Alta lucidez do papa emérito… – Adalberto De Queiroz

À coragem, que é uma virtude que sempre caracterizou J. Ratzinger como papa Bento XVI, soma-se agora a (re)afirmação da Lucidez. O decano papa Emérito o mostra em Crítica à Teologia da Libertação, na primeira entrevista, desde a sua renúncia.
(*)“A fé cristã era usada como motor por esse movimento revolucionário, transformando-se assim em uma força política. Naturalmente, essas ideias se apresentavam com diversas variantes e nem sempre se mostravam com absoluta clareza, mas, no todo, essa era a direção. A uma símile falsificação da fé cristã era necessário se opor até mesmo por amor aos pobres e em prol do serviço que deve ser feito para eles”.
Vale a pena conferir a entrevista inteira no website da revista Exame.

Em sua primeira entrevista
O papa emérito Bento XVI

Além de Coragem, Papa Emérito mostra altíssima lucidez, o papa emérito… – Adalberto De Queiroz.

Diálogo entre cristãos e islamitas (II) ou: construindo pontes de amizade

Ainda sob a proteção de Santo Elígio, continuo o meu trabalho de reforçar o diálogo em referência. Apesar de alguns dizerem que é uma bobagem o que estou fazendo, porque há poucos leitores que leem isso etc. etc.
Eu tampouco me importo com isso, pois sei que o mundo é feito de pequenas sementes de Amor.
Esta iniciativa deseja ser isso, apenas (assim como minha viagem ao Marrocos para encontrar um amigo islamita que conviveu em minha cidade e que me ensinou elementos importantes para dominar a língua Francesa!) – Eis um exemplo de convivência e diálogo que nunca esquecerei, mon ami, Alaoui…e foi por isso que fiz um grande esforço de viajar ao Marrocos enquanto vocês viviam o vosso Ramadã…

Antes de transcrever algumas pequenas passagens, nesta segunda inserção sobre o tema, gostaria de compartilhar algumas ideias do Papa mais incompreendido dos últimos anos, o Papa da renúncia ao Trono de São Pedro, meu querido incompreendido Bento XVI – meus netos hão de se lembrar dele e de tudo que fez pela Igreja de Cristo, estou certo.

Após ter sido confundido como inimigo do Islã, Bento XVI rezou com os ‘primos’ na Mesquita Azul e seu diálogo continuado incorporou pensamentos como esse na XX JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, em 2005, quando falou aos jovens muçulmanos:

“É nesta perspectiva que me dirijo a vós, diletos e estimados amigos muçulmanos, em vista de compartilhar convosco as minhas esperanças e para vos comunicar também as minhas solicitudes nestes momentos particularmente difíceis da história do nosso tempo.”
(Bento XVI aos jovens muçulmanos
)

“Eu garanto a vós que a Igreja deseja dar continuidade à construção de pontes de amizade com os seguidores de todas as religiões, a fim de procurar o bem autêntico de todas as pessoas e da sociedade no seu conjunto” (Discurso de 25 de Abril de 2005, n. 4).

Notem que o papa se dirige aos jovens islamitas falando a “amigos”, como deveríamos nos referir a todos os irmãos monoteístas (e aos demais, by the way) e fala em construir “pontes de amizade”.
Este diálogo, apesar de turvado pela interpretação quase sempre errônea da mídia esquerdista, é de uma validade enorme e me lembra sempre a confraria de Santo Elígio.
Para além da fronteira do preconceito e da arrogância das partes, o desprezo por culturas diferentes é algo que não é sábio negligenciar, tal como como disse R. Fletcher em seu pequeno grande livro “A Cruz e o Crescente” sobre o contrário: “há uma geologia das relações humanas que não é sábio negligenciar”.
Quando o discurso de Bento na Universidade de Ratisbona é mal interpretado, significa algo do subsolo das relações (azedado pela mídia que tem o poder de lente de aumento com importante desfoque).
Dois séculos nos separam dos ‘primos’ muçulmanos, pois quando Maomé “recebeu as suas primeiras revelações, no começo do séc. VII, o Cristianismo era, oficialmente, há dois séculos, a fé exclusiva do Império Romano, a superpotência do Mediterrâneo”.
Entretanto, nada nos autoriza a afirmar superioridade diante de nossos primos e tampouco de reforçar o desprezo pela diferença cultural.
Se pensamos na matemática, na medicina e na astronomia, não há como ignorar o avanço árabe e, hoje, se pensamos em centrar o conhecimento no Ocidente não há como desdenhar que o mundo hodierno parece construído para novas cruzadas e não para disputas pelo melhor do conhecimento e da evolução construtiva entre culturas.
Entretanto, livros como o de Richard Fletcher podem nos ensinar como apreciar o bom de cada lado e não continuarmos, de parte a parte, a ser geocêntricos.

