“Destarte” estreia em Opção Cultural

Olhar de Bernanos

Um dos propósitos de 2017 – produtividade em torno dos escritos sobre Arte, literatura e idéias (assim mesmo, pré-Acordo ortográfico), realizado com a generosidade do editor geral do Jornal Opção, o amigo Euler de França Belém — de Goiânia (GO).

Leiam e divulguem em seus círculos de amigos.
Clique na figura abaixo para continuar lendo a coluna.

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A esperança se esvai ?

Olhar de Bernanos

Eis-nos no 17º. ano do século XXI — que começa triunfalmente confuso e brutal…Parece que o 17º. ano deste século mau quer superar, em estupidez e barbárie, a seu antecessor.

— os acontecimentos indicam que sim: a esperança se esvai, mas resta-nos a Esperança!

E se grafei aí acima o substantivo com letra minúscula é que há uma quase certeza que esta nada tem a ver com aquela Esperança de que nos fala o Cristianismo.
Relembro aqui de alguns mestres da nossa tradição católica:
No ponto zero: Ernest Hello:

Digo-vos: há na vida do homem e na vida da humanidade momentos em que a razão perturba-se…Nesses momentos, de conturbada razão e em que muito sangue é derramado, é ainda mais apropriado e necessário que voltemos nossos olhos para a esperança e desta à mãe de toda esperança – a Esperança com E maiúsculo: Cristo.

  1. Charles Péguy – a filhinha frágil – “petite espérance

“Ce qui m’étonne, dit Dieu, c’est l’espérance. Et je n’en reviens pas.
(…)
“L’Espérance est une petite fille de rien du tout.
Qui est venue au monde un jour de décembre de l’année dernière.
Qui joue encore avec le bonhomme Janvier.
C’est cette petite fille pourtant qui traversera les mondes.
Cette petite fille de rien du tout.
Elle seule, portant les autres, traversera les mondes révolus.

2. Léon Bloy:

Mais quoi! c’est un atome d’espérance pour contrapeser um mont de terreurs!

3. Antônio Carlos Villaça, lembrando Jacques e Raïssa Maritain, em carta a Urbano Medeiros, 1989.:

“A grande dimensão que caracteriza o homem é o futuro. A nossa dimensão verdadeira é o futuro. E, assim, somos seres da Esperança. A espera se faz Esperança. E tudo é futuro, em nós…”

4. Georges Bernanos:

Fé: 24 horas de dúvida, menos um minuto de esperança.

Meus posts mais lidos em 2016

Leitores amigos de Leveza & Esperança:

Olá! As veredas da leitura e da reflexão. É o que posso dizer sobre meu persistente trabalho aqui no blog. Um exercício pessoal que vai ganhando adeptos, sem nunca ceder à mesmice e ao mainstream editorial – estou mais interessado naqueles “talvez uns dois em mil” leitores de que nos fala o poema de  Wislawa SZYMBORSKA
(1923-2012).

Alguns gostam de poesia

Alguns –

ou seja nem todos.

Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.

Sim, dois em mil. Não milhões, tampouco half a million –  como parece imperar nos sites e portais atuais aqui você e eu (dois em mil) podemos nos deleitar com temas que não passam na web massiva; notadamente temas como Literatura e Fé, catolicismo, poesia e crítica literária. Essas reflexões sobre leituras ganharam este ano uma nova série de posts, intitulada “Queres ler o quê?” 

Eis-nos diante de mais um ano que chega, com aquela tendência natural ao ser humano racional e minimamente organizado: fazer um balanço do ano que se vai…

Nas estatísticas de 2016, eis os 5 posts mais lidos:

  1. Queres ler o quê (IV).

    BALZAC

    Se disser sim a Honoré de Balzac, terá o leitor uma miríade de informações a seu dispor – entre romances, originais e em tradução ao português, bem como uma das mais ricas fortunas críticas. Siga lendo…

  2. A Prece, Emily Dickinson.

    PRAYER is ……
    Pintura_Sassoferrato-The-Virgin-in-Prayer MilleChristi

    Prayer is the little implement…continue lendo!

  3. José J. Veiga – a ilha dos gatos pingados.

    Um conto excepcional, lido por mim… confira neste link.

  4. Especial Georges Bernanos

    DAQUI, você pode ir direto aos posts dedicados a Georges Bernanos, o mais brasileiro dos autores franceses. Confira no link.

