Destarte: pensar em Natal, nos faz voltar à Bondade n´Alma…

Minha Coluna em Jornal Opção Cultural Online, neste tempo da NATIVIDADE do Cristo começo uma série de artigos sobre os Poetas e o NATAL. Confira, clicando no link abaixo:

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Para Ler na Quaresma 2014 (II)

 

Manuel Bandeira –

Poeta amado na minha juventude, foi por um tempo esquecido, até que Edson Nery da Fonseca me fez redescobrir seus poema (dele, Bandeira), num volumezinho primoroso (como quase todos) da Editora Cosac Manuel BandeiraNaify.

Antes, confesso, na longa temporada em que passei lendo (e apreciando J.G. Merquior, apareceu-me um Bandeira diferente (o crítico) que escolhera o jovem Merquior como co-Autor da Antologia da Poesia Brasileira, 1963. Mas isso isso é assunto para outro post. Agora, para esta Leitura de Quaresma (2014), selecionei alguns poemas do volume e referência de um bom site, onde o leitor encontrará mais poemas de Bandeira.

UBIQÜIDADE

Estás em tudo que penso,
Estás em quanto imagino:
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.
Estás na ovelha que pasce,
Estás no rio que corre:
Estás em tudo que nasce,
Estás em tudo que morre.
Em tudo estás, nem repousas,
Ó ser tão mesmo e diverso!
(Eras no início das cousas,
Serás no fim do universo.)
Estás na alma e nos sentidos.
Estás no espírito, estás
Na letra, e, os tempos cumpridos,
No céu, no céu estarás.

– Da seção Deus, p.9, vol. cit, vide Fontes abaixo*


SantasORAÇÃO A TERESINHA DO MENINO JESUS
(da seção As Santas, op. cit. ver fontes* – duas orações)

Perdi o jeito de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Santa Teresa não, Teresinha…
Teresinha… Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.

Me dá alegria!
Me dá a força de acreditar de novo
No
Pelo sinal
Da Santa
Cruz!
Me dá alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!…
Santa Teresa não, Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.


ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA BOA MORTE

Fiz tantos versos a Teresinha…
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória…
Nem era amores… Nem foi dinheiro…
Pedia apenas mais alegria:
Santa Teresa nunca me ouviu!
Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.
Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita, —
Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!


E por fim, um link para que você possa continuar lendo poemas de Manuel Bandeira, seleção do site A Voz da Poesia.
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Cosac Naify(*) Fontes:
BANDEIRA, Manuel. “Poemas Religiosos e Alguns Libertinos”. Seleção e posfácio: Edson Nery da Fonseca. Título original: “Poemas de Manuel Bandeira com motivos religiosos. Texto do Prefácio da 1a. edição por Gilberto Freyre. 2a. ed. revista e ampl. – S.Paulo: Cosac Naify, 2007, 112 pp. 9 ils. ISBN 978-85-7503-581-8.
Ubiquidade é da pág. 9.
Oração a Nossa Senhora da Boa Morte, pág. 26.
Oração a Teresinha do Menino Jesus, pág. 50.

Rezando com os poetas (1)

  • VEM DE FRANKLIN DE OLIVEIRA as citações que me inspiram nessa tarde quente de início de feriadão:S.DomingosMeditando.jpg

“Louvado seja N.S. Jesus Cristo

E a mãe dele – Nossa Senhora, minha madrinha.

Louvado seja o que é d’Ele e d’Ela vem:

ritos, omitos, benditos, são beneditos !

Louvadas sejam suas palavras tão bonitas:

Gloria Patri, Aleluia, Salve Rainha

e também suas palavras misteriosas:
per omnia secula, vita eterna, amen.

Louvado seja este louvado em nome d’Ele
E mais louvado que este “louvado” – Jesus Cristo
mais  a mãe d’Ele – Nossa Senhora, minha madrinha.

Louvadas sejam as virtudes teologais
e entre elas três seja louvada a Fé.

Louvados sejam os santos nacionais

martirizados pelos caetés.

Louvadas sejam as coisas religiosas:
santas missões e procissões, sermões.

Louvado seja o meu país cristão
pelo tempo da Páscoa descoberto
todo enfeitado como um céu aberto.

Louvado seja esse Jesus d’aqui.
Jesus camarada, Cristo bonzão,
a quem todo brasileiro ofende tanto
contando sempre com o seu perdão.”

(Jorge de Lima, Novos Poemas , in Obra Completa, p.306-7, Ed. Aguilar, 1958).
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Oração a Teresinha do Menino Jesus
(Manuel Bandeira)

Perdi o jeito de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Santa Teresa, não, Teresinha…
Teresinha, Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.

Me dá alegria!
Me dá a força de acreditar de novo
No Pelo Sinal
Da Santa
Cruz!
Me dá alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!…
Santa Teresa, não, Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.

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(*) Fontes: OLIVEIRA, Franklin de. “A Fantasia Exata”, Zahar Editores, RJ, 1959, p.130-1;
BANDEIRA, Manuel. “Poemas Religiosos e alguns libertinos”. Seleção e posfácio de Edson Ney da Fonseca. S.Paulo. CosacNaif, 2007, p.50.
post-Post:
Como não me contentava com o final do poema, como transcrito por Franklin de Oliveira, fui à antologia da Aguilar e completei a transcrição que dá sentido ao “Cristo bonzão” rima fácil para Perdão. O que se estende a são Jorge, da trindade sagrada dos poetas católicos do Brasil (junto com Murilo Mendes e A.F.Schmidt). E tenho dito, por hoje.
Fraternellement à vous,
Beto.