Para ler (e entender) Mario Ferreira dos Santos (1)

DIVULGO COM ALEGRIA UM Blog para ajudar-nos a ler e entender Mário Ferreira dos Santos , o filósofo brasileiro de quem o professor Olavo de Carvalho disse:

Professor e Filósofo brasileiro (1904-1968)

Professor e Filósofo brasileiro (1904-1968)

 

“Mário Ferreira dos Santos é (…) o próprio “Philosophus brasiliensis; cuja obra testemunha a eclosão, tardia mas esplêndida, de uma consciência filosófica integral neste país e marca, assim, o verdadeiro ingresso do Brasil na história espiritual do mundo, já não na condição de ouvinte, mas na de orador e mestre…”

(*) Compre o livro: “A Sabedoria das Leis Eternas”

Fechado para Balanço (II)

MINHAS MELHORES LEITURAS em 2011:

A de A.C. Villaça, que continuo lendo sem cansar: “O Pensamento Católico no Brasil” (livro que resgata o melhor da inteligência Católica de nosso país) e outros livros, citados ou não neste blog; e, a partir dele, tudo que achei nos sebos (thanks Estante Virtual – Onde comprar) e que me levou ao excelente Miguel Torga – “Contos da Montanha” e “Novos Contos…”, de onde derivei para outras leituras portuguesas, incluindo António Lobo Antunes (“As Naus”) – leitura concluida nesta viagem aos EUA.

Enquanto que durante minha viagem de 7 dias a Portugal, eis que encontrei numa livraria d’O Porto o maravilhoso
“A Rebelião das Massas”, de José Ortega Y Gasset (que, lido há tempos em papel antigo e aos pedaços, numa biblioteca pública, agora ressurge agora em primorosa edição da Edit. Relógio D’Agua).

B de Bernanos
Coleção Bernanos na ERealizações de quem tivemos o melhor lançamento do ano, graças a É Realizações,  que reeditou 3 dos livros deste católico francês que morou no Brasil (e finalmente podemos ler a trad. de Jorge de Lima para “O Sol de Satã”, não encontrada mais nem mesmo nos bons sebos).
E também B de A.S. Byatt Capa Livro AS Byatt(que traz consigo, em minhas memórias de leituras, o sr. Rex Stout, pois são dicas do mesmo virtual friend e escritor de talento, Sr. Soares Silva, Alexandre (Lord ASS).  Destaques para “Possession” (Byatt) e “Too Many Cooks” (entres outros de uma lista bem grande de contos/novelas – “Fer-De-Lance”, “Champagne for One”, saborosos romances do gênero “mistery”, contos policiais em geral curtos com o personagem central Nero Wolfe e seu inseparável e fiel servidor – ‘confidential assistant’, mr. Archie Goodwin –, que sem ombreiam ao nosso velho Maigret e seus pupilos, incluindo no tanto que bebem em serviço, rs!). Onde comprar? Byatt http://amzn.to/sZTntj . Rex Stout (que pode ser achado no Brasil nas melhores livrarias e nos sebos).

C de Comércio onde sei que muita gente como eu espera findar o expediente – com a disciplina exigida pelos negócios – e voltar-se para a Família, a Arte, a Literatura, o convívio social (com amigos do peito), tudo isso formando âncora fundamental do bem viver.
E na A palestra que não ministrei no Ted-X Puc/GO era disso que gostaria de falar. Quem sabe em 2012 ?

D de Direção, de que todos estamos sempre à busca: estas publicações do filósofo Eric Voegelin no Brasil que devem ser saudadas como uma das melhores iniciativas da inteligência editorial… Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002(thanks É Realizações pelas traduções que tornam minha vida mais fácil – pois estava a ler EV em inglês com enorme dificuldade mas persistentemente – ; e thanks Amazon & Barnes and Noble por me proporcionar este maravilhoso pensamento na contramão da academia brasileira, cada vez mais Gramsciana). D de Direção também vinda de Roger Scruton, Product Detailspra mim a mais fantástica descoberta no domínio do pensamento neste ano 2011.
Thanks Amazon for these books! E também D de Dante –  

O Alighieri e o MilanoDSC01410, dos quais fiz Releituras de Dante A. e Milano por conta de uma amiga virtual (MEG).

