Rebloggling

Pessoas queridas:

Parece que muitas pessoas querem retomar o hábito de blogar, sem ser pagas por isso.

Se você tiver este propósito claro,é possível não ser corrompido por uma empresa ou por uma multinacional brasileira que carrega verbas do tipo *.gov pra que você blogue o dia inteiro.

Esse não é o propósito de gente que tem poucos e fiéis leitores e amigos de blogs antigos. Mas há um aliado a toda gente de bem. O Google promete dar evidência a sua Autoria nos posts (confira no link).

Nosso propósito é mesmo reviver uma fase ingênua dos blogs em que éramos calmos e lentos, discutíamos muitos e não havia um escambo entre o fazer blogs.

Há pessoas maravilhosas envolvidas nesse desejo de voltar a “blogar”. Algumas delas se expressaram a partir de uma provocação de Mônica Manna no FB.

Daí, vieram muitas pessoas para falar do mesmo tema: como era verde o nosso vale de blogs. Hoje, tudo parece mais cinza, mais rápido, mais ininteligível para todos nós. Há também outras hipóteses, p.ex. uma comunidade no Google _+  pode ser uma hipótese de retomada dos nossos contactos.

Bem-Vindo(a)!

Trenzinho caipira

Foi brincando com meu neto, antes da sonequinha que me garantiu vir aqui (to do a quick post), que pensei em quanta saudade o trem – meio de transporte – me causa.

O barulhinho de ´tchu-tchu, train` que Lucas emitia, enquanto brincava com sua pequena composição, me fez lembrar de mil referências emocionais e afetivas relacionadas ao trem.

Algumas são musicais, como o Trenzinho Caipira (F.Gullar-Villa-Lobos), o Trenzinho na voz do João…e, mais recentemente, The Train, canção do The Nits.

Outras lembranças são literárias e musicais, ao mesmo tempo:

Penso agora que minha memória afetiva registrou Milton, mas só acho EDU Lobo com a interpretação para o Trenzinho.

A evasão é sonho antigo, viajando de trem.

Post-post: a memória me traiu, pois o arranjo para o poema é mesmo de Edu Lobo. O outro trem que andava rondando a memória era o Trem Azul, este sim do Milton Nascimento.

Linguagem

Um neto pode mudar muita coisa. A forma de comunicação é só uma faceta de um universo em mutação para nós, avós. É hora de rever nosso jeito de nos comunicarmos, falando ou ouvindo: no esforço de entender o garoto e procurando ser entendidos.
Meu neto de 2 anos e meio (born in USA), ouve a língua de Camões (por ser a língua materna) e o inglês, do pai. Responde em língua de criança de 2,5 anos com um strong accent da língua de Shakespeare.
No meio, há palavras ininteligíveis até pra Mommy (dele).DSC01441
Não vou fazer um glossário do portuglish do meu neto porque não me acho preparado ainda (estou cadastrando algumas mais engraçadas) mas de vez em quando eu me sento como o matuto que vai ao cinema, na estória de Jessier Quirino.

De qualquer forma, nossa comunicação transcende a tudo por conta dos laços familiares… mas de vez em quando, me sinto como o matuto no cinema:

– “Aí o artista: “num-sei-que-lá, num-sei-que-lá, num-sei-que-lá…

Bom é saber que os laços familiares mudam tudo, possibilitando uma comunicação eficaz e, principalmente, de muito Afeto…

Aproveito o tema Linguagem – em qualquer idade -, para deixar pra você, leitor, a criação de Jessier Quirino que com certeza pode fazer você rir um bocado!.

Mais que140 toques…não é twitter!

É mais fácil publicar músicas ou 140 caracteres. A preguiça me impede de vir mais vezes aqui mostrar a voz do dono do blog.  O mais das vezes, orquestro vozes e tons.

César Miranda, sim, publica originais e inovadores 2000 toques.

Isso me faz lembrar de meu tempo de estágio em jornalismo em que havia laudas e laudas para preencher e se exigia cumprir uma pauta. Éramos os filhos da pauta… Agora, somos filhos do pluto: latindo a 140 toques, numa verdadeira conversa de malucos.

Quando jovem eu amava as manchetes, mas imagino que o mancheteiro de O Globo deva ser uma pessoa infeliz, obrigado que é a se expressar em um texto blocado de uma ou duas linhas e x (poucos, pouquíssimos?) toques.

Não me sinto confortável com 140 toques, mas também não me sinto confortável com a pletora moderna de (des)informação: escrever, escrever, de vez em sempre mentir…

Caetano tem a certa aproximação: “quem lê tanta notícia?” Ou seria: quem mente em tanta (des)notícia?

