Fluminense, campeão Brasileiro 2010. Ou: quem espera sempre alcança!


Como se sabe, o Fluminense se sagrou Campeão do Brasileirão 2010. A crônica esportiva se ocupou de noticiar tudo que pudesse ser relevante do ponto de vista do ludopédio. Eu que me ocupo de artes outras, não esqueço minha paixão pelo futebol, mesmo que esta, certas vezes, seja confundida com ausência de sensibilidade poética ou literária – o que, de resto, é  um erro de conclusão por parte de alguns intelectuais.

Sem ânimo para escrever um novo texto (um tijolaço reflexivo em que citaria as afecções da alma popular, com apoio de Michel De Montaigne), curto a paixão e a alegria de torcer pelo time Campeão.  E eis que optei por linkar um texto de 2008, que por seu turno, citava outro de 2002.

Tudo vale pela alegria tricolor que explodiu com certa contenção nas arquibancadas do Engenhão, com o primeiro título brasileiro de um time de futebol naquela arena, como quem dissesse, lembrando-se do hino do Flu: “quem espera sempre alcança”, mesmo que canse…

Já disse em escritos antigos que, cansado de viver só de memória, sonhava com um novo título. Isso está registrado aqui.
“Ontem o Fluminense nos fez de novo sonhar, sem ter vergonha do ridículo. E dá até para repetir à exaustão o velho tricolor (Nélson Rodrigues), quando se viam as bandeiras e os panos tremulando com nossas cores (no pendão tricolor), somadas à da cor laranja que tanto apaixona os jovens torcedores – e que lembra o bairro de origem do esquadrão – , decorando a arquibancada do maior do mundo, e provando a tese de Rodrigues:
“A torcida do Fluminense é a mais doce, a mais iluminada de todas as torcidas do Brasil e do mundo!”.

Sobre uma foto feita no Maracanã e inspirado em texto do maior tricolor de todos os tempos – Nélson Rodrigues -, ousei  concluir que “a torcida do Fluminense é a que tem maior senso estético quando se distribui na arena do espetáculo qual um óleo de Paul Klee…”

Neste domingo passado, sonhava com um título e sofria como um torcedor comum, juntando-me à angústia dos que roiam as unhas no Engenhão. Minha razão apelava o bem presente que, é fato, demorou se realizar, mas chegou na boa dose, mas meus sentimentos eram desordenados e nada sutis. Eu via o jogo sozinho em casa, mas é como se acompanhasse os milhares que eram retratados na TV. Havia uma ansiedade que nos rondava a todos, como um sentimento antigo. E não havendo com quem partilhasse a angústia, pensava e me tornava menos propenso às afecções da alma. Sofria tanto ou mais que os que foram ao estádio. Fizemos um péssimo primeiro tempo. Precisávamos nos recuperar. O que esperava era o milagre de um gol, contra um clube já rebaixado e que tentava ser protagonista daquele ato final do campeonato de 2010.

Eis que vem uma bola daquelas matreiras, passa por todos, a todos engana, menos a um moço (Emerson) que acha um espaço para onde jogar a bola e marcar o gol do título. Substituído, Emerson – nome de excelente pensador norte-americano, reflete bem e dispensa o título de herói do título. “Herói são todos aí…”, minimiza o feito. Conca, o argentino mais carioca entre os tricolores, também sai calado, como fez nos 38 jogos do longo campeonato brasileiro. Campeonato que exige muito mais viagens e esforços do que se jogasse em sua terra natal – a Argentina.
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A atual máquina tricolor tem menos charme do que o relatado por Nelson Motta em sua “Breve e gloriosa história de uma máquina de jogar bola”, não tem “o medonho troféu do torneio de Paris” (ganho na década de 70), mas tem a união e a contida emoção de moços como Emerson e Conca, a disciplina tática do humilde Gum, ao lado do talento de outros tantos jovens que se tornaram ‘guerreiros’ na arena do futebol. Desde a recuperação do direito de jogar na série A do campeonato brasileiro (na batalha contra o Coritiba, em 2009), esse time fez por merecer ser o Campeão de 2010. E por ficar à altura de sua grande história. História que queria o fanático Nélson (o Rodrigues) fosse ‘eterna’… Sonhe o homem, ouse o cartola, adoeça o torcedor, a verdade deste ano é que o título veio, 26 anos depois, sem que nenhum cansaço de esperá-lo (ou mantê-lo) se esboce.

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Titulares e reservas com cartolas e auxiliares técnicos na foto posada do título 2010.

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