Sexta-Feira Santa

Bruno Tolentino.jpgAh que o Amor de Cristo nos constrange :
Depois d´Ele, nenhum cordeiro imolado, não mais.
Depois do processo e infâmia contra o inocente:
– Não mais ovelha sacrificada, não mais…
Em nenhum altar invocado o sacrifício, não mais.
Depois dele, nenhuma vítima inocente, não mais.
– Só a cruz erguida.
Só essa árvore cósmica.
Esse madeiro pro náufrago à deriva…
Suas raízes  penetrando o dia-a-dia
Do que crê.
Arrostando
O lombo do
Descrente
Ralo da dúvida.

O Cristo não venceu apenas a Morte, Ele venceu também a solidão humana. Em vão acusam a Cruz de fazer sombra à vida. A Igreja nos responde, com uma alegria cheia de lágrimas, na Quinta-feira Santa:
“Ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo…”
(*)

(*)“Crucem tuam adoramus, Domine, et sanctam ressurrectionem tuam laudamus et glorificamus: ecce enim propter lignum venit gaudium in universo mundo” : adoramos, Senhor, a tua Cruz, e louvamos e glorificamos a tua santa ressurreição: por causa do lenho da Cruz vem a todo o mundo o gozo (Antífona1ª para ser cantada enquanto se adora a Santa Cruz).

E para fechar essas reflexões desta Sexta-Feira Santa, 2009, um poema de Bruno Tolentino:

O Segredo
*****Bruno Tolentino

O Cristo não é
um belo episódio
da história ou da fé:

nem o clavicórdio
nos dedos da luz,
nem o monocórdio

chamado da Cruz.
O crucificado
chamado Jesus

é o encontro marcado
entre a solidão
e o significado

do teu coração:
de um lado teu medo,
teu ódio, teu não;

de outro o segredo
com seu cofre aberto,
onde o teu degredo,

onde o teu deserto,
vão morrer, mas vão
morrer muito perto

da ressurreição.

Poema O Segredo, “As horas de Katharina”. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 180.
(*) F. Mauriac, “Sofrimento e Felicidade do Cristão”, p. 182.

 

Imagens e impressões de Milão

Nesta viagem à Itália, decidimos vir à Toscana, começando a viagem por Milão.

Como voamos via Miami, chegamos a Milão bem cansados, numa semana em que a cidade vive uma agitação especial por conta de uma das centenas de feiras que a cidade recebe por ano. Desta vez, a “Milan Fashion Week“.

Claro, há o Duomo (a Catedral) de Milão era incontornável, apesar da multidão que acorreu ao local na sexta-feira pela manhã.

Piazza Duomo lateral.jpg

Ficamos pouco tempo na área, onde ficamos pouco tempo, tomamos um café e não nos animamos a entrar na fila para ir ao topo da catedral, tampouco animei-me a ir ao Museu do Novecento, ao lado do Duomo.

As multidões nos assustam um pouco, desde que turismo e terrorismo estão intimamente ligados na Europa, com a proposta de violência que parece ser o motor de ignição do Islã… ficamos, portanto, em um pequeno passeio pela área do centro histórico – sendo que o mercado medieval se encontrava em obras.

Um vendedor de revistas e discos (formato vinil) chamou-me atenção num daqueles arcos que divide a área do mercado medieval, claro que minha mulher superou o temor às multidões para dar uma olhadinha na galeria mais chique do centro de Milão, mas o que ficou mesmo na memória da gente foi o vendedor de vinil com seu quiosque “Discovery”.

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Galeria Vittorio Emanuele II
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Um quiosque dedicado ao vinil

 

 

 

 

Em Sant´Ambrogio

Sant’Ambrogio é um bairro calmo e familiar, embora exista lá uma penitenciária.
Talvez por isso mesmo, sente-se um clima de segurança a mais para os habitantes.
Ruas tranquilas, com crianças, idosos e religiosos que vêm e vão, sem muito agito.

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O maior atropelo que se tem é o barulho das ambulâncias que chegam ao Hospital da Via San Vittore, próximo ao museu de Ciência e tecnologia, que fica ao lado da Igreja local.

Nosso hotel (B&B) fica na calma Via Degli Olivetani, 4 – um lugar tranquilo para o turista. Ao católico que esteja interessado em arte, Milão oferece muitas alternativas – como a cinco minutos daqui o quadro da Santa Ceia de Da Vinci, recentemente restaurado. O quadro fica aqui próximo, na Igreja Santa Maria delle Grazie.

Mas, para quem quer apenas (!) rezar, pode-se ficar pelo bairro mesmo, pois a San Vittore oferece o melhor ambiente de meditação e oração, sem o ruído dos clics de máquinas e celulares de turistas.

 

San Vittore
Rua San Vittore
Um morador de rua_chapeu Burberry
Um caminhante com um chapéu de marca (Burberry)!
Restaurante Simon's
Simon’s Restaurante na Via San Vittore

No próprio bairro Sant’Ambrogio pode-se comer e se instruir (há bons restaurantes mais badalados e também restaurantes de bom preço, onde os moradores do local usam fazer suas refeições!) e há algumas livrarias e teatros (dois no mínimo).

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Um Hölderlin com uma introdução histórica do poeta italiano Giorgio Vigolo (1938).

Cem poemas essenciais

Está no ar o projeto “Cem poemas essenciais”, um sonho que acalentamos por um ano, foi ao ar hoje em sua primeira edição.

A idéia é levar a Poesia ao dia-a-dia, em meio ao noticiário do programa “Manhã Sagres 730”.
Com a generosa contribuição técnica de Roberval Silva, Coord. Petras de Souza, na rádio Sagres 730.

O anúncio e a explicação do programa teve uma prévia na entrevista abaixo, feita por Rubens Salomão, âncora do “Manhã Sagres”, o primeiro programa foi ao ar hoje está no site da Sagres 730.
Para ouvir a entrevista, clique no link abaixo:

Hermilo Borba Filho: o sangue na escuridão

Pode um homem durar uma centena de anos na terra, mas sua obra pode ultrapassar os séculos…este o caso dos escritores, na maioria dos países hegemônicos.

No Brasil, no entanto, onde a idade média sobe a sete décadas, os escritores têm sua memória apagada em menos de meio século depois de desaparecidos.

Este é o caso de Hermilo Borba Filho, de Lúcio Cardoso e de tantos outros.
Nesta crônica para a coluna “Destarte” do jornal Opção Cultural Online, procuro resgatar um pouco da memória de Hermilo (1917-1976) que, ao longo de seus 59 anos, deixou obra marcante no Teatro feito no Brasil, na prosa de ficção (novelas, romances, contos), sendo um marco importante na literatura de Pernambuco.

Confiram, clicando no link abaixo:

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Crônicas da América (3)

A cidade dos Anjos (Los Angeles) e uma canção francesa dos anos 70 (“So far away from L.A.”) dão o mote para esta terceira crônica da série Crônicas da América. Confira, lendo o artigo completo: clique no link abaixo.

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