Motivação, segundo Ortega Y Gasset

Motivação:

“Antes de fazer alguma coisa, cada homem tem que decidir, por sua conta e risco, o que ele vai fazer. Porém essa decisão torna-se impossível se o homem não possui algumas convicções sobre o que são as coisas ao seu redor, ou os outros homens, ou ele mesmo. Unicamente tendo em vista tudo isto, ele pode preferir uma ação à outra, pode, em resumo, viver.

Daí que o homem tenha que estar sempre em alguma crença e que a estrutura de sua vida dependa primordialmente das crenças em que ele esteja e que as mudanças mais decisivas na humanidade sejam as mudanças de crenças, a intensificação ou enfraquecimento das mesmas. O diagnóstico de uma existência humana – de um homem, de um povo, de uma época – tem que começar assentando o repertório de suas convicções, que são a base da nossa vida. Por isso se diz que o homem está nelas. As crenças são o que verdadeiramente constitui o estado do homem, e eu as tenho chamado de “repertório” para indicar que a pluralidade de crenças em que um homem, um povo ou uma época está nunca possui uma articulação completamente lógica, isto é, não forma um sistema de idéias, como o é, ou aspira a sê-lo, por exemplo, uma filosofia.

(Ortega y Gasset).

Refiro-me à releitura atenta de Candide de Voltaire, na chácara de um amigo no interior de São Paulo, na pequena Boituva. Fico pensando nas desventuras do herói de Voltaire e suas implicações, seja como leitura de mero divertissement, seja como convite à reflexão.

A lição final em que se reúne todo os personagens em volta de Candide está clara:

“É preciso cuidar da nossa horta!”

“O trabalho nos livra de três dissabores: os vícios, as contrariedades e a pobreza” (check it!)

Atenção e cuidado com minha família (minhas três damas, as Amaral Queiroz), cuidado com minhas azaléias, minha ida à missa dominical, minhas aulas de catecismo…minhas cefaléias e insônias, meus livros, minhas croniquetas, meus poeminhas “bobinhos” (à la Marcos Caiado): minha vida, enfim…