Cem poemas essenciais

Está no ar o projeto “Cem poemas essenciais”, um sonho que acalentamos por um ano, foi ao ar hoje em sua primeira edição.

A idéia é levar a Poesia ao dia-a-dia, em meio ao noticiário do programa “Manhã Sagres 730”.
Com a generosa contribuição técnica de Roberval Silva, Coord. Petras de Souza, na rádio Sagres 730.

O anúncio e a explicação do programa teve uma prévia na entrevista abaixo, feita por Rubens Salomão, âncora do “Manhã Sagres”, o primeiro programa foi ao ar hoje está no site da Sagres 730.
Para ouvir a entrevista, clique no link abaixo:

Poesia falada

CONTINUAÇÃO do projeto – agora com poemas de amor (1).
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Poemas lidos nesta versão:

Poeminha Amoroso – Cora Coralina

 

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…

E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.

Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.

Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…

♠♠♠♠♠♠

As sem razões do amor  Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,

E nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,

Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

♠♠♠♠♠♠

Bilhete – Mário Quintana

 

Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Clique no link abaixo para ouvir os poemas falados:
SOUNDCLOUD do Beto.

O espaço

O Espaço
*********Adalberto de Queiroz

Porque a poesia nos coloca
em estado-de-emergência –
como dizia o Gaston,
Eu vos digo: eis-me aqui, acólito
do ritual canônico do verbo
criando stanzas velhas – atónito (!)
com o poder etéreo, soberbo.


Sem impertinências, nem pedras pelo caminho,
– pedras estão diante dos olhos!
as pedras clamarão, agora clamam.
Não há senão as que me levem de volta à casa do Pai.
– Eis-me aqui, Senhor, de corpo e alma;
inaugurando uma forma:
voando pelo Espaço
sem deixar a doida da casa
roubar-me o plano de voo.
./.

Adalberto de Queiroz, Destino Palavra, 2016. p.50.
Este poema encontra-se gravado no SoundCloud, falado por mim, para ouvi-lo, clique no link abaixo.

Queres ler o quê (VII)

Mais um Poema falado no SoundCloud.DestinoPalavraMenor
Fonte: “Destino palavra”, edição do Autor, 2016, p.51/2.
Queres ler o quê?

Do poeta Jorge de Lima um poema-
pergunta me assalta; e me lança a poço
tão fundo, de tardia Samaria isolada:


– Queres ler o que
tão só se entrelê
e o resto em ti está?

Flor no ar sem umbela
nem tua lapela;
flor que sem nós há.”

Leio, leio, e pouco se me dá
que o lido da memória escape
como líquido que se esvai –
e, assim, da flor o fruto não sai.

 

Não estando preso na jaula de Pound
O poeta feito pássaro triste na gaiola
Da métrica, da rima exata – na Roma
De uma só pedra mineral e ingrata:
Ao lido e relido colho a flor falhada.


Vou assim pelo caminho lendo com prazer,
até  que me alcance Filipe, como ao eunuco,
o carro em movimento, a mente em chamas,
coração em brasas; e repita a pergunta de Jorge:

– Entendes tu o que lês?


Desabrochará na flor d’água a flor mais próxima
A flor-estrela, a flor entendimento do que houver
A flor que há, árida ou úmida – não importa a lapela
de etíope, ou americano que soa – coração do que lê…

A JORGE DE LIMA* por Murilo Mendes

POEMA FALADO por mim em SoundCloud.

Jorge de Lima+CapaVol1ObraCompleta

A JORGE DE LIMA (por Murilo Mendes)
INVENTOR, teu próprio mito, Jorge, ordenas,
e este reino de fera e sombra,
Herdeiro de Orfeu, acrescentas a lira.

À mesa te sentaste com os cimeiros
Dante, Luís de Góngora, o Lusíada,
e Lautréamont, jovem sol negro
que inaugura nosso tempo.

O roteiro traçando, usaste os mares.
A ilha tocas, e breve, a configuras:
ilha da realidade subjetiva
onde a infância e o universo do mal
abraçam-se, perdoados.
Tudo o que é do homem e terra te confina.

Inventor de novo corte e ritmo,
sopras o poema de mil braços
fundas a realidade.
Fundas a energia.
Com a palavra gustativa.
A carga espiritual
e o signo plástico
nomeias todo ente.

Oh frêmito e movimento do teu verso
mantido pela forte e larga envergadura.
Força da imagem que provoca a vida
e, respirando, manifesta
o mal do nosso tempo, em sangue exposto.

Aboliste as fronteiras da aparência:
no teu livro de espanto se conjugam
sono e vigília,
vida e morte,
sonho e ação.

Nutres a natureza que te nutre,
mesmo as bacantes que te exaurem o peito.
Aplaca tua lira a pedra, a angústia:
cantando clarificas
a substância de argila e estilhaços divinos
que mal somos.
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Poema publicado em “Letras & Artes”, suplemento do jornal A Manhã, Rio de Janeiro, 24 de agosto 1952.

A Noite Escura da Alma de S.Juan De La Cruz, Poesia Falada por Beto Queiroz.

S. João da Cruz
S. João da Cruz
Protetor dos Poetas, San Juan de La Cruz.

A Noite Escura da Alma de S. João da Cruz,
Poesia Falada por Adalberto Queiroz.