E de Estado rico, empresário pobre de Arte. Ou posto de outro modo Estado dito “rico e com educação incipiente para a responsabilidade social”, cenário em que empresas sustentáveis estão em busca de dar retorno à sociedade. Revi conceitos a partir de Palestra de P.Kotler na Acieg/GYN e voltei aos livros do papa do Marketing, mr. Philip Kotler, que em suas reflexões me fez pensar em quanto temos a realizar em termos de doação ao social. Um bom caminho é a liderança que pode aprender com o exemplo de pessoas como Frances Hesselbein da Fundação PK. E muito podemos fazer abaixo do Equador neste domínio. E de EMILY Dickinson, emily-dickinson-photo1que amo e continuo lendo e transcrevendo forever e, se memória houvesse, decorando e recitando. F de Flusser, Vilem. Descoberta maravilhosa a partir dos estudos que realizei para uma palestra que nunca ministrei (vide cit. acima) e das dicas de César Miranda – O intelecto ´sensu stricto` é uma tecelagem que usa palavras como fios”, é a porta para entendê-lo: Vilém Flusser.

G de Gianetti, Eduardo e deGoogle Guys”, livro que desde que lido na América (fev.11), na minha temporada com os Fousts, “esperando Benjamin Foust”, aprendi a gostar, respeitar e, através de quem (Google Enterprise) espero fazer muitos bons negócios em 2012. Eduaro Giannetti, de quem já possuía referências interessantes em entrevistas escritas e ‘faladas’ (ótimo esse termo radiofônico, não? ), resgatei aqui com seu “Auto-Engano” (confesso estar ainda lendo e com menor entusiasmo do que no início).

H de Helenir, minha mulher, que saiu da rotina empresarial e leu ao longo do ano nosso amado e sempre presente Maigret, by G. SIMENON, quase um membro da família, como Balzac – o cachorro que perdemos e o escritor que mantemos no coração afetivo da literatura (Maigret, pois, o personagem de Simenon é bem-vindo; já o autor um mulherengo incorrigível, parece que todo homem latino prefere manter longe de sua casa).  E ainda H de Hansen, Morten T. “Collaboration”, image o livro que trouxe os conceitos certos para tudo que fiz profissionalmente nesses últimos 14 anos e que (re)estudei em 2011; o que me proporcionou voltar a ministrar palestras (Obrigado Amcham GYN e UDI).

I de Igreja, de onde emergiram dois livros fortes para um ano de provações e de muita fé e persistência – e, convenhamos, de um excelente trabalho depurador de nosso Papa Bento XVI : “The Courage to be Catholic”,  de autoria do biógrafo do papa JP II, mr. George Weigel (só recomendado aos fiéis, pois os curiosos e ateus em geral não entenderiam) e o novo livro do Papa Bento XVI “A Luz do Mundo”: Light of the World: The Pope, The Church and the Signs Of The Times”.

* T de Third Sector – Um novo domínio do conhecimento para mim, que planejo seguir após o conselho do meu orientador espiritual (Padre Rubens, parq. N.Sa. Aparecida e Sta. Edwiges, Goiânia) que, sabiamente, me disse para cultivar valores que, ao longo da minha carreira de servidor público e nos últimos 20 anos de empresário, não tiveram muito tempo para ser cultivados. “The Third Sector”, by Rupert Taylor para começar bem 2012.

Bem, meus 6 leitores, este é o balanço, sem dizer que muitas revistas foram importantes ao longo do ano e também muita leitura pelos e-Books e pelos portais de leitura. Continuo gostando mais de ler em papel, mídia em que foi criado como leitor, mas já tenho um legado em e-Books – p.ex. no meu iPad emprestado por ora à minha mulher – tenho mais Baudelaire do que em minha prateleira IMG_8826e em minha vida inteira. Rimbaud, Sertillanges etc. também e uns outros tantos à espera de tempo para leitura – pois que me dóem os olhos quando leio só na tela.
Au revoir, mes enfants! Feliz 2012.
Amitiés, BetoQ.

Fechado para Balanço (II)

MINHAS MELHORES LEITURAS em 2011:

A de A.C. Villaça, que continuo lendo sem cansar: “O Pensamento Católico no Brasil” (livro que resgata o melhor da inteligência Católica de nosso país) e outros livros, citados ou não neste blog; e, a partir dele, tudo que achei nos sebos (thanks Estante Virtual – Onde comprar) e que me levou ao excelente Miguel Torga – “Contos da Montanha” e “Novos Contos…”, de onde derivei para outras leituras portuguesas, incluindo António Lobo Antunes (“As Naus”) – leitura concluida nesta viagem aos EUA.

