Poesia falada…Cem poemas essenciais

Projeto na Rádio Sagres-730 AM de Goiânia, GO.

Poema #85
A Rosa, do poeta goiano Valdivino Braz, música de fechamento, “Rosa Blanca” com Fernando Perillo, de Fernando Perillo / José Marti.

A ROSA – Valdivino Braz

(Poema para Eugênio Andrade)p.1

Uma rosa é uma rosa,
mas uma coisa é a rosa de Gertrude,
outra a rosa o Improviso de Andrade.

A rosa e a neve da vida breve.
De que serve uma rosa no inverno,

A não ser para arder com a lenha
na lareira da linha que se escreve?

O inverno é uma folha em branco,
alva rosa a beleza da neve.
O que mais se deseja da rosa,
senão que a neve lhe seja leve?

Na rosa da rima, a rosa é o poema.
Perdure o mistério de Eugénio.
A rosa eterna,
bela imagem do Efêmero.

Perpétua a flor do tempo.
E a flor do peito?
A face oculta
feita de pétalas pretas.

Outros outonos virão,
outros invernos,

Pela rótula do retorno.

Primavera? Verão?
Uma rosa, o coração.

Eis o link para ouvir minha récita deste poema:

Um poema falado na revista Perseus

Feliz por poder ampliar meus poemas falados num novo veículo.
Agradeço aos editores da Revista Perseus pela acolhida.

Cliquem na figura para ouvir o poema de Afonso Felix de Sousa, nosso conterrâneo (goiano) mais famoso no mundo da Poesia do século XX.

afonso_felix_de_sousa1

TURRIS EBURNEA ****Afonso Felix de Sousa.
Turris eburnea

Foram degraus
e degraus
e degraus
e aqui estou
senhora
no alto
da torre

Céu limpo
e eu limpo
do pó das ruas
assim purificado
senhora
aqui eu só espero
que venhas

Enfim sós e longe
de tudo
e embalados em rede
de nuvem
que senhora farra
faremos
senhora

Enfim sós e longe
de tudo
e sentado a uma mesa
de nuvem
com que versos mais belos
senhora
vou falar do mundo
ao mundo

Por que me trazes
senhora
à janela
da torre?
Não vês
que aquele lá embaixo
crucificado
nos cruzamentos
das ruas
sou eu
senhora?
Não vês
como me jogam
as ruas
pra lá e pra cá
e como de mim fazem
gato e sapato
senhora?

Foram degraus
e degraus
e degraus
para chegar ao alto
da torre
e a torre
senhora
não existia

Afonso Felix de Sousa. “Itinerário Leste & outros poemas.”

“Um livro constrói uma direção…”

Vista em retrospectiva, por esta coluna passaram, em 2017, vários autores críticos, poetas, cronistas, filósofos e o maior teólogo do século XX (J. Ratzinger).
Estes diálogos continuam semanais no ano que estamos começando, sempre em busca do “leitor que queima pestanas“, reavivando a velha “crônica-de-rodapé”, exemplar em Franklin de Oliveira, Augusto Meyer e Temístocles Linhares.
Para ler a coluna desta quinta-feira, clique na imagem abaixo:
Destarte 04 JAN 2018.PNG

Dia dos Namorados na América

Valentine’s Day 2017

Mesmo com a advertência de Drummond na memória (“Não faças versos sobre acontecimentos“),
ousei um poema para minha musa, neste Valentine’s Day in USA.
Confira, caro(a) leitor(a).
cancoes-americanas-1
AQ./.
Plantation, Florida, US, 14th, Feb/2017.

“Destino Palavra” em Goiânia

Diletos amigos do meu blog:

A presença de vocês me deixará ainda mais feliz!
Venha participar do coquetel. Estarei autografando a partir das 19h30.
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O livro tem posfácio do mestre (doutorando) Francisco Perna Filho.
Capa e projeto gráfico – Mário Zeidler Filho.
Revisão – Sérgio Marinho.
Edição – Beto Queiroz Livros , 88 p.
logobeto

Francisco Perna Filho, seleta de poemas

Eis abaixo uma Seleção da poesia de meu amigo Francisco (Chico) Perna, feita pelo próprio.

Fiquei muito honrado com a participação do Chico Perna em nosso projeto “Literatura Goyaz: Antologia (2015). Capa e Contracapa Antologia 2015.jpg

Em um tempo qualquer

[Ouvindo a Sinfonia nº. 5 de Gustav Mahler]

Eu vi o Mar
e a face líquida de Deus.
Um transbordamento
desta longa avenida,
no misterioso das águas.

