street life (fractured)


Rainer Maria Rilke fala ao coração dos amantes da poesia, das artes e até da Fotografia – arte oitava ou nona?! Viva Rilke, viva BelgianStreets.

belgianstreets

“under an open window, a
violin yielded
itself to
your”

― rainer maria rilke

they say our eyes are

the windows

to our

soul

and so, what

do these windows, say

to you?

(for justine’s eclectic corner – street life, photography and writing)

(and for lucile’s the clinic – photo rehab)

*shot with nikon d700, 70-300mm lens, edited with aperture 3 and analog efex pro 2 with double exposure filter applied, through the window of conscience*

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2 comentários em “street life (fractured)

  1. Aos leitores não-anglófilos:
    PRIMEIRA ELEGIA, de RAINER Maria RILKE

    Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
    Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
    Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
    Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
    Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
    E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
    Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
    E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

    De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
    Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
    E os animais sagazes logo percebem
    Que não estamos muito seguros
    No mundo interpretado. Resta-nos talvez
    Alguma árvore na encosta que diariamente
    Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
    E a mimada fidelidade de um hábito,
    Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.

    Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
    Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
    Levemente decepcionante, que para o solitário coração
    Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
    Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
    Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
    Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
    Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

    Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas
    Esperavam que tu as percebesses. Do passado
    Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
    Ao passares sob uma janela aberta,
    Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
    Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
    Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
    A bem amada? (onde queres abrigá-la
    Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
    E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
    Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
    Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.

    Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
    Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
    Sempre de novo o louvor jamais acessível;
    Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
    Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
    As amantes, porém, a natureza exausta as toma
    Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
    Já pensaste pois em Gaspara Stampa
    O bastante para que alguma jovem,
    A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
    Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?

    Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
    Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
    Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?
    Pois parada não há em /parte alguma.

    Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
    os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
    levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
    inabaláveis, sem desviarem a atenção:
    eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
    a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
    a incessante mensagem que nasce do silêncio.
    Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
    Onde quer que penetraste, nas igrejas
    De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
    Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
    Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
    Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
    A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
    O puro movimento de seus espíritos.

    Certo, é estranho não habitar mais terra,
    Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
    Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
    Não dar sentido do futuro humano;
    O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
    Não ser mais, e até o próprio nome
    Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
    Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
    Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
    No espaço. E estar morto é penoso
    E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
    Um pouco da eternidade. – Mas os vivos
    Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
    Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
    Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
    Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
    Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

    Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
    Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
    suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
    mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
    o abençoado progresso se origina – : poderíamos passar /sem eles?
    É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
    A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
    Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
    escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
    naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?
    Rainer Maria Rilke.
    Fonte: http://pensador.uol.com.br/autor/rainer_maria_rilke/

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