O fato é que aqui em meu espaço de flâneur internet me permito variar do minimalismo da citação ao espaço pensador da resenha de livro, não mais que isso: não há filosofia ou pensamento que me faça perder em variações.

Trazidas por Nivaldo Cordeiro ou Fal Azevedo, as pessoas que aqui chegam podem migrar para Voegelin ou Cesar Miranda (ou vice-versa). O normal é continuarem vindo por conta de Françoise Hardy e Piero Della Francesca…Eric Voegelin, Emily Dickinson etc.

Ou, pessoas chegam por conta da respeitável aproximação com  SS. o Papa Bento xvi que cita Hoederlin  ( e sem fazer referência à inscrição no túmulo de Pascal ), onde se lê:  non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est – não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é divino!

Sinto também que as pessoas que me visitam chegam até aqui movidas por um assunto e depois se movem para outros: dia dos avós, eric voegelin, aznavour etc. etc. toda a francofonia e todo o catolicismo incluso…

Aos pacientes que continuam me visitando, prometo mais ânimo para escrever 200 toques or more… além do Twitter e do Blip.fm.

Post-post: Lembrei-me de um texto antigo do professor Olavo de Carvalho que tem a ver com isso. (Re)Leiam, vale a pena (post original de 12.julho.2004,sob o título “Uma Conversa de Maluco Foi”):

Foi pensando sobre o avassalador crescimento do Orkut – que é uma iniciativa do oráculo pós-moderno (Google) -, sobre a multiplicidade de opiniões e a profusão das “comunidades virtuais” que ali se hospedam, quando me veio à mente este texto do filósofo Olavo de Carvalho em sua Aula 4, “Aristóteles”:

É preciso uma certa homogeneidade do imaginário para que as pessoas consigam opinar diferentemente sobre as mesmas coisas. Uma certa unidade do mundo imaginativo, simbólico, artístico etc. é condição sine qua non para que possam surgir correntes de opinião que de fato reflitam os conflitos e as diferenças nascidas da experiência real daquela comunidade.
(…)
Quando falo do imaginário organizado, estou tomando como exemplo alguma sociedade bem simples, uma tribo de índios que vive numa paisagem mais ou menos estável, conhecida de todos, e onde os elementos básicos da experiência humana também acabam sendo conhecidos de todos. Desde que o sujeito nasce até ele ficar adulto, ele mais ou menos teve experiências parecidas com as dos outros membros da tribo e sabe como expressá-las. Este seria o caso mais simples, portanto, o caso ideal. Quando dois índios dessa tribo imaginária divrgem, eles sabem sobre o que estão divergindo, porque o fundo de experiência é comum e a linguagem simbólica na quala experiência se expressa também é comum. (…)

À medida que a sociedade humana se integra em comunidades maiores, integrando também elementos de proveniências culturais diferentes – como, por exemplo, todos os grandes impérios da Antiguidade, que se formam por agregação de pequenas culturas -, então, aí se instaura a Torre de Babel. A partir desse momento surge a necessidade de novas formas artísticas que consigam expressar a experiência comum. Às vezes o artista consegue fazer isso, às vezes não consegue. Na situação brasileira atual, por exemplo, creio que há mais de 30 anos eu não vejo uma obra de arte literária, teatral, cinematográfica que tenha algo a ver com a experiência real brasileira. Tudo me parece repetição do que foi dito numa outra etapa. Nós estamos no ano 2002, e as formas artísticas são exatamente as mesmas dos anos 60, com tudo o que aconteceu depois. Então isto aqui ficou enormemente complicado, mas parece que que a imaginação artística não está conseguindo abarcar e dizer o que a gente vivencia no dia-a-dia.

Na medida em que acontece isso, as discussões públicas, que são evidentemente a confrontação dos discursos retóricos, começam a parecer uma conversa de maluco, porque o indivíduo acredita que está expressando uma coisa que tem validade coletiva, que é a experiência coletiva, mas não é; às vezes é experiência só dele, do grupo dele, aquilo é muito subjetivo. O interlocutor, por sua vez, às vezes não percebe que aquilo é subjetivo, não percebe que o indivíduo está falando somente dele mesmo; acredita que está falando dele e responde. Daí, é totalmente inviável essa discussão – é por isso que nenhuma discussão sobre nada a chega a conclusão alguma.
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Fonte: “Aristóteles: Aula 4″ por Olavo de Carvalho, Coleção História Essencial da Filosofia, Ed. É Realizações, S. Paulo, 2003.