10 livros marcantes

UMA PESSOA que as circuntâncias me fizeram esquecer o nome…
Encomendou-me esta listinha, que já a ela chegara d’Além Mar, de Lisboa ou alhures, enviada por uma amiga da pessoa de cujo nome fui obrigado a esquecer.
Há de ser apenas 10 (dez) livros e que sejam marcantes.
De início, pensei marcante para o dono da lista ou para “toda a gente…”?
Fui lá consultar o Aurélio, para quem marcante (adj.) é Notável, distinto, que se faz notar. O Caldas Aulete expande mais:
1. Que marca, caracteriza, distingue (atributo marcante).
2. Que sobressai, se destaca (presença marcante).
3. Registrado na memória de alguém (diz-se de momento, evento etc.).
Pronto, então é isso: livros que ficaram registrados na memória de quem elabora a lista. Bingo. Vá lá:
1) “O Bugre do Chapéu de Anta”, Francisco Marins(*1).
2) Eclesiastes, o livro entre os livros da “A Bíblia Sagrada” na tradução de J.F. de Almeida.
3) “A Descoberta do Outro”, Gustavo Corção.
4) “Mero Cristianismo”, C.S. Lewis.
5) “Grande Sertão: Veredas”. G. Rosa
6) “O Jogo das Contas de Vidro”, H. Hesse.
7) “A Rua dos Cataventos”, Mário Quintana.
8) “Cana Caiana”, Ascenso Ferreira, na versão gravada com a voz inesquecível de barítono pernambucano do Autor e que gravei na discoteca Pública Discoteca pública POA, na P. Alegre do final dos anos 70 (ainda era ali em frente ao magazine da Renner).
9) “Um Luz em Meu Ouvido” (e a tetralogia que o acompanha), de Elias Canetti
10) “Sonho de Uma Noite de Verão”, W. Shakespeare.
Ai, que 10 é muito pouco. Vejam que não tenho como me esquecer de todo o meu Balzac, amado, que comprei à prestação num sebo ali próximo da Biblioteca Pública de Porto Alegre, no final dos 70 do séc. passado.
Minha amada Emily Dickinson, principalmente o volumezinho comprado no sebo de São Carlos, vol. bilingue, na tradução primorosa de dona Aíla de Oliveira Gomes(*2).
Ufa! E o que dizer de todo o Fiodor Dostoievski, que tanto mexeu e ainda mexe com minha imaginação, principalmente as “Memórias do Subsolo” (ou Notas do Subterrâneo). E Goethe, meu livro marcante de verdade foi o “Werther” e a sua autobiografia “Poesia e Verdade”.
Deixa estar que farei outra listinha em breve. Au revoir e mil fois merci, amigos
+++++
(*) Este foi o primeiro livro que ganhei, lido, relido e (re)contado, na hora de dormir, ao redor de minha cama, para meus irmãos de criação no saudoso AEG. Nunca me esquecerei, dona Hilda Lins, de sua generosidade! Este livrino, dona Hilda, e os livros de nossa mãe Modesta B. Bernardes (coleção do Reader’s Digest, principalmente a história de Georges Washington Carver!) me descortinaram um mundo pleno de Imaginação e de Fantasia, que me deixavam às vezes, confesso, até mesmo aéreo…
Esses livros e os da biblioteca do Colégio Couto Magalhães, que dona Delfina me deixava ler até mesmo na coleção da Biblioteca das Moças (pois que a dos Moços já eu havia lido tudo) me anunciaram a Literatura e me provaram que se não podia mudar o estado das coisas, poderia me transportar para um mundo diverso e muito mais animador.

(*2) DICKINSON, Emily. “Uma Centena de Poemas”, tradução, introdução e notas por Aila de Oliveira Gomes. S.Paulo, T.A.Queiroz/Ed. USP, 1984.

Eu ouço música, Quintana

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo…

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá…

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.
+++
Fonte: Quintana, Mário. “Apontamentos de história sobrenatural”. P.Alegre, Globo/IEL/SEC, RS, 1976, pág. 51

Eu ouço música, Quintana

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo…

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá…

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.
+++
Fonte: Quintana, Mário. “Apontamentos de história sobrenatural”. P.Alegre, Globo/IEL/SEC, RS, 1976, pág. 51