Enquanto que durante minha viagem de 7 dias a Portugal, eis que encontrei numa livraria d’O Porto o maravilhoso
“A Rebelião das Massas”, de José Ortega Y Gasset (que, lido há tempos em papel antigo e aos pedaços, numa biblioteca pública, agora ressurge agora em primorosa edição da Edit. Relógio D’Agua).

B de Bernanos
Coleção Bernanos na ERealizações de quem tivemos o melhor lançamento do ano, graças a É Realizações,  que reeditou 3 dos livros deste católico francês que morou no Brasil (e finalmente podemos ler a trad. de Jorge de Lima para “O Sol de Satã”, não encontrada mais nem mesmo nos bons sebos).
E também B de A.S. Byatt Capa Livro AS Byatt(que traz consigo, em minhas memórias de leituras, o sr. Rex Stout, pois são dicas do mesmo virtual friend e escritor de talento, Sr. Soares Silva, Alexandre (Lord ASS).  Destaques para “Possession” (Byatt) e “Too Many Cooks” (entres outros de uma lista bem grande de contos/novelas – “Fer-De-Lance”, “Champagne for One”, saborosos romances do gênero “mistery”, contos policiais em geral curtos com o personagem central Nero Wolfe e seu inseparável e fiel servidor – ‘confidential assistant’, mr. Archie Goodwin –, que sem ombreiam ao nosso velho Maigret e seus pupilos, incluindo no tanto que bebem em serviço, rs!). Onde comprar? Byatt http://amzn.to/sZTntj . Rex Stout (que pode ser achado no Brasil nas melhores livrarias e nos sebos).

C de Comércio onde sei que muita gente como eu espera findar o expediente – com a disciplina exigida pelos negócios – e voltar-se para a Família, a Arte, a Literatura, o convívio social (com amigos do peito), tudo isso formando âncora fundamental do bem viver.
E na A palestra que não ministrei no Ted-X Puc/GO era disso que gostaria de falar. Quem sabe em 2012 ?

D de Direção, de que todos estamos sempre à busca: estas publicações do filósofo Eric Voegelin no Brasil que devem ser saudadas como uma das melhores iniciativas da inteligência editorial… Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002(thanks É Realizações pelas traduções que tornam minha vida mais fácil – pois estava a ler EV em inglês com enorme dificuldade mas persistentemente – ; e thanks Amazon & Barnes and Noble por me proporcionar este maravilhoso pensamento na contramão da academia brasileira, cada vez mais Gramsciana). D de Direção também vinda de Roger Scruton, Product Detailspra mim a mais fantástica descoberta no domínio do pensamento neste ano 2011.
Thanks Amazon for these books! E também D de Dante –  

O Alighieri e o MilanoDSC01410, dos quais fiz Releituras de Dante A. e Milano por conta de uma amiga virtual (MEG).

E de Estado rico, empresário pobre de Arte. Ou posto de outro modo Estado dito “rico e com educação incipiente para a responsabilidade social”, cenário em que empresas sustentáveis estão em busca de dar retorno à sociedade. Revi conceitos a partir de Palestra de P.Kotler na Acieg/GYN e voltei aos livros do papa do Marketing, mr. Philip Kotler, que em suas reflexões me fez pensar em quanto temos a realizar em termos de doação ao social. Um bom caminho é a liderança que pode aprender com o exemplo de pessoas como Frances Hesselbein da Fundação PK. E muito podemos fazer abaixo do Equador neste domínio. E de EMILY Dickinson, emily-dickinson-photo1que amo e continuo lendo e transcrevendo forever e, se memória houvesse, decorando e recitando. F de Flusser, Vilem. Descoberta maravilhosa a partir dos estudos que realizei para uma palestra que nunca ministrei (vide cit. acima) e das dicas de César Miranda – O intelecto ´sensu stricto` é uma tecelagem que usa palavras como fios”, é a porta para entendê-lo: Vilém Flusser.