    Capas Novos Livros Bernanos
  5. Livros – a lista 2015.

    Confira no link.

  6. Observação final.

    Espero que você, leitor especial do blog – dois deles especialíssimos (Eliana Pessoa e Nelson L. Castro) que sempre vêem, lêem e nem sempre comentam – tenha um bom 2017.

    Que a leitura seja sua, minha, nossa companheira, nosso alimento e nossa reserva de isolamento do mundo que se encontra em atoleiros cultural e moral inaceitáveis.
    Dois dos novíssimos escritores apreciados numa nova série de posts também tiveram enorme repercussão aqui e no Facebook. Autores do século XXI – uma fortuna crítica para os que (ainda) não são escritores famosos!
    6.1 – Karleno Bocarro – que apreciei neste post (ver link).
    karleno-bocarro_perfil
    6.2 – Rodrigo Duarte Garcia – neste aqui.
    O artigo completo está nos arquivos de Opção Cultural.
    os-invernos-da-ilha
    Em 2017, espero continuar trazendo até, você leitor, minhas avaliações de leituras, reflexões poéticas e culturais sobre o que vai publicando, aquilo que considero o melhor, sem influências outras que as dos irmãos de Fé e da tradição Católica. Espero continuar respondendo à pergunta:  “Queres ler o quê?
    Au revoir. Merci!
    Ω.Ω.Ω.Ω.Ω

Entrevista de Jean-Loup Bernanos sobre a temporada de Bernanos no Brasil


Entrevista de Jean-Loup Bernanos, filho do escritor católico francês Georges Bernanos que viveu no Brasil. Emocionante documento audiovisual da presença de Bernanos no Brasil.
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(c) Ina.fr http://boutique.ina.fr/notice/voir/id_notice/CPF10005782

COLLECTION

Le Fond et la forme

PRODUCTION

producteur ou co-producteur:

Office national de radiodiffusion télévision française

GÉNÉRIQUE

réalisateur :

Massot, Claude

producteur :

Bourin, André / Boisdeffre, Pierre de

participant :

Bernanos, Jean Loup

présentateur :

Bourin, André

Post ligeiros (3) – Georges Bernanos

Georges Bernanos no opúsculo “JOANA, Relapsa e Santa” mostra como o processo da Igreja contra Joana D’Arc “pura e simplesmente foi o da condenação de uma santa”.

Leia Mais...

Ainda "Sob o Sol do Exílio" (II) : lições e correlações

NÃO SERVISSE O LIVRO DE SÉBASTIEN LAPAQUE para nada, já seria de enorme utilidade – como uma espécie de tapa-na-cara! –

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Este blogueiro com o livro de Lapaque no original da Ed. Grasset, Paris, 2003.
utilidade ESTa DE alertar nossa intelectualidade sobre a importância dos escritores católicos franceses na inteligência do Brasil das décadas de 30 a 60 do século XX (esquecidos, como tantos outros, pela mídia).

CREIO ser o livro em epígrafe da maior importância por relembrar a grande mídia (e aos bem-pensantes do Brasil) que um dos mais importantes escritores católicos da França (e do mundo!) escreveu parte de sua literatura de combate e alguma ficção em Pirapora (onde pôs ponto final a um de seus mais importantes romances “Monsieur Ouine” – ver o 1o. post sobre o livro Sob o Sol do Exílio), Belo Horizonte ou Barbacena.

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Capa da edição brasileira de “Sob o Sol do Exílio“, de Sébastien Lapaque, trad. de Pablo Simpson.

Relevante, pois, o papel que Bernanos e outros imigrantes da intelectualidade francesa tiveram para o Brasil na Academia e, principalmente (do meu ponto de vista, anti-acadêmico por natureza!), fora do ambiente universitário; pois bem, considerando tudo isso, o livro de Sébastien Lapaque presta um grande serviço ao leitor apaixonado pela literatura de Bernanos e interessado nas formas de resistência da inteligência rebelde – as emissões de rádio enviadas a BBC; os artigos para “La Marseillaise” (Londres e Alger) – órgão da Resistência Francesa; as afinidades eletivas de Bernanos e a admiração crítica (em alguns casos, muito crítica como a de Carpeaux); fraterna e apaixonada – como a Virgílio de Mello Franco e de Geraldo França de Lima); cristã e quase discipular – como a de Alceu Amoroso Lima.

