – da minha parte, pensei logo naqueles óculos especiais usados pelas Forças Armadas norte-americanas que fazem exatamente o que a máquina da visão do filósofo imaginava: continua lançando luz sobre a escuridão…
E continua Giannetti: “A cegueira (seg. Empédocles) significaria que a luz irradiada pelos olhos cessou. Outros investigadores, contudo, não se deram por satisfeitos. O tiro de misericórdia – simples e fulminante – foi disparado por Aristóteles. Se a tese de Empédocles fosse de fato verdadeira, de tal modo que os olhos projetassem fachos de luz sobre as coisas, então não haveria nenhum problema em enxergar no escuro! A partir desse reparo aristotélico, qualquer teoria um pouco mais objetiva da visão precisaria explicar porque isso não acontece”.
Na nota 5. sobre o assunto, Giannetti nos remete ao livro de Arthur Zanjonc (“Catching the Light”)Catching the light , que é  ainda segundo E.Giannetti, “uma cuidadosa reconstrução das idéias dos filósofos gregos sobre a visão e uma verdadeira ‘biografia da luz’, dos mitos à física quântica. Fui lá na “moderna biblioteca de Alexandria” que é o Google (sobretudo o Google Livros) e achei o livro. E para minha surpresa o cientista escolheu como primeira legenda de sua “objetiva e científica obra” nada mais que o primeiro verso do poema de Emily Dickinson: “I’ll tell you how the sun rose a ribbon at a time”. Ponto para a subjetividade poética. Outro desafio de igual natureza seria retirar da visão derrotada de Empédocles a poesia da luz de nossos olhos.
Mas isso já é desafio para outro post. Au Revoir e um bom fin-de-semaine aos meus seis leitores. (AQ).

O poema do rato*

The Rat is the concisest Tenant O rato é o inquilino mais conciso
He pays no Rent Não paga aluguel –
Repudiates the Obligation – Repudia o compromisso;
On schemes intent Atento ao ardil.
Baling our Wit Frustra nossa astúcia
To sound or circumvent De alarme ou laço rente –
Hate cannot harm Nem ódio traz prejuízo
A Foe so reticent – A inimigo tão reticente.
Neither Decree prohibit him – Nenhum Decreto
Lawful as Equilibrium. Inibe-o –
Legal como o Equilíbrio.

(*) Fonte: “Emily Dickinson uma Centena de Poemas”. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. T.A.Queiroz/USP. S.Paulo, 1984, pág. 138/39.

Um rio chamado Emily

 

My River runs to thee – Meu rio corre até ti:
Blue Sea! Mar azul. Aceitas-me?
My River waits reply – Meu rio espera resposta.
Oh Sea – look graciously – Ó mar, vê se me gostas.
I’ll fetch thee Brooks Eu te trarei regatos
From spotted nooks De escondidos regaços –
Say – Sea – Take Me! Dize, mar, vais-me levar ?

Fonte: “Emily Dickinson uma Centena de Poemas”. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. T.A.Queiroz/USP. S.Paulo, 1984, pág.44/45.

Emily Dickinson (quase 100 poemas)

The Sky is low – the Clouds are mean.
A Travelling Flake of Snow
Across a Barn or through a Rut
Debates if it will go –

A Narrow Wind complains all Day
How some one treated him.
Nature, like Us is sometimes caught
Without her Diadem.


xxxxxx-xxxxxxxx-xxxxxxx

O céu está baixo, as nuves corriqueiras;
Um só floco-de-neve viajante,
Que atravessa o celeiro e a valeta,
Debate se vai ou não vai adiante;

O dia todo um vento uiva uma queixa –
Como alguém não o tratou bem é o seu tema.
A natureza, como nós, às vezes
É apanhada sem seu diadema.
+++++
Fonte: “Emily Dickinson. Uma Centena de Poemas”, Tradução de Aila de Oliveira Gomes, T.A. Queiroz-Editora da USP, S.Paulo, 1984. p.132-133.)

Emily Dickinson, “sumptuous destitution”(*)

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Success is counted sweetest Vencer parece mais doce
By those who ne’er succeed. Àqueles que nunca vencem,
To comprehend a nectar Melhor saboream um néctar
Requires sorest need Os que na sede esmorecem
Not one of all the purple Host Nenhuma das purpúreas hostes
Who took the Flag today Que hoje empunharam o pendão
Can tell the definition Poderá dar da vitória
So clear of Victory Mais clara definição
As he defeated – dying – Que o vencido moribundo:
On whose forbidden ear Em ouvidos proibidos
The distant strains of triumph Os sons distantes do triunfo
Burst agonized and clear! Irrompem agônicos, nítidos!

(*) Trad. de dona Aíla de Oliveira Gomes, em “Emily Dickinson: Uma Centena de Poemas”, T.A.Queiroz/USP, 1985, p.38-39.
Do comentário (p.160) da tradutora, transcrevo isso:
“O poema cai numa categoria temática recorrente em ED: as compensações do fracasso, o valor mínimo para o nada – tema aberto em leque de variações, que se poderiam, usando uma expressão da própria autora, reunir sob a rubrica ‘sumptuous destitution’, a qual, por seu turno, cabe no tema típico mais vasto da renúncia. Em outro poema é dito que a satisfação promove a saciedade, – pensamento também bastante shakespeariano; a falta, porém, é ‘quiet Commissary/For Infinity’ (p.170). Tecidos de idênticos sentimentos são, p.ex., “Who never lost are unprepared (73), “A wounded deer leaps highest” (p.28), “Undue significance a starving man attaches/To food… (439), – onde se lê que, se o alimento revigora o faminto, não logra, porém, oferecer-lhe o prazer da fruição imaginada: “…Spices fly/In the Receipt – It was Distance/Was savoury”. (…)
(Os números entre parêntesis referem-se aos poemas nas publicações originais da escolha da tradutora).