G de Gianetti, Eduardo e deGoogle Guys”, livro que desde que lido na América (fev.11), na minha temporada com os Fousts, “esperando Benjamin Foust”, aprendi a gostar, respeitar e, através de quem (Google Enterprise) espero fazer muitos bons negócios em 2012. Eduaro Giannetti, de quem já possuía referências interessantes em entrevistas escritas e ‘faladas’ (ótimo esse termo radiofônico, não? ), resgatei aqui com seu “Auto-Engano” (confesso estar ainda lendo e com menor entusiasmo do que no início).

H de Helenir, minha mulher, que saiu da rotina empresarial e leu ao longo do ano nosso amado e sempre presente Maigret, by G. SIMENON, quase um membro da família, como Balzac – o cachorro que perdemos e o escritor que mantemos no coração afetivo da literatura (Maigret, pois, o personagem de Simenon é bem-vindo; já o autor um mulherengo incorrigível, parece que todo homem latino prefere manter longe de sua casa).  E ainda H de Hansen, Morten T. “Collaboration”, image o livro que trouxe os conceitos certos para tudo que fiz profissionalmente nesses últimos 14 anos e que (re)estudei em 2011; o que me proporcionou voltar a ministrar palestras (Obrigado Amcham GYN e UDI).

I de Igreja, de onde emergiram dois livros fortes para um ano de provações e de muita fé e persistência – e, convenhamos, de um excelente trabalho depurador de nosso Papa Bento XVI : “The Courage to be Catholic”,  de autoria do biógrafo do papa JP II, mr. George Weigel (só recomendado aos fiéis, pois os curiosos e ateus em geral não entenderiam) e o novo livro do Papa Bento XVI “A Luz do Mundo”: Light of the World: The Pope, The Church and the Signs Of The Times”.

* T de Third Sector – Um novo domínio do conhecimento para mim, que planejo seguir após o conselho do meu orientador espiritual (Padre Rubens, parq. N.Sa. Aparecida e Sta. Edwiges, Goiânia) que, sabiamente, me disse para cultivar valores que, ao longo da minha carreira de servidor público e nos últimos 20 anos de empresário, não tiveram muito tempo para ser cultivados. “The Third Sector”, by Rupert Taylor para começar bem 2012.

Bem, meus 6 leitores, este é o balanço, sem dizer que muitas revistas foram importantes ao longo do ano e também muita leitura pelos e-Books e pelos portais de leitura. Continuo gostando mais de ler em papel, mídia em que foi criado como leitor, mas já tenho um legado em e-Books – p.ex. no meu iPad emprestado por ora à minha mulher – tenho mais Baudelaire do que em minha prateleira IMG_8826e em minha vida inteira. Rimbaud, Sertillanges etc. também e uns outros tantos à espera de tempo para leitura – pois que me dóem os olhos quando leio só na tela.
Au revoir, mes enfants! Feliz 2012.
Amitiés, BetoQ.

Transcrições do Hipérion (1)

Meu Caro! O que seria a vida sem esperança? Uma centelha que salta da brasa e se extingue, uma rajada de vento que se ouve na estação sombria do ano, que passa zunindo num instante e depois se perde, será assim também conosco?
Também a andorinha procura uma terra amiga no inverno. A caça corre no calor do dia e seus olhos procuram a fonte. Quem diz à criança que a mãe não lhe recusará o peito ? E veja só, ela o procura mesmo assim.
Nada vive sem esperança. Meu coração trancou agora seus tesouros, mas apenas a fim de poupá-los para tempos melhores, para o único, o sagrado e o fiel que, com certeza, minha alma sequiosa vai encontrar, em algum período da existência.
(pág.27)
“(…) Mas do mero intelecto jamais surgiu algo inteligível e da mera razão jamais surgiu algo razoável.
Sem beleza espiritual, o intelecto não passa de um aprendiz servil que faz a cerca com madeira bruta, tal como lhe foi indicado, e prega as estacas serradas para o jardim que o mestre pretende construir. Toda atividade do intelecto é questão de necessidade. Eles nos protege contra o absurdo, contra a injustiça enquanto ordena, mas assegurar-se contra o absurdo e contra a injustiça não é o grau mais elevado da excelência humana.
Sem beleza no espírito e no coração, a razão não passa de um capataz que o senhor da casa envia para vigiar os criados. Assim como os criados, ele sabe muito pouco sobre o resultado final desse trabalho infinito e apenas grita: ‘Mexam-se’, e olha quase desgostoso quando isso acontece, pois, no final, ele não teria mais ordens a dar e seu papel já estaria encerrado.
Do mero intelecto não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que apenas o conhecimento restrito do existente. Da mera razão não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que apenas o conhecimento restrito do existente.
Da mera razão não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que a exigência cega de um progresso interminável na confluência e discernimento de um assunto qualquer.
Contudo, se o divino “hèn diaphéron heautôi” (1) iluminar o ideal da beleza da razão ambiciosa, ela deixará de fazer exigências cegas e saberá por que e para que exige.
Se o sol da beleza brilhar para a atividade do intelecto, como num dia de maio na oficina do artista, ele na realidade não correrá para fora entusiasmado, abandonando sua obra necessária, mas pensará com prazer no dia festivo, no qual ele peregrinará na luz rejuvenescedora da primavera (2).”