Georges Bernanos
Bernanos em foto de divulgação da Editora Plon.

Este livro de S. Lapaque, ora lançado pela É Realizações, ganha relevo maior por ser uma espécie de tapa na cara de nossa intelectualidade que, depois do livro de Humberto Sarrazin (obra da Vozes, 1968, e nunca reeditada!) relegou Bernanos a um silêncio sepulcral na Academia, sem jamais voltar a se debruçar sobre essa riqueza chamada Bernanos no Brasil. O grande urso em Barbacena precisou de um escritor francês que cruzasse o Atlântico para levantar-lhe do túmulo a que fora condenado pelos bem-pensantes de nossas Academias, e nos mostrasse o ouro que deixamos escondido em uma pequena cidade de Minas Gerais e em arquivos esparsos pelo país, fora a quase espartana casa pequenina da Cruz da Almas a que a memória dele dedicamos como mini-museu (e vez por outro abandonado, ao longo desses mais de 60 anos).

Casa de G.Bernanos em Barbacena, hoje transformada em Museu Bernanos.
A humilde casa de G. Bernanos em Barbacena, hoje transformada em Museu Bernanos.

A história da inteligência no Brasil tem curtíssima memória – eis ao quê mais serve demonstrado na didática publicação de Lapaque – e a quem ficamos devedores para sempre…

Bernanos no Brasil
Capa de “Bernanos no Brasil”, organizado por Humbert Sarrazin e nunca reeditado pela Vozes (original de 1968).
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Originais de Bernanos, retirados da obra de Daniel Perezil, Cahiers de Monsieur Ouine.

Opesquisador da obra de Bernanos há-de se debruçar nos volumes antigos da Biblioteca Nacional para recuperar-lhe os artigos que duas vezes por semana
(diz-nos Lapaque na p.120 de “Sob o Sol…” edição francesa da Grasset) publicou o escritor francês, assim anunciado em “O Diário”, no dia 21 de maio de 1940 como “UN ANCIEN COMBATANT s’exprime sur l’offensive allemande” (Um ex-combatente [da I Guerra Mundial] fala sobre a ofensiva alemã n’O Diário):

Bernanos em foco com Lapaque (2003) e Sarrazin (1968) - a figura do mais brasileiro dos escritores católicos franceses ganha novas leituras
Bernanos em foco com Lapaque (2003) e Sarrazin (1968) – a figura do mais brasileiro dos escritores católicos franceses ganha novas leituras

L’écrivain français Georges Bernanos est à nouveau à Belo Horizonte, ayant pour destination Pirapora, où il réside, et d’où il reviendra peut-être bientôt, pour habiter une propriété rurale proche de Belo Horizonte
(O escritor francês G.Bernanos está novamente em BH, em direção a Pirapora, onde reside e de onde deverá retornar em breve, para morar em uma propriedade rural perto de BH).

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A casinha pequenina de Cruz das Almas guarda o que restou da memória de Bernanos no Brasil. Um pequeno recanto onde o escritor francês sonhou reproduzir um pedacinho da França no Brasil. Na sequência, um presente aos amantes da obra do “Grande Urso”, páginas esparsas de “Cahiers de M. Ouine”, de D.Pérezil

IMG_9151 IMG_9150Reproduzo aqui um texto retirado do site da Academia Brasileira de Letras sobre a amizade de Virgílio e Afonso Arinos com o escritor GB na visão de Afonso Arinos Filho.

******Clique sobre o texto em destaque para acessar o arquivo em PDF: Bernanos_Virgilio_AfonsoArinos

Sobre “Monsieur Ouine”, de Georges Bernanos : Lapaque, Asensio & Cadernos de JLK…be

ENQUANTO me preparo para escrever uma resenha do livro “Sob o Sol do Exílio¨ de S. LAPAQUE, vou lendo e relendo aqui e ali sobre G. Bernanos.
Boas surpresas ao leitor na 1a. ou enésima leitura…

O livro de Sébastien Lapaque, recém-lançado pela É Realizações, em português, eu o tenho lido em francês, na edição da Grasset, recebido em 2009 como presente de correspondentes en France (Merci à Marion & Sylvain).

Muito interessante a parte em que Lapaque trata de “Monsieur Ouine” (p.105 a 118 da edição francesa). As referências de Lapaque são consistentes e contribuem com a compreensão da obra bernanosiana, levando o leitor a buscar mais informações sobre a gestação do romance (confusão nas primeiras edições, má-recepção pela Crítica, recuperação diante do público e, finalmente, a paixão como romance de experiência e de afirmação da voz final do romancista).

