Eric Ponty traduz emily dickinson

There is another sky*

There is another sky,
Ever serene and fair,
And there is another sunshine,

Though it be darkness there;
Never mind faded forests, Austin,
Never mind silent fields –

Here is a little forest,
Whose leaf is ever green;
Here is a brighter garden,
Where not a frost has been;
In its unfading flowers
I hear the bright bee hum:
Prithee, my brother,
Into my garden come!

© Emily Dickinson.

Não existe outro dum céu*

Não existe outro dum céu,
foi sempre sereno e justo,
E havendo há um outro sol,

Apesar sejam véus não existentes
Nunca mentem fracas florestas, Austin,
Nunca mentem silenciosos dos campos –

Aqui está uma pequena floresta,
cuja folha é sempre imatura.

Aqui está um brilhante jardim,
Onde não houve uma geada ida.
Em suas indefectíveis flores.
Estou a escutar o murmúrio das abelhas vivas.
Por favor meu irmão
no meu jardim! .

Trad.ERIC PONTY.

Emily Dickinson, a natureza e suas cores…

Sunset (c) foto Webshots.com, by Kevin McNeal
Sunset (c) foto Webshots.com, by Kevin McNeal


Emily Dickinson

A Natureza raro usa o amarelo,
Antes prefere outros tons;
Reserva-o todo para o pôr-do-sol;
Azul, gasta aos borbotões.

Como a mulher abusa do carmim,
Mas o amarelo – esta cor
Com parcimônia a seleciona, – assim
Como palavras de Amor.

+++++

Fonte: DICKINSON, Emily. “Emily Dickinson: Uma Centena de Poemas”, tradução de Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Editora/USP, 1985. p. 128/9.

Um outro céu que vai além dos 10 mil pés de altitude

O encanto da Web, como “mar de conhecimento compartilhado” (Sir Berners-Lee) nos provê belezas como esta.
Conheci Lucide De Godoy num curso virtual – meio abandonado por conta da prioridade zero que se tornou o lançamento dos “Cadernos de Sizenando”.
E eis que dessa brasileira que vive em Amsterdam, nos chegam boas fotos e bons textos. Confira o link abaixo.

Um outro Céu... There is Another Sky
(c) Copyright – Lucile De Godoy – Pôr-de-sol sobre as nuvens nos céus da Holanda.

A foto foi intitulada “Sunset over the clouds in Holland ©Copyright 2014 de dona Lucile luciledegodoy.com”

(“Pôr-de-Sol sobre nuvens nos céus da Holanda” – A tradução abaixo é minha, textos de Mme. De Godoy).

Tirei esta foto, durante o vôo da volta da Holanda para o Brasil (casa lá e cá), pela janela do avião.

“Esse vai-e-vem foi pleno de alegria e ‘saudades’ (desejos?!) – um equilíbrio entre ambos os sentimentos-  enfim -; mas nenhuma tristeza tem lugar em meu coração…

“E foi essa vista da janela que me fez lembrar o poema de Emily Dickinson.”

* While flying back home (Holland) from home (Brazil)… I made this photo through the glass window. This back and forth journey is made of both joy and longing – balancing each other out, though – so no sadness inhabits my heart. As I looked outside, I thought of this poem of Emily Dickinson.

+++++

O Poema de Emily, cit. by Lucile De GODOY.


“There is another sky,

Ever serene and fair,

And there is another sunshine,

 

Though it be darkness there;

Never mind faded forests, Austin,

Never mind silent fields –

 

Here is a little forest,

Whose leaf is ever green;

 

Here is a brighter garden,

Where not a frost has been;

In its unfading flowers

 

I hear the bright bee hum:

Prithee, my brother,

Into my garden come!”

–Emily Dickinson.*
(*)Mais tarde, tentarei uma tradução para o português, menos amadora do que a minha para o texto de Lucile. (AQ).

There is Another Sky

Emily Dickinson na moldura de um luxo moderno que a Poetisa nunca poderia imaginar…

Sights & Insights

Sunset over the clouds in Holland ©2014 luciledegodoy.com Sunset over the clouds in Holland ©2014 luciledegodoy.com

While flying back home (Holland) from home (Brazil)… I made this photo through the glass window.

This back and forth journey is made of both joy and longing – balancing each other out, though – so no sadness inhabits my heart. As I looked outside, I thought of this poem of Emily Dickinson.

