Nem sempre a voz que aqui se expressa é a minha.
Hoje, mais do que nunca desde 2003, recebo cobranças do tipo:
– Hey, por que você não expressa suas idéias no blog ?
[É como compreendo, porque o jeito que dizem é outro, mais intimista, do tipo: “deixa de ser preguiçoso e escreve! Olha, o César!”
Ao texto o que é do César, que é um gênio! Etc. e tal – respondo evasivo]
Mas nem sempre cedo (nem tarde) ao texto que seria meu.
Há muitos bons textos prontos no mundo. É só saber escolhê-los.
JGM já dizia: “duas ou três idéias originais, não mais…”
Eu sou o que Pessoa com toda licença poética diria como o médio em tudo, portanto, dou-me ao direito de ficar em silêncio, transcrevendo bons textos.
Convenhamos, é de um conforto enorme transcrever: menos para os dedos cansados, ao cair da noite, pois digitar dá muito trabalho.
Abro um livro qualquer de meus autores prediletos e lá está o texto.
– Pra que reinventá-lo, penso?
Eu me faço as mesmas e antigas perguntas, como GB:
– “Mon pays vaut-il la peine d´être sauvé? A quoi bon?“
A quem serve denunciar que o país em que vivo, o país que amo é lugar de enormes atrocidades? A quem serve, pra que serve uma tribuna sem ouvintes? O sujeito que está no topo alimenta toda a sorte de ação que não incentiva a pensar em salvar o país e sim em destruí-lo, a começar pela língua. A começar pelo comportamento. Eu próprio, começo a achar normal que as pessoas passem o feriado destruindo um campo de árvores, uma plantação de eucaliptos (embora estes sejam ´brotos` ou bebês, como os que são incentivados a ser natimortos, pelo próprio ministro da Saúde). Quem destrói embriões de humanos, a quoi ça sert des plantes? A quoi bon?
Os moços se matam em acrobacias de bikes… as meninas que são incentivadas a se mostrarem antes da hora de sua floração e são defloradas). A quoi bon?
Não há orgulho em ser brasileiro: só trabalho e muita ´pena`, muita pena de ser o que somos. E, no entanto, não deixo de ver que sorrimos como massa nos estádios, nos orgulhamos de 4 em 4 anos, sem que tenhamos certeza da vitória. Temos alegria de nunca estarmos tristes e de mantermos o maior circo carnavalesco do mundo. Nós, os brasileiros…
Os alemães têm sua floresta, os franceses, seus vinhos; massa e poder para cada um em suas imagens do que são. Da imagem do que são. Nós: o estádio. A massa amorfa. Os que sobem e descem. Eu, que amo tanto o futebol, cada vez mais desprezo o movimento das massas no estádio: essa nossa aparente imagem do que somos (ou do que fomos!).
Nós ainda temos nossos rios, onde a coacla da indústria despeja incólume seus dejetos. Onde uma criança pode urinar, mas não aprender a nadar.
Nós, os brasileiros. Eu no meio. Infeliz com o que nos ensinam. Infeliz com o que nos cobram todo dia (1/4 da pizza, 1/4 do vinho, grande quinhão do entusiasmo ou desânimo que dividimos com os amigos ao cair da tarde).
O dono do blog não tem ânimo de responder com sua voz, mas popula seu espaço com respostas que são vozes audiveis: De dúvidas.
De amor contra o desespero. De ânimo e força para não desistir.
De visão antecipatória. De poesia…e sobretudo de Esperança.
O dono do blog continua acreditando nas 2 legendas que o movem há alguns anos: “Fé: 24 horas de dúvida, menos 1 minuto de Esperança” (que poderia ter sido a frase de São Dimas). E a atual: “Nossa felicidade interior não nos pertence mais do que a obra que ela motiva”
(G. Bernanos).
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