Diálogo entre cristãos e islamitas (II) ou: construindo pontes de amizade

Ainda sob a proteção de Santo Elígio, continuo o meu trabalho de reforçar o diálogo em referência. Apesar de alguns dizerem que é uma bobagem o que estou fazendo, porque há poucos leitores que leem isso etc. etc.
Eu tampouco me importo com isso, pois sei que o mundo é feito de pequenas sementes de Amor.
Esta iniciativa deseja ser isso, apenas (assim como minha viagem ao Marrocos para encontrar um amigo islamita que conviveu em minha cidade e que me ensinou elementos importantes para dominar a língua Francesa!) – Eis um exemplo de convivência e diálogo que nunca esquecerei, mon ami, Alaoui…e foi por isso que fiz um grande esforço de viajar ao Marrocos enquanto vocês viviam o vosso Ramadã…

Antes de transcrever algumas pequenas passagens, nesta segunda inserção sobre o tema, gostaria de compartilhar algumas ideias do Papa mais incompreendido dos últimos anos, o Papa da renúncia ao Trono de São Pedro, meu querido incompreendido Bento XVI – meus netos hão de se lembrar dele e de tudo que fez pela Igreja de Cristo, estou certo.

Após ter sido confundido como inimigo do Islã, Bento XVI rezou com os ‘primos’ na Mesquita Azul e seu diálogo continuado incorporou pensamentos como esse na XX JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, em 2005, quando falou aos jovens muçulmanos:

“É nesta perspectiva que me dirijo a vós, diletos e estimados amigos muçulmanos, em vista de compartilhar convosco as minhas esperanças e para vos comunicar também as minhas solicitudes nestes momentos particularmente difíceis da história do nosso tempo.”
(Bento XVI aos jovens muçulmanos
)

“Eu garanto a vós que a Igreja deseja dar continuidade à construção de pontes de amizade com os seguidores de todas as religiões, a fim de procurar o bem autêntico de todas as pessoas e da sociedade no seu conjunto” (Discurso de 25 de Abril de 2005, n. 4).

Notem que o papa se dirige aos jovens islamitas falando a “amigos”, como deveríamos nos referir a todos os irmãos monoteístas (e aos demais, by the way) e fala em construir “pontes de amizade”.
Este diálogo, apesar de turvado pela interpretação quase sempre errônea da mídia esquerdista, é de uma validade enorme e me lembra sempre a confraria de Santo Elígio.
Para além da fronteira do preconceito e da arrogância das partes, o desprezo por culturas diferentes é algo que não é sábio negligenciar, tal como como disse R. Fletcher em seu pequeno grande livro “A Cruz e o Crescente” sobre o contrário: “há uma geologia das relações humanas que não é sábio negligenciar”.
Quando o discurso de Bento na Universidade de Ratisbona é mal interpretado, significa algo do subsolo das relações (azedado pela mídia que tem o poder de lente de aumento com importante desfoque).
Dois séculos nos separam dos ‘primos’ muçulmanos, pois quando Maomé “recebeu as suas primeiras revelações, no começo do séc. VII, o Cristianismo era, oficialmente, há dois séculos, a fé exclusiva do Império Romano, a superpotência do Mediterrâneo”.
Entretanto, nada nos autoriza a afirmar superioridade diante de nossos primos e tampouco de reforçar o desprezo pela diferença cultural.
Se pensamos na matemática, na medicina e na astronomia, não há como ignorar o avanço árabe e, hoje, se pensamos em centrar o conhecimento no Ocidente não há como desdenhar que o mundo hodierno parece construído para novas cruzadas e não para disputas pelo melhor do conhecimento e da evolução construtiva entre culturas.
Entretanto, livros como o de Richard Fletcher podem nos ensinar como apreciar o bom de cada lado e não continuarmos, de parte a parte, a ser geocêntricos.

