Quinta-Feira Santa


Le Christ et Cybele (F.Mauriac)

“Triste Jeudi-Saint dans les montagnes: des ténèbres couvrent toute la terre et le ciel semble voilé de boue. Les torrents ne sont plus qu’une écume blanchâtre, une triste salive. C’était un vrai troupeau, ce matin, qui piétinait dans l’église du village. Tous les petits garçons mis à part dans le choeur, comme les agneaux entre des claies, se battaient, se heurtaient du front, sans qu’on leur dise rien. Le curé hurlait sur un mode inconnu l’épitre et l’évangile.

“Mais la dérision de toute liturgie, tant de laideur et de misère donnaient plus de prix à la tendresse de ce peuple lorsque le Saint-Sacrement fut d’eposé dans le tombeau. En dépit de ce qui aurait dû faire rire, la présence réelle du Christ nous fut attesté avec une puissance inconnue. Ce n’est plus ici la voix des bénédictines qui précipite les battements de notre couer; il n’y a plus ici que Vous et que l’amour de ces brebis piétinantes et que l’innocence de ces petits enfants qui rient et se bouscoulent devant votre face.

“Le Christ n’a pas seulement vaincu la mort, il a vaincu la solitude humaine. En vain accuserez-vous la croix d’avoir enténébré la vie, l’Église vous répond, avec une joie mêlée de larmes, le jour du Vendredi-Saint:

Ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo…” (*)

“Ce soir du Vendredi-Saint, dans la montagne, les nuages floconneux se défirent, découvrant l’azur. Le Chemin de la Croix nous avait attendris et nous montions vers les sapins enchantés. Les animaux flairaient, autour des chaumières muettes, le mystère de la sainte nuit. Etouffés par la distance, des chants d’oiseaux venaient de ce bois éloigné, comme d’un autre monde. Les lambeaux de neige sur la terre étaient le linceul déchiré du Seigneur. Cybèle sentait son corps pénétré par les racines d’un Arbre inconnue, couvert de sang.

(François Mauriac – “Souffrance et Bonheur du chrétien“, pp. 179-182, citado por Eva Kushner, em Mauriac, edit. Desclée De Brouwer, 1972, pág. 140-1).

—-
“Triste Quinta-Feira Santa nas montanhas: as trevas cobrem toda a terra e o céu parece coberto de lama. As chuvas não são nada além da espuma branca, uma saliva triste. Era uma espécie de rebanho que hoje cedo batia os cascos, entrando na igreja do vilarejo.

“Todos aqueles meninos separados, no coro, como se fossem ovelhas no meio da sebe brigavam e discutiam sem que ninguém os corrigisse. O pároco gritava estranhamente a epístola e o evangelho. Mas o que poderia parecer o escárnio de toda a liturgia – tanta sujeira e miséria, trouxe ainda mais valor à ternura desse povo quando o Santíssimo Sacramento foi colocado no seu lugar. Apesar de tudo que provocava riso, a presença real do Cristo ficou provada com um imenso poder. Não é por causa do som que vem dos cantos beneditinos que nosso coração bate mais forte. Não há nada além de Vós, Senhor, e o Amor a essas ovelhas barulhentas e à inocência dessas crianças que sorriem e se agitam diante de Vossa Face.

“O Cristo não venceu apenas a Morte, Ele venceu também a solidão humana. Em vão acusam a Cruz de fazer sombra à vida. A Igreja nos responde, com uma alegria cheia de lágrimas, na Quinta-feira Santa:
Ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo…“(*)

“Na noite da Sexta-Feira Santa, na montanha, as nuvens em flocos se desfazem, deixando lugar ao azul. A Via Sacra nos esperou e nos levou até os pinheiros encantados. Os animais farejam (pressentem), em volta das palhoças silenciosas, no mistério da Noite Sagrada. Abafados pela distância, ouvíamos o canto dos pássaros do bosque distante, vindos de outro mundo. Os flocos de neve sobre a terra eram como o sudário rasgado do Senhor. Cybèle sentiu seu corpo penetrado pelas raízes de uma Árvore desconhecida, coberta de sangue”.

(François Mauriac – “Sofrimento e Felicidade do Cristão”, pp. 179-182).
Assim traduzi – com erros e sem citar o contexto, mas como exercício nesta 6ª-feira Santa, 21-03-2008, peço aos amigo(a)s francófono(a)s: s.v.p. corrigez mes fautes!

(*)Adoração da Santa Cruz, Liturgia da Sexta-Feira Santa:Crucem tuam adoramus, Domine, et sanctam ressurrectionem tuam laudamus et glorificamus: ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo” : adoramos, Senhor, a tua Cruz, e louvamos e glorificamos a tua santa ressurreição: por causa do lenho da Cruz vem a todo o mundo o gozo (Antífona1ª para ser cantada enquanto se adora a Santa Cruz).

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