São plenas,
e, daqui de cima,
sob o rumor dos motores a cortar
a carne líquida do Atlântico,
Contemplo os azulegos corcéis
desta aventura,
e precipito-me no desconhecido.
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Os rios são como os cavalos selvagens,
rumam em desatino, florescem a seu tempo,
investem no que acreditam. Não respondem a ordens, seguem.

Mais?! Siga o link…
Leia mais

*Literatura Goyaz: Antologia 2015

 *Lançamento.
Data: 19 de abril de 2016
Hora: 19h00
Local: Galeria do Teatro Basileu Toledo.
*********************************

DM Antologia

Uma nota na coluna do dileto amigo Ulisses Aesse merece uma ressalva no adjetivo usado pelo colunista no título: de acordo com o mestre Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, em seu clássico dicionário Analógico, “colaborativo(a)”, adj. diz respeito à combinação de causas que pressupõe “feito em aliança, em perfeita comunhão, conjuntamente com, em parceira com, ombro a ombro”; já “colaboracionista” diz respeito à inconfidência (sobretudo na França ocupada), à colaboração para fins de “arreglo”; o que em hipótese nenhuma tipifica-se nesta coletânea.
UlissesAesse!

Outras repercussões: Opção Cultural.
A Redação. O Popular. Coluna Oficina Poética. Revista Conexão Literatura.

Último pio do poetinha “Vargas”

DO ARTIGO DO amigo e parceiro do poeta Pio Vargas, hoje presidindo a Ube/Go, meu caro escritor e advogado Edival Lourenço em Colunistas Revista Bula.

Edival Lourenço em “Colunistas – Revista Bula”, 19-AGO-2015. “Até ho­je mui­tas pes­so­as di­zem que fui uma es­pé­cie de pai li­te­rá­rio de Pio Var­gas, que fui seu ori­en­ta­dor, a pes­soa que o co­nec­tou com a po­e­sia con­si­de­ra­da de boa qua­li­da­de. Eu mes­mo che­guei a ali­men­tar es­sa ilu­são por al­gum tem­po. Mas olhan­do ago­ra de lon­ge, pe­la pers­pec­ti­va que o tem­po nos dá, acre­di­to que há um equí­vo­co em tu­do is­so. Na ver­da­de, se há um pai li­te­rá­rio nes­sa re­la­ção, eu é que sou fi­lho de Pio Var­gas.” (E.L.)

DESPERTÁCULO
*Último poema de PIO VARGAS (1964-1991)

Es­tou pron­to
pa­ra a guer­ra que en­con­tro
quan­do acor­do:

bo­tei vi­gia nos sen­ti­dos
e ilu­di com com­pri­mi­dos
ou­tros se­res a meu bor­do.
Aban­do­nei o ví­cio
de es­tar sem­pre
a so­le­trar ru­í­nas,
dei li­ber­da­de a meus de­ten­tos
mi­nha pres­sa di­lu­iu nos pas­sos len­tos
e ras­guei
meu ca­len­dá­rio de ro­ti­nas.

In­ver­ti a or­dem.

Já não saio por aí
a de­vo­rar com­pro­mis­sos,
to­mei pos­se no go­ver­no de mi mes­mo
e der­ro­tei os meus omis­sos.

Ven­ci a ba­ta­lhas
de ter que es­tar sem­pre por per­to,
às ve­zes voo pa­ra den­tro
do meu so­nho a céu aber­to.

Es­tou pron­to:

eu já con­cor­do
com a guer­ra que en­con­tro
quan­do acor­do.
********************

(*) Dentro da cooperação e fraternidade literária surgida entre o “pai” e o “filho” (que se revezavam na amizade literária), havia sólida cumplicidade. Com o desaparecimento precoce do poeta, Edival recebeu da esposa de Pio um envelope e relata o que continha e o que ocorreu na noite anterior à morte:

<<“Na­que­la noi­te ele ain­da dei­xou com a Edi­le­ne Na­ves, sua mu­lher, um en­ve­lo­pe la­cra­do pa­ra ser en­tre­gue a mim. Den­tro con­ti­nha um li­vro de tí­tu­lo sin­to­má­ti­co: “Tu­do Que é Só­li­do Des­man­cha no Ar” (do americano Mars­hall Berman) e um po­e­ma pa­ra eu com­ple­men­tar. Com sua mor­te no dia se­guin­te, con­cluí que o po­e­ma es­ta­va pron­to. Por­tan­to nun­ca o com­ple­men­tei, e nun­ca vou com­ple­men­tá-lo. É a pri­mei­ra vez que mos­tro es­se po­e­ma, que tem um tí­tu­lo su­ges­ti­vo: “Despertáculo”.>>

LEIA MAIS poemas do Pio Vargas em seleta de Salomão Sousa, no website de Antonio Miranda.