(Hipérion, Edit. Nova Alexandria, S. Paulo, 2003, vol.I, Livro II – p.87).
(1) [A grandiosa frase de Heráclito, “hèn diaphéron heautôi” [o uno diferente em si mesmo], só poderia ser encontrada por um grego, pois é a essência da beleza e, antes de ter sido encontrada, não havia filosofia alguma. A partir daí podese definir [determinar], o todo estava lá [aí]. Anunciou-se, então, o momento da beleza entre os homens. Estava ali em vida e espírito, o uno infinito (Eder Ricardo CORBANEZ, 2009).
(2) Foi a legenda de abertura do livro (que de fato é a inscrição no túmulo de Santo Inácio de Loyola), citada pelo papa Bento xvi que me inspirou a procurar esse livro. A quem interessar possa, há um post sobre tal legenda.
Já sobre a obra, aprendemos no prefácio (de M.V. Mazzari) que “0 livro é constituído por 60 cartas, distribuídas em duas partes, nas quais o herói de Hölderlin – agora na condição de ‘eremita na Grécia’ – narra ao seu amigo Belarmino acontecimentos do passado que giram em torno de duas temáticas centrais: a intensa experiência amorosa com Diotina, em quem o ‘belo’ se encarna, conforme expressão de Heráclito, como o ‘o uno diferente em si mesmo’, e o engajamento, ao lado de Alabanda, na insurreição grega contra o domínio otomano”. (Marcus Vinícius Mazzari, Usp).

Transcrições do Hipérion (1)

Meu Caro! O que seria a vida sem esperança? Uma centelha que salta da brasa e se extingue, uma rajada de vento que se ouve na estação sombria do ano, que passa zunindo num instante e depois se perde, será assim também conosco?
Também a andorinha procura uma terra amiga no inverno. A caça corre no calor do dia e seus olhos procuram a fonte. Quem diz à criança que a mãe não lhe recusará o peito ? E veja só, ela o procura mesmo assim.
Nada vive sem esperança. Meu coração trancou agora seus tesouros, mas apenas a fim de poupá-los para tempos melhores, para o único, o sagrado e o fiel que, com certeza, minha alma sequiosa vai encontrar, em algum período da existência.
(pág.27)
“(…) Mas do mero intelecto jamais surgiu algo inteligível e da mera razão jamais surgiu algo razoável.
Sem beleza espiritual, o intelecto não passa de um aprendiz servil que faz a cerca com madeira bruta, tal como lhe foi indicado, e prega as estacas serradas para o jardim que o mestre pretende construir. Toda atividade do intelecto é questão de necessidade. Eles nos protege contra o absurdo, contra a injustiça enquanto ordena, mas assegurar-se contra o absurdo e contra a injustiça não é o grau mais elevado da excelência humana.
Sem beleza no espírito e no coração, a razão não passa de um capataz que o senhor da casa envia para vigiar os criados. Assim como os criados, ele sabe muito pouco sobre o resultado final desse trabalho infinito e apenas grita: ‘Mexam-se’, e olha quase desgostoso quando isso acontece, pois, no final, ele não teria mais ordens a dar e seu papel já estaria encerrado.
Do mero intelecto não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que apenas o conhecimento restrito do existente. Da mera razão não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que apenas o conhecimento restrito do existente.
Da mera razão não surgiria nenhuma filosofia, pois filosofia é mais do que a exigência cega de um progresso interminável na confluência e discernimento de um assunto qualquer.
Contudo, se o divino “hèn diaphéron heautôi” (1) iluminar o ideal da beleza da razão ambiciosa, ela deixará de fazer exigências cegas e saberá por que e para que exige.
Se o sol da beleza brilhar para a atividade do intelecto, como num dia de maio na oficina do artista, ele na realidade não correrá para fora entusiasmado, abandonando sua obra necessária, mas pensará com prazer no dia festivo, no qual ele peregrinará na luz rejuvenescedora da primavera (2).”

