Lembranças do Novo México (1)

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(*) Sandia Mountain – Cibola National Forest.

DESTA VIAGEM aos EUA, levarei comigo (entre tantas boas lembranças) este campo de flores selvagens no meio do caminho de Albuquerque para Santa Fé.
As lembranças de viagens são assim: mesmo quando não fixadas num papel ou num hd (em centenas de fotos), elas nos perseguem nos sonhos ou nas lembranças mais profundas.
Há um campo de lavanda da ensolarada Provence guardado em meu cérebro e pronto para reflorir minha alma, sempre que a saudade da França cruza meus neurônios cansados…
Encontro sem dificuldade o espelho de um rio limpo no interior do Brasil, ou na gelada Pensilvânia.
E os campos de cana, sob o vento, a caminho de São Carlos; e campos de soja a caminho de Caldas Novas (GO), tudo arquivado para ser acessado com palavras chaves como “ternura” ou “poesia”, sob a chefia da irmã Natureza.

From the Life of Emily Dickinson

My friends are my ‘ estate ‘
My country is Truth.


(Emily Dickinson)
(…)
– The more one knows about background, foreground, center, what’ s ‘ above ‘ and what’ s ‘below”, the more real the poems become and the more awesome Emily Dickinson’ s achievement is seen to be.
(Richard B.Sewall em “The Life of Emily Dickinson”, Harvard Press, 2003). De fato, quanto mais se pesquisa e se pesquisa com mais honestidade, mais o talento de Emily D. aparece. Seus poemas tem a marca da sua individualidade e mais achamos razões para amar ED.

Good morning, ABQ!

Em ferias no Novo México (EUA) curto novos hábitos: durmo e acordo cedo (sunrise e sunset aqui sao verdadeiros shows do Criador!), caminho todos os dias, tomo minha porcao diaria (nada beneditina) de vinho, me alimento como um bispo, mas sem achar muito tempo pra leitura. Convivendo com a familia, adaptei-me ao tempo dos Outros (sendo esses tao queridos mais razão achamos para isso…) ainda não achei o tempo pretendido para a leitura.

Como as ferias pra mim tem um significado especial ao me proporcionar muito tempo para a contemplação e a leitura, planejo mudar para achar mais tempo para mim mesmo. (Ja notaram, meus 3 leitores, que o teclado em posição – imutável : “EN”, nao proporciona acentos e cedilhas, portanto, paciência com esse item…o corretor do WordPress me ajudou um pouco aqui).

Trouxe na bagagem apenas um Simenon, que minha mulher leu durante o voo (e eu ja havia lido) e um Reale (REALE, Giovanni. “O Saber dos Antigos. Terapia para os Tempos Atuais”, Ed. Loyola, 1999.), que leio vagarosamente (como deve ser as leituras filosoficas).
Ontem, comprei uma biografia de Emily Dickinson e comecei a ler, sem pretensoes de terminar ate o final dessa curta temporada nos EUA.

The Life of Emily Dickinson“, Richard B.Sewall, Ed. Harvard University Press, 2003. Agradou-me muito porque baseada em fontes primarias, buscando o que o autor chama de “factual context against which any theoretical interpretation“. Iniciada a leitura, prometo voltar com transcriçoes e comentários.

The Life of ED
Richard B Sewall

Por ora, vendo o mundo desde a mirada deste suburbio de Albuquerque, aos pes de uma montanha (Sandia Mountain), donde o sol se levanta, resta-me dizer-lhes, diletos amigos, que vejo o mundo com os olhos de (jovem) vovo, com pouco tempo para estar com voces. Mais me dedico a ver o nascer do sol e as manhas (com e sem circunflexo, by the way) do meu neto, nesse lugar em que o tempo nessa epoca e ameno e agradavel ao visitante e em que os pratos sao “spiced and chili“, como convém a boa tradição do New Mexico.
E so pra matar a saudade daqueles que (como este bloguero) amam Emily Dickinson, transcrevo esse poema e fico devendo a tradução (se e que a tenho, em casa, qui c’est?!):


“This is my letter to the World
That never wrote to Me –
The simple News that Nature told –
With tender Majesty

Her Message is commited To Hands I cannot see –
For love of
Her – Sweet – countrymen –
Judge tenderly – of Me
.
(1862, p.713, op.cit).