Em nome da Paz

Papa Bento 16 fala em nome da Paz.

http://www.zenit.org/article-31289?l=portuguese

Nosso Pastor é um exemplo de equilíbrio num mundo em desordem. Viva o Papa. Deus proteja Bento xvi.

No Líbano, o Papa mostrou o equilíbrio do bom Católico: convivência em Paz com todas as religiões. Maronitas e Católicos juntos podemos dizer: amamos a Paz. Primos mulçumanos, venham para a Paz.

O pensador Bento xvi fala sobre o tema deste post, isto é, o fundamentalismo é uma falsificação da Religião. Como católico, creio que o Papa Bento elaborou bem. Deus Proteja o Papa. Confiram no link:  http://www.zenit.org/article-31297?l=portuguese

http://migre.me/aIEAJ

Leituras da Quaresma 2012

LENDO BENTO XVI sobre “Jesus de Nazaré”, descobrimos isso:
(…) Não há nenhuma oposição entre S.Mateus, que fala dos pobres segundo o espírito, e S. Lucas, segundo o qual o Senhor se dirige simplesmente aos ´pobres`.
Foi dito que S.Mateus teria espiritualizado o conceito de pobreza que segundo S.Lucas seria originariamente entendido de um modo material e real, e assim tê-lo-ia despojado da sua radicalidade.

Quem lê o Evangelho de S. Lucas sabe perfeitamente que precisamente este evangelista nos apresenta os ´pobres em espírito`, que eram por assim dizer os grupos sociológicos nos quais o caminho terreno de Jesus e da sua mensagem poderia tomar o seu início. E é inversamente claro que S. Mateus permanece totalmente na tradição da piedade dos Salmos e, assim, na visão do verdadeiro Israel, que nela encontrou sua expressão.

“A pobreza de que aqui se trata não é um fenômeno simplesmente material. A simples pobreza material não redime, ainda que certamente os preteridos deste mundo possam contar, de um modo muito especial, com a bondade de Deus. Mas o coração daqueles que nada possuem pode estar endurecido, envenenado, ser mau interiormente cheio de cobiça pela posse das coisas, esquecendo-se de Deus e cobiçando as propriedades externas.

“Por outro lado, a pobreza de que lá se fala também não é uma simples atitude espiritual. É evidente que a atitude radical que nos foi e nos é apresentada por tantos verdadeiros  cristãos, desde o pai do monaquismo Stø. Antão até S. Francisco de Assis; e até os exemplarmente pobres do nosso século não é obrigatória para todos.

Mas a Igreja precisa sempre, para estar em comunhão com os pobres de Jesus, dos grandes renunciadores; ela precisa das comunidades que os seguem, que vivem na pobreza e na simplicidade e que assim nos mostram a verdade das bem-aventuranças, para sacudir a todos para que estejam despertos, para compreenderem a propriedade apenas como serviço, para contraporem à cultura do ter uma cultura da liberdade interior e assim criarem os pressupostos para a justiça social.

“O Sermão da Montanha como tal não é nenhum programa social, isto é verdade. No entanto, somente onde estiver viva no pensar e no agir a grande orientação que ele nos dá, somente aí onde a força da renúncia e da responsabilidade para com o próximo e para com tudo vier da Fé, somente aí pode crescer a justiça social. E a Igreja como um todo deve manter-se consciente de que deve permanecer reconhecível como a comunidade dos ´pobres de Deus` Como o Antigo Testamento se abriu a partir dos pobres de Deus para a renovação da nova aliança, assim também toda a renovação da Igreja deve partir daqueles nos quais vive a mesma decisiva humildade e a mesma bondade disponível para o serviço.” (…)

++++

Fonte: RATZINGER, Joseph (Bento XVI, Papa). “Jesus de Nazaré”, 1a. parte, trad. J.J Ferreira de Farias. S. Paulo, edit. Planeta do Brasil, 2007, pág. 81/82.

