Suzana, a partir de “A mulher obscura”, romance de Jorge de Lima

Jorge de Lima, poeta católico brasileiro é também romancista. Seu romance “A mulher obscura” mostra a busca de um jovem por sua identidade, resgatando a figura feminina da mãe perdida logo cedo e do pai suicida. Constança e Hilda seriam essa síntese?

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Um manjar cultural à italiana

Nessa edição da coluna DESTARTE, em Opção Cultural, escrevo sobre o impacto das artes plásticas e do encontro direto com Sandro Boticelli e Leonardo, na Galeria Uffizi.

Para ler o artigo, clique no link abaixo das fotos.

DESTARTE – Opção Cultural.

Museu vivo, The Hermitage, prova que o comunismo nem sempre consegue sufocar a Arte

THE HERMITAGE, museu nacional russo em São Petersburgo, berço de jóias das artes plásticas de todo o mundo, museu vivo, sobrevivente da revolução russa de 1917, que o queria destruído ou em chamas…

COMO SE SABE, um dos comissários do governo socialista de Dilma Rousseff, e que ocupou o cargo de ministro de estado da “Educação” no Brasil, teria confessado pasmo sobre os museus e a educação (ou capacitação) de nossos jovens.

Ora, como os museus pertencem à Humanidade, só os contrários à Inteligência e à memória do saber e do fazer artístico, somente os contrários ao Humanismo podem ser contra os Museus. A resposta dada ao ex-Ministro da Educação e hoje Chefe da Casa Civil da Presidência, Sr. Aluísio Mercadante, já se tornou definitiva na voz e na pena de Leonel Katz. Este post tem outra finalidade: mostrar um pouco da riqueza de um museu que os comunistas da extinta URSS, a partir da revolução de 1917 tentaram em vão destruir – The Hermitage.

Madonna Litta
O Filho Pródigo (Rembrant), uma entre milhares de obras da arte européia. Madonna Lita, Obra rara recuperada pelos técnicos do The Hermitage. A Virgem e o Menino Jesus entre os Santos, a arte sacra européia tem lugar de destaque entre as jóias do Hermitage.

O Filho Pródigo_Rembrandt_Hermitage A Virgem e o Menino Jesus Com Santos A Virgem e o Menino Jesus Com Santos2 FATO: os governantes de linha marxista-leninista bem que tentaram, mas não conseguiram matar a Igreja Católica Ortodoxa nem tampouco este paraíso da cultura e das artes chamado “The Hermitage” – apesar de tentar com toda a força. Nascido de uma coleção particular de Catarina, a Grande, passando pelo zelo de Elizabeth, filha do czar Pedro,The Great, o Hermitage é obra arquitetônica do gênio de Bartolomeu Rastrelli, que contratado por Elizabeth, gerou uma obra-referência do barroco russo. A chamada Revolução de 1917 fez uma estrago nas coleções e legou ao abandono o museu, chegando ao limite de vender coleções inteiras em troca de alimento para o povo faminto, quando não para que alguns líderes da troika se locupletassem com a venda. Na 2a.Guerra Mundial de novo The Hermitage se põe em polvorosa – com a evacuação e as grandes perdas. Bruce Lincoln (Sunlight of Midnight) eternizou a evacuação do grande museu do leste europeu.
São Petersburgo retorna à normalidade com Gorbatchev e o museu sobrevive trazendo à luz e à visitação de seus mais de 300 espaços. Devemos a preservação e a recuperação de diversas obras a muitos mecenas – destacadamente, a Calouste Gulbenkian, da Iraq Petroleum Company, a Andrew Mellon, Secretário do Tesouro Norte-Americano e a Armand Hammer. Os mecenas e negociadores de quadros compravam os que os dirigente comunistas e “mercadantes” de quadros vendiam para alimentar a população faminta…

Asia Minor. City of Kizik  Stater  410 - 330s b.c.
Asia Minor. City of Kizik Stater 410 – 330s b.c.

Até porque o amor à Arte dessa gente é 0.0000001% em relação ao que gostam e procuram (sem cessar) a pecúnia pessoal, encontrando uma forma de se “locupletarem“, sempre em busca de uma boa sinecura….