(Hipérion, Edit. Nova Alexandria, S. Paulo, 2003, vol.I, Livro II – p.87).
(1) [A grandiosa frase de Heráclito, “hèn diaphéron heautôi” [o uno diferente em si mesmo], só poderia ser encontrada por um grego, pois é a essência da beleza e, antes de ter sido encontrada, não havia filosofia alguma. A partir daí podese definir [determinar], o todo estava lá [aí]. Anunciou-se, então, o momento da beleza entre os homens. Estava ali em vida e espírito, o uno infinito (Eder Ricardo CORBANEZ, 2009).
(2) Foi a legenda de abertura do livro (que de fato é a inscrição no túmulo de Santo Inácio de Loyola), citada pelo papa Bento xvi que me inspirou a procurar esse livro. A quem interessar possa, há um post sobre tal legenda.
Já sobre a obra, aprendemos no prefácio (de M.V. Mazzari) que “0 livro é constituído por 60 cartas, distribuídas em duas partes, nas quais o herói de Hölderlin – agora na condição de ‘eremita na Grécia’ – narra ao seu amigo Belarmino acontecimentos do passado que giram em torno de duas temáticas centrais: a intensa experiência amorosa com Diotina, em quem o ‘belo’ se encarna, conforme expressão de Heráclito, como o ‘o uno diferente em si mesmo’, e o engajamento, ao lado de Alabanda, na insurreição grega contra o domínio otomano”. (Marcus Vinícius Mazzari, Usp).

Invertebrado: dicionário diferente

Link especial: pra lá de engraçado, com um viés histórico e literário, sob a égide de Jean Cocteau, Ambrose Bierce e Samuel Johnson. Informação e diversão garantidas.

Dicionário lírico e filosófico by Igor Taam

Dicionário lírico e filosófico by Igor Taam

Eric Voegelin em português

Mes chers amis,
Fiquei muito feliz com esse comentário aqui.
A boa notícia que o tradutor de Eric Voegelin nos traz é que ainda no primeiro semestre de 2009, teremos Anamnesis do mestre Voegelin em Português.

Elpidio Mário Dantas Fonseca já nos havia brindado com a tradução de “Hitler e os Alemães“, em 2008, também publicada pela É Realizações, coleção Filosofia Atual.

Gosto da idéia de manter o mesmo tom prata azulado das capas da coleção norte-americana das obras de Eric Voegelin. E principalmente saúdo a chegada de mais esse volume em português pela atualidade do filósofo austríaco e pela singularidade de sua obra.

Capa da edicão brasileira de Hitler e os Alemães

Capa da edicão brasileira de Hitler e os Alemães

anamnesis_voegelin
ERIC VOEGELIN (1901-1985) foi um dos filósofos mais influentes e originais de nosso tempo. Nascido em Colônia, Alemanha, estudou na Universidade de Viena, onde se tornou professor de Ciência Política da Faculdade de Direito. Refugiado do nazismo, Voegelin se estabelece nos EUA com sua esposa, onde se tornam cidadãos americanos em 1944. Eric VOEGELIN passou grande parte de sua carreira de docente nos EUA na Universidade Estadual da Louisiana, em Munique – onde foi Diretor do Instituto de C.Política da Univ. de Munique – e no Instituto Hoover da Universidade de Stanford (EUA).
Para saber mais, siga este link. E este.

Mais Eric Voegelin, em português, neste link.

Eric Voegelin, by Michael Federici

No meu anseio de aprofundar o conhecimento do pensamento de Eric Voegelin, adquiri novos livros nessa minha jornada no Arizona (dez, 08/jan, 09). Devo como sempre mais à Amazon do que a Barnes & Noble. A primeira acha o que não tem em estoque e te entrega, com rapidez e exatidão. A segunda, por seu turno, mirrou sua prateleira de bons filósofos e adotou a prateleira de filosofia miúda, i.e., Filosofia = Ateísmo.  Sorry about that, guys. Na B&N você encontrará o mesmo e bom café da Starbucks, mas a filosofia…(what a shame) com f minúsculo.