“There is another sky,

Ever serene and fair,

And there is another sunshine,

Though it be darkness there;

Never mind faded forests, Austin,

Never mind silent fields –

Here is a little forest,

Whose leaf is ever green;

Here is a brighter garden,

Where not a frost has been;

In its unfading flowers

I hear the bright bee hum:

Prithee, my brother,

Into my garden come!”

–Emily Dickinson

Ver o post original

Emily Dickinson (“uma centena de poemas”)

QUÃO SABOROSAS SÃO AS MANHÃS DE SÁBADO… Tanto mais quando as completamos com poesia.

ABRO “Uma Centena de Poemas”(*) ao acaso, como quem abrisse um breviário. E me vem este presente:

Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes
Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes

Dizem, ‘com o tempo se esquece’,
Mas isto não é verdade,
Que a dor real endurece,
Como os músculos, com a idade.

O tempo é o teste da dor,
Mas não é o seu remédio –
Prove-o e, se provado for,
É que não houve moléstia.
(686)
School

E virando a página:

“Um pensamento me veio hoje à mente
Que já antes me ocorreu.
Não o concluí; foi tempo atrás; que ano
Não lembro corretamente;

Nem para onde foi, nem porque veio
A mim por segunda vez;
Nem, em definitivo, o que ele era
Tenho a arte de dizer.

Mas – em algum canto – em minha alma – eu sei
Que já encontrei Coisa assim –
Foi só um relembrar – foi tão somente –
E já não mais veio a mim.
(701)

 

+++++
Fonte: DICKINSON, Emily. “Uma Centena de Poemas”. Trad., introd. e notas por Aíla de Oliveira Gomes. T.A. Queiroz/USP, S.Paulo, 1984, p. 100/103.

Ver também os poemas no original:
606
They say that “Time assuages” –
Time never did assuage –
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age –

Time is a Test of Trouble –
But not a Remedy –
If such it prove, it prove too
There was no Malady –


701
A Thought went up my mind today –
That I have had before –
But did not finish – some way back –
I could not fix the Year –

Nor where it went – nor why it came
The second time to me –
Nor definitely, what it was –
Have I the Art to say –

But somewhere – in my Soul – I know –
I’ve met the thing before –
It just reminded me – ‘twas all –
And came my way no more –
© Emily Dickinson, trad. AÍLA DE OLIVEIRA GOMES.

Emily Dickinson (“uma centena de poemas”)

QUÃO SABOROSAS SÃO AS MANHÃS DE SÁBADO… Tanto mais quando as completamos com poesia.

ABRO “Uma Centena de Poemas”(*) ao acaso, como quem abrisse um breviário. E me vem este presente:

Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes
Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes

Dizem, ‘com o tempo se esquece’,
Mas isto não é verdade,
Que a dor real endurece,
Como os músculos, com a idade.

O tempo é o teste da dor,
Mas não é o seu remédio –
Prove-o e, se provado for,
É que não houve moléstia.
(686)
School

E virando a página:

“Um pensamento me veio hoje à mente
Que já antes me ocorreu.
Não o concluí; foi tempo atrás; que ano
Não lembro corretamente;

Nem para onde foi, nem porque veio
A mim por segunda vez;
Nem, em definitivo, o que ele era
Tenho a arte de dizer.

Mas – em algum canto – em minha alma – eu sei
Que já encontrei Coisa assim –
Foi só um relembrar – foi tão somente –
E já não mais veio a mim.
(701)

 

+++++
Fonte: DICKINSON, Emily. “Uma Centena de Poemas”. Trad., introd. e notas por Aíla de Oliveira Gomes. T.A. Queiroz/USP, S.Paulo, 1984, p. 100/103.

Ver também os poemas no original:
606
They say that “Time assuages” –
Time never did assuage –
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age –

Time is a Test of Trouble –
But not a Remedy –
If such it prove, it prove too
There was no Malady –


701
A Thought went up my mind today –
That I have had before –
But did not finish – some way back –
I could not fix the Year –

Nor where it went – nor why it came
The second time to me –
Nor definitely, what it was –
Have I the Art to say –

But somewhere – in my Soul – I know –
I’ve met the thing before –
It just reminded me – ‘twas all –
And came my way no more –
© Emily Dickinson, trad. AÍLA DE OLIVEIRA GOMES.