Semana Santa, 2010

Transcrevo trechos da pregação de Bento XVI neste Domingo de Ramos, cfme. Zenit:

Paul Claudel - Le chemin de la Croix


Com a celebração do Domingo de Ramos,

começou “esta semana grande e santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do nosso Senhor”, explicou o Papa depois da Missa, ao introduzir o Ângelus.O Papa convidou a “participar com especial fervor das celebrações litúrgicas dos próximos dias, para experimentar e alegrar-se com a infinita misericórdia de Deus, que, por amor, nos liberta do pecado e da morte”.

Com a celebração deste domingo, o Pontífice iniciou o que poderia ser chamado de “maratona litúrgica” da Semana Santa: mais de duas horas de celebrações nesta manhã, as duas celebrações da Quinta-Feira Santa, as duas celebrações da Sexta-Feira Santa, a Missa da vigília pascal – com Batismo de adultos – e a celebração da manhã da Páscoa, com a bênção Urbi et Orbi.

Além disso, este ano haverá outra celebração importante: a Missa de aniversário do “nascimento no céu” de João Paulo II, que será realizada amanhã, 29 de março, às 18h, em São Pedro, de forma antecipada, já que o papa polonês faleceu no dia 2 de abril de 2005 (que neste ano coincide com a Sexta-Feira Santa).

Ler mais.

Emily Dickinson, 21/100*

The Brain – is wider than the Sky –
For – put them side by side
The one the other contain
With ease – and You – beside

The Brain is deeper than the sea
For – hold them – Blue to Blue –
The one the other will absorb
As Sponges – Buckets – do

The Brain is just the weight of God –
For – Heft them- Pound for Pound-
And they will difer – if they do –
As Syllable from Sound

O cérebro é mais vasto que o céu
Pois se os pomos lado a lado –
Aquele o outro contém –
Fácil – e a você também –

O cérebro é mais fundo que o mar –
Ponha-se azul contra azul –
Aquele o outro absorve –
Como a esponja baldes sorve –

O cérebro é do peso de Deus –
Sopese-os com precisão –
E vão diferir, se é o caso,
Como a sílaba do som.

Comentários de Aíla (pág. 195-6, op. cit.):
“Ilustra-se o encantamento “transcendentalista”de E.D. ante a potência inaudita da mente humana, aqui mencionada através de figura concreta, o cérebro. A identidade, assegurada por aquela consciência mental, devia ser “o presente que lhe deram os deuses quando ela era pequenina“, mencionado em outro poema. Insaciável, a mente alarga sua circunferência para abranger sempre mais, apossar-se do não-eu. Aqui se relembra uma velha balada popular inglesa “Riddles Wisely Expounded“. “Mais um teorema que um poema“, diz Anderson (Charles R. Anderson, Emily Dickinson’s Poetry – Stairway of Surprise, p.265).
A conclusão pode variar segundo a interpretação do leitor que considere maior, ou menor, a diferença entre a sílaba e o som. Enquanto o céu e o mar podem ser abarcados em sua aparência, Deus não é algo da mesma natureza; um parentético – “if they do” – pode significar “se há diferença“, ou “se há possibilidade de falar-se em diferenças“.
O original não coube táo fácil na forma da tradução, a começar pela diferença silábica de ‘brain’ e ‘cérebro. Novamente se metamorfoseia o ‘common measure’, agora em 9-7-7-7 sílabas. As rimas se arranjaram como foi possível.”

Eu, de minha parte, pensei neste poema por um longo tempo, na linha do que havia lido nas memórias do Papa Bento XVI, sobre “uma lenda, segundo a qual Santo Agostinho, meditando sobre o mistério da Trindade, viu na praia uma criança brincando com uma concha, com a qual ela tentava jogar a água do mar em um pequeno buraco. Então lhe teria sido dito: “assim como este buraco não pode conter a água do mar, a tua inteligência tampouco pode abranger o mistério de Deus”.  Assim, a concha me lembra meu grande mestre Agostinho, me lembra o meu trabalho teológico, me lembra a grandeza do mistério que ultrapassa todo o nosso saber“, conclui Ratzinger.

+++
(*) Fontes: Dickinson, Emily. “Uma Centena de Poemas” . Tradução Aíla de Oliveira Gomes, T.A.Queiroz Editor/Edit. Usp, 1985, pág. 90/91; p.195/196.
Ratzinger, J. (Papa Bento xvi). “Lembranças da minha vida: vol.1 (1927-1977). S.Paulo, Paulinas, 2006. Trad. Frederico Stein, pág. 137.