Elizabeth Bishop (1)

Meu artigo no Jornal Opção sobre a poetisa norte-americana.

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Órfã de pai, que perdeu a mãe para um hospício, a solitária Elizabeth tem o que dizer e como dizê-lo. Viveu no Brasil durante 15 anos e “entre o aconchego e a melancolia” escreveu muito e criteriosamente, mas sem jamais tem entendido o país que a acolheu…

No mínimo…#12

João Cabral de Melo Neto

JOÃO CABRAL DE MELO NETO em inglês, versão de autoria de Gallway Kinnell*.

Dando sequência à série de poemas e mais motivado por essa notícia lida hoje cedo, transcrevo mais um poema do mestre Cabral, da Antologia organizada por Elizabeth Bishop e Emanuel Brasil (1972).

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Da Antologia “Brazilian Poetry”, An Anthology of Twentieth-Century, Bishop & Brasil, 1972, p.150/51. 

No mínimo, um poema ao dia…#4

UM POEMA POR DIA (4) – ELIZABETH BISHOP (1911-1979).

i. Original e, logo abaixo, ii. Tradução de Nélson Ascher.

i. Poema original.


One Art

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
faces, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next- to- last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

— Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

*.*
Do livro “Geography iii” (1976).

ii. Poema traduzido em Português por Nélson Ascher assim:

Uma certa arte


(trad. Nélson Ascher)*


A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.

Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.

Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.

Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.

Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.

Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.

*****
BISHOP, Elizabeth. In: ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998. – Consultado hoje, 14h47p.m. Miami, Flórida.
Em “How to Read a Poem and Fall in Love With Poetry”, Edward Hirsch comenta sobre este poema que é o modelo de “design” – o como fazer da Poesia; neste caso um exercício na forma franco-italiana de “Villanelle”, proveniente da canção folclórica italiana e trazida para a América no final do séc. XiX. (c) imagem destacada – Blog Poets United.