Monet, Claude  Woman in the Garden. Sainte-Adresse  France, 1867
Monet, Claude Woman in the Garden. Sainte-Adresse France, 1867

Quando o presidente russo Boris Ieltsin, pós-Perestroika, devolveu o Muesu The Hermitage à comunidade, o mundo viu que o amor à Arte sobrevive às piores desgraças – ao fogo e à sanha stalinista-leninista (dos dirigentes
comunistas-oportunistas- e, alguns, mau-caráteres mesmo, que exerciam o Poder na URSS. Portanto, se algum ministro do governo atual disser que “Museu não interessa e nada tem a ver com Educação” (ou idiotice similar), nós os capacitados, os treinados e uns poucos educados nos princípios da Civilização, devemos dizer não à repetição da história – o que dizem só ocorrer como uma tragédia – devotando Amor ao que resta de nossa memória das Artes, evitando perdas irreversíveis para o bom-gosto das novas gerações. Lembro-me de Pietro Maria Bardi e do Masp, lembro-me de Assis Chateaubriand e isso me faz pensar num novo post sobre o tema. Até lá.

Veja mais nos links abaixo – Aqui:
Pinturas e desenhos do acervo do Hermitage

Ali: <a href=”http://www.hermitagemuseum.org/…/digi…/01.+paintings/29262/…http://www.hermitagemuseum.org/…/digi…/01.+paintings/29262/

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Hosemann, Teodor  Cavalcade of Princes and Knights. Quadrille 6  Germany, 1829
Hosemann, Teodor Cavalcade of Princes and Knights. Quadrille 6 Germany, 1829

Alguns números do The Hermitage:
– ~6mil visitantes/dia; ~3milhões visitantes/ano (2013); 500 quadros da arte Holandesa (140 artistas); 150 obras de Pintores Espanhóis; “O Filho Pródigo”, Rembrandt. 120 salas de arte européia…

ENFIM, um paraíso da Arte que a sanha destruidora dos idiotas ‘revolucionários’ foi incapaz de destruir, graças a Deus! E para quem um dia puder visitar são petersburgo, fica a dica de viagem.

A cura com as plantas do cerrado

Livro das Plantas do Cerrado

Capa do livro “Cordel de Plantas Medicinais do Cerrado”, de Evandra Rocha e Antonio Alencar, Ed. Asa/Kelps, Goiânia, 2012.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imaginário Poético

Quero dar meu mais caloroso Boas-Vindas a ….

Um lugar simples, arejado, bonito, de classe: “Imaginário Poético”.

E ainda que tem César Miranda nos arranjos musicais

Um desses oásis que vale a pena neste “mar de conhecimento compartilhado“.

Uma boa resposta à questão fundamental:
– Que futuro estará reservado à imaginação individual nessa que se convencionou chamar de a civilização da imagem?
SE a imaginação é um lugar dentro do qual chove“? (sem ser S.Paulo – SP, biensur!) (Starobinski/Dante) – sentença 1
SE imaginação é o motor da Poesia, bem como razão de ser dos exercícios do espírito! – sentença 2.

Conclusão:

– Recomendo com entusiasmo o “Imaginário Poético: revista eletrônica de artes, música, literatura e filosofia.
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Ano da França no Brasil (2)

A França oficial e o Brasil corporativo agem para divulgar a cultura francesa.MARC CHAGALL NA CASA FIAT
Pessoalmente, essa é uma exposição que gostaria de (re)ver:
Marc Chagall na Casa Fiat de Cultura em Bh.

A exposição está em cartaz na capital mineira até o dia 4/10, na Casa Fiat de Cultura.

São mais de 300 obras entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras, todas expostas gratuitamente ao público.
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Crédito das Fotos: Pedro Silveira/Entrelinhas data:03.08.2009.

Piero della Francesca ou: “o companheiro da argila deste mundo”

ELE devia se chamar Piero dei Franceschi, mas quis a história sobrepor-lhe o nome da mãe (que se chamava Romana de Monterchi)… Ignora-se porque o mestre de Arezzo seja “della Francesca”. Sobre os dados corretos de registro – incluindo seu nome de pia –  pouco se sabe, dizem os especialistas, porque perdidos nas brumas da história. Dos poucos dados existentes sobre a vida (do ano 1410 a 20-1492), uma certeza: era já reconhecido em vida como um mestre, um grande entre os grandes da pintura italiana e continuou influenciando gerações seguintes; frequentador das cortes de Ferrara a Rímini, de Urbino à Roma papal, é no pequeno burgo natal que mais lhe agradava pintar e viver e influenciar… o Borgo San Sepolcro, onde participa da vida política e social e é sepultado.

