Projeto Poesia Falada*Nova Fase

Rudyard Kipling – Projeto em nova fase.  Poesia Falada. “projeto “Os 100 mais belos poemas populares do mundo”- Edição de áudio de Roberval Silva. Produção: Paulo Rolim.

Joseph Rudyard Kipling foi um autor e poeta britânico, conhecido por seus livros “The Jungle Book”, “The Second Jungle Book”, “Just So Stories”, e “Puck of Pook’s Hill”; sua novela, “Kim”; seus poemas, …Wikipédia
Nascimento: 30 de dezembro de 1865, Bombaim, Índia
Falecimento: 18 de janeiro de 1936, Londres, Reino Unido

PoetaRudyardKipling
SE…(If) 

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling

 

Narrativas (I)

JÁ PERDI muito dos meus medos na vida. Comecei com o de escuro. Esse não é fácil porque sei de muita gente que é até mais velho que eu e ainda tem. Tem gente com medo de fantasmas. De verdade, não o das revistinhas da banca do tio Cláudio.

Na casa dele, sempre aprendi coisas novas nas revistas em quadrinhos. O meu primo tinha tudo quanto é revista do Tarzan e eu duvido que alguém tenha desenhado melhor para revistinhas como o fizeram naquelas lá. O Onziberto tinha uma inveja danada de mim quando eu ia pra casa do tio Cláudio.

A viagem era meio extensa, mas valia a pena. Para não ficar com enjôo, eu ia na boléia do caminhão. Acho que foi daí que eu causei tanta inveja no meu primo. Éramos uma escadinha duns seis . Não sei porque ele destoou tanto de nome: era uma parelha boa eu e outro dos sete.

A gente andava muito junto, catando gabiroba, armando armadilha pra passarinho e até mesmo quando olhamos a Creuza tomando banho nua na cachoeira lá no Pirenópolis, a gente andava de parelha. Até pra pegar sarampo. Caxumba também foi junto. É o que lembro.
Foi quando subia de ônibus para Sobradinho que eu pensei:
A armadilha que me aprontaram para assustar foi o que me fez parar com esse medo de saltar; de viagem longa e de cachoeira.
A gente só ia e vinha – ia-e-envinha, de conforme Sêo Alcides – era de carroça; lombo de cavalo aprendi na Coivara, fazendinha do irmão da igreja de crente.
Agora o ônibus e o caminhão do meu tio vieram depois.
Naquele tempo, uma viagem de Anápolis a Pirenópolis levava uma boa horinha.
O Salto de Corumbá, esse já era bem mais perto. Ia rápido, ou então era eu que gostava mais do lugar para achar isso.
Deu-se, então, que eu tive que saltar de ponta do barranco, por conta duma aposta boba que eu tinha com o Nadim.
– Salta, nada – ele disse. Você é mole demais. E falou outras coisas que não é de boa conta ficar repetindo.
Por dentro, eu estava tremendo, mas o tempo favorecia. Rezei calado e fui andando rumo do barranco. Não falei nada de volta.
Pulei. Depois de ver outros fazendo, aprendi a mágica.
Foi um salto e tanto. Não demorei dentro d’água nem um minuto; eu acho que por conta de que era mês sem erre e toda a gente já sabia disso.
– O braço meu por debaixo do subaco ficou parecendo bife batido; e nas partes por dentro, então, menino, estavam que só um sumido…Fiquei todo engilhado, mas pulei.
Nunca mais deu de o Nadim ficar mangando de mim.
No convento de lá, de Pirenópolis, havia um buraco no muro, mas isto já é outra história.
Δ/ΔQ.

Para ler na Quaresma

Dreamstime3cruzes (2)  Por vezes penso em Ti
Ou: Tua dor assim sentida

Ao pensar no Teu Sacrifício
repito: não há suplício igual a
essa dor – símile, impingida.
HḠentanto, uma alegria
em tamanha dor sentida.

 

Mesmo o pagão, incréu,
reconhece a paga recebida.
Se as escamas dos olhos
caem; se do cavalo é descido.

Incompreensão é um lenço
embebido em vinagre, sabem:
os que o Cordeiro mutilaram.
Longe e calmo o Verbo ouvia.

O clamor na Cruz emitido.
O Filho de Deus a tudo tolera
para que ao fim o homem viva.

Morte e vida; céus rasgados
de alto a baixo feito seda.
O silêncio do sepulcro aberto
foi a coda de tal infâmia finda.

Ressuscitou! Disseram mulheres
e o mundo as seguiu, em páscoa –
Eia que imensa luz assumida!

Do cordeiro ao homem unindo, a
dor reata Deus e criatura decaída
Há na dor uma contrapartida:
Tu e Eu atados em fio de Vida.

****
Literatura Goyaz / Adalberto de Queiroz (org.). – Goiânia: Edit. Livres Pensadores, 2015, p.19.

Poemas de ocasião (i)

i.i    cidades (i)Anapolis Histórica

Eu me movo
Tu me moves –
It is a

meme 
           moves.


Caliope_MusadaPoesiaψ

i.ii   mulheres
           desejam
ser vistas…
helenas

– Desejo-as!
  por a+b: tenho visto
[contido, entanto!]
todas – em uma…

 

No mínimo…#26

A última palavra

p/r.n.s.

A última palavra a ser dita?
Dimas teria bem dito –
– “Para nós isto é justo…
Ante à cruz e sua desdita.

