No aniversário de 116 anos do poeta Drummond, ouça poesia falada por Paulo Autran

Carlos-drummond-de-andradeCarlos Drummond de Andrade (1902-1987) – hoje, portanto, seria seu 116o. Aniversário.
Salve o poeta brasileiro!
No link, você encontra uma série de poemas falados pelo saudoso ator Paulo Autran.
Clique no link para pular ao YouTube:
via Poesia Falada Carlos Drummond de Andrade por Paulo Autran – YouTube

Poesia Falada…”Cem poemas essenciais”

Do projeto “Cem poemas essenciais”.

 

sonia-maria-institucional-02Poema: “Vislumbres”, de Sônia Maria Santos.
Récita de Adalberto Queiroz.
Música: “Fado de Vila Boa”, Pádua e Maria Eugênia.
Trabalhos técnicos:
Roberval Silva.
capa-materia-da-alma

Para ler mais poemas, clique AQUI.

No mínimo…Mil palavras

MIL PALAVRAS.
POEMA DE NELSON ASCHER.

p/ ny

Quanto mais eu, que vi
(digamos) tudo, vejo,
mais vejo que uma imagem
vale por mil palavras.

Quanto mais vejo ( e vi
de tudo), mais provável
parece que uma imagem
(digamos, um avião

rumo a um arranha-céu)
vale por mil palavras.
Por tudo o que já vi,
quanto mais vejo, menos

duvido que uma imagem
(digamos, outro avião
rumo a outro arranha-céu)
vale por mil palavras.

Quanto mais vejo, menos
tenho, pois uma imagem
vale por mil palavras,
a ver (digamos, quando

se cravam dois aviões,
duas facas de obsidiana,
em dois arranha-céus)
com tudo o que já vi.

Agora que vi tudo
(já que, de tudo aquilo
que acabei vendo, nada
mais há para se ver),

quanto mais vejo, menos
tenho a dizer, exceto
(digamos) que uma imagem
vale por mil palavras.

./.
Do livro “PARTE ALGUMA: Poesia (1997-2004)”, Nelson Ascher, S. Paulo : Cia. das Letras, 2005, p.36/7.

Heleno Godoy (i)

Heleno Godoy lança Inventário pela martelo casa editorial e eu volto aos velhos poemas de Trímeros. Confira.

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Imortal Jorge de Lima, apesar de a Academia achar que não!

LEIA-SE, dizia Manuel Anselmo em 1939, no Ensaio de Interpretação Crítica sobre A Poesia de Jorge de Lima:

Poema “Acendedor de Lampiões”, do livro XIV Alexandrinos (1907)
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
****************************************
Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!

—–
“LEIA-SE, com atenção, esse seu [dele, Jorge] célebre soneto “O Acendedor de Lampiões”, que consta hoje de várias antologias brasileiras…Aqui está, afinal, uma atitude de solidariedade humana que não destoa daqueloutra que consta dos seus poemas negros, por exemplo, “Pai João”, e se continua, com intensidade, nas páginas do seu romance “Calunga”. Além disso, esse soneto acusa uma facilidade verbal que não é, aliás, irmã dos esforços deslumbrados desses ourives florentinos que foram os parnasianos. Erradamente se apelidou, pois, de parnasiana, uma experiência que foi, afinal, clássica e tradicional.”

(*) Transcrito de Jorge de Lima, Poesia Completa, vol. I, p.37/8.

A JORGE DE LIMA* por Murilo Mendes

POEMA FALADO por mim em SoundCloud.

Jorge de Lima+CapaVol1ObraCompleta

A JORGE DE LIMA (por Murilo Mendes)
INVENTOR, teu próprio mito, Jorge, ordenas,
e este reino de fera e sombra,
Herdeiro de Orfeu, acrescentas a lira.

À mesa te sentaste com os cimeiros
Dante, Luís de Góngora, o Lusíada,
e Lautréamont, jovem sol negro
que inaugura nosso tempo.

O roteiro traçando, usaste os mares.
A ilha tocas, e breve, a configuras:
ilha da realidade subjetiva
onde a infância e o universo do mal
abraçam-se, perdoados.
Tudo o que é do homem e terra te confina.

Inventor de novo corte e ritmo,
sopras o poema de mil braços
fundas a realidade.
Fundas a energia.
Com a palavra gustativa.
A carga espiritual
e o signo plástico
nomeias todo ente.

Oh frêmito e movimento do teu verso
mantido pela forte e larga envergadura.
Força da imagem que provoca a vida
e, respirando, manifesta
o mal do nosso tempo, em sangue exposto.

Aboliste as fronteiras da aparência:
no teu livro de espanto se conjugam
sono e vigília,
vida e morte,
sonho e ação.

Nutres a natureza que te nutre,
mesmo as bacantes que te exaurem o peito.
Aplaca tua lira a pedra, a angústia:
cantando clarificas
a substância de argila e estilhaços divinos
que mal somos.
+++++
Poema publicado em “Letras & Artes”, suplemento do jornal A Manhã, Rio de Janeiro, 24 de agosto 1952.