As diversas espécies de um mundo em extinção

W Whitman - Cristo Carpinteiro

Na minha coluna de hoje, em Opção Cultural, Cunningham é o mote para eu escrever sobre Whitman – crítica de “Dias exemplares” (romance de Michael Cunningham).

Confiram, clicando na figura abaixo, para ler todo o artigo.Destarte 31 AGO 2017.JPG

Walt Whitman, 160 Anos depois…da 1a.edição de Folhas da relva

W Whitman - Cristo Carpinteiro

“Full of Life Now”
Walt Whitman
(1819-1892).

Daguerreótipo (pré-fotografia) de 1854, por Gabriel Harrison.
Gravura Em Metal de Whitman By Samuel Hollyer

walt whitman“A great poem is for ages and ages in common and for all degrees and complexions and all departments and sects and for a woman as much as a man and a man as much as a woman.
A great poem is no finish to a man or woman but rather a beginning.”

∼x∼
“Um grande poema continua por eras e eras em comum e por todos os graus e compleições e todos os departamentos e seitas e tanto por uma mulher quanto para um homem e por um homem quanto para uma mulher.”

(Trad. Rodrigo Garcia Lopes).

(Leaves of grass, edição de 1891-92).

O título deste post é o mesmo de um poema da edição de 1891-92, a última da sempre revisada obra do poeta norte-americano. Aqui se pode constatar a enorme intuição de Whitman, quanto ao poder da poesia que ele lançava ao mundo em seu único e sempre revisado volume de poemas: As Folhas da Relva. Confira, ouvindo e acompanhando o texto em inglês.

Transcrevo o original e a tradução em português (F. Gullar):
Pleno de vida agora (W.Whitman)
***************Trad. Ferreira Gullar.

Pleno de vida agora, consistente, visível,
Eu, quarenta anos vividos, no ano oitenta e três anos dos Estados,
Ao homem que viva daqui a um século, ou dentro de quantos séculos for,
A ti, que ainda não nasceste, dirijo este canto.
Quando leias isto, eu, que agora sou visível, terei me tornado invisível,
Enquanto tu serás consistente e visível, e darás realidade a meus poemas, voltando-te para mim,
Imaginando como seria bom se eu pudesse estar contigo e ser teu camarada:
Faz de conta que eu estou contigo.
(E não o duvides muito, porque eu estou aí nesse momento.)

via blog do Antonio Cícero*
***** FULL of life, now, compact, visible,

I, forty years old the Eighty-third Year of The States,
To one a century hence, or any number of centuries hence,
To you, yet unborn, these seeking you.

When you read these, I, that was visible, am become invisible;
Now it is you, compact, visible, realizing my poems,
seeking me;

Fancying how happy you were, if I could be with you, and
become your comrade;

Be it as if I were with you. (Be not too certain but I am
now with you.)
separador

FONTE: Whitman, Walt. Leaves of Grass. 1867. The Walt Whitman Archive. Gen. ed. Ed Folsom and Kenneth M. Price. Accessed 26 May 2015.

Walt Whitman (1/10)

“Feuillage, ensemble, accoucheur, trottoir, rendez-vous, embouchure, nonchalance, rondure, rapport…

– A maioria dessas palavras (entre outras do pequeno dicionário “franglais” de Walt Whitman) podem ser achadas no Webster’s “An American Dictionary of the English Language (News Haven, 1841).

Isso é o que nos conta Francis Murphy na introdução à edição da obra de Whitman – “The Complete Poems”, Penguin Books.

H.L. Mencken on Walt Whitman Lingua
Word-coiner, Whitman usou a língua das ruas, o francês, a língua dos negros e dos púlpitos, tudo para enriquecer o verso-livre.

Num famoso artigo, citado por Murphy (não o da lei que leva seu sobrenome!), Mme. Louise Pound refere-se a Whitman como um poeta que, apesar de não ter sido um estudioso da língua de Molière – e nunca ter viajado à França; gostava de incluir o francês em seus poemas. Mme. Pound acreditava que “sua [dele] predileção por coisas francesas tenha vindo de uma viagem que o poeta fizera a New Orleans, em 1848” (*).

O sr. Murphy diz que, desde que Emerson espirituosamente assinalou que “As Folhas da Relva” do Whitman era uma ‘combinação do Bhagavad-Gita com o New York Herald’, os editores têm o prazer de chamar atenção para o fato de que Walt Whitman é um “poliglota” em seu vocabulário poético. É o caso do famoso artigo de Mrs. Pound citado acima – ver referência completa no rodapé deste post.

H. L. Mencken diz que Whitman apenas inventava termos novos e se apropriava de palavras como um “word-coiner” – cunhador de alto estilo, by the way… que, além do franglais queria em sua poesia a língua dos negros, do púlpito, das ruas…enfim, uma língua que fosse próxima da língua falada. Talvez por isso mesmo o efeito final na maioria dos poemas de Whitman é que são muito bons de ser falados, lidos “em voz alta”, como gosto de dizer ou “declamados” que é como se dizia antigamente.
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O verso-livre lhe caía bem por ter sido um tipógrafo, antes de enfermeiro na guerra de Secessão. Enfim, a pesquisa sobre “a polegada a mais sobre Mrs. Dickinson, Emily Dickinson está a toda por essas bandas. Culpa do Euler Fagundes De França Belém, o incentivo de Helio Moreira e de Cecilia Do Amaral Queiroz (que descobrimos, no jantar de ontem, ser excelente pra ler poemas de WW em voz alta!). No Facebook, compartilhei este texto com meu amigo e ex-professor de Francês, com muito aprendi sobre a França, M. Serge Evreinoff e à minha amiga, a poetisa Maria Abadia Silva, francófona.

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(*) A edição da Peguin Books é boa (e portátil) antologia, mas não se rivaliza com a da Library of America (sel. de Justin Kaplan) – “Poetry and Prose”, 1982, que se encontra fácil na B&N ou na Amazon (link acima, para Kindle) e referências abaixo:

Walt Whitman, uma vida dedicada a lapidar Folhas da Relva
As duas edições citadas, sobre a minha mesa, ao compor este post.

Fontes: WHITMAN, Walt. Leaves of Grass. Editoras citadas acima; POUND, Louise. “Walt Whitman and the French Language, in American Speech, vol. I, 1925-6, p. 421-50, cit. by MURPHY, Francis, in Whitman, The Complete Poems, da Penguin Books, 1977, p.22. + Links web acima.