Virar o disco

Eu estive, nos últimos dias, mais maravilhado com os edifícios mentais de Safron Park* e com a paisagem da janela – em minha rápida passagem pelo frio de Curitiba – do que com as questões aéreas que me afetaram diretamente.

O fato é que as “moças dos cabelos vermelhos e dourados, colhendo lilases antes do café, com a gravidade inconsciente e magnífica das moças“(*) do mundo inteiro sensibilizam muito. Mas não me sensibilizaram tanto a ponto de me fazer esquecer as esperas intermináveis que continuaram acontecendo nos aeroportos brasileiros e das quais eu fui vítima durante 12 horas dos meus 5 últimos dias…

Eu não tenho o hábito nem o prazer de ficar pousando (num gerúndio correto) em circunstâncias. Pouso com a realidade. Rezo e pouso. No pouso, eu rezo (já disse antes que as aeronaves são minhas catedrais). Eis a realidade deste cristão. E leio…

Ler em vôo é uma alegria que traz uma tranquilidade contra as circunstâncias do vôo – turbulências temporárias (e difíceis) quand même! Num desses vôos instáveis de Goiânia a S.Paulo-Congonhas descobri na leitura de um livro de Alexandre Soares Silva a melhor solução jamais adotada de unir prece, paraíso e anjos num só estágio – pousei em paz lendo o final de “A Coisa Não Deus”, e o livro teve a mágica de desaparecer com as turbulências. Pouco me afetaram as circunstâncias porque me sentia viajando num ônibus lilás sob o céu de chumbo da metrópole (sem pensar nos controladores de vôo brasileiros…só nos anjos). Ouso dizer que a melhor solução para os leitores que tenham dificuldades com turbulências é ler Alexandre em pleno vôo, sem ouvir os circunstantes – vizinhos de poltrona, em geral, são a pior inspiração nesses casos.

Já no vôo de Curitiba a Goiânia, minha fórmula foi Chesterton – de volta pra casa constatei que não há estrada longa no caminho de volta pra casa (o filme Apolo 13 já me demonstrara esta tese!) e, durante o vôo (e as esperas) fiz um plongée em G.K.C.

E assim, não foi tão difícil agüentar as 12 horas de aeroporto e longos discursos e esperas e a tentativa da cia. aérea de falar sobre o impossível de ser feito (o que seria razoável). Fosse saboroso o jantar pago por obrigação, não o seria ver a mãe com 3 filhos submetida à longa espera que durou até às 3 da manhã. Este avô (com alma de menino) estava no mesmo vôo, transformado em revoltado por empatia. Um vôo Curitiba-Goiânia que deveria durar teoricamente 2h45 no limite, virou um calvário de 12 horas.

Mas voltemos ao tema (se é que ele existe). O tema é a revolta do cidadão que ousa constatar (e dizer): o governo desrespeita a cidadania. Apesar de este mesmo governo incensá-la na propaganda. A União Soviética já nos provou, com sobejos exemplos históricos, de que A não é (KG)B.E Cuba, idem.

A verdade é que vivemos um governo típico de “Mário e o Mágico“. Os malabaristas tomaram o poder nas agências (des)reguladoras.

E eis-nos aqui: sem estradas, por conta do órgão (ir)responsável (Dnit) e sem direito a um competente sistema de transportes aéreos (por conta da incompetência do Estado: das Infraeros, e Anac… dos presidente, ministros etc.). E sem direito de ir-e-vir por terra, água ou ar, só nos resta a evasão pela boa ficção.

O cidadão continua entre o espeto e a brasa: não há estradas (tampouco ferrovias), não há ônibus seguros (os assaltos são constantes!) e não mais aviões seguros e no horário.

Et pourtant, entregam medalhas as pessoas que deveriam cuidar desta situação caótica.

Esse o meu dilema e do Brasil: virar o disco. Tocar outra música. Trocar o líder. Eu também. Preciso falar mais do que me vai no coração. O Brasil vai muito mal por conta de um governo incompetente. Preocupado com os interesses individuais de seus eleitos. Alheio à corrupção (pois é parte disso tudo), o Governo é feito por uma espécie de vencedores que se apoderaram do espólio. E nós, cidadãos, somos as vítimas dos que se apropriaram de um verdadeiro “butim” na guerra dos votos.

Sinceramente, quando sigo o conselho de virar o disco (e não falar só de religião) – dá-me ganas de falar de guerra. Estou como Syme, o personagem de Chesterton, com desejo de empunhar a espada ou tê-la entre os dentes, contra a bandidagem que dirige o País. Estamos diante da corja. Ousemos nos revoltar. Virar o disco e dizer não ao Poder.

O Lulismo é uma escória protegida pelo óleo sagrado das urnas (ó triste óleo que se exime pelo voto ignaro). Estamos diante da pior bandidagem que já se apoderou do Estado brasileiro. Há situações: como esta de retribuir terroristas (ex-militares revoltados contra o Regulamento a que juraram dever e honra) que são aberrações jamais vistas em países no exercício do Estado de Direito (vejam o caso Lamarca!).

Enfim, revoltar-nos contra a situação dos aeroportos seria uma pequena parcela do exercício do direito da classe média que não compreende o que está acontecendo contra todo o Direito brasileiro, em pleno mandato do Lulismo. A pior Ditadura que se pode exercer. A sutil e plena ditadura dos lulistas no Poder…

Virando o disco, eu vos digo: o país está sem controle e este bloguero sem paciência com este des-governo.
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(*) Fonte: “O Homem Que Foi Quinta-Feira“, G.K.Chesterton, Ed. Germinal, RJ, 2004.
P.S.: Virando o disco, quer atender o chamado de minha mulher e de amigos que dizem: volte a falar de outros assuntos além da Religião. Esta é uma tentativa. Espero que não frustrada.