No mínimo…#10

Geografia II*Nasaprojectapolloarchive_nocredit

Havia a lua a conquistar: magno evento.
Mas a vida corria normal em solo firme
Ah, e os sustos: o estômago puro vento;
Eu silente, exausto, adormecia inerme.

Entanto, no cerrado havia muitas frutinhas.

E havia a revolução, e reuniões de oração.
Quando dormia no meio do Pai-Nosso.
Uma centena de orantes à espera de um milagre.

Então Seu Roque viajava para o Interior –
Com seu carrossel de slides e nossas fotos
Não havia quem não doasse alguma coisa:

– Um capado, um saco de arroz, bananas
Em cachos; voltava no fordinho velho
Mas bem fornido; tão feliz, e barbado.
& The United Brothers enviavam cartas.
Dentro dessas meu primeiro bookmark
E o desejo de conhecer o estrangeiro…

Na escola dominical, aprendi os 10 Mandamentos.
Ficava triste nas tardes de domingo; ainda agora.
Um gosto de mangaba e o dedão do pé doendo
Como quando chutava lobeiras em lugar de bolas.

O abrigo era o melho lugar do mundo limpo
O quintal; o milharal capinado; havia o Careta
Nosso cavalo; o Thinka – latindo para o Leão.
Éramos tão felizes quando banhados à espera
De vovó Cecília e seus doces de buritis…
Jesus, como era o teu nome chamado.
Até que o Filemon teve convulsão e tudo desabou
Sobre nossas cabeças como o Apocalipse de S. João.

Fim.

Anapolis Histórica

Primórdios da cidade de Anápolis.

./.
*Do livro “Cadernos de Sizenando, vol. II”, 2016 – no prelo.

No mínimo…#9

Cadernos de Sizenando – 2  (GEOGRAFIA) – Adalberto de Queiroz.

Geografia IGlobo antigo

Quando a Vila Jaiara era do mundo
O centro vital; se mais longe houvesse,
Lá chegara, aos saltos, de susto tomado
Em mim mesmo; silente rezava o missal.

Corria pelos campos – da savana, cerrado.

O medo do sistema heliocêntrico
Ainda não perdera: o medo de ser
Só. Eu vivia com meus irmãos e irmãs –

Éramos uma centena de bichinhos
Em torno de nossa mãe adotada,
A quem chamávamos de Senhora.

E em torno dela, tudo girava, girava…

Os grandes mandavam-nos, sorrateiros,
Andar pelo cerrado em busca de tudo:
Gabirobas, cajuzinhos, goiabas …
Na Vila Jaiara havia tanta coisa mais.
A casa de Helena; de deuses onde doces.
Que à caminhada tornava clara para nós.
Centro luminoso em que a ceia do Senhor.

Não havia São Paulo ou Rio de Janeiro –
No máximo: Belo Horizonte, Araxá
Povoavam nossos sonhos.
E talvez Ouro Preto e Divinópolis –
Onde Dora reinava…

– Goiânia, São Petersburgo e Tegucigalpa – só no Atlas.

Anápolis era outra estória: a cidade, o comércio longe demais…

Ali na Jaiara estava o centro de tudo
e no centro de tudo o amor:
Laíde Epifânia me nomeara “Maninho”.

Naquele tempo, na nossa vila, não passava um rio.
Mas havia a fábrica de tecidos, onde Jorge –
Noivo de minha irmã – tecia a união e afeto
E me ensinava a andar de bicicleta.

Do Vietnã,  só soube no ginásio.
Ψ.Ψ.Ψ.Ψ
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Fonte: Cadernos de Sizenando, vol. II, 2016 (no prelo).
Do mesmo autor, leia mais.

 

Compre o eBook do Autor.

Três poemeus da safra ’16

Dor (1)

Dizer da dor que não sente o quer-que-seja:
Só fingimento; é falta grave com a alma da gente;
De toda a gente que sabe o que é sofrer.

Da dor se diz pena, pain, ache o que dizer –
Da dor n’alma, sofrimento do que não ama.

Só dói em mim quando não expresso…

****
Folha em Branco. Blanche. Blank...Vida!COMPOSIÇÃO (1)

Vivia de escrever ilegível, hierático –
Rabiscos sem uso, brilho ou serventia.
Ansiava psicografar; fluir com o dia.

À noite a palavra disparada na mente;
Sem retoques: a mão incontida sobre
A página em branco: nenhuma máquina
Ativa; sem teclado, tábua, hieróglifo.

Nu feito santo ao desabrigo do frio.

****

Gatos-na-Sebastiana_Valparaiso.jpgCOMPOSIÇÃO (2)

Como vivia de escrever ilegível, um dia –
Um incêndio: desejo de automática escrita
No mais cômodo do achado maior perigo.

À noite os gatos pardos; o suor o inunda –
A mão sucumbe ao peso da composição
Não há limites, rimas, iâmbicos achaques.

Só; feito um gato sem o feromônio da poesia.
****

As almas da floresta desprezam o desenho preso e acorrentado ao papel congelado e irrepetível. As almas da floresta brincam entre duas perspectivas a do observado  e a do observador As almas da floresta enigma filosófico da criação, deliberação consciente do artista na sua necessidade visceral de diminuir a distância  para se poder ver As almas da floresta desenham fenômenos da natureza redesenhando suas leis As almas da floresta emergem como uma entidade singular  em movimento e expansão em busca da própria consciência. © Vilma Machado

(c) Ilustr. Vilma Machado.

