Poesia falada…Cem poemas essenciais

Projeto na Rádio Sagres-730 AM de Goiânia, GO.

Poema #85
A Rosa, do poeta goiano Valdivino Braz, música de fechamento, “Rosa Blanca” com Fernando Perillo, de Fernando Perillo / José Marti.

A ROSA – Valdivino Braz

(Poema para Eugênio Andrade)p.1

Uma rosa é uma rosa,
mas uma coisa é a rosa de Gertrude,
outra a rosa o Improviso de Andrade.

A rosa e a neve da vida breve.
De que serve uma rosa no inverno,

A não ser para arder com a lenha
na lareira da linha que se escreve?

O inverno é uma folha em branco,
alva rosa a beleza da neve.
O que mais se deseja da rosa,
senão que a neve lhe seja leve?

Na rosa da rima, a rosa é o poema.
Perdure o mistério de Eugénio.
A rosa eterna,
bela imagem do Efêmero.

Perpétua a flor do tempo.
E a flor do peito?
A face oculta
feita de pétalas pretas.

Outros outonos virão,
outros invernos,

Pela rótula do retorno.

Primavera? Verão?
Uma rosa, o coração.

Eis o link para ouvir minha récita deste poema:

Poesia falada (Néon)

Veja este vídeo com um poema falado.

Néon faz parte do livro “Frágil armação”, 2a. edição, Editora Caminhos, 2017, lançado na última 5a-feira, 14/09.

Gullariano, à inglesa: Ephemeral Invention

UM POEMA do escritor goiano EDIVAL LOURENÇO, vem de ser traduzido ao inglês por Eric M.B. Becker deve sair em Words Without Borders, revista da qual ele, Eric, é o editor.

EricMenorCreio ser um grande momento e uma chance  a mais de um talento poético das terras dos Goyazes mostrar sua força a um público amplo e diversificado. Lê-se muita poesia em língua inglesa. Os sites dedicados à poesia são muitos e interessantíssimos. Listo alguns que não se negam – como muitos brasileiros, a dispor os versos como devem ser dispostos, tratando-os com o respeito que a Poesia merece.

Alguns bons exemplos:
i. Poetry Foundation.
ii. Poets.org
iii. Eliot Society
iv. Notegraphy

Eis, portanto, uma janela que se abre à poesia feita em Goiás com a presença generosa do Eric em nossa terra.
Aqui, o tradutor originário de Minnesota (EUA) faz pesquisa de campo para a tradução do romance do Edival Lourenço – “Naqueles morros, depois da chuva”. Edit. Hedra (2011).
Ganhamos, de quebra, um poema do poeta-presidente Ube/Go (União Brasileira de Escritores, seção Goiás) na língua de Robert Frost (ou se preferir, de Eliot). Provocados por este blogueiro, Eric e Edival se dispuseram a antecipar a publicação, dizendo o poema no original e na tradução, durante oficina de tradução na Ube.

Edival Lourenço e EricBecker
Eric M.B.Becker e Edival Lourenço na 8a. Oficina Ube/GO, sobre tradução.

Aqui, você ouve o poema em inglês na voz do tradutor – Eric M.B.Becker.

E esta é a versão do poema falado por mim em português:

Abaixo, leia o poema no original – como publicado em “A caligrafia das heras (2012).
Gullariano_Poema do Edival
A nova versão do poema (ed. bilingüe).

Poema Bilingue

Gabriela Mistral ~ Poesia Falada

Projeto em nova fase.  Poesia Falada. Projeto “Os 100 mais belos poemas populares do mundo”- Edição de áudio de Roberval Silva. Produção: Paulo Rolim.

 

Projeto Poesia Falada*Nova Fase

Rudyard Kipling – Projeto em nova fase.  Poesia Falada. “projeto “Os 100 mais belos poemas populares do mundo”- Edição de áudio de Roberval Silva. Produção: Paulo Rolim.

Joseph Rudyard Kipling foi um autor e poeta britânico, conhecido por seus livros “The Jungle Book”, “The Second Jungle Book”, “Just So Stories”, e “Puck of Pook’s Hill”; sua novela, “Kim”; seus poemas, …Wikipédia
Nascimento: 30 de dezembro de 1865, Bombaim, Índia
Falecimento: 18 de janeiro de 1936, Londres, Reino Unido

PoetaRudyardKipling
SE…(If) 

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling

 

Imortal Jorge de Lima, apesar de a Academia achar que não!

LEIA-SE, dizia Manuel Anselmo em 1939, no Ensaio de Interpretação Crítica sobre A Poesia de Jorge de Lima:

Poema “Acendedor de Lampiões”, do livro XIV Alexandrinos (1907)
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
****************************************
Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!

