Elizabeth Bishop (1)

Meu artigo no Jornal Opção sobre a poetisa norte-americana.

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Órfã de pai, que perdeu a mãe para um hospício, a solitária Elizabeth tem o que dizer e como dizê-lo. Viveu no Brasil durante 15 anos e “entre o aconchego e a melancolia” escreveu muito e criteriosamente, mas sem jamais tem entendido o país que a acolheu…

Da série “No mínimo um poema ao dia” (7)

Duas traduções de um clássico norte-americano – Robert FROST (1874-1963).

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Robert Frost (1874-1963) – montagem com a capa e última página do livro de Louis Untermeyer (St. Martin’s Griffin, NY, 1971) com seleção de poemas e comentários de L.U. (ilustr. J. O’Hara Cosgrave II) ; foto de evento na velhice do poeta…“A diferença que a poesia poderia ter feito – este o único caminho possível para o fazendeiro falido que vem a ser 0 poeta amado da América…”

 

 

 

The Road Not Taken – a primeira tradução é de José Alberto Oliveira, do blog Vício da Poesia (link).  e a segunda, de Renato Sutanna.

 

A estrada que não foi seguida

Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
Que pena não poder seguir por ambas
Numa só viagem: muito tempo fiquei
Mirando uma até onde enxergava,
Quando se perdia entre os arbustos;

Depois tomei a outra, igualmente bela
E que teria talvez maior apelo,
Pois era relvada e fora de uso;
Embora na verdade, o trânsito
As tivesse gasto quase o mesmo,

E nessa manhã nas duas houvesse
Folhas que os passos não enegreceram.

Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabia como caminhos sucedem a caminhos
E duvidava se alguma vez lá voltaria.

É com um suspiro que agora conto isto,
Tanto, tanto tempo já passado:
Duas estradas separavam-se num bosque e eu —
Eu segui pela menos viajada
E isso fez a diferença toda

Tradução do poeta José Alberto Oliveira, in Rosa do Mundo, 2001 poemas para o futuro.

./.

2a.) Tradução do poema de R. Frost – A ESTRADA NÃO TRILHADA – por RENATO SUTANNA.

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“Frost: a única estrada que podia ter trilhado era diferente – foi a estrada da Poesia” (Louis Untermeyer)

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

./.

Conheça, neste link – o poema original The Road Not Taken (ROBERT FROST), transcrito e falado pelo Autor.

LEIA MAIS (em inglês) Robert Frost.

 

 

IF* by Rudyard Kipling

IF you can keep your head when all about you
   Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,SPL_Poster_If_Rudyard_Kipling
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
   Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
   And yet don’t look too good, nor talk too wise;
If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
   And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken;
   Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build’em up with wornout tools;
If you can make one heap of all your winnings
   And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
   And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
  To serve your turn long after they are gone,Kipling e Eu
And so hold on when there is nothing in you
  Except the Will which says to them: “Hold on”;
If you can talk with crowds and keep your virtue,
  Or walk with kings – nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
  With sixty seconds’ worth of distance run –
Yours is the Earth and everything that’s in it,
  And – which is more – you’ll be a Man, my son!

+++++
Fonte: KIPLING, Rudyard. (1865-1936). “Poems of Rudyard Kipling”. Random House, N.Jersey, 1995. pág.13/14. Para ler o poema em Português, siga este link.
Mais sobre Kipling: “
Romancista e poeta inglês, Rudyard Kipling nasceu em 1865, em Bombaím, na Índia colonial, filho de um professor de Artes e Ofícios e da cunhada do pintor Edward Burne-Jones, Kipling foi educado por uma aia indiana, que lhe ensinou, pela magia das histórias de encantar, a língua Hindu mesmo antes do Inglês em que viria escrever.
Quando contava seis anos de idade, foi levado pelos seus pais para Inglaterra, que o deixaram, por cinco anos, aos cuidados de um internato em Southsea. O autor, desacostumado das punições físicas tradicionais inglesas, viria mais tarde a exprimir o seu desgosto pelo tratamento em várias partes da sua obra, em particular na sua autobiografia, publicada em 1937”…
Saber Mais Sobre RK.

Últimas palavras de Sylvia Plath

MANHÃ de sábado de trabalho com a natureza ao nosso lado – vantagem do home office. E, no entanto, a música e a poesia chegam para nos dar um ânimo diferente.
Ouvimos (minha mulher e eu) músicas de Nana Mouskouri e, trabalhando em mesas próximas na biblioteca, chego a Sylvia Plath. Sábado geralmente é dia de Emily (Ms. Dickinson). Hoje, no entanto, trago o poema de Mrs. Plath. Vem do livro “Fifty Years of American Poetry” (1).
Minha mulher, mirando o descanso que virá ainda  (com a revelação dos prêmios do Oscar 2012), me relembra
o filme “Sylvia” com G. Paltrow (2).

