Gullariano, à inglesa: Ephemeral Invention

UM POEMA do escritor goiano EDIVAL LOURENÇO, vem de ser traduzido ao inglês por Eric M.B. Becker deve sair em Words Without Borders, revista da qual ele, Eric, é o editor.

EricMenorCreio ser um grande momento e uma chance  a mais de um talento poético das terras dos Goyazes mostrar sua força a um público amplo e diversificado. Lê-se muita poesia em língua inglesa. Os sites dedicados à poesia são muitos e interessantíssimos. Listo alguns que não se negam – como muitos brasileiros, a dispor os versos como devem ser dispostos, tratando-os com o respeito que a Poesia merece.

Alguns bons exemplos:
i. Poetry Foundation.
ii. Poets.org
iii. Eliot Society
iv. Notegraphy

Eis, portanto, uma janela que se abre à poesia feita em Goiás com a presença generosa do Eric em nossa terra.
Aqui, o tradutor originário de Minnesota (EUA) faz pesquisa de campo para a tradução do romance do Edival Lourenço – “Naqueles morros, depois da chuva”. Edit. Hedra (2011).
Ganhamos, de quebra, um poema do poeta-presidente Ube/Go (União Brasileira de Escritores, seção Goiás) na língua de Robert Frost (ou se preferir, de Eliot). Provocados por este blogueiro, Eric e Edival se dispuseram a antecipar a publicação, dizendo o poema no original e na tradução, durante oficina de tradução na Ube.

Edival Lourenço e EricBecker
Eric M.B.Becker e Edival Lourenço na 8a. Oficina Ube/GO, sobre tradução.

Aqui, você ouve o poema em inglês na voz do tradutor – Eric M.B.Becker.

E esta é a versão do poema falado por mim em português:

Abaixo, leia o poema no original – como publicado em “A caligrafia das heras (2012).
Gullariano_Poema do Edival
A nova versão do poema (ed. bilingüe).

Poema Bilingue

“A vida Muda o morto em multidão” – Mudará?

DO VERSO DE FERREIRA GULLAR

há lições a serem retiradas (da) e cotejadas com a realidade atual…(FGullar recebeu o prêmio Camões, 2010, foto sem (c) indicado

O livro “Dentro da Noite Veloz”, poemas de 1962-1974,  é de 1975. O poema-título é de 24.07.69. Era a fase do poeta em oposição ao regime militar – estamos, portanto, diante daquele típico livro de combate…

“Dentro da Noite…” traz poemas diversos em que, mesmo tendo a poesia como arma de sobrevivência, não deixa de conter o estilo de José Ribamar Ferreira (Ferreira Gullar) que o levará à maturidade poética e como pensador e crítico da Cultura que chega a ser considerado “o rei” da poesia brasileira contemporânea (Piza, 1999).

‘Está fora

de meu alcance

o meu fim

Sei só até

onde sou

contemporâneo

de mim.’

Mesmo que o guerrilheiro argentino “Che” Guevara apareça como protagonista do poema datado “dentro da Noite”, o poeta não se esconde na militância – abdicando do verso que forjará o seu estilo com o passar dos anos…A doença do esquerdismo juvenil parece não perdurar na maturidade do poeta.

O  poeta preso na Vila Militar (1969) pensa na liberdade como “sons de uma porta que bate”, de “árvores sob as nuvens; não havendo como não ver em Poesia com a marca do tempo, do combate temporário, a poesia dita datada – como se só o tempo presente parecesse interessar ao poeta: “A poesia é o presente” – diz. Ou quando, impotente diante da estarrecedora realidade da ditadura, o poeta clandestino (e depois exilado em B. Aires) (con)cede diante da realidade aterradora um mínimo para a estética ou para a poesis, preferindo “o neo-concreto” – corrente literária que por fim será um dos ícones:

“o poema, senhores,
não fede nem cheira”.                                                        

Gullar_Nordeste© foto de onordeste.com

O Ferreira Gullar maduro é o poeta que, por mais uma vez, se bate contra a ditadura – agora a ditadura do PT, dos governantes de agora, prováveis parceiros de outrora…
E se antes denunciava a fome em seus poemas das décadas passadas, hoje alerta que “Lula comprou os pobres do Brasil”, pela barriga…mercadejando com a Fome dos Outros.

Gullar mostra-se antenado com o momento brasileiro e alerta-nos para os riscos da “táticas bolivarianas” postas em prática pelo governo do PT, como também o fez corajosamente a poetisa mineira Adélia Prado.

Os intelectuais estão ausentes… os ditos artistas, intelectuais de esquerda…essas pessoas se calaram”.

”Os que faziam o panegírico
do PT, não tiveram a humildade de dizer: ERRAMOS!”

O País está naquele estágio em que Jean Braudillard chamava de
transparência do Mal”…

Ele, o Mal, está por toda a parte, em todos os poderes da República, na vida do país.

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