—–
“LEIA-SE, com atenção, esse seu [dele, Jorge] célebre soneto “O Acendedor de Lampiões”, que consta hoje de várias antologias brasileiras…Aqui está, afinal, uma atitude de solidariedade humana que não destoa daqueloutra que consta dos seus poemas negros, por exemplo, “Pai João”, e se continua, com intensidade, nas páginas do seu romance “Calunga”. Além disso, esse soneto acusa uma facilidade verbal que não é, aliás, irmã dos esforços deslumbrados desses ourives florentinos que foram os parnasianos. Erradamente se apelidou, pois, de parnasiana, uma experiência que foi, afinal, clássica e tradicional.”

(*) Transcrito de Jorge de Lima, Poesia Completa, vol. I, p.37/8.

Revista Banzeiro destaca “A MÍSTICA POÉTICA DE ADALBERTO DE QUEIROZ”

Caríssimos,

HOJE tive daquelas pequenas alegrias que marcam o dia como um sorriso escrito numa nuvem.

O professor e poeta Francisco Perna Filho, editor da Revista Banzeiro fez uma edição de Seleta de Poemas de minha autoria.

Aos leitores, espero que tenham prazer na leitura.

IlustracaoBanzeiro

A chave que abre a porta da alegria foi verificar a sensibilidade do editor em ler, entender e encontrar a adequada ilustração para os poemas selecionados. Deixo ao professor-poeta Editor gravado meu mais sincero agradecimento.

CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA LER OS POEMAS EM
“REVISTA BANZEIRO”.

Último pio do poetinha “Vargas”

DO ARTIGO DO amigo e parceiro do poeta Pio Vargas, hoje presidindo a Ube/Go, meu caro escritor e advogado Edival Lourenço em Colunistas Revista Bula.

Edival Lourenço em “Colunistas – Revista Bula”, 19-AGO-2015. “Até ho­je mui­tas pes­so­as di­zem que fui uma es­pé­cie de pai li­te­rá­rio de Pio Var­gas, que fui seu ori­en­ta­dor, a pes­soa que o co­nec­tou com a po­e­sia con­si­de­ra­da de boa qua­li­da­de. Eu mes­mo che­guei a ali­men­tar es­sa ilu­são por al­gum tem­po. Mas olhan­do ago­ra de lon­ge, pe­la pers­pec­ti­va que o tem­po nos dá, acre­di­to que há um equí­vo­co em tu­do is­so. Na ver­da­de, se há um pai li­te­rá­rio nes­sa re­la­ção, eu é que sou fi­lho de Pio Var­gas.” (E.L.)

DESPERTÁCULO
*Último poema de PIO VARGAS (1964-1991)

Es­tou pron­to
pa­ra a guer­ra que en­con­tro
quan­do acor­do:

bo­tei vi­gia nos sen­ti­dos
e ilu­di com com­pri­mi­dos
ou­tros se­res a meu bor­do.
Aban­do­nei o ví­cio
de es­tar sem­pre
a so­le­trar ru­í­nas,
dei li­ber­da­de a meus de­ten­tos
mi­nha pres­sa di­lu­iu nos pas­sos len­tos
e ras­guei
meu ca­len­dá­rio de ro­ti­nas.

In­ver­ti a or­dem.

Já não saio por aí
a de­vo­rar com­pro­mis­sos,
to­mei pos­se no go­ver­no de mi mes­mo
e der­ro­tei os meus omis­sos.

Ven­ci a ba­ta­lhas
de ter que es­tar sem­pre por per­to,
às ve­zes voo pa­ra den­tro
do meu so­nho a céu aber­to.

Es­tou pron­to:

eu já con­cor­do
com a guer­ra que en­con­tro
quan­do acor­do.
********************

(*) Dentro da cooperação e fraternidade literária surgida entre o “pai” e o “filho” (que se revezavam na amizade literária), havia sólida cumplicidade. Com o desaparecimento precoce do poeta, Edival recebeu da esposa de Pio um envelope e relata o que continha e o que ocorreu na noite anterior à morte:

<<“Na­que­la noi­te ele ain­da dei­xou com a Edi­le­ne Na­ves, sua mu­lher, um en­ve­lo­pe la­cra­do pa­ra ser en­tre­gue a mim. Den­tro con­ti­nha um li­vro de tí­tu­lo sin­to­má­ti­co: “Tu­do Que é Só­li­do Des­man­cha no Ar” (do americano Mars­hall Berman) e um po­e­ma pa­ra eu com­ple­men­tar. Com sua mor­te no dia se­guin­te, con­cluí que o po­e­ma es­ta­va pron­to. Por­tan­to nun­ca o com­ple­men­tei, e nun­ca vou com­ple­men­tá-lo. É a pri­mei­ra vez que mos­tro es­se po­e­ma, que tem um tí­tu­lo su­ges­ti­vo: “Despertáculo”.>>

LEIA MAIS poemas do Pio Vargas em seleta de Salomão Sousa, no website de Antonio Miranda.