Não imanentizar o “escathon” cristão

Um verbete para entender o capítulo sobre Eric Voegelin em “The shipwrecked mind” (Mark Lilla), via Felipe Pimenta´s blog. Clique no link para ler:
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A Tentativa de Imanentizar o Eschaton, por Eric Voegelin

Crônica do deserto particular

Um poema de Alberto da Cunha Melo

Poema nenhum, nunca mais,
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos
composto apenas de nós mesmos
uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas

seu deserto particular,
ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.

Foi o que deflagrou pensar naqueles períodos conhecidos como de deserto espiritual (ou deserto de criatividade). Daí o mote para a “Crônica do deserto particular”.
Clique na figura para lê-la.
Destarte 23 MAIO 2018.PNG

A matemática da exclusão

Há autores que conquistam público, mas antes convencem a mídia. Outros, patinam com a conquista do público por terem se tornado excluídos das conversações e da matemática de multiplicação e dos algoritmos de divulgação.

Eis o caso da norte-americana, sulista e católica Flannery O´Connor que precisou de 45 anos desde a estreia em livro nos EUA para ser traduzida no Brasil. A divulgação de seus escritos é precária e o êxito obtido em outros países não se repete no Brasil, onde é lenta a conquista do público porque o mal-estar da Crítica e dos resenhistas com ela é enorme… Flannery OConnor

Comparada a outros escritores sulistas dos EUA, como Faulkner, Flannery não tem uma fortuna crítica que a possa ombrear com estes grandes que tiveram a acolhida amigável da imprensa brasileira – caso de Clemens, Faulkner e [Thomas] Wolfe – que têm seu trabalho traduzido, seja em Portugal, seja no Brasil, havendo no caso de determinadas obras, mais de uma tradução…

Pois bem, sem mais delongas, vá para o artigo. Leia-o e, se gostou, curta-o, comente, mas não deixe o silêncio continuar como um véu sobre o trabalho de Flannery O´Connor…

https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/destarte/flannery-oconnor-como-a-matematica-da-exclusao-125048/

Onde trato do vazio de traduções no Brasil…

No artigo de hoje em Opção Cultural (Goiânia), trato do desprezo que as editoras e os tradutores dão no Brasil a dois escritores católicos dos EUA – Flannery O´Connor e Hart Crane. Confiram, clicando no link.Destarte 02 MAI 2018

Um poema falado na revista Perseus

Feliz por poder ampliar meus poemas falados num novo veículo.
Agradeço aos editores da Revista Perseus pela acolhida.

Cliquem na figura para ouvir o poema de Afonso Felix de Sousa, nosso conterrâneo (goiano) mais famoso no mundo da Poesia do século XX.

afonso_felix_de_sousa1

TURRIS EBURNEA ****Afonso Felix de Sousa.
https://revistaperseus.wordpress.com/2018/05/01/turris-eburnea/?fb_action_ids=158671438305075&fb_action_types=news.publishes

Foram degraus
e degraus
e degraus
e aqui estou
senhora
no alto
da torre

Céu limpo
e eu limpo
do pó das ruas
assim purificado
senhora
aqui eu só espero
que venhas

Enfim sós e longe
de tudo
e embalados em rede
de nuvem
que senhora farra
faremos
senhora

Enfim sós e longe
de tudo
e sentado a uma mesa
de nuvem
com que versos mais belos
senhora
vou falar do mundo
ao mundo

Por que me trazes
senhora
à janela
da torre?
Não vês
que aquele lá embaixo
crucificado
nos cruzamentos
das ruas
sou eu
senhora?
Não vês
como me jogam
as ruas
pra lá e pra cá
e como de mim fazem
gato e sapato
senhora?

Foram degraus
e degraus
e degraus
para chegar ao alto
da torre
e a torre
senhora
não existia

Afonso Felix de Sousa. “Itinerário Leste & outros poemas.”