Caderno de rascunhos (1)

O temor ao Grifo

                                       “…encolhe-se o animal nas entrelinhas,
                                             e ri-se a sós de quem, por estar vivo,
                                             faz da poesia um desafio e um risco.”                                                                                                                                                (Ivan Junqueira).Grifo

Dizer o quê – do posto em que me vejo?
– Todo dia ler um pouco e estar a postos.
Não é o rio de minha aldeia nenhum Tejo.
Restam-me esses parcos versos compostos.

Digo do ponto de vista em que me vejo:
Ler e reler o mesmo livro, au rez-de-chaussée
Vehementius et pronfundius‘ – é meu desejo.
Confissão de leitor, doravante réu do escrever.

Ler e reler o mesmo livro de alto a baixo,
antes de o véu noturno cobrir-me o rosto
de solidão e medo qual a Ciência amarga.

Seguir incólume à fera que nas dobras do livro
A poesia abafa; ah, sede que o Grifo encolhido;
Sobranceiro, ameaça quem, sedento, vá ao poço.
*****
Goiânia, abril 2016.

 

Poemas de ocasião (i)

i.i    cidades (i)Anapolis Histórica

Eu me movo
Tu me moves –
It is a

meme 
           moves.


Caliope_MusadaPoesiaψ

i.ii   mulheres
           desejam
ser vistas…
helenas

– Desejo-as!
  por a+b: tenho visto
[contido, entanto!]
todas – em uma…

 

No mínimo…#13

Exercício poético.

À moda de Bandeira_v2

Fonte:  Cadernosde Sizenando, vol. ii, em preparo, Fev-2016.

Poema–nova safra

I

Conceder à palavra o silêncio
para daí colher mais eficácia;
e assim procedendo ouvidos moucos –
falares inconsequentes; intermináveis
algaravias; ruidosos parlatórios – silenciam.

Dar-se a si mesmo silêncio:
– por que não me calo!?

Quiet and calm ouvir a voz interior
feito ouvisse conselho de pai –
No teu caso, de avoengos.

E assim obter mais autor
idade do olhar procedente
ante o ruído do século
foge o autor da trapaça.

Fazer voto de silêncio –
doar um par de óculos
usados como ex-voto;
esperando paz-mosteiro
na basílica da poiesis
olhar assim co’os mesmos
e baços olhos que vêem:
o Criador e a criatura –

– Pai, o que queres que eu faça ?

*******
Para “Cadernos de Sizenando”, vol. II, em preparo.

Poema–nova safra

I

Conceder à palavra o silêncio
para daí colher mais eficácia;
e assim procedendo ouvidos moucos –
falares inconsequentes; intermináveis
algaravias; ruidosos parlatórios – silenciam.

Dar-se a si mesmo silêncio:
– por que não me calo!?

Quiet and calm ouvir a voz interior
feito ouvisse conselho de pai –
No teu caso, de avoengos.

E assim obter mais autor
idade do olhar procedente
ante o ruído do século
foge o autor da trapaça.

Fazer voto de silêncio –
doar um par de óculos
usados como ex-voto;
esperando paz-mosteiro
na basílica da poiesis
olhar assim co’os mesmos
e baços olhos que vêem:
o Criador e a criatura –

– Pai, o que queres que eu faça ?

*******
Para “Cadernos de Sizenando”, vol. II, em preparo.