Das três cruzes fincadas Calvary-Francisco-Ribalta
No Gólgota, castigo havia
A um dos três não merecido.
Se receberam o que mereciam
Dois dos torturados; ao Outro
Mal nenhum se lhe atribuíram.

– Agora, somos só nós dois!
Teria dito Georges no portal,
no limiar inesperado das gentes.
– O que nos restará dizer à Tal?!
./.
25.2.2016.

No mínimo, dia #25

CINQUENT’ANOS

Autor – Adalberto de Queiroz

p/ u.e.

Agora que o grisalho
Impera e pouco temo
de volta de o malho
do oponente desatento
ao que me vai n’alma.

Aos cinquenta e tantos
pergunto-me: resta o quê?
– a quem fazer o bem,
que mal evitar? De que
modo nesta idade
eu, aquele que imaginara

Morto aos 25, trinta;
embora minha avó viva
até hoje na memória –
ter visto o mundo insano
até os noventa e tantos.

Você que me lê, metade
talvez tenha do tanto
dinossauro tempo vivido;
portanto, d’antes a morte
mostre as garras: escreva versos

Bons ou ruins tanto se me dá:
mas os publique ante que tarde.

Fonte: Cadernos de Sizenando, vol. II, em preparo.

No mínimo…#13

Exercício poético.

À moda de Bandeira_v2

Fonte:  Cadernosde Sizenando, vol. ii, em preparo, Fev-2016.

No mínimo…#10

Geografia II*Nasaprojectapolloarchive_nocredit

Havia a lua a conquistar: magno evento.
Mas a vida corria normal em solo firme
Ah, e os sustos: o estômago puro vento;
Eu silente, exausto, adormecia inerme.

Entanto, no cerrado havia muitas frutinhas.

E havia a revolução, e reuniões de oração.
Quando dormia no meio do Pai-Nosso.
Uma centena de orantes à espera de um milagre.

Então Seu Roque viajava para o Interior –
Com seu carrossel de slides e nossas fotos
Não havia quem não doasse alguma coisa:

– Um capado, um saco de arroz, bananas
Em cachos; voltava no fordinho velho
Mas bem fornido; tão feliz, e barbado.
& The United Brothers enviavam cartas.
Dentro dessas meu primeiro bookmark
E o desejo de conhecer o estrangeiro…

Na escola dominical, aprendi os 10 Mandamentos.
Ficava triste nas tardes de domingo; ainda agora.
Um gosto de mangaba e o dedão do pé doendo
Como quando chutava lobeiras em lugar de bolas.

O abrigo era o melho lugar do mundo limpo
O quintal; o milharal capinado; havia o Careta
Nosso cavalo; o Thinka – latindo para o Leão.
Éramos tão felizes quando banhados à espera
De vovó Cecília e seus doces de buritis…
Jesus, como era o teu nome chamado.
Até que o Filemon teve convulsão e tudo desabou
Sobre nossas cabeças como o Apocalipse de S. João.

Fim.

Anapolis Histórica

Primórdios da cidade de Anápolis.

./.
*Do livro “Cadernos de Sizenando, vol. II”, 2016 – no prelo.

No mínimo…#9

Cadernos de Sizenando – 2  (GEOGRAFIA) – Adalberto de Queiroz.

Geografia IGlobo antigo

Quando a Vila Jaiara era do mundo
O centro vital; se mais longe houvesse,
Lá chegara, aos saltos, de susto tomado
Em mim mesmo; silente rezava o missal.

Corria pelos campos – da savana, cerrado.

O medo do sistema heliocêntrico
Ainda não perdera: o medo de ser
Só. Eu vivia com meus irmãos e irmãs –

Éramos uma centena de bichinhos
Em torno de nossa mãe adotada,
A quem chamávamos de Senhora.

E em torno dela, tudo girava, girava…

Os grandes mandavam-nos, sorrateiros,
Andar pelo cerrado em busca de tudo:
Gabirobas, cajuzinhos, goiabas …
Na Vila Jaiara havia tanta coisa mais.
A casa de Helena; de deuses onde doces.
Que à caminhada tornava clara para nós.
Centro luminoso em que a ceia do Senhor.

Não havia São Paulo ou Rio de Janeiro –
No máximo: Belo Horizonte, Araxá
Povoavam nossos sonhos.
E talvez Ouro Preto e Divinópolis –
Onde Dora reinava…

– Goiânia, São Petersburgo e Tegucigalpa – só no Atlas.

Anápolis era outra estória: a cidade, o comércio longe demais…

Ali na Jaiara estava o centro de tudo
e no centro de tudo o amor:
Laíde Epifânia me nomeara “Maninho”.

Naquele tempo, na nossa vila, não passava um rio.
Mas havia a fábrica de tecidos, onde Jorge –
Noivo de minha irmã – tecia a união e afeto
E me ensinava a andar de bicicleta.

Do Vietnã,  só soube no ginásio.
Ψ.Ψ.Ψ.Ψ
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Fonte: Cadernos de Sizenando, vol. II, 2016 (no prelo).
Do mesmo autor, leia mais.

 

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Poesia Falada continua. Abram alas (e ouvidos) a Alberto Da Costa e Silva

Poemas de Alberto Da Costa e Silva.
Link para Academia Brasileira de Letras. consultado em 29-Jun-2015.