Poesia falada…Cem poemas essenciais

Projeto na Rádio Sagres-730 AM de Goiânia, GO.

Poema #85
A Rosa, do poeta goiano Valdivino Braz, música de fechamento, “Rosa Blanca” com Fernando Perillo, de Fernando Perillo / José Marti.

A ROSA – Valdivino Braz

(Poema para Eugênio Andrade)p.1

Uma rosa é uma rosa,
mas uma coisa é a rosa de Gertrude,
outra a rosa o Improviso de Andrade.

A rosa e a neve da vida breve.
De que serve uma rosa no inverno,

A não ser para arder com a lenha
na lareira da linha que se escreve?

O inverno é uma folha em branco,
alva rosa a beleza da neve.
O que mais se deseja da rosa,
senão que a neve lhe seja leve?

Na rosa da rima, a rosa é o poema.
Perdure o mistério de Eugénio.
A rosa eterna,
bela imagem do Efêmero.

Perpétua a flor do tempo.
E a flor do peito?
A face oculta
feita de pétalas pretas.

Outros outonos virão,
outros invernos,

Pela rótula do retorno.

Primavera? Verão?
Uma rosa, o coração.

Eis o link para ouvir minha récita deste poema:

Cem poemas essenciais

Está no ar o projeto “Cem poemas essenciais”, um sonho que acalentamos por um ano, foi ao ar hoje em sua primeira edição.

A idéia é levar a Poesia ao dia-a-dia, em meio ao noticiário do programa “Manhã Sagres 730”.
Com a generosa contribuição técnica de Roberval Silva, Coord. Petras de Souza, na rádio Sagres 730.

O anúncio e a explicação do programa teve uma prévia na entrevista abaixo, feita por Rubens Salomão, âncora do “Manhã Sagres”, o primeiro programa foi ao ar hoje está no site da Sagres 730.
Para ouvir a entrevista, clique no link abaixo:

Herberto Helder (1930-2015)

Neste artigo, o foco é a obra do poeta português Herberto Helder, considerado por muitos como o maior poeta português pós-Fernando Pessoa. Vale a pena conhecê-lo.

Leia Mais...

Projeto Poesia Falada*Nova Fase

Rudyard Kipling – Projeto em nova fase.  Poesia Falada. “projeto “Os 100 mais belos poemas populares do mundo”- Edição de áudio de Roberval Silva. Produção: Paulo Rolim.

Joseph Rudyard Kipling foi um autor e poeta britânico, conhecido por seus livros “The Jungle Book”, “The Second Jungle Book”, “Just So Stories”, e “Puck of Pook’s Hill”; sua novela, “Kim”; seus poemas, …Wikipédia
Nascimento: 30 de dezembro de 1865, Bombaim, Índia
Falecimento: 18 de janeiro de 1936, Londres, Reino Unido

PoetaRudyardKipling
SE…(If) 

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling

 

Imortal Jorge de Lima, apesar de a Academia achar que não!

LEIA-SE, dizia Manuel Anselmo em 1939, no Ensaio de Interpretação Crítica sobre A Poesia de Jorge de Lima:

Poema “Acendedor de Lampiões”, do livro XIV Alexandrinos (1907)
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
****************************************
Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!

—–
“LEIA-SE, com atenção, esse seu [dele, Jorge] célebre soneto “O Acendedor de Lampiões”, que consta hoje de várias antologias brasileiras…Aqui está, afinal, uma atitude de solidariedade humana que não destoa daqueloutra que consta dos seus poemas negros, por exemplo, “Pai João”, e se continua, com intensidade, nas páginas do seu romance “Calunga”. Além disso, esse soneto acusa uma facilidade verbal que não é, aliás, irmã dos esforços deslumbrados desses ourives florentinos que foram os parnasianos. Erradamente se apelidou, pois, de parnasiana, uma experiência que foi, afinal, clássica e tradicional.”

(*) Transcrito de Jorge de Lima, Poesia Completa, vol. I, p.37/8.