COMPOSIÇÃO (3)

 

Todavia, em escrever ainda insistia – noite
E dia; suor e luta dispendia sem fim. Busca
de pobre sonhando com a cereja no bolo
Faminto – nem sequer cêntimo de farinha.
À noite o céu da boca do poema está vazio.

O pão quotidiano lhe faltou ontem; hoje
Entanto, miolo do pão da poesia: palpável.
Molhado ao leite do raciocínio límpido.
Aurora clara anuncia leite e pão de verdade;
E o chocolate dissolve-lhe a ideia de poesia.

****
Fonte: (c) QUEIROZ, Adalberto. Cadernos de Sizenando (poemas – 2), 2016.

 

Revista Banzeiro destaca “A MÍSTICA POÉTICA DE ADALBERTO DE QUEIROZ”

Caríssimos,

HOJE tive daquelas pequenas alegrias que marcam o dia como um sorriso escrito numa nuvem.

O professor e poeta Francisco Perna Filho, editor da Revista Banzeiro fez uma edição de Seleta de Poemas de minha autoria.

Aos leitores, espero que tenham prazer na leitura.

IlustracaoBanzeiro

A chave que abre a porta da alegria foi verificar a sensibilidade do editor em ler, entender e encontrar a adequada ilustração para os poemas selecionados. Deixo ao professor-poeta Editor gravado meu mais sincero agradecimento.

CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA LER OS POEMAS EM
“REVISTA BANZEIRO”.

Seis poemeus em Oficina Poética – do Diário da Manhã, Goiânia 16.08.2015

Na página “Oficina Poética“, de Elizabeth Caldeira Brito, no Diário da Manhã, Goiânia, 16-08-2015.

Oficina Poética #181, de Elizabeth Caldeira Brito, Diário da Manhã, 16-AGO-15.

Imagem do suplemento “Oficina Poética”, ed. #181, de Elizabeth Caldeira Brito, Diário da Manhã, Goiânia, 16-AGO-15. Clique na imagem para acessar o DM Online e ler os poemas.

Maigret volta à rotina

Monday, monday… 7 anos atrás!

Ercília Macedo-Eckel relê e interpreta os Cadernos de Sizenando

DEVO meu amor à literatura, em grande parte, à escritora Ercília Macedo-eckel, pois foi ela a pessoa que me ensinou muito do que sei de nossa língua portuguesa e sobre a literatura em geral, quando foi minha professora no CCM, em Anápolis,na décADA de 60 do século passado.
eRcília é Mestra em Literatura e escritora de reconhecido talento – membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, sócia da União Brasileira de Escritores – ube/gO e da Academia Petropolitana de Letras – RJ. Mestra em Letras pela UFG. 
Ercília analisa os Cadernos em aprofundada leitura

Curriculum reduzido de Ercília Macedo-Eckel

POIS BEM, através de Anatole Ramos reencontrei Ercília Macedo-Eckel na década de 80 em Goiânia e, agora, ela me brindou com um presente de Natal – um estudo aprofundado dos “Cadernos de Sizenando” que este ex-aluno e para sempre admirador da “professora Ercília“, só tem a agradecer.
O estudo que chegou para o Natal agora virou artigo…

Escritora Ercilia Macedo-Eckel

Lançamento de “Cadernos de Sizenando”, na FNAC Flamboyant, Ercília Macedo-Eckel e o Autor

Como na epígrafe do livro, aqui repito Gilbert Keith Chesterton (GKC):

…a prova de toda felicidade é a Gratidão“, portanto, só me resta dizer:
– Obrigado, amada professora!

Recebo com o coração e a mente em humilde atitude de aluno diante da Mestra, este estudo sobre meu livro de poemas & crônicas hoje publicado no Diário da Manhã – o que me deixa feliz e muito honrado (veja link abaixo). Ercília mostra com este artigo que leu, entendeu e bem decodificou a “mensagem” (o propósito) de seu ex-aluno, sabendo dali tirar, com generosíssima apreciação, muito do que o pupilo lhe servira em letra impressa.

LEIA O ESTUDO CRÍTICO em Diário da Manhã.

 

Adalberto em foto de Mônica Parreira.

O Autor é analisado em “Cadernos de Adalberto de Queiroz (Sizenando)” – DM, 25/01/2015              Foto: Mônica Parreira.

 

 

 

 

 

 

“Cadernos de Sizenando”, meu novo livro, será lançado na Fnac Goiânia

Amigo(a) Leitor(a),

Hoje é o grande dia para os Cadernos de Sizenando e para este blogueiro…
Aos que estão em Goiânia e região, um chamamento a que compareçam ao evento.

Aos que estão distantes de Goiânia, fica o convite para encomendar o livro na “Estante do Beto”, o meu site de vendas online.


 

Autor do blog lança livro de poemas e crônicas na Fnac/Flamboyant, 25 NOV 14, 19h00.

Hoje, estou lançando meu novo livro de poemas e crônicas na Fnac/Flamboyant, 25 NOV 14, 19h00.

 

Os “Cadernos de Sizenando” abrem-se ao público, na FNAC (Convite)

Adalberto lança “Cadernos de Sizenando”, poemas & crônicas, na FNAC, Flamboyant, Goiânia.

#Photo101 – Solitude

Solitude

Solidão, Amor

Poema do Livro “Cadernos de Sizenando”, p.72

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Fonte (c) QUEIROZ, Adalberto. “Cadernos de Sizenando”, Goiânia, Ed. Kelps, 2014, p.72.