“Ouine” – literalmente “Sim-Não” (Oui, Ne [pas]) foi originalmente intitulado “La Paroisse Morte” (A Paróquia morta), título que GB trocou num período que vai da primavera de 1936 (quando iniciou a escrita) até maio de 1940, quando o escritor envia (de Barbacena) a Maurice Bourdel, seu editor em Paris o Capítulo XIX do que ele próprio intitulara como o livro que representa(ria) seu “maior esforço como romancista“.

E foi em Minas Gerais que Bernanos colocou o ponto final no que Lapaque chama do livro que contém a “teologia bernanosiana da noite“. Outros tinteiros já se tinham esvaziado com as tintas negras mas não da parte de um católico. Seus irmãos da noite – como quer Lapaque (ou das tinta noturna – frères d’encre) agnósticos (ou ateus) saudaram Monsieur Ouine com entusiasmo de leitores que se identificaram com o livro – Céline, Simenon e A. Artaud.
Este último teria dito:

“Je ne sais pas si je suis pour vous un réprouvé, mais en tout cas, vous êtes pour moi un frère en désolante lucidité.”
(Antonin Artaud)

No livro “Cadernos de Monsieur Ouine” (Edit. Seuil), LesCahiersdeMonsieurOuinePezerildo Monsenhor Daniel Pézeril, Lapaque diz que o leitor tem a oportunidade de viver uma experiência interessante: como que lançar um olhar, espiando sobre o ombro do escritor em pleno interior das Minas Gerais (Pirapora ou Barbacena – fiquei em dúvida – checar onde estava GB em 1943/46?!), onde num caderno colegial barato, com a bandeira brasileira na capa, sob a divisa do “Ordem e Progresso”, o nosso francês errante colocava palavra-a-palavra, avançava linha-a-linha num esforço de meia-página por dia no que para o escritor seria seu maior esforço e seu mais trabalhoso romance à la (Georges) Simenon.

O que lhe sai ao final o mais Bernanos de sua ficção. Onde a voz de Bernanos mais se faz sentir, faz-se ouvida, não obstante a primeira reação negativa.

Capa de Monsieur-Ouine-Edit.Plon
Capa da edição incompleta (sem o 19o. cap.) do romance Monsieur Ouine, Plon, 1946. A 1a. edição da Ed. Atlântica (Rio, 1943) quase condenou o romance ao desprezo dos leitores e da crítica por ter sido publicada incompleta, cheia de lacunas e gralhas… Somente em 1951, graças a Albert Béguin, editor-amigo de GB, o romance ganhou sua versão definitiva e que ainda encanta leitores e críticos.

Sobre G Bernanos : no blog Carnets de JLK. ref. a Juan Asensio.

Leia trechos do livro de Sébastien Lapaque, no site da É Realizações.

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Fonte principal – LAPAQUE, Sébastien. Sous Le Soleil de L’Exil : Georges Bernanos au Brésil 1938-1945. Paris, Bernard Grasset, 2003, 227 pp. Outras fontes cit. por links ou figuras. Todos os direitos reservados (c) Grasset, Plon, JLK, Asensio, Lapaque.

Aos amantes do Francês Errante, deixo este recorte...de 1970.
Aos amantes do Francês Errante, deixo este recorte…de 1970.
Um livro importante para o sr. Edson e equipe É Real. publicar... Tenho-o traduzido em parte, viu!?
Um livro importante para o sr. Edson e equipe É Real. publicar… Tenho-o traduzido em parte, viu!?

