Noite Cultural reúne Schmidt e Ortega Y Gasset

PORQUE A BELEZA FOI FEITA PRA SER ROUBADA….50 Anos da Ausência/Presença escondida de Augusto Frederico Schmidt.

Convite Noite Cultural na Acieg Participe!

A poesia encontra a filosofia em Goiânia: evento cultural único em GYN – participe e divulgue!

Rompendo o 'círculo de silêncio" que se formou em torno da poesia mais que permanente de Augusto Frederico Schmidt, a ACIEG e a UBE promovem homenagem ao poeta-empresário Schmidt e lança livro do pensador espanhol Jose Ortega Y Gasset. Reserve na sua agenda!
Rompendo o ‘círculo de silêncio” que se formou em torno da poesia mais que permanente de Augusto Frederico Schmidt, a ACIEG e a UBE promovem homenagem ao poeta-empresário Schmidt e lança livro do pensador espanhol Jose Ortega Y Gasset. Reserve na sua agenda!

DEPOIS, volto com mais informações… Por ora, anote na sua agenda.
Se estiver em GYN ou região, divulgue para seus amigos que amam a Poesia e a Filosofia.

Motivação, segundo Ortega Y Gasset

Motivação:

“Antes de fazer alguma coisa, cada homem tem que decidir, por sua conta e risco, o que ele vai fazer. Porém essa decisão torna-se impossível se o homem não possui algumas convicções sobre o que são as coisas ao seu redor, ou os outros homens, ou ele mesmo. Unicamente tendo em vista tudo isto, ele pode preferir uma ação à outra, pode, em resumo, viver.

Daí que o homem tenha que estar sempre em alguma crença e que a estrutura de sua vida dependa primordialmente das crenças em que ele esteja e que as mudanças mais decisivas na humanidade sejam as mudanças de crenças, a intensificação ou enfraquecimento das mesmas. O diagnóstico de uma existência humana – de um homem, de um povo, de uma época – tem que começar assentando o repertório de suas convicções, que são a base da nossa vida. Por isso se diz que o homem está nelas. As crenças são o que verdadeiramente constitui o estado do homem, e eu as tenho chamado de “repertório” para indicar que a pluralidade de crenças em que um homem, um povo ou uma época está nunca possui uma articulação completamente lógica, isto é, não forma um sistema de idéias, como o é, ou aspira a sê-lo, por exemplo, uma filosofia.

(Ortega y Gasset).

Refiro-me à releitura atenta de Candide de Voltaire, na chácara de um amigo no interior de São Paulo, na pequena Boituva. Fico pensando nas desventuras do herói de Voltaire e suas implicações, seja como leitura de mero divertissement, seja como convite à reflexão.

A lição final em que se reúne todo os personagens em volta de Candide está clara:

“É preciso cuidar da nossa horta!”

“O trabalho nos livra de três dissabores: os vícios, as contrariedades e a pobreza” (check it!)

Atenção e cuidado com minha família (minhas três damas, as Amaral Queiroz), cuidado com minhas azaléias, minha ida à missa dominical, minhas aulas de catecismo…minhas cefaléias e insônias, meus livros, minhas croniquetas, meus poeminhas “bobinhos” (à la Marcos Caiado): minha vida, enfim…

Das coisas como entidades sentimentais (2)

A rotina diária deste dezembro tão célere me aconselha a não continuar derramando migalhas de tartines e gotas de Bordeaux sobre o teclado de meus seis leitores. Abandono temporário das crônicas com seu sabor de andívias e com cheiros das boas cozinhas da Douce France por onde circulei neste outono passado. Dedico-me, pois, a dizer-lhes duas ou três palavras sobre as coisas da viagem e uma específica sobre os chapéus.

Não vai longe o dia em que um senhor comprava verduras na mesma banca que eu, usando begala e me transmitiu aquele sentimento inominável que começa pela observação visual e vai ganhando as fímbrias do espírito para ali se debruçar com o nome de saudade. Sim, senti, como dois dos meus seis leitores seriam capazes se lembrar: saudades de um chapéu panamá que jamais usei. Na verdade, deveria nomear o sentimento como saudade do que não fui.

Longe vai o dia em que olhava com respeito um senador da República pousando no Salgado Filho, com um belo chapéu e um sobretudo. Era o Senador Brossard (seria mesmo senador àquela época do início dos anos 70?) que me chamava a atenção pela elegância de seus ternos, pela redondilha maior de seus discursos e por uma certa dignidade que o chapéu parecia conferir ao polítido. Longe me parece o dia em que sob o chapéu se carregava decência e dignidade na vida dita pública, pois que, pra mim a vida é única.

Mas deixemos de lado o vestuário e nos ocupemos com o espírito. Saímos de Aix-en-Provence na manhã de uma segunda-feira, depois de sermos surpreendidos com o anúncio de nossa hotelier, na hora do check-out, de os amigos já haviam quitado nossa conta de hotel, no belo balneário de Sausset-les-Pins. No domingo, havíamos almoçado com os amigos Jean e Marie na varanda de uma casa em obras, a metros do Mediterrâneo, próxima a uma grande usina da EDF. Na segunda, surpreenderam-nos com o presente da estadia e um chapéu.

Brindados com um céu de um azul sem nuvens, ali ficamos horas em torno de um Vaqueyras, entre amigos e nossas esposas, em fraterna amizade. E foi por amar os chapéus que deixei aflorar na conversação meu sonho de ter um panamá… À saída, Jean Madar me presenteou com seu velho panamá, que passei a orgulhosamente usar desde logo.

Eu tenho uma coleção de bonés e só um chapéu, por coincidência um chapéu que um amigo músico me presenteou em meio à militância de meu esquerdismo juvenil. Este outro vinha, pois, na idade da razão e das mãos também de um ex-quadro comunista francês, hoje aos 60, empresário e avô cioso de seus afetos e seus relacionamentos – que são, como ele mesmo diz “contas de adição, jamais de diminuição…”

Enquanto não cedo à tentação de alivanhar uns versos sem rima, as idéias esvoaçavam sobre a minha cabeça como se fossem “livros, esses insetos vegetais” corro para o meu Ortega e graciosas idéias afloram sobre o sentimento que só os falantes da língua portuguesa podem nomear.
“La vida es un viaje, decian los ascetas, y corrigiendo la puntería disparaban sus armas como dardos hacia la eterna posada…
– Por que eleger a viagem como metáfora substancial da vida inteira? – indaga o mestre espanhol, para responder sobre a fugacidade, caráter essencial que é próprio de nossa relação com as coisas. Ao mesmo em que dizemos a uma paisagem, a um acontecimento ou uma amizade, já vêm, já vêm… temos logo que preparar nossos lábios para pronunciar: “ya se van, ya se van…