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O poema é “The Last Words”. E diz assim:

Last Words

by Sylvia Plath

I do not want a plain box, I want a sarcophagus
With tigery stripes, and a face on it
Round as the moon, to stare up.

I want to be looking at them when they come
Picking among the dumb minerals, the roots.
I see them already–the pale, star-distance faces.
Now they are nothing, they are not even babies.
I imagine them without fathers or mothers, like the first gods.
They will wonder if I was important.
I should sugar and preserve my days like fruit!
My mirror is clouding over —
A few more breaths, and it will reflect nothing at all.
The flowers and the faces whiten to a sheet.

I do not trust the spirit. It escapes like steam
In dreams, through mouth-hole or eye-hole. I can’t stop it.
One day it won’t come back. Things aren’t like that.
They stay, their little particular lusters
Warmed by much handling. They almost purr.
When the soles of my feet grow cold,
The blue eye of my turquoise will comfort me.
Let me have my copper cooking pots, let my rouge pots
Bloom about me like night flowers, with a good smell.

They will roll me up in bandages, they will store my heart
Under my feet in a neat parcel.
I shall hardly know myself. It will be dark,
And the shine of these small things sweeter than the face of Ishtar.

++++
Fonte: “Academy of American Poets”, Fifty Years of American Poetry. Introdução Robert Penn Warren. Laurel Col. Dell Publis. ed. N.York, 1995. Há várias e boas traduções em português. A meus seis leitores, a tarefa de me indicar a sua preferida. Bom sábado de poesia. Uma Dica de traduções de Felipe (Multiply).
Post-Post (1) – há muitas críticas sobre o poema e sobre a obra de Sylvia. Uma Resenha de Last Words (1). Há muitas sofisticadas, como a do livro cuja foto postei acima, que é mais do que crítica. É história sobre a sofredora Ms.Plath, que se matou aos trinta anos. Vários ensaios sobre S. Plath, by Anita Helle que coloquei na minha lista de Google Books como “Vou Ler”. Ah, sim, ia me esquecendo: o filme… Sylvia, seg. a crítica (minha mulher!) meio “deprê…”,  by the way, como foi toda a vida de Mrs. Plath (1932-1963).
Post-post (2) , em 25.02, às 19h59min– Consulto os astros e fico sabendo que “as melhores traduções de Mrs. Plath no nosso idioma vêem da portuguesa Maria Fernanda Borges, da Beatriz Horta e Ana Luiza Faria”. Também a dona Lya Luft, que já foi tradutora antes de “escrever platitudes em Veja”, como diz uma adorable friend of mine (M.), traduziu bem o The Bell Jar. Beatriz Horta, idem. “E, surpreendentemente, Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves fizeram um belo trabalho em XX Poemas”, arremata M. para me recomendar que eu vá caçar o volume dos XX Poemas. Hei de fazê-lo em breve.

Emily Dickinson, poema falado (1)

Por muito tempo tenho publicado os poemas de Emily Dickinson neste blog com a tradução de dona Aíla de Oliveira Gomes.
Hoje, começo uma experiência nova: poema falado. Com os recursos de gravação atual e o apoio de minha produtora (Helen Queiroz), eis o primeiro exercício. Espero que gostem.
Prometi o texto lido em inglês, para poupá-los do meu inglês macarrônico (ou franglais!), mas o LibriVox me traiu, não apresentando nenhuma leitura do dito poema. A Beleza.
Vejam a minha leitura e o texto original abaixo.
http://youtu.be/csOhEztLZO0

Beauty – be not caused – It is A beleza não se faz – ela é.
Chase it, and it ceases Você a caça, ela cessa
Chase it not, and it abides – Se desiste, ela persiste.
Overtake the Creases Tente imitar as estrias
In the meadow – when the Wind No capinzal, quando o vento
Runs his fingers thro’it – Corre-lhe os dedos por dentro –
Deity will see to it Algum deus vai estar atento
That you never do it – Para frustrar o seu intento.

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Fonte: “Emily Dickinson uma Centena de Poemas”. Tradução, introdução e notas de Aíla de Oliveira Gomes. T.A.Queiroz/USP. S.Paulo, 1984, pág. 78/79.

Sábado é dia de jazz…with Emily Dickinson

My dear friends, deste poema não tenho tradução.
E Que os machistas me perdoem, mas que não gostaria de ouvir tais palavras da boca (ou pena) de sua amada? (acho que só a Associação dos Machões Mineiros, sic!!)

emily-dickinson-photo1

WILD nights, Wild nights!
Were I with thee,
Wild nights should be
Our luxury!

Futile the winds
To a heart in port –
Done with the compass,
Done with the chart.

Rowing in Eden!
Ah! the sea!
Might I but moor
To-night in thee!

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Fonte: DICKINSON, Emily “On Love”, Barnes & Noble Books, NY, 1993, pág. 30