Emily Dickinson (“uma centena de poemas”)

QUÃO SABOROSAS SÃO AS MANHÃS DE SÁBADO… Tanto mais quando as completamos com poesia.

ABRO “Uma Centena de Poemas”(*) ao acaso, como quem abrisse um breviário. E me vem este presente:

Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes
Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes

Dizem, ‘com o tempo se esquece’,
Mas isto não é verdade,
Que a dor real endurece,
Como os músculos, com a idade.

O tempo é o teste da dor,
Mas não é o seu remédio –
Prove-o e, se provado for,
É que não houve moléstia.
(686)
School

E virando a página:

“Um pensamento me veio hoje à mente
Que já antes me ocorreu.
Não o concluí; foi tempo atrás; que ano
Não lembro corretamente;

Nem para onde foi, nem porque veio
A mim por segunda vez;
Nem, em definitivo, o que ele era
Tenho a arte de dizer.

Mas – em algum canto – em minha alma – eu sei
Que já encontrei Coisa assim –
Foi só um relembrar – foi tão somente –
E já não mais veio a mim.
(701)

 

+++++
Fonte: DICKINSON, Emily. “Uma Centena de Poemas”. Trad., introd. e notas por Aíla de Oliveira Gomes. T.A. Queiroz/USP, S.Paulo, 1984, p. 100/103.

Ver também os poemas no original:
606
They say that “Time assuages” –
Time never did assuage –
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age –

Time is a Test of Trouble –
But not a Remedy –
If such it prove, it prove too
There was no Malady –


701
A Thought went up my mind today –
That I have had before –
But did not finish – some way back –
I could not fix the Year –

Nor where it went – nor why it came
The second time to me –
Nor definitely, what it was –
Have I the Art to say –

But somewhere – in my Soul – I know –
I’ve met the thing before –
It just reminded me – ‘twas all –
And came my way no more –
© Emily Dickinson, trad. AÍLA DE OLIVEIRA GOMES.

Emily Dickinson (“uma centena de poemas”)

QUÃO SABOROSAS SÃO AS MANHÃS DE SÁBADO… Tanto mais quando as completamos com poesia.

ABRO “Uma Centena de Poemas”(*) ao acaso, como quem abrisse um breviário. E me vem este presente:

Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes
Trad., introd. e notas de Aíla de Oliveira Gomes

Dizem, ‘com o tempo se esquece’,
Mas isto não é verdade,
Que a dor real endurece,
Como os músculos, com a idade.

O tempo é o teste da dor,
Mas não é o seu remédio –
Prove-o e, se provado for,
É que não houve moléstia.
(686)
School

E virando a página:

“Um pensamento me veio hoje à mente
Que já antes me ocorreu.
Não o concluí; foi tempo atrás; que ano
Não lembro corretamente;

Nem para onde foi, nem porque veio
A mim por segunda vez;
Nem, em definitivo, o que ele era
Tenho a arte de dizer.

Mas – em algum canto – em minha alma – eu sei
Que já encontrei Coisa assim –
Foi só um relembrar – foi tão somente –
E já não mais veio a mim.
(701)

 

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Fonte: DICKINSON, Emily. “Uma Centena de Poemas”. Trad., introd. e notas por Aíla de Oliveira Gomes. T.A. Queiroz/USP, S.Paulo, 1984, p. 100/103.

Ver também os poemas no original:
606
They say that “Time assuages” –
Time never did assuage –
An actual suffering strengthens
As Sinews do, with age –

Time is a Test of Trouble –
But not a Remedy –
If such it prove, it prove too
There was no Malady –


701
A Thought went up my mind today –
That I have had before –
But did not finish – some way back –
I could not fix the Year –

Nor where it went – nor why it came
The second time to me –
Nor definitely, what it was –
Have I the Art to say –

But somewhere – in my Soul – I know –
I’ve met the thing before –
It just reminded me – ‘twas all –
And came my way no more –
© Emily Dickinson, trad. AÍLA DE OLIVEIRA GOMES.