Em lançamento: “Destino Palavra”

Venha celebrar a poesia na próxima 3a.-feira, 18/10, a partir das 19 horas, na Ube/Seção Goiás, Rua 21, nr. 262, próx. ao Lyceu de Goiânia (GO).

Participe do lançamento do meu novo livro de poesia – “Destino Palavra”, na Ube Goiás.
Link para o vídeo de apresentação do livro.


*Vídeo com créditos ao final, colaboração especial do Mestre (e doutorando) em Literatura – Francisco Perna Filho.

Destino Palavra

MEU NOVO LIVRO DE POEMAS

Breve! Em todas as boas livrarias virtuais do mundo (e algumas presenciais) do Brasil.
Capa Destino_3D.jpg
Saiba mais!

Da série canções mexicanas (iv)

MEXICANAS (4)

Cantar uma canção que seja pura umidade
Abolir o seco do cerrado com água do mar.
O canto assim reproduzido na seca tarde:
um por ter vivido e outro por se fabricar.

Eis o mister do que se quer molhado –
sem espanto ou abalo, na face do fado.
Do que do seco há de estar à contrapelo,
Silente se deseja mas cria grave apelo.

Eis o candente canto que reluz sem nada
Eis o mar do que na savana embarcara
Só a vela e o vento, sem trastes ou remos
Eis o que vai à raiz da fala e o ser aclara.

Todo dia, quando da janela, te vejo, ó Mar
– É o que desejo dizer-te: sou do Cerrado…
Desde menino tenho notícia do salgado
escondido e velado: tua face mais vulgar.

A candente luz na superfície de vidro é falsa
Sei que queres à lagoa grande te esgueirares
Deixa estar, amigo, viajo com a gaivota –

Aqui não estarei para sempre. Meu caminho
entanto, não deixarás jamais; o sal da memória
Vale, ó mar, intenso e duradouro – isso me basta!

Diários de um solitário

Livro I

Janela_Solidão

© Ahau1969 | Dreamstime.com

Quando do amor estiver sedento,
O peito dorido, a alma em pranto
À lágrima cede o cenho franco.

Só e triste deve o ser vivente
De todos fugir; em busca da prece
Do caminhar solitário; ausente.

Distante de todos e tudo, em busca
de si mesmo, sorvendo do mais fundo:
D’alma resgatar o butim de si mesmo.

– A poesia ao espírito solitário exalta.

Sorve e se deleita e calmamente
Se ausente do ruído geral; da orbe
Foge! O mais só; o mais nu – foge,
Pois, e sorve o que seja verdadeiro.

Longe, bem longe, não bastaria…
Que dissesse muita coisa; ouvir, sim!
Preferencial via do que sofre assim:
E saciado a sede da ausência cura.

Do amargo prazer aparente de tudo
Possuir – de todos próximo e cálido,
Está, mas de vero nada lhe pertence.

ω/ω
Beto Queiroz, drafts para Cadernos de Sizenando, vol, II.
(c)Imagem destacada – © Craig Ikegami Solitude | Dreamstime Stock Photos

 

No mínimo…#28

o espaço*Espaço_Poema2016

*Adalberto de Queiroz,  Cadernos de Sizenando, vol. II, 2016.

Poemas de ocasião (i)

i.i    cidades (i)Anapolis Histórica

Eu me movo
Tu me moves –
It is a

meme 
           moves.


Caliope_MusadaPoesiaψ

i.ii   mulheres
           desejam
ser vistas…
helenas

– Desejo-as!
  por a+b: tenho visto
[contido, entanto!]
todas – em uma…

 

Leia Cadernos de Sizenando

Poema–nova safra

I

Conceder à palavra o silêncio
para daí colher mais eficácia;
e assim procedendo ouvidos moucos –
falares inconsequentes; intermináveis
algaravias; ruidosos parlatórios – silenciam.

Dar-se a si mesmo silêncio:
– por que não me calo!?

Quiet and calm ouvir a voz interior
feito ouvisse conselho de pai –
No teu caso, de avoengos.

E assim obter mais autor
idade do olhar procedente
ante o ruído do século
foge o autor da trapaça.

Fazer voto de silêncio –
doar um par de óculos
usados como ex-voto;
esperando paz-mosteiro
na basílica da poiesis
olhar assim co’os mesmos
e baços olhos que vêem:
o Criador e a criatura –

– Pai, o que queres que eu faça ?

*******
Para “Cadernos de Sizenando”, vol. II, em preparo.

Poema–nova safra

I

Conceder à palavra o silêncio
para daí colher mais eficácia;
e assim procedendo ouvidos moucos –
falares inconsequentes; intermináveis
algaravias; ruidosos parlatórios – silenciam.

Dar-se a si mesmo silêncio:
– por que não me calo!?

Quiet and calm ouvir a voz interior
feito ouvisse conselho de pai –
No teu caso, de avoengos.

E assim obter mais autor
idade do olhar procedente
ante o ruído do século
foge o autor da trapaça.

Fazer voto de silêncio –
doar um par de óculos
usados como ex-voto;
esperando paz-mosteiro
na basílica da poiesis
olhar assim co’os mesmos
e baços olhos que vêem:
o Criador e a criatura –

– Pai, o que queres que eu faça ?

*******
Para “Cadernos de Sizenando”, vol. II, em preparo.

Imortal Jorge de Lima, apesar de a Academia achar que não!

LEIA-SE, dizia Manuel Anselmo em 1939, no Ensaio de Interpretação Crítica sobre A Poesia de Jorge de Lima:

Poema “Acendedor de Lampiões”, do livro XIV Alexandrinos (1907)
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
****************************************
Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!

—–
“LEIA-SE, com atenção, esse seu [dele, Jorge] célebre soneto “O Acendedor de Lampiões”, que consta hoje de várias antologias brasileiras…Aqui está, afinal, uma atitude de solidariedade humana que não destoa daqueloutra que consta dos seus poemas negros, por exemplo, “Pai João”, e se continua, com intensidade, nas páginas do seu romance “Calunga”. Além disso, esse soneto acusa uma facilidade verbal que não é, aliás, irmã dos esforços deslumbrados desses ourives florentinos que foram os parnasianos. Erradamente se apelidou, pois, de parnasiana, uma experiência que foi, afinal, clássica e tradicional.”

(*) Transcrito de Jorge de Lima, Poesia Completa, vol. I, p.37/8.