Caderno de rascunhos poéticos (2)

Mexicanas (1)
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Deito-me com a água
Ela me envolve e acaricia
Feito nuvem à montanha –
pelagem de lhama
em cordilheira.

Deito-me com a água
Ela me exalta –
dedo de um deus
Na corredeira:
Sábio riacho.

Deito-me com a água
Como quem vai renascer:
Ela me dessedenta –
Fresco pote de barro
Na tarde do sertão.

Deito-me com a água
Ela tão doce;
Ela tão clara…

Cheio de sonhos e clareiras
Na mata: meu coração.
Deito-me com a água
em divórcio-aquário
à amada não causo
ciúme nem paixão…

Deito-me em seu ventre
Nasciturno e dependente
Um Jonas penitente –
à espera de voltar à praia e à missão:
escavar o mineral do verso em terra.

Deito-me com a água
epifania –
ressurreição.
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Cancún, 02/05/16.

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