Conectados pelo calendário

2018 está chegando a seu ocaso…

É hora de sondar o mistério intrincadíssimo do Tempo…
“O mistério do tempo não equivale a um interdito que pesa sobre a linguagem; ele suscita sobretudo a exigência de pensar mais e de dizer de outro modo”  – dizia Paul Ricoeur.

Aos diletos amigos da coluna “Destarte” e aos que a fizeram tornar-se realidade, gostaria de deixar meu muito obrigado e prometer-lhes novas aventuras no ano que se segue. Chego a pensar como Robin Hood numa balada, celebrando a festa do Dia de Maio: “Quantos meses felizes há no ano? / Há treze, eu diria.[i]

Mas como hoje em dia só há doze meses felizes, destes meses e dos dias precisamos retirar toda a essência do tempo. Os camponeses europeus que, durante mais de um milênio depois da adoção do calendário juliano, tiveram o gosto de 13 meses, 364 dias exatamente divisíveis por 28, veneravam as estações do ano de modo ritual como o fazemos, em menor escala neste século XXI num Ocidente ainda majoritariamente cristão.

Eis-nos, pois, às vésperas da passagem do ano, ainda comandados pela lua, mas negando-nos o comando das mulheres e daquilo que o poeta Robert Graves chamava de o mando da deusa-mãe ou a “Deusa Branca”. 

O poeta de Gales insiste em sua erudição que há lições que devemos aprender para entendermos completamente os ritos de hoje. O fato é que o cristão do século XXI deve manter toda sua fé para conseguir continuar lendo os Evangelhos e o poeta galês.

“A educação poética inglesa não deveria, na verdade, começar pelos “Contos de Canterbury”, nem pelo épico “A Odisseia”, nem mesmo pelo “Livro do Gênesis” [Bíblia], mas sim, com “A canção de Amergin”, um antigo calendário alfabético celta encontrado em inúmeras variantes irlandesas e galenses propositadamente deturpadas, que resume sucintamente o mito poético primordial.”

Naturalmente, o cristão há de continuar a verificar sempre sua versão do Gênesis 1, com sua cosmogonia, sua teodiceia judaico-cristã. Pois então, nesse final de 2018, insisto com Santo Agostinho e seus comentários ao Gênesis, que reputo mais fiéis que os do incensado poeta galês em sua tradução da lenda galesa e do entendimento do tempo. 

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Para Ler na Semana Santa 2015 (2)

M I S T É R I O da Paixão de C R I S T O
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Com meu amigo Sérgio Souza dO BLOG “OCAMPONES.COM”

(c)imagem by Veniteadme.wordpress.com
Santo Agostinho

“Nós – dizia Santo Agostinho ao povo – sabemos e acreditamos com fé certíssima que Cristo morreu só uma vez por nós […]. Sabeis perfeitamente bem que tudo isto foi feito apenas uma vez e ainda assim a solenidade periodicamente o renova […]. Verdade histórica e solenidade litúrgica não estão em contradição entre si, como se a segunda fosse falácia e somente a primeira correspondesse à verdade. Do que a história afirma ter acontecido uma só vez na realidade, a solenidade renova muitas vezes a celebração nos corações dos fiéis”.
(S. Agostinho, Sermone 220; PL 38, 1089).
Numa homilia de Páscoa do século IV, o bispo pronunciava estas palavras surpreendentemente modernas e, por assim dizer, existenciais: “Para cada homem, o princípio da vida é aquele, a partir do qual Cristo foi imolado por ele. Mas Cristo é imolado por ele quando ele reconhece a graça e se torna consciente da vida que lhe foi dada por aquela imolação”(Homilia pascal do ano 387; SCh 36, p. 59 s.). Com ZENITCésar Miranda e Sergio de Souza.

Eis a boa leitura, antes que anunciemos a Páscoa de Cristo… Continue lendo n’O Camponês.com/