Onde trato do vazio de traduções no Brasil…

No artigo de hoje em Opção Cultural (Goiânia), trato do desprezo que as editoras e os tradutores dão no Brasil a dois escritores católicos dos EUA – Flannery O´Connor e Hart Crane. Confiram, clicando no link.Destarte 02 MAI 2018

Meus posts mais lidos em 2016

Leitores amigos de Leveza & Esperança:

Olá! As veredas da leitura e da reflexão. É o que posso dizer sobre meu persistente trabalho aqui no blog. Um exercício pessoal que vai ganhando adeptos, sem nunca ceder à mesmice e ao mainstream editorial – estou mais interessado naqueles “talvez uns dois em mil” leitores de que nos fala o poema de  Wislawa SZYMBORSKA
(1923-2012).

Alguns gostam de poesia

Alguns –

ou seja nem todos.

Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.

Sim, dois em mil. Não milhões, tampouco half a million –  como parece imperar nos sites e portais atuais aqui você e eu (dois em mil) podemos nos deleitar com temas que não passam na web massiva; notadamente temas como Literatura e Fé, catolicismo, poesia e crítica literária. Essas reflexões sobre leituras ganharam este ano uma nova série de posts, intitulada “Queres ler o quê?” 

Eis-nos diante de mais um ano que chega, com aquela tendência natural ao ser humano racional e minimamente organizado: fazer um balanço do ano que se vai…

Nas estatísticas de 2016, eis os 5 posts mais lidos:

  1. Queres ler o quê (IV).

    BALZAC

    Se disser sim a Honoré de Balzac, terá o leitor uma miríade de informações a seu dispor – entre romances, originais e em tradução ao português, bem como uma das mais ricas fortunas críticas. Siga lendo…

  2. A Prece, Emily Dickinson.

    PRAYER is ……
    Pintura_Sassoferrato-The-Virgin-in-Prayer MilleChristi

    Prayer is the little implement…continue lendo!

  3. José J. Veiga – a ilha dos gatos pingados.

    Um conto excepcional, lido por mim… confira neste link.

  4. Especial Georges Bernanos

    DAQUI, você pode ir direto aos posts dedicados a Georges Bernanos, o mais brasileiro dos autores franceses. Confira no link.

    Capas Novos Livros Bernanos
  5. Livros – a lista 2015.

    Confira no link.

  6. Observação final.

    Espero que você, leitor especial do blog – dois deles especialíssimos (Eliana Pessoa e Nelson L. Castro) que sempre vêem, lêem e nem sempre comentam – tenha um bom 2017.

    Que a leitura seja sua, minha, nossa companheira, nosso alimento e nossa reserva de isolamento do mundo que se encontra em atoleiros cultural e moral inaceitáveis.
    Dois dos novíssimos escritores apreciados numa nova série de posts também tiveram enorme repercussão aqui e no Facebook. Autores do século XXI – uma fortuna crítica para os que (ainda) não são escritores famosos!
    6.1 – Karleno Bocarro – que apreciei neste post (ver link).
    karleno-bocarro_perfil
    6.2 – Rodrigo Duarte Garcia – neste aqui.
    O artigo completo está nos arquivos de Opção Cultural.
    os-invernos-da-ilha
    Em 2017, espero continuar trazendo até, você leitor, minhas avaliações de leituras, reflexões poéticas e culturais sobre o que vai publicando, aquilo que considero o melhor, sem influências outras que as dos irmãos de Fé e da tradição Católica. Espero continuar respondendo à pergunta:  “Queres ler o quê?
    Au revoir. Merci!
    Ω.Ω.Ω.Ω.Ω

No mínimo…#14

MIDDLE AGE, poema de ROBERT LOWELL (EUA< 1917–1977).

MEIA IDADE, trad. encontrada no blog de JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES.

words-in-air-robert-lowell-and-elizabeth-bishop1*Essa ilustração se justifica porque a amizade entre Lowell e Bishop foi significativa para ambos e porque foi a leitura de Elizabeth Bishop que me levou até Robert Lowell, graças a Edward Hirsh e Paul Mariani.
A foto da capa do livro é de uma visita de Lowell à poetisa no Rio de Janeiro, simula um “abraço”, 20160213_121339mas não à brasileira e sim com o caráter distante e frio de dois filhos da América puritana. Ainda hei de voltar a Lowell e a Elizabeth em outras entradas da série “No mínimo, um poema ao dia”. A montagem da ilustração é de  BookMeBookBlog.

Now the midwinter grind
is on me, New York
drills through my nerves,
as I walk
the chewed-up streets.At forty-five,
what next, what next?
At every corner,
I meet my Father,
my age, still alive.

Father, forgive me
my injuries,
as I forgive
those I
have injured!

You never climbed
Mount Sion, yet left
dinosaur
death-steps on the crust,
where I must walk.

A monotonia do solstício de inverno
está agora em mim, Nova Iorque
atravessa-me os nervos,
enquanto percorro
as ruas maceradas.Quarenta e cinco,
e a seguir?, e a seguir?
A cada esquina,
encontro meu Pai,
da minha idade, ainda vivo.

Pai, perdoa as
minhas ofensas,
como eu perdoo
aqueles que
tenho ofendido!

Nunca escalaste
o Monte Sião, porém deixaste
pegadas de dinossauro
na crosta
por onde devo caminhar.

Walt Whitman, 160 Anos depois…da 1a.edição de Folhas da relva

W Whitman - Cristo Carpinteiro

“Full of Life Now”
Walt Whitman
(1819-1892).

Daguerreótipo (pré-fotografia) de 1854, por Gabriel Harrison.
Gravura Em Metal de Whitman By Samuel Hollyer

walt whitman“A great poem is for ages and ages in common and for all degrees and complexions and all departments and sects and for a woman as much as a man and a man as much as a woman.
A great poem is no finish to a man or woman but rather a beginning.”

∼x∼
“Um grande poema continua por eras e eras em comum e por todos os graus e compleições e todos os departamentos e seitas e tanto por uma mulher quanto para um homem e por um homem quanto para uma mulher.”

(Trad. Rodrigo Garcia Lopes).

(Leaves of grass, edição de 1891-92).

O título deste post é o mesmo de um poema da edição de 1891-92, a última da sempre revisada obra do poeta norte-americano. Aqui se pode constatar a enorme intuição de Whitman, quanto ao poder da poesia que ele lançava ao mundo em seu único e sempre revisado volume de poemas: As Folhas da Relva. Confira, ouvindo e acompanhando o texto em inglês.

Transcrevo o original e a tradução em português (F. Gullar):
Pleno de vida agora (W.Whitman)
***************Trad. Ferreira Gullar.

Pleno de vida agora, consistente, visível,
Eu, quarenta anos vividos, no ano oitenta e três anos dos Estados,
Ao homem que viva daqui a um século, ou dentro de quantos séculos for,
A ti, que ainda não nasceste, dirijo este canto.
Quando leias isto, eu, que agora sou visível, terei me tornado invisível,
Enquanto tu serás consistente e visível, e darás realidade a meus poemas, voltando-te para mim,
Imaginando como seria bom se eu pudesse estar contigo e ser teu camarada:
Faz de conta que eu estou contigo.
(E não o duvides muito, porque eu estou aí nesse momento.)

via blog do Antonio Cícero*
***** FULL of life, now, compact, visible,

I, forty years old the Eighty-third Year of The States,
To one a century hence, or any number of centuries hence,
To you, yet unborn, these seeking you.

When you read these, I, that was visible, am become invisible;
Now it is you, compact, visible, realizing my poems,
seeking me;

Fancying how happy you were, if I could be with you, and
become your comrade;

Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am
now with you.)
separador

FONTE: Whitman, Walt. Leaves of Grass. 1867. The Walt Whitman Archive. Gen. ed. Ed Folsom and Kenneth M. Price. Accessed 26 May 2015.

“A word is dead…”

“A word is dead
When it is said,
Some say.
I say it just
Begins to live
That day.”
(E.Dickinson)

Emily aqui…
E, que maravilha, também no Deezer.com


O que nos permite ouvir+ler os poemas de Emily.