A três refeições e quatro filmes de distância
Por Adalberto de Queiroz, especial para O POPULAR

Na continuidade da aventura de grandes travessias, como a que fizemos no ano 2022 ao visitar a Coreia e o Japão, minha mulher Helenir e eu estamos hoje de partida para a China onde ficaremos até maio. O leitor há de se perguntar o que nos motiva a planejar um percurso tão longo e uma estada duradoura no Extremo Oriente.

Ao longo das próximas crônicas algumas respostas surgirão, mas antes ocupamo-nos de preparar a viagem, valendo-nos de um conselho sábio de um excelente cronista de viagens – o gaúcho Luis Fernando Veríssimo, com este trecho tirado de seu livro “Traçando o Japão”:

O aeroporto de Narita fica a exatamente três refeições e quatro filmes do aeroporto de Los Angeles. O aeroporto de Los Angeles fica a uma distância parecida do aeroporto de São Paulo. Convém não fazer a viagem de uma tacada só. Fica-se com a sensação de que a tacada foi no nosso lombo, e no nosso cérebro. A parada de alguns dias em Los Angeles equivale a um estágio numa câmara de descompressão.”

Esse conselho vale sobretudo para os maiores de 65 anos, como é nosso caso, ao encarar o longo percurso do Brasil à China. Na travessia que iniciamos hoje, optamos por Dubai como “câmara de descompressão”.

Não saberia calcular a distância deste nosso percurso com a régua do Veríssimo, mas ao longo da jornada pretendo anotar tudo que me chamar a atenção, pois é meu propósito enviar crônicas desta jornada aos meus leitores, numa retomada do Diário do Extremo Oriente, projeto de livro iniciado com a temporada no Japão e Coréia, no ano de 2022.

A preparação para a viagem inclui o mergulho na cultura, artes e literatura da China. Li alguns romances, assisti a filmes de viajantes jovens e experientes e estudei alguns detalhes do antigo “Império do Meio”, enquanto a Helenir se ocupava mais da história, economia e geopolítica do país continental.

Vale lembrar outro trecho do livro de Veríssimo escrito há 30 anos atrás: “Não sei posso dizer que vi o futuro no Japão. Ou, se vendo o futuro, vi um exemplo que nos serve. Só posso dizer que, seja lá o que for, funciona...”

Esta é uma viagem de lazer e prazer, não de estudo ou de negócios, então colocarei os números em segundo plano para valorizar os relatos sobre a paisagem, as pessoas e o futuro que nos espera em Shenzhen e outras nove cidades que pretendemos visitar. Mas não resisti a alguns passeios por dados e estatísticas sobre o país a ser visitado.

De minha parte, vou em busca de algo futurístico a que me transportam os vídeos e a um passado a que me transportam os romances, os contos e as peças chinesas. Desse passado recente, guardo com muito gosto a história de “Balzac e a costureirinha chinesa”, de Dai Sijie

Aventurei-me na leitura de algumas das 600 páginas do livro de Henry Kissinger – “Sobre a China”, em que relata sua experiência de mais de 50 viagens àquele país do Extremo Oriente.

Kissinger afirma que “como tantos visitantes ao longo dos séculos, passei a admirar o povo chinês, sua persistência, sua sutileza, seu apego à família, bem como a cultura que os chineses representam“.

Estamos ansiosos para vivenciar na prática o que só conhecemos por relatos. Sentir os cheiros, ver os rostos, andar pelas ruas, conhecer ao vivo as famosas floradas de cerejeiras, experimentar comidas exóticas, participar das cerimônias do chá, conhecer pessoas e construir uma nova visão a partir dessas experiências.

Foi assim na primeira viagem ao Oriente. 

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Uma resposta para “Crônica de viagem – Segunda viagem ao Extremo Oriente (China)”.

  1. Avatar de Nelsinho

    Suas crônicas são sempre interessantes e atrativas! Grande abraço!

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