O que o mantem vivo são seus afrescos do Ciclo de Arezzo, pois continuam a ser objeto de extensa literatura crítica e eterna admiração. O olhar deste pobre fiel, vivendo os desastrados anos do vigésimo século e do início deste XXI, querem expressar o deslumbramento de quem mendiga fé e luz – como na voz do poeta Bruno Tolentino, que expressou tão bem o que essa prosa seca e murcha falha ao tentar o mesmo, no cair dessa noite do 3º. domingo da Quaresma `09:

24
Deixai-me celebrar tudo o que morre
abraçado a precários estilhaços,
o mundo de Piero entre pedaços
de cal arruinada, mundo-córrego,
livre, de gestos amplos como torres
erguendo-se sozinhas, como braços
pesados, suplicantes nos espaços
do real…Essa esmola ainda socorre
os mendigos que somos neste beco
curto, obscuro, estreito e sem saída,
o beco dos desastres desta vida.
Deixai-me celebrar aquele seco,
alto, argiloso e duro como esterco,
velho resto leproso, de ferida.

A parede caiada que vai se apagando com as marcas do tempo ainda testemunha a grandeza da oferta que nos dá o toscano, testemunhando até hoje o valor moral de sua arte, a religiosidade popular das cenas eleitas para ser eternizadas pelo artista. Na Construção e Prova da Cruz, revivemos a procissão antiga em torno da cruz.

E eis que do meio da multidão um homem me anuncia com suas mãos postas em prece,historias-da-santa-cruz_piero_detalhe o sentido inteiro dessa fase do ano litúrgico. Basta vê-lo para entender os versos do poeta Bruno e intimidado me nego a rabiscar outros no futuro:

25
Entre o instante e a argila vai passando

a doce mão da luz que esfuma e tece
o real outra vez; de vez em quando,
a velha tecelã, quando parece
ceder a sombras e penumbras, desce
pelo outro lado do visível dando-

lhe os laços pelas costas: surge o bando
de vaga-lumes que ela fez, ou fez-se

em torno dela. É assim o claro-escuro
natural às colinas da Toscana,

combinações do puro com o impuro,
e o olhar de Piero é seu grafismo:

nele a equação da luz é quase humana,
grave como o salgueiro sobre o abismo.

E se ao final da vida os olhos do pintor não pudesse captar a luz e as cores da terra natal, sua mente claramente continuava a dizer-lhe o caminho da pintura: “porque o dia/em seus olhos tremia como estrelarezasanta-cruz_piero_detalhe2

E assim, olhos trêmulos e úmidos, cá nos encontramos séculos depois,  aprendendo o caminho da prece comovida e silenciosa…
Ah, claro como a cor
da cinza que ele amava,
o companheiro da argila deste mundo…

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Fontes:
Quadro: Histórias da Santa Cruz – afresco do coro da igreja São Francisco, Arezzo, (detalhes e parte do texto ext. de Mestres da Pintura, Abril Cultural, 1978). Poema cit. Tolentino, Bruno. “O Mundo como Idéia“. Ed.Globo, 2001, pág.401.
Mais sobre a história preliminar ao quadro, aqui!

Festa do Batismo de Cristo

O Batismo. Piero della Francesca

Batismo, Piero Della Francesca, National Gallery, Londres. (c)Corbis Images.

21*
Se Ucello foi o lúdico profeta
do mundo-como-idéia, o redentor
da luz às cegas neste mundo em flor
foi o velho Piero, o anacoreta
de retorno à cidade por amor.
O mundo, transbordando-lhe a palheta,
era uma exatidão tanto maior
quanto mais perdulária, como a seta
que sobe e sem saber vai aonde for…
Piero della Francesca batizou
o eterno com o efêmero, na cor
das paredes mortais que tanto amou,
pôs sua geometria e sua dor:
seu par de asas frágeis como o vôo.

22
Penso, naturalmente, no Batismo,
seu céu de asas abertas sobre o imenso;
ou na Natividade; mas se penso
em tudo o que ele viu penso no abismo,
na argila cor de cinza, e no silêncio.
É do silêncio o estranho imobilismo
do Cristo ressurrecto, aquele intenso
adentramento quieto em cada prisma,
pronto a mostrar a chaga à criatura.
Mas foi nas pedras de uma igreja obscura,
no coração de Arezzo, que Piero
atravessou a adaga do real.
O conceito, a ilusão e o desespero
não puderam cruzar aquele umbral!

23
Em Arezzo é o fugaz que se proclama
nas interrupções do luminoso:
o mundo é interrompido como a chama
e é tudo meio incerto como um gozo,
tudo proclamação do duvidoso,
porque as paredes morrem e quem ama
esse acabar-se, escama por escama,
aceita seus vestígios como um pouso.
Piero equilibrou no temporal
a majestade toda do real;
nas paredes mortais daquele templo
tudo vira presença, reticência,
adeus interrompido, cada exemplo
unindo opacidade e transparência.
(…)
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(*) Poema extraído do livro “O Mundo Como Idéia“, Bruno Tolentino, pág. 399/400. Ed.Globo, 2001.