Pois bem, foi na Amazon que encontrei esta magnífica introdução ao pensamento de Eric Voegelin. A atendente ilustrada mas apática  da Barnes sequer sabia pronunciar e jamais tivera notícia do nome de Voegelin!

O livro de Michael Federici é da excelente coleção da ISI Books (Wilmington, Delaware), ed. 2002, intitulada “Library of Modern Thinkers” e tem entre outros escritores os ilustres nomes de Ludwig Von Mises, Robert Nisbet, Wilhelm Röpke, Jouvenel e Richard Weaver.

Como ainda não tenho uma resenha do livro, uso a idéia de transcrição de trechos como uma isca para que você, ao contrário da nada simpática atendente da B&N de Surprise (Az), se interesse por Voegelin.

Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002

Library of Modern Thinkers, ISI Books, 2002

Caracterizando a Crise da “Western Civilization” como um “processo que vem de um século e meio atrás” e que talvez persista por mais um século, Voegelin levanta o que chama de “Western disorder“,  elaborando a genealogia que exige “thinkers, ideas and historical experiences that often have been given scant or improper attention by scholars be put in their proper context“. Um exemplo desse tipo de gente é Augusto Comte (1798-1857). Voegelin o caracteriza como “is the first great figure of the Western crisis” and referes to him as “a spiritual dictator of mankind“. E lista outras figuras ao longo do séc. XVIII como d´Alembert, Voltaire, Diderot, Bentham e Turgot. Esses autores, juntos, são responsabilizados por “have mutilated the idea of man beyond recognition“.
Essa mutilação é descrita por Voegelin (de acordo com Federici) como “reduction of man and his life to the level of utilitarian existence” – ´an attitude that is ubiquitous in contemporary Western culture.  This mutilation included the loss of the Christian understanding of mankind`.
Segundo Voegelin, citado por MF:

“There arises the necessity of substituting for transcendental reality an intrawordly evocation which is supposed to fulfill the functions of transcendental reality for the immature type of man. As a consequence, not only the idea of man but also the idea of mankind has changed its meaning. The Christian idea of mankind is the idea of a community whose substance consists of the Spirit in which the members participate; the homonoia of the members, their likemindedness through the Spirit that has become flesh in all and each of them, welds them into a universal community of mankind. (cit. de “Enlightening to Revolution – FER”, Duke Univ. Press, 1975, pág. 95-96).

Individuos como Turgot, Voltaire, Diderot e Bentham transpõem essa ideia clássica e cristã do homem para um modelo que deprecia a natureza espiritual do homem, afirma Federici. E assim, transpõem a comunidade de indivíduos (a fraternidade cristã) em uma massa total e anônima, presa apenas por um ideal. Essa “masse totale” é o que se chama de construção ideal de Turgot. A visão utilitária em que seres humanos são contados como o valor que dão à construção do ´progresso`.  O positivismo contribui assim para a corrupção espiritual, numa clara crise que é, no final, de caráter existencial.

Se existe uma restauração possível – e ao autor não parece uma tarefa tão rápida – essa seria recobrar a consciência dessa “masse totale” , o que não é difícil apenas nas sociedades totalitárias mas também em países de tradição cristã como os EUA, diz Federici, interpretando Voegelin.  Nos EUA, Voegelin nota que esforços de restauração da Ordem terão que enfrentar “the soul-killing pressure of the progressive creed” (FER, 102), assinala Federici. Mas Voegelin é firme em sua posição e dá-nos uma lição digna deste dia de São Brás (em que escrevo este post):

No one is obliged to take part in the spiritual crisis of a society; on the contrary, everyone is obliged to avoid this folly and live his life in order
(Science, Politics and Gnosticism, Chicago, Regnery Gateway, 1968, p.22-23, apud Federici).

Paz e Bem!

+++++

Fonte: Federici, Michael P. “Eric Voegelin: the restoration of order“/ 1st. ed. – Wilmington, Del.: ISI Books, 2002.

(1) scant – adj. escasso, raro; limitado, reduzido; estreito; deficiente.

Post-post:

Voegelin, Eric, 1901-1985

Hitler e os alemães / Eric Voegelin; introdução e edição de texto
Detlev Clemens e  Brendan Purcell; tradução Elpídio Mário Dantas Fonseca.

– São Paulo: É Realizações, 2007. –

(Col. Filosofia Atual)

Título original: Hitler and the Germans

ISBN 978-85-88062-49-8

CDD-943.086092

Índice do catálogo sistemático: 1.Alemanha : Chefes de estado : Período do 3º Reich :

Biografia 943.086091

++++

Voegelin, Eric, 1901-1985

Reflexões autobiográficas / Eric Voegelin; introdução e edição de texto Ellis Sandoz ; tradução Maria Inês de Carvalho ; Notas Martim Vasques
da Cunha. – São Paulo: É Realizações, 2007. –

(Col. Filosofia Atual)

Título original: Hitler and the Germans

ISBN 978-85-88062-50-4

CDD-193

Índice do catálogo sistemático: 1.Filósofos Alemães : Biografia e obra 193

Biografia 943.086091

Adeus a Solzhenitsyn

Uma citação de Eric Voegelin*, para dizer Adeus a Solzhenitsyn:

“NÃO PODE HAVER comunidade lingüística com os próceres das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade lingüística necessária para criticar os que lançam mão da linguagem ideológica precisa antes ser descoberta e, se necessário, criada.

Não é a primeira vez na história em que a peculiar situação acima descrita é a sina do filósofo. Mais de uma vez, a linguagem se degenerou e corrompeu a ponto de não poder mais ser usada para expressar a verdade da existência. Tal era, por exemplo, a situação de Sir Francis Bacon quando escreveu seu Novum Organum. Bacon chamou os lugares-comuns não depurados correntes em sua época de ´ídolos`: os ídolos da caverna, os ídolos do mercado, os ídolos da especulação pseudoteórica. Para resistir à dominação dos ídolos – isto é, dos símbolos de linguagem que perderam contato com a realidade –, é preciso redescobrir as experiências da realidade, bem como uma linguagem que as possa exprimir de modo adequado. A situação, hoje, não é muito diferente. Para reconhecer a persistência do problema, basta lembrar Alexander Solzhenitsyn e seu capítulo sobre os “ídolos do mercado” em Cancer Ward (“Pavilhão de Cancerosos”), Solzhenitsyn teve de recorrer a Bacon e sua concepção dos ídolos para defender, contra o impacto do dogma comunista, a realidade da Razão em sua própria vida. Gosto de mencionar Solzhenitsyn, com sua consciência do problema e a competência filosófica patenteada na referência a Bacon, pois seu exemplo, se imitado, poderia transformar radicalmente a atmosfera intelectual de nossos meios acadêmicos. A situação do filósofo nos Estados Unidos em face do clima dominante nas ciências sociais corresponde, em grande medida, à de Solzhenitsyn em relação à União dos Escritores Soviéticos (com a importante diferença, é claro, de que nossa UES não pode se valer da força política do governo para suprimir um literato). No Ocidente, há sempre enclaves em que o trabalho científico pode continuar, em mesmo florescer, a despeito do terrorismo intelectual exercido por instituições como a grande mídia, os departamentos universitários, as fundações e as casas editoriais.”
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*Fonte: pág. 140, “Reflexões Autobiográficas”, E. Voegelin, by Ellis Sandoz, É Editorial, S. Paulo, 2008).

A banalidade do mal

O fenômeno de Hitler não se esgota em sua pessoa. Seu sucesso deve ser situado no quadro geral de uma sociedade arruinada intelectual ou moralmente, no qual figuras que em outros tempos seriam grotescas e marginais podem ascender ao poder público por representarem formidavelmente o povo que as admira. Essa destruição interna de uma sociedade não terminou com a vitória dos aliados sobre os exércitos alemães na II Guerra Mundial, mas continua até hoje. Devo dizer que a destruição da vida intelectual na Alemanha em geral e nas universidades em particular é fruto da destruição perpetrada sob seu regime. O processo ainda está em curso e não é possível entrever seu fim, de sorte que consequências surpreendentes são possíveis. O estudo do período (hitlerista) por Karl Kraus, e especialmente sua arguta análise do detalhe sujo (aquilo que Hannah Arendt chamou de `banalidade do mal´) tem grande importância para nós hoje, pois é possível encontrar fenômenos correlatos na sociedade ocidental, embora não ainda, felizmente, com os efeitos destrutivos que resultaram na catástrofe alemã.

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Reflexões Autobiográficas“, Eric Voegelin, pág. 41, Ed. ÉRealizações, 2008.
(Qualquer semelhança entre Brasil e Alemanha é mera coincidência)