Meu amigo-virtual (um irmão bernanosiano, mais preparado e mais lido), o polemista Juan Asensio escreveu e JLK transcreveu e comentou o que chama de “salamalec” à Asensio… Preguiça de traduzir por ora… quem sabe mais tarde, ao longo do feriadão?!
“Il faut lire et relire Monsieur Ouineaujourd’hui, comme on lira bientôt La Route de Cormac McCarthy, sans se demander si nos contemporains sont encore « dignes » de ce livre et qui le comprendra. Juan Asensio insiste sur l’ « apophatisme bernanosien » comme si le roman ressortissait essentiellement à une théologie négative, sans souligner assez, me semble-t-il, l’affirmation christique secrète et traversante de ce livre, qui recrache le tiède pour mieux figurer les avatars inattendus voire infinitésimaux de l’Amour. Monsieur Ouine, dans l’interprétation d’un René Girard, pourrait être dit le roman de la médiation interne portée à son point extrême, comme il en va des romans de Dostoïevski. Comme celui-ci, mais par une voie plus droite, Bernanos dépasse la tentation du désespoir et mime la sortie du cercle vicieux, comme « par défaut ». L’esprit d’enfance, au sens évangélique, irradie le tréfonds de ce livre glauque et même sale, alors même que cette souillure apparente échappe à la damnation réelle du froid et du non-être – ce que Juan Asensio décrit justement : « Le Mal c’est le froid, le Mal c’est le néant, le Mal n’est rien d’autre, finalement, que l’ennui, ce dernier parvenu à son plus idoine état de desséchement »…” (Do blog http://carnetsdejlk.hautetfort.com/bernanos/).
Juan Asensio. La littérature à contre-nuit. Sulliver, 2007.

Jorge de Lima e sua “Ode ao Coxo Veloz” ou: Bernanos, uma vigília inumerável…

“NO MOMENTO EM QUE IA ESCREVER SOBRE TI, BERNANOS, FUI IMPELIDO POR SECRETA FORÇA ÍNTIMA A ESCREVER-TE…”

Jorge de Lima_Foto RetocadaAssim o poeta Jorge de Lima inicia sua ODE AO COXO VELOZ*. Agora que o mundo relembra o Centenário da I Guerra Mundial, jornais lembram o Diário de Bernanos, com o seu estilo inconfundível e sua cólera e amargura derramadas contra “os poderosos do mundo” nem sempre dispostos a manter a Paz, quebrando pactos e nos afundando em outros conflitos – como foi o caso da II Guerra e de tantos outros conflitos ao redor do mundo. Depois de seu testemunho em prol dos “Rapazes Franceses” e de todo o mundo que são as primeiras vítimas dos campos de batalha, nada pode ser igual e o elogio da coragem nunca é demasiado…

A Ode ao Coxo Veloz abre o livro de Hubert Sarrazin “Bernanos no Brasil”, Testemunhos vividos de grandes escritores brasileiros, reunidos e apresentados por H. Sarrazin. O propósito do livro é reunir depoimentos de “vozes brasileiras que poderiam fazer-se ouvir sobre o homem que foi seu [do Brasil] hóspede de 1938-1945…” – diz a editora na ‘orelha’ do livro citado – a mesma época dos Diários agora revividos em França. Com uma memória enfraquecida por décadas de ideologia nas universidades, cátedras, círculos literários e academias, o país pode perder a memória deste hóspede ilustre e iconoclasta – o “grande Urso”, Le Grand Georges – o escritor para quem não ha descanso – pois sempre lutou; o que não teve ideologias que o calasse: Bernanos que foi um grande Cristão, o Escritor-Católico entre os católicos; o Escritor Francês entre os franco-“Brasileiros” (o adjetivo pátrio aqui desejado por este blogueiro e pelo próprio Bernanos que diversas vezes manifestou-se cidadão do mundo, mas amante incondicional do Brasil…).

Pela manutenção da memória de hóspede tão ilustre das terras de França no Brasil, mantenho uma página dedicada a Bernanos.


Continuemos com a Ode (de J.L.)…  Leia mais

Ainda e sempre, Bernanos

“- Para mim, a obra de um artista não é nunca a soma de suas decepções, sofrimentos e dúvidas, do mal e do bem de toda sua vida, mas de sua vida ela própria, transfigurada, iluminada, reconciliada. Sei bem que não se prova nunca do vinho novo desta reconciliação consigo próprio, senão quando a colheita é feita – como a dor física que pode se prolongar muito depois de terminada a sua causa – e assim, tendo acontecido essa reconciliação, fruto de um esforço imenso, nós continuamos ainda a desejá-la.
Porque nossa felicidade interior não nos pertence mais do que a obra que ela motiva: é preciso que nós tenhamos nos doado, na mesma medida que sabemos que morreremos vazios, que morreremos como natimortos (…) antes de despertarmos (deste `seuil franchi´) na doce piedade de Deus, como quem desperta numa manhã fresca e profunda.” 

(G. Bernanos)

[(*) seuil franchi = ao cruzar o limiar, entre a Vida e a Morte, biensûr!]