Destarte: pensar em Natal, nos faz voltar à Bondade n´Alma…

Minha Coluna em Jornal Opção Cultural Online, neste tempo da NATIVIDADE do Cristo começo uma série de artigos sobre os Poetas e o NATAL. Confira, clicando no link abaixo:

Destarte 07 DEZ 17.PNG

No mínimo…#11

ManuelBandeira_thumb.jpgMANUEL BANDEIRA (1886-1968), poema vertido ao inglês por Elizabeth Bishop.

O ÚLTIMO POEMA MY LAST POEM
Asssim eu queria o meu último poema I would like my last poem thus
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos
intencionais
That it be gentle saying the simplest and least
intended things
Que fosse ardente como um soluço de                                                     lágrimas That it be ardent like a tearless sob
Que tivesse a beleza das flores quase sem                                              perfume That it have the beauty of almolst scentless                                                          flowers
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos The purity of the flame in which the most limpid Diamonds are consumed
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação. The passion of suicides who kill themselves without explanation.

Esta Antologia provê uma visão de 14 poetas brasileiros notáveis à altura da publicação (1972), de uma geração que os editores intitulam “Modern Generation” e da Geração do pós-guerra (A Geração de ’45). De Manuel Bandeira a Ferreira Gullar, a antologia contempla aqueles poetas que passaram na seleção de leitura da “estrangeira” Bishop vivendo no Brasil, com a sua sensibilidade poético-cultural aguçada. Incluir Marcos Konder Reis entre os 14 seletos, parece um critério advindo do grupo de convivência da poetisa e de sua companheira Lota de Macedo Soares, quem sabe?!

Constata-se que Bishop e Emanuel Brasil conseguem uma visão interessante, embora não abrangente da poesia brasileira, para americano v(l)er, reunindo diversos tradutores – entre eles Ashley Brown que encarou com êxito a versão para o inglês de alguns trechos de Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto.

Ainda na mesma antologia, temos 20 poemas de João Cabral de Melo Neto (incluindo os trechos de Morte e Vida), vertidos ao inglês por diferentes poetas (e tradutores) norte-americanos. Cabral é o mais aquinhoado na antologia e isso porque deve ter correspondido ao que mais agradou a Elizabeth Bishop – em sua descoberta do nosso país – onde viveu por mais de 15 anos, aprendendo a ler e a escrever nosso idioma (a falar nem tanto, como dizia em carta a amigos).

Quem sabe em futuro próximo, volte com outras transcrições? Por ora, fica o Bandeira acima e esta imagem “scanned” de A Educação pela Pedra, traduzido por James Wright.
CabralEm Ingles By Wright


Fonte: An Anthology of Twentieth-Century Brazilian Poetry”, Edição e introdução de Elizabeth Bishop e Emanuel Brasil. Trad. Bishop et alli. Wesleyan University Press, Middletown, Connecticut, 1972; p.2/3.

Faltam 3 dias

Manuel Bandeira Soneto a Schmidt

De Manuel Bandeira para Augusto Frederico Schmidt.

Manuel vem-nos lembrar que a homenagem ao ‘poeta de Deus’ é
devida e merecida.
***********
Em 3 dias, vamos nos reunir para celebrar a poesia de Schmidt, lembrando 50 Anos em 1 noite…

Convite Evento Acieg Shmidt

Acieg e Ube apresentam
Homenagem ao Poeta
Augusto Frederico Schmidt e Lançamento de livro de Ortega Y Gasset com o professor Ricardo Araújo.

Villaça e o Nariz dos vivos

Mes chers,

Eis-me aqui novamente, depois de uma longa ausência – perdoável por conta do momento que vivo: mudanças de casa e de atitude. Passarinho não mais na “muda”, agora posso falar…

Abro, pois, este retorno com uma citação d´O Livro dos Fragmentos de A.C.Villaça:

“Pax intrantibus, está escrito no Gethsemani. Ainda está…
(…) A paz para os que entram. God alone, Deus, apenas” .

Se li 2 livros que me impressionaram neste ano da Graça de N.S.Jesus Cristo de 2010, diria que este “O Nariz do Morto” está entre eles.

Já ”O Livro dos Fragmentos” é como se fosse aquele livro do J.L.Borges às avessas – a “História Universal da Infâmia”, sendo que no caso do Villaça trocaríamos o último termo por “Fâmia” (sintagma que devo a uma piada de minha mulher – ela que me ouve com paciência falar informalmente sobre todos os livros que leio). Ah, pois que em casa não estou proibido de ser impressionista – i.e. de dizer que gostei (ou não) e o porquê. A crítica de jornais e revistas está hoje muita chata porque está proibida de dizer que gostou de um livro (ou filme?) nunca diz que gostou e sim elabora em cima de conceitos – na sua maioria ininteligíveis ou muitíssimo elaborados e sem  manifestar aquela alegria da Leitura que pode criar interesse pelo livro comentado. E perde a única, talvez, boa possibilidade de gerar novos leitores.
image
A.C. Villaça nos restaura a alegria da leitura. A leitura que se prolonga na conversação íntima, nos pensamentos, nos sonhos. Villaça nos provoca um desejo de escrever também, como críticos de nós mesmos e elaboradores da memória pessoal – aquela que jamais chamará a atenção da grande imprensa, das editoras –
, mas que vale quando estamos no pequeno círculo íntimo que tudo julga com a lente do Afeto.
Então, o texto que não poderei citar literalmente agora, por ter perdido o livro na enorme (e bela) biblioteca que ganhei na minha nova casa (ver foto abaixo) – ; ou (mais certo) o livro perdido na minha enorme desorganização.
É o texto uma passagem deliciosa sobre uma conferência de Manuel Bandeira.
A certa altura o Poeta deseja citar (e o faz) um de seus poemas.
IMG_8826
E, eis, que a emoção o trai e o Poeta esquece um trecho; no que é prontamente suplementado por alguém da platéia. A voz me pareceu na leitura irreconhecível para o memorialista (A.C.Villaça) e transforma-se naquela nota proustiana de perguntar-se porquê e quando, como um traço de seu pintor predileto…
O próprio Villaça depois desvenda o mistério do poema esquecido e completado pelofã em outro trecho não reconhecido. Transcrevo o poema abaixo, empolgado que estou por este outro livro de Bandeira que me caiu às mãos (e aos sentimentos) graças à Cosac Naïf Editora.
image
O poema completado de cor pelo fã – que depois se descobrirá nas leituras ser o próprio Villaça –
não está na coletânea de Bandeira, organizada por Edson Nery da Fonseca (ele que também interpreta Bandeira), mas vai transcrito abaixo.

ManuelBandeira
Vejo agora mesmo, no oráculo Google, que Villaça se lembra (isto imagino que no meu desaparecido “Nariz…”) que  : Manuel foi fazer uma conferência no Colégio Santo Inácio, em agosto de 1947. Eu morava na Tijuca e era uma noite de chuva, mas assim mesmo eu fui, de capa e guarda-chuva, nos meus quase 19 anos, para ouvir Manuel que falava sobre a sua própria poesia. Havia muita gente, apesar da chuva. Drummond, Alceu Amoroso Lima, José Lins do Rêgo, Margarida Lopes de Almeida, João Condé. No meio da conferência Bandeira resolveu acrescentar ao texto escrito um soneto que havia publicado no fim do seu primeiro livro “A cinza das horas”, 1917. Era um soneto chamado Renúncia,  escrito em Teresópolis em 1906, quando o poeta tinha 20 anos. Mas no meio da declamação improvisada a memória do poeta falhou e eu disse o verso em voz alta: ‘A vida é vã como a sombra que passa’. É claro que Manuel ficou muito feliz e pode assim prossegir a declamação do soneto. Na saída, Drummond nos perguntou irônico: Vocês combinaram o negócio?”

RENúNCIA (M.Bandeira)

Chora de manso e no íntimo… procura
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será ela só tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa
Sofre sereno e de alma sombranceira
Sem um grito sequer tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…

Villaça e o Nariz dos vivos

Mes chers,

Eis-me aqui novamente, depois de uma longa ausência – perdoável por conta do momento que vivo: mudanças de casa e de atitude. Passarinho não mais na “muda”, agora posso falar…

Abro, pois, este retorno com uma citação d´O Livro dos Fragmentos de A.C.Villaça:

“Pax intrantibus, está escrito no Gethsemani. Ainda está…
(…) A paz para os que entram. God alone, Deus, apenas” .

Se li 2 livros que me impressionaram neste ano da Graça de N.S.Jesus Cristo de 2010, diria que este “O Nariz do Morto” está entre eles.

Já ”O Livro dos Fragmentos” é como se fosse aquele livro do J.L.Borges às avessas – a “História Universal da Infâmia”, sendo que no caso do Villaça trocaríamos o último termo por “Fâmia” (sintagma que devo a uma piada de minha mulher – ela que me ouve com paciência falar informalmente sobre todos os livros que leio). Ah, pois que em casa não estou proibido de ser impressionista – i.e. de dizer que gostei (ou não) e o porquê. A crítica de jornais e revistas está hoje muita chata porque está proibida de dizer que gostou de um livro (ou filme?) nunca diz que gostou e sim elabora em cima de conceitos – na sua maioria ininteligíveis ou muitíssimo elaborados e sem  manifestar aquela alegria da Leitura que pode criar interesse pelo livro comentado. E perde a única, talvez, boa possibilidade de gerar novos leitores.
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A.C. Villaça nos restaura a alegria da leitura. A leitura que se prolonga na conversação íntima, nos pensamentos, nos sonhos. Villaça nos provoca um desejo de escrever também, como críticos de nós mesmos e elaboradores da memória pessoal – aquela que jamais chamará a atenção da grande imprensa, das editoras –
, mas que vale quando estamos no pequeno círculo íntimo que tudo julga com a lente do Afeto.
Então, o texto que não poderei citar literalmente agora, por ter perdido o livro na enorme (e bela) biblioteca que ganhei na minha nova casa (ver foto abaixo) – ; ou (mais certo) o livro perdido na minha enorme desorganização.
É o texto uma passagem deliciosa sobre uma conferência de Manuel Bandeira.
A certa altura o Poeta deseja citar (e o faz) um de seus poemas.
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E, eis, que a emoção o trai e o Poeta esquece um trecho; no que é prontamente suplementado por alguém da platéia. A voz me pareceu na leitura irreconhecível para o memorialista (A.C.Villaça) e transforma-se naquela nota proustiana de perguntar-se porquê e quando, como um traço de seu pintor predileto…
O próprio Villaça depois desvenda o mistério do poema esquecido e completado pelofã em outro trecho não reconhecido. Transcrevo o poema abaixo, empolgado que estou por este outro livro de Bandeira que me caiu às mãos (e aos sentimentos) graças à Cosac Naïf Editora.
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O poema completado de cor pelo fã – que depois se descobrirá nas leituras ser o próprio Villaça –
não está na coletânea de Bandeira, organizada por Edson Nery da Fonseca (ele que também interpreta Bandeira), mas vai transcrito abaixo.

ManuelBandeira
Vejo agora mesmo, no oráculo Google, que Villaça se lembra (isto imagino que no meu desaparecido “Nariz…”) que  : Manuel foi fazer uma conferência no Colégio Santo Inácio, em agosto de 1947. Eu morava na Tijuca e era uma noite de chuva, mas assim mesmo eu fui, de capa e guarda-chuva, nos meus quase 19 anos, para ouvir Manuel que falava sobre a sua própria poesia. Havia muita gente, apesar da chuva. Drummond, Alceu Amoroso Lima, José Lins do Rêgo, Margarida Lopes de Almeida, João Condé. No meio da conferência Bandeira resolveu acrescentar ao texto escrito um soneto que havia publicado no fim do seu primeiro livro “A cinza das horas”, 1917. Era um soneto chamado Renúncia,  escrito em Teresópolis em 1906, quando o poeta tinha 20 anos. Mas no meio da declamação improvisada a memória do poeta falhou e eu disse o verso em voz alta: ‘A vida é vã como a sombra que passa’. É claro que Manuel ficou muito feliz e pode assim prossegir a declamação do soneto. Na saída, Drummond nos perguntou irônico: Vocês combinaram o negócio?”

RENúNCIA (M.Bandeira)

Chora de manso e no íntimo… procura
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será ela só tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa
Sofre sereno e de alma